Posts de Adriana Santos
19 maio 2015

A neuropsicologia para um envelhecimento saudável

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Com textos elaborados por pesquisadores de diversos campos do conhecimento e organizado por professores considerados expoentes na área, “Neuropsicologia do Envelhecimento” publicado pela editora Artmed, aborda diferentes desafios científicos para uma velhice mais saudável, tais como psicologia do desenvolvimento, nutrição, reabilitação cognitiva, psicofarmacologia, educação física, neurociências, entre outras. Para falar mais sobre envelhecimento saudável, entrevistei o Dr. Ramon Cosenza, um dos autores do livro. Acompanhe:

Adriana Santos: O Brasil já foi considerado um país jovem, mas estudos apontam para o envelhecimento da população em poucas décadas. Estamos mais velhos. Como a ciência pode ajudar no nosso envelhecimento saudável, fisicamente e emocionalmente?

Dr. Ramon Cosenza: A população, não só do Brasil, mas de todo o mundo está se tornando mais velha. Isto é uma conquista da nossa civilização, mas traz também uma série e desafios e custos que precisam ser enfrentados. Os estudos estão deixando claro que, para que se mantenha um envelhecimento saudável, é importante que os idosos lancem mão não só de recursos internos (saúde física e mental) mas também de recursos externos (econômicos e sociais).  Nossa Sociedade precisa adaptar-se a essa nova realidade e prover os recursos necessários para que uma população mais idosa possa desfrutar de qualidade de vida nas décadas adicionais que estão se tornando comuns. Ainda vivemos num ambiente cultural que tende a desvalorizar o envelhecimento e os idosos. Socialmente, existe um preconceito (ageísmo) que torna o processo de envelhecimento mais penoso e estimula os comportamentos para disfarçar a passagem dos anos. No entanto, a população madura, que tende a se tornar cada vez mais numerosa, pode ainda contribuir de forma muito positiva para a sociedade em geral, não só no ambiente familiar como no próprio mercado de trabalho.

Adriana Santos: Somos mais velhos, portanto temos mais saúde?

Dr. Ramon Cosenza: O aumento da longevidade é decorrente de melhorias na saúde que incluem, avanços no saneamento, diminuição da mortalidade infantil e por doenças agudas na idade adulta. Dessa maneira, podemos agora chegar saudáveis a uma idade mais avançada (a expectativa de vida era em torno de 40 anos em 1900 e hoje está em torno dos 80 anos nos países desenvolvidos). Por outro lado, doenças crônicas tendem a aparecer com o envelhecimento e os idosos mais velhos estão inegavelmente sujeitos a elas.

Adriana Santos: A velhice é sinônimo de doença?

Dr. Ramon Cosenza: Uma grande reviravolta da gerontologia nas décadas finais do século XX foi exatamente a percepção de que o envelhecimento pode ocorrer sem a incidência de doenças. Anteriormente, acreditava-se que isso era impossível, que o envelhecimento era sinônimo de doenças. As pesquisas chamadas “longitudinais”, feitas com grande grupo de pessoas que são acompanhadas ao longo de muitos anos, têm mostrado que os idosos, atualmente, tendem a ser mais saudáveis do que em épocas precedentes. Ou seja, as doenças que costumam aparecer com o aumento da idade têm ocorrido mais tarde, permitindo maior número de anos com qualidade de vida. Pelo menos nos países desenvolvidos, a maior longevidade tem se acompanhado de menos anos de incapacidade, e não o contrário, como poderia ser esperado. Contudo, é bom lembrar que o processo de envelhecimento é muito variável e cada pessoa envelhece de uma forma particular.

Adriana Santos: Como a mudança de comportamento pode ajudar no processo de envelhecimento, já que o perfil epidemiológico mudou (somos mais afetados pelas doenças crônicas)?

Dr. Ramon Cosenza: Muitas doenças são naturalmente inevitáveis. Não só os condicionamentos genéticos, mas as circunstâncias ambientais e sociais podem levar ao adoecer. Contudo, sabemos que os hábitos saudáveis de vida são extremamente importantes para promover a saúde ao longo de todo o ciclo vital. Levar uma vida ativa, do ponto de vista físico e mental, manter uma alimentação saudável, evitar o fumo e outras drogas, manter-se integrado socialmente e evitar o estresse desnecessário são os principais itens para chegar a uma velhice bem sucedida.

Adriana Santos: Como a Neuropsicologia pode alertar aos mais jovens da importância da prevenção e da promoção da saúde?

Dr. Ramon Cosenza: A neuropsicologia estuda as relações entre o funcionamento do cérebro e as funções cognitivas (memória, atenção, linguagem, capacidade de autoregulação, etc). Ela nos ensina que o cérebro tem uma grande plasticidade intrínseca, que se mantém por toda a vida, mas que diminui com o passar dos nos. Assim, nem sempre o desempenho dos idosos pode ser comparável ao dos indivíduos mais jovens. O envelhecimento cerebral cobra um preço no desempenho dessas funções e, além disso, existem doenças degenerativas, como as demências, que podem ter nelas um efeito devastador.  Por isso é importante que o cérebro seja adequadamente estimulado em todos os períodos da existência. Mesmo ao envelhecer, somos capazes de manter aquelas funções das quais nos utilizamos cotidianamente. Além disso, sabe-se que um cérebro mais rico em conexões possui o que se chama de reserva cognitiva, o que pode retardar o aparecimento dos sintomas das demências, como a Doença de Alzheimer. Pessoas com maior nível educacional, por exemplo, podem ter um certo grau de proteção (não que as demências não apareçam, mas o seu cérebro terá uma capacidade de resistir por mais tempo à degeneração).

Adriana Santos: Podemos manter a mente mais jovem por mais tempo? Quais as principais dicas na prevenção de doenças neurodegenerativas?

Dr. Ramon Cosenza: É preciso fazer uma distinção entre o envelhecimento cognitivo e as doenças neurodegenerativas. Essas últimas podem ser, como dissemos, muitas vezes inevitáveis. O envelhecimento cognitivo, por outro lado, está ligado ao envelhecimento cerebral  e pode sofrer intervenções, pois se não é possível impedir o envelhecimento, podemos ao menor diminuir ou retardar suas consequências. As pesquisas realizadas revelam que os estilos de vida que combinam atividades cognitivas estimulantes e atividade física permanente, controle nutricional e a manutenção de uma rede de interação social são essenciais para a preservação da saúde cognitiva na idade madura.

Adriana Santos: Qual a importância da saúde integrada, articulada ou multidimensional para a prevenção e tratamento de algumas doenças na velhice?

Dr. Ramon Cosenza: Sabemos que o conceito de envelhecimento saudável é multidimensional. É preciso levar em conta aspectos biomédicos, psicossociais, cognitivos e emocionais. Muitas vezes indivíduos portadores de doenças crônicas ou deficiências físicas ou mentais relatam que se consideram envelhecendo satisfatoriamente. Além disso, sabemos que é muito importante o sentimento de auto eficácia. Os idosos com atitudes mais positivas com relação á velhice e com um propósito na vida tendem a ser mais otimistas e podem inclusive viver mais.

Adriana Santos: Qual é a principal dica para o envelhecimento saudável?

Dr. Ramon Cosenza: Não existe uma dica principal. Os elementos mais importantes já foram relatados anteriormente. Talvez possamos dizer que o importante é aceitar o envelhecimento como mais uma fase da vida, com vantagens e desvantagens, sendo preciso otimizar o próprio funcionamento dentro das realidades vivenciadas. Aceitar as limitações do envelhecimento e simultaneamente preservar, o mais possível, o funcionamento físico e mental que permitam um envolvimento social produtivo são sinais inequívocos de sabedoria e garantia de um envelhecimento saudável.

18 maio 2015

Direito animal em Minas

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Noraldino Junior e Fred Costa são jovens deputados de Minas Gerais que trabalham firmes na luta pelo direito animal. Para fortalecer a causa,  foi instalada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais a Comissão Extraordinária de Proteção dos Animais. O objetivo da iniciativa é promover discussões, debates e proposições relacionados à Defesa dos Animais no estado.

Já foram realizadas duas reuniões da Comissão Extraordinária de Proteção dos Animais da Assembleia de Minas. Na primeira foram apresentados 38 requerimentos. Um deles solicita que os animais apreendidos na feira hippie de Belo Horizonte possam ser colocados para adoção, e não devolvidos aos proprietários. Na tarde da última quinta-feira várias denúncias de irregularidades e maus-tratos foram apresentadas contra canis de Barbacena, Ubá e Viçosa.

Uma das principais solicitações é de um debate público para discutir a importância do controle populacional ético, a apuração de crimes de maus tratos e a aplicação da Lei Federal 9.605, de 1998, os aspectos técnicos e jurídicos relacionados à leishmaniose visceral canina e o bem-estar animal. Com tema correlato, será realizada audiência pública para debater a realização de rodeios, provas do laço e vaquejadas no Estado.

Os parlamentares informaram que em breve a Comissão estará reunida com o Secretário de Estado de Planejamento de Minas, Helvécio Miranda Magalhães Júnior, para definir as diretrizes e as propostas pela causa animal no Estado.

Foi anunciado também o e-mail para receber sugestões e denúncias: protecao.animal@almg.gov.br

“Precisamos de um espaço na ‪‎Assembleia Legislativa em que tenham pessoas com o interesse voltado com o propósito de discutir ações e políticas em favor da Defesa dos Animais no nosso estado. Bem estar dos animais no setor pecuário e no espaço doméstico, combate ao tráfico da fauna silvestre, controle de epidemias e a ética na utilização de animais em pesquisas. Tudo isto será pauta da comissão criada”, destaca Fred Costa, vice presidente da Comissão.

Filhos peludos do coração

Onze cães foram adotados no lançamento da Comissão.

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OAB & Senador

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Representantes da Comissão de Direitos Animais da ‎OAB de ‪‎Minas estiveram com o senador ‪‎Anastasia para apresentarem sugestões de mudança do status Civil dos animais no Código Civil. O parlamentar se comprometeu a ajudar a causa animal.

Um PL saído do Senado com certeza será aprovado. São várias pessoas de peso trabalhando pelo mesmo fim. Venceremos” diz Edna Cardozo Dias, presidente da Comissão.

A presidente da comissão de Direito dos Animais entregou ao presidente da OAB Minas, Luís Cláudio Chaves, minuta da moção que será encaminhado ao Congresso Nacional em que solicita modificação do artigo 82 do Código Civil.

Segundo Edna Cardoso, “a alteração é baseada sob a premissa de que animais são seres sensíveis, que devem ser protegidos por leis especiais. E, não havendo essa lei específica, só assim aplicar-se-ia a lei de bens”.

A advogada explica que em países como Alemanha, Suíça, Áustria, e França, já existe a alteração do ‘status civil’ do animal. Edna Cardoso está à frente de uma campanha para que pretende mudar paradigmas e permitir que as leis de proteção ao animal levem em consideração os animais e não outros interesses, como os econômicos.

Em síntese, a minuta apresentada ao presidente da OAB/MG diz que os animais (sejam silvestres, exóticos ou domésticos) não podem ser regidos como se fossem bens de consumo.

ParCÃO

Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, inaugura a criação de um espaço de lazer para cães, o Parcão. Saiba mais com Valéria Ribeiro.

 

15 maio 2015

As vítimas do agrotóxico

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O Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxico no planeta, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas em 2009, equivalente a um uso médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante.

Entre 2007 e 2014, foram registrados no país 34,147 casos de intoxicação por  agrotóxico, de acordo com a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA). São vários os problemas de saúde causados ​​por esse tipo de intoxicação: malformação de feto, câncer, infertilidade, problemas cardíacos e neuronais.

Os agrotóxicos são amplamente utilizados com a justificativa de alimentos com preços mais acessível. No entanto uma utilização indiscriminada destes produtos pode causar danos à saúde humana e animal e ao meio ambiente.

As doenças ocupacionais e intoxicações acidentais são frequentes, devido à dificuldade na utilização de equipamentos de segurança quanto ao uso seguro dos agrotóxicos e á baixa escolaridade do trabalhador rural.

No Brasil, conforme Normas Regulamentadoras, tambem conhecidas Como NRs, regulamentam e fornecem orientações sobre procedimentos obrigatórios relacionados à segurança e medicina do trabalho. Essas Normas são citadas no Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A Norma Regulamentadora 31 tem como objetivo estabelecer preceitos a serem observados na organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar o compatível planejamento e o desenvolvimento das atividades da agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura com a segurança e saúde e meio ambiente do trabalho.

Em entrevista exclusiva para o Blog “Saúde do Meio”, o desembargador Anemar Pereira do Amaral da Justiça do Trabalho de Minas Gerais (TRT) explica sobre o não cumprimento das exigências da Norma Regulamentadora 31 e sobre a falta de notificação por parte da Saúde dos casos dos trabalhadores expostos a agrotóxicos.

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