Posts de Adriana Santos
09 nov 2017

Gabriel: um chef de cozinha especial que deixou o preconceito de lado e criou uma marca de brigadeiro

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Gabriel Bernardes Lima, 21 anos, conquistou o coração dos brasileiros, em especial depois da apresentação do jovem no Programa da Eliana do SBT.  Ele tem síndrome de Down, criou a marca de brigadeiros “Downlicia” por incentivo da própria mãe, Martha Bernardes, e já vende muitos docinhos. As receitas de Gabriel são disponibilizadas em vídeo em seu canal do YouTube, que já conta com cerca de 9 mil inscritos: www.youtube.com/downlicia

O rapaz começou a fazer brigadeiros gourmet para contribui com as contas de casa. A família mora na zona sul de São Paulo e já passou muitas dificuldades. “O Gabriel começou a se interessar por cozinhar com uns nove anos. Ele fazia sanduíches e sucos. Já maior, eu o ensinei a mexer no fogão, e ele aprendeu a fazer café, fritar ovo… Quando falava para alguém o que ele sabia fazer, percebia que a pessoa me olhava desacreditando. Foi assim que tive a ideia de gravar os vídeos”,  esclarece a mãe dele.

No Brasil, cerca de 300 mil pessoas nascem com Down a cada ano. Trata-se de uma falha genética que ocorre quando o feto está sendo formado. Uma célula humana considerada normal possui 46 cromossomos, divididos em 23 pares. Por alguma razão desconhecida, pode ocorrer um erro no começo do desenvolvimento embrionário e é criado um cromossomo extra, que fica ligado ao par 21. O resultado é  célula com 47 cromossomos.

A síndrome não é considerada uma doença, mas existem algumas complicações que um Down pode apresentar com mais frequência que outra criança, como má formação cardíaca e do intestino, baixa imunidade, problemas de visão, de audição, respiratórios e odontológicos. Algumas características físicas são bem específicas, como os típicos olhos amendoados com uma caída de pálpebra mais acentuada, uma prega única na palma das mãos, língua que tende a ficar fora da boca (língua protusa) e hipotonia (flacidez muscular). A criança pode apresentar certo comprometimento intelectual, que não a impedirá de desenvolver-se como qualquer outra pessoa se receber muita estimulação e amor.

Gabriel é realmente um jovem especial. Ele nasceu de uma mãe destemida e amorosa, além de receber doses cavalares de afeto de sua irmã mais velha.

Adriana Santos: Como foi a sua primeira experiência no preparo dos brigadeiros?

Gabriel: Foi muito legal. Gostei muito de misturar e achar o ponto certo, gostei mais de enrolar e comer 😂

A princípio, você encontrou alguma dificuldade?

Sim. É difícil saber a hora certa de desligar o fogo 😩

Como começou a gravação dos vídeos nas redes sociais?

Minha mãe achou que seria legal gravar e mostrar tudo que eu sei fazer

Qual os brigadeiros que você mais gosta de preparar?

Paçoca e tradicional

Quais brigadeiros você recomenda como os mais saborosos?

Todos

Como você se sente em ser famoso, principalmente depois da sua apresentação no Programa da Eliana do SBT?

Eu fico muito feliz das pessoas gostarem do meu trabalho e é  muito legal ser reconhecido nos lugares, tirar foto com as pessoas. Estou vendendo mais brigadeiros e ganhando mais dinheiro pra comprar meu carro.

Qual o seu conselho para quem está começando?

Não pode ter preguiça e não pode desistir.

Veja só o vídeo que o doce Gabriel fez para o nosso blog. Parabéns, Gabriel. Nós estamos torcendo para que você consiga comprar o carro mais bonito da praça.

24 out 2017

Síndrome pânico afastou 20 mil pessoas do trabalho entre 2012 e 2017

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Foto: Getty Images

Por Maria Inês Vasconcelos – Advogada Trabalhista, especialista em direito do trabalho, professora universitária, escritora

O novo modelo empresarial do século 21 vem sendo baseado em trabalhadores saudáveis, que atuam em organizações sustentáveis. Já se fala em sustentabilidade empresarial no campo do trabalho.  Sustentável, neste aspecto, é a empresa que se preocupa com a qualidade do ambiente de trabalho, propiciando condições favoráveis à manutenção da saúde física e mental de seus empregados.

Contudo, algumas empresas brasileiras vêm andando na contramão. Segundo dados da Previdência Social, a síndrome do pânico afastou cerca de 20 mil pessoas do trabalho entre 2012 e 2017. O transtorno, geralmente desencadeado por estresse ou propensão genética, causa sintomas de ansiedade intensa, falta de ar e aceleração dos batimentos cardíacos. Atualmente, um dos principais fatores que influenciam o desenvolvimento da doença é um ambiente de trabalho permeado por cobranças intensas, exageradas e insuportáveis.

Por meio de formas de gestão obsoletas e indignas, e adotando uma visão completamente desfocada dos princípios que norteiam a relação de trabalho, as empresas atuais “coisificam” seus empregados e exploram a mão de obra além dos limites. Uma das piores e mais nefastas formas de exploração é a violência psicológica.

A violência psicológica se faz de diferentes e ilimitadas formas. Assim, tudo que possa abalar o psiquismo do empregado, causando ou agravando sua doença mental nesta categoria, se enquadra. Podemos exemplificar essa situação de violência psicológica com um “padrão gerencial” que vem literalmente “nocauteando” a mão de obra e trazendo enormes danos ao psiquismo do trabalhador.

Com uma cobrança intensa, as empresas exigem resultados impossíveis de seus trabalhadores, fazendo uso de técnicas levianas e imorais, que até podem culminar na ameaça do corte demissional. Essa pressão constante, para o atingimento de metas, leva o trabalhador à verdadeira “loucura”! Muitos sucumbem com menos de um ano, contraindo em geral, a síndrome do pânico e depressão.

Neste cenário, também se destaca a imposição de jornadas muito longas e ritmo “alucinante” de tarefas. Atualmente, além de fazer muitas horas extras, o trabalhador ainda é mantido “plugado” ao trabalho, fora de seu horário, por meio do uso de celulares e computadores. Ao longo dos anos se tornou popular o chamado “plantão”, que é vedado pela lei, pois entre um turno e outro de trabalho, há de se ter um intervalo de onze horas.

Certo é que o crescimento dos índices de adoecimento mental do trabalhador é um fato que não pode passar despercebido pelos empresários, trabalhadores e judiciário. Se o cenário da doença do trabalhador era antes dominado pela Lesão por esforço repetitivo (LER), hoje não mais o é.  A depressão e as doenças de ordem ansiosa, onde se inserem a Síndrome do Pânico, o estresse pós-traumático e o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), vem “roubando a cena”, não havendo dúvidas do acréscimo de patologias mentais.

Como afirmo anteriormente, o modelo empresarial do século 21 não retrata a realidade do cenário atual.   O índice de crescimento no adoecimento mental do trabalhador é um indício de que as coisas não vão bem, por isso é preciso que as empresas se conscientizem de que explorar a mão de obra de maneira abusiva, é um enorme “nonsense”, isso se levarmos em consideração o alto custo social da reparação destas doenças e os reflexos negativos que atingem até mesmo o seio familiar. Como registrou a advogada, Tallita Massuci Toledo, “o empregador não pode se furtar à sua responsabilidade social de manter condições de saúde e segurança a seus empregados”.

Acredito que se os empregadores não se conscientizarem de que são responsáveis não só pela qualidade da saúde física de seus trabalhadores, mas também da saúde psicológica dos mesmos, em breve a doença mental decorrente do trabalho, vai se tornar uma epidemia.

23 out 2017

SAÚDE E LITERATURA: Psicólogos lançam livro sobre redução dos riscos de desastres

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As catástrofes, sejam elas naturais ou provocadas pela ação do homem, sempre fizeram parte da história da humanidade.  Considerando a realidade de vulnerabilidade relacionada à ocorrência de desastres, em particular no Brasil, tornou-se evidente a necessidade de uma gestão integrada formada por profissionais multidisciplinares.

O livro O psicólogo na redução dos riscos de desastres: Teoria e prática, destinado a professores, estudantes, psicólogos e demais profissionais ligados à Proteção e Defesa Civil, oferece diferentes possibilidades de intervenção do psicólogo nas ações para prevenir e minimizar desastres, antes, durante e após eventos adversos, buscando integrar teoria e prática, criando novas oportunidades àqueles que estão expostos a cenários de desastres, ajudando-os a se preparar, responder e reduzir os impactos de uma catástrofe.

A obra reúne importantes artigos sobre a atuação do psicólogo na Redução dos Riscos de Desastres, foi organizada pelos pesquisadores Daniela da Cunha Lopes e Olavo Santanna Filho e já é considerada uma grande contribuição aos profissionais da área. O livro é dividido em três partes.

Parte 1 – Fundamentos teóricos da psicologia nas emergências e nos desastres
Capítulo 1 – A psicologia nas emergências, nos desastres e nos incidentes críticos
Capítulo 2 – Psicodinâmica decorrente de situações traumáticas e o transtorno do estresse pós-traumático (TEPT)
Capítulo 3 – Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil
Capítulo 4 – Profissionais de primeira resposta, de Defesa Civil, de resgate médico de urgência e demais profissionais da área da saúde que atuam em situações traumáticas.

Parte 2 – O fazer do psicólogo em cenários de emergências, desastres e incidentes críticos: da teoria à prática

Capítulo 5 – Suporte psicológico a bombeiros militares
Capítulo 6 – Psicologia na gestão integral do risco de desastres: o caso do terremoto em Caraíbas (MG)
Capítulo 7 – Gestão de riscos de desastres baseada na comunidade: contribuições da/para a psicologia
Capítulo 8 – Desastres aéreos e suas implicações na atenção integral
Capítulo 9 – Intervenções da psicologia na tragédia da boate Kiss
Capítulo 10 – O megadesastre de 2011: humanização e construção de ação centrada na pessoa
Capítulo 11 – A construção do cuidado psicossocial aos atingidos no desastre de Mariana (MG): um relato de experiência.

Parte 3 – O fazer do psicólogo em cenários de conflitos armados, epidemias e auxílios humanitários.

Capítulo 12 – Intervenção de psicólogos de organização não governamental em desastres e situações de auxílio humanitário

Capítulo 13 – Atenção psicológica em conflitos armados e desastres naturais: relatos de experiência em cenários internacionais.
Na última sexta (20/10), na Livraria do Psicólogo, estive com dois autores do livro “O psicólogo na redução dos riscos de desastres”. Eles deixaram vídeos exclusivos para o blog Saúde do Meio.
 

MARIANA

O maior desastre ambiental do Brasil foi abordado no capítulo 11, com o título: “A construção do cuidado psicossocial aos atingidos no desastre de Mariana (MG): um relato de experiência”.  A barragem do Fundão se rompeu no dia 5 de novembro de 2015, destruindo o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, e atingindo várias outras localidades. Os rejeitos também percorreram cerca de 40 cidades do Leste de Minas Gerais e do Espírito Santo. O desastre ambiental, considerado o maior e sem precedentes no país, deixou 19 mortos. Confira:

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