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07 jul 2015

Nutricionista ensina dicas e truques para uma alimentação saudável na infância

Arquivado em Saúde & Literatura

alimentação

Saúde&Literatura Há 20 anos, a desnutrição infantil era um problema de saúde pública. Faltava comida na mesa dos pequenos brasileiros. Hoje, o Brasil enfrenta outro desafio: a obesidade infantil. Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que quase 35% das crianças entre 5 e 9 anos estão acima do peso. Doenças como diabetes, hipertensão arterial e até mesmo câncer são provocadas pelo excesso de peso das nossas crianças. Como mudar esse quadro e garantir às crianças saúde e longevidade? No livro Alimentação saudável na infância – Conceitos, dicas e truques fundamentais, a nutricionista Cláudia Lobo mostra o caminho para implantar – e manter – uma alimentação saudável na rotina dos pequenos. Com dicas e soluções práticas, ela ensina a escolher os alimentos adequados e prepará-los de forma saborosa e nutritiva.

Adriana Santos: Muitas mães ficam apavoradas quando não conseguem convencer os próprios filhos sobre a importância de consumir frutas, verduras e legumes. Como driblar as manhas e birras na hora de comer?

Cláudia Lobo: As recusas alimentares são normais para todas as crianças, principalmente quando elas começam a entrar em contato com sabores, consistências, cheiros, cores diferentes dos alimentos, como acontece a partir do início do desmame, por isso é importante que os pais tenham consciência disso e saibam administrá-las, primeiramente não se deixando estressar por essas situações, prevendo-as e não se rendendo a elas, ou seja, as recusas são normais, inevitáveis e acontecerão em algum momento, porém devem ser consideradas como parte de um processo de aprendizagem e não como determinantes precoces dos hábitos alimentares das crianças.

Segundo, nunca, jamais, em tempo algum substituir o alimento rejeitado por outro de que a criança goste mais; se a criança rejeitar um alimento, preparação ou refeição, aceite, lembrando-a, delicadamente e com seriedade, porém sem tom de ameaça, de que aquilo que foi rejeitado não será substituído por outro alimento, seja ele qual for, mesmo que seja solicitado (como certamente será) através de todo e qualquer tipo de recurso que as crianças costumam usar para conseguirem o que querem como choro, birra, gritos, pedidos insistentes, carinhas tristes etc. e o mais importante: manter a promessa.

Alguns estudos comprovam que para se formar um hábito alimentar, a exposição repetida de novos alimentos à crianças deve ser feita de forma sistemática. Um mesmo alimento deverá ser apresentado e oferecido à criança, de 8 a 10 vezes. Alguns citam um oferecimento de 12 a 15 vezes até. Em dias espaçados, claro. O hábito de ver um alimento sempre à mesa, fazendo parte da alimentação da família, é um fator que favorece a aceitação do mesmo. A recusa inicial do seu filho a alguns alimentos deve ser encarada como uma resposta normal, pois é um exercício de adaptação, portanto, não se estresse ou se preocupe demais. Ter calma, paciência e perseverança é fundamental. Um processo de educação ou reeducação alimentar de uma criança pode levar de 6 meses a 1 ano, portanto não desista nas primeiras tentativas.

Use travessas bonitas, pratos decorados, e copos com motivos infantis na hora de servir. Você pode utilizar também os próprios brinquedos das crianças para servir algumas preparações (depois de bem lavados, claro); por exemplo, um caminhãozinho com a caçamba cheia de brócolis e cenouras baby ou os pratinhos do joguinho de jantar de sua filha para servir tomates-cereja, morangos, etc. Enfeite as preparações. Faça comidas divertidas com carinhas, monstros, flores. Tolere alguma bagunça à mesa de vez em quando, como deixar seu filho pegar alguns alimentos com a mão e lambuzar-se. Brinque você também com a comida.

Adriana Santos: A rotina estressante nos faz acelerar tudo, inclusive a mastigação. Por que a mastigação é tão importante na hora da alimentação?

Cláudia Lobo: A má mastigação pode acarretar problemas digestivos como azia, refluxo, indisposições gástricas em geral. Lembre-se de que o estômago não possui dentes. Ele não vai mastigar aquele pedaço grande de alimento que você engoliu. Aquele pedaço vai ficar lá no estômago mais tempo do que deveria, vai ser atacado pelos ácidos que não vão dar conta do recado. Dessa forma, o estômago vai produzir mais ácido para tentar digerir aquele pedaço, o esvaziamento gástrico vai ficar mais difícil, enfim, vai exigir muito do pobre do estômago; depois vai exigir muito do intestino também e das outras glândulas que participam da digestão dos alimentos. Nesse sentido, todos esses órgãos vão ter que trabalhar dobrado para fazer o que têm que fazer, a fim de aquele alimento ser processado adequadamente e ter seus nutrientes absorvidos, antes de ser transportado e depois eliminado. Imagine essa aventura acontecendo a cada refeição, todos os dias, por vários anos. Um dia, todo o corpo vai sentir suas consequências.

Alimento mal mastigado também será mal absorvido, o que fará você perder em absorção de nutrientes. Além disso, a mastigação bem feita permite que o cérebro receba estímulo eficaz e envie sua mensagem de saciedade, evitando exageros alimentares. É isso mesmo, mastigar bem emagrece e/ou evita que se engorde. Só após 20 minutos de mastigação é que o cérebro libera a produção do PYY pelo intestino, hormônio responsável pela saciedade. A salivação é que é a responsável por essa liberação. Enquanto esse hormônio estiver circulando na corrente sanguínea nos sentimos saciados.

Existem ainda muitos outros ótimos motivos para você caprichar na mastigação dos alimentos, mas que não dizem respeito diretamente à nutrição e sim à fonoaudiologia e à odontologia, a má mastigação pode gerar consequências como a falta de harmonia do crescimento facial, deixando a musculatura orofacial flácida, influenciando negativamente nas suas funções. Durante o ato mastigatório, trabalhamos vários músculos que são articuladores, de extrema importância e ativos no processo da produção dos sons da fala, como os músculos responsáveis pelo vedamento labial, abertura e fechamento da boca, trituração dos alimentos e a língua, um dos músculos mais ativos durante a fala e mastigação.

Adriana Santos: Como escapar dos modismo alimentares e oferecer uma alimentação equilibrada para nossos filhos?

Cláudia Lobo: Os motivos que levam uma criança a preferir alguns alimentos a outros são os mais variados, mas estou convencida de que essa preferência é estimulada e aceita muito facilmente primeiramente dentro de suas próprias casas. Uma criança de dois anos, por exemplo, que já teve o contato com o sabor doce do açúcar, dos refrigerantes, chocolates, balas e afins, assim como com o gosto diferente das frituras e o salgadinho dos snacks, certamente o fez por terem sido esses alimentos disponibilizados a elas dentro de seu próprio ambiente familiar ou no convívio com seus familiares, nada de muito errado nisso, mas a frequência de consumo desses produtos, a quantidade oferecida e o fato de os pais cederem regularmente às vontades dessa criança quanto ao consumo desse tipo de alimento é que a fazem obviamente rejeitar outros tipos de alimentos não tão saborosos ao seu confuso paladar. É um ciclo vicioso: disponibilização de alimentos pouco nutritivos –> rejeição de alimentos saudáveis –> disponibilização de alimentos pouco nutritivos.

É importante lembrar também que a insistência sistemática, agressiva, seja através de pedidos, chantagens, comparações, barganha, promessas, ameaças, ou mesmo dar comida na boca da criança enquanto a distrai com histórias ou outro divertimento para que ela nem perceba o que está comendo são artifícios que muitos pais utilizam, mas não são educativos de forma positiva e podem trazer muitos prejuízos à criança, tanto à sua saúde física quanto à emocional.

À medida que a criança vai crescendo ela também começa a ser exposta à mídia agressiva dos alimentos industrializados e fast foods, que descobriram na criança uma importante e leal consumidora, geradora de milhões de reais a essas empresas anualmente e que utilizam todos os recursos para alcançar esse público tão lucrativo. Agora junte tudo isso: as crianças sofrem influência dos hábitos familiares desde bebês; aprendem desde cedo a gostar de alimentos altamente calóricos e pobremente nutritivos e os obtém fácil e abundantemente; assistem mais de quatro horas de TV por dia, segundo pesquisas; são influenciadas pelas propagandas de alimentos e pelos modismos; as crianças influenciam (decidem) as compras de supermercado e ainda comem mais guloseimas quando estão diante da TV, games ou computador, e verá que não é a toa que as crianças estão a cada dia que passa se alimentando pior e sofrendo em seus próprios corpos e na sua saúde as consequências dessa falta de cuidado e orientação.

Se há culpados pelo fato inequívoco das crianças estarem se alimentando mal, não são únicos. Talvez sejamos todos! Mas, mais importante do que procurar culpados é corrigirmos nossos próprios erros, como?, nos instruir mais e nos engajarmos nessa luta para orientar melhor nossos filhos para a vida, incluindo a alimentação.

Adriana Santos: Qual a importância das refeições feitas em família para o desenvolvimento da criança?

Cláudia Lobo: As ocasiões em que a família está reunida à mesa, podem ser um grande acontecimento para a criança em desenvolvimento; uma reunião assim, alegre, leve, em clima de união e cumplicidade faz a criança se relacionar positivamente com o momento de comer. Esse é um aspecto extremamente importante, pois as crianças adquirem preferências por alimentos quando formam associações entre as características sensoriais dos alimentos, principalmente a aparência, cheiro e o sabor e sensações positivas, como a gerada por um ambiente familiar descontraído, divertido. Se essas ocasiões são muito raras, tente se organizar para aumentar a frequência delas, pelo menos para uma refeição por semana regularmente, com todos os presentes, pais e filhos, ou a maioria deles.

Para ilustrar, veja só a que ambiente se associam os alimentos que os filhos adoram. Os doces, balas e outras guloseimas são alimentos que costumam ser oferecidos a eles em dias de festas, datas especiais, momentos de lazer, etc., não é?! Pois bem, devemos também oferecer o máximo de momentos especiais aos nossos filhos, relacionados com uma alimentação mais nutritiva e saudável. Você não precisa fazer nada extraordinário ou mirabolante para deixar o ambiente do dia-a-dia mais festivo e oferecer, nesse clima, alimentos saudáveis a seu filho, basta estar presente e curtir o momento com alegria e descontração.

Adriana Santos: O que é necessário no prato para garantir a nutrição saudável da criança?

Cláudia Lobo: Ainda não se conhece um alimento perfeito que por si só seja insubstituível ou que sozinho consiga garantir a saúde. O que ocorre é um conjunto de alimentos variados de grupos de alimentos que agem sinergicamente para essa função.

· Água

· Raios solares incidindo sobre a pele –absorção de vitamina D (O sol também influi na nutrição. A exposição solar, preferencialmente até as dez horas da manhã ou após as quatro horas da tarde é capaz de penetrar na pele e converter um precursor de colesterol em vitamina D. Essa vitamina é considerada um nutriente essencial e pode até ser consumida através da alimentação, mas existem muito poucas fontes alimentares naturais dela)

· Verduras

· Legumes

· Frutas

· Carboidratos – cereais, tubérculos, raízes, farinhas e preparações feitas com quaisquer desses alimentos

· Leguminosas – todos os tipos de feijões, ervilha, grão-de-bico, lentilha

· Proteínas de boa qualidade – carnes em geral, peixes, ovos, cogumelos, mistura de cereais e leguminosas (tipo arroz com feijão), quinoa, amaranto, castanhas e nozes, leite e derivados

· Gorduras do bem azeites extravirgens, óleos vegetais, manteiga

· Fibras – parte das plantas que o nosso organismo não consegue digerir, mas são necessárias para o bom funcionamento intestinal – farelos de cereais, cascas de frutas, hortaliças, frutas, leguminosas rtc.

Nós necessitamos de mais de 40 tipos diferentes de nutrientes para o bom funcionamento e desenvolvimento do nosso organismo, nas quantidades certas e todos os dias, principalmente as crianças, pois elas estão vivendo um período de intenso crescimento e desenvolvimento do seu corpo em todos os aspectos, incluindo o intelecto.

06 jul 2015

Os heróis da justiça estão em tripla missão

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Sábado é dia de cinema, pipoca, diversão e solidariedade. Os heróis do Projeto Social Liga da Justiça/BH participaram de uma missão especial: sessão de cinema com a APAE. A iniciativa teve o apoio da  Rádio Transamérica. Meninos e meninas foram convidados para uma sessão exclusiva do filme “Os Minions“.

A próxima missão da Liga será no próximo domingo (12/07), no “Arraiá dos Loucos que usam Tênis” e no “Treinão” da Nova Praça da Pampulha.  Os heróis pretendem arrecadar muitas doações para o Instituto Geriátrico Afonso Pena.  “Logo depois, já partiremos para o Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais, para visitar os verdadeiros heróis e seus familiares que se encontram internados. Neste, nossa missão será combater a tristeza daquelas pessoas que se encontram sob tratamento hospitalar. Será uma missão tripla. Mas, para os heróis da Liga, toda essa aventura já faz parte da rotina. Ajudar as pessoas, com certeza, ajuda a renovar nosso fator de cura mutante”, diz entusiasmado Daniel Bernhard, o Shazam da Liga da Justiça.

Informações:  loucosqueusamtenis@gmail.com  (Assunto: Arraiá dos Loucos) ou na página do Facebook Liga da Justiça

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06 jul 2015

Empresas mineiras investem em educação a distância com foco em acidentes de trabalho

Arquivado em Saúde do Trabalhador

ACIDENTES DE TRABALHO

O Brasil é o 4º país do mundo em número de acidentes de trabalho. Aqui, há uma média de oito mortes por dia provenientes de acidentes no ambiente profissional.  Cerca de 40 trabalhadores ficam inabilitados para o trabalho, a cada dia. O índice de acidentes medido entre 2008 e 2012 tem superado 700 mil anuais, de acordo com dados da Previdência Social. Esses números não incluem motoboys, militares, trabalhadores informais, domésticos e servidores públicos. A incidência de acidentes é maior entre os colaboradores no trabalho terceirizados. Segundo a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), quatro em cada cinco mortes no trabalho acontecem na terceirização.

Minas Gerais é o Estado do Sudeste onde há o maior índice de ocorrências de acidentes de trabalho que deixaram sequelas ou incapacidades entre pessoas com mais de 18 anos, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na tentativa de conscientizar empresários e trabalhadores sobre a importância da prevenção de acidentes, empresas mineiras oferecem serviços de consultoria em planejamento e desenvolvimento de programas de educação e treinamentos técnicos na modalidade a distância, envolvendo profissionais dos mais diversos segmentos industriais e pedagogos. Conversei com Marcos Aires, diretor da Datte Educação & Treinamentosobre direitos e prevenção. Confira:

Adriana Santos: “Pago porque a lei me obriga, mas não concordo. A desatenção dele foi o que provocou o acidente. Porque sou eu o responsável?”  Esta reação por parte dos empresários é bem comum por não se sentirem responsáveis pela causa do acidente e, tampouco, serem condenados ao pagamento de indenização por dano moral ou material ao empregado acidentado. Por que as empresas brasileiras ainda acreditam que a responsabilidade do acidente de trabalho é sempre do empregado?

Marcos Aires – Sócio – Diretor da empresa mineira Datte Educação & Treinamento: Basicamente, porque a fiscalização do ministério do Trabalho ainda é mínima. Faltam auditores fiscais para realizar as inspeções e fiscalizações em campo e as ações indenizatórias ainda são morosas na justiça. Desta forma muitos empresários acreditam que não serão responsabilizados quando da ocorrência de acidentes e acreditam que qualquer ação pode ser imputada ao trabalhador acidentado, eximindo-os de suas responsabilidades.

Adriana Santos: Como reduzir os acidentes no ambiente de trabalho?

Marcos Aires: Investindo em capacitação e qualificação, orientação e conscientização. O empregador precisa cumprir e evidenciar suas obrigações legais e exigir de seus empregados que façam a sua parte.

Adriana Santos: Qual a responsabilidade da empresa que contrata funcionários que trabalham em casa? Quando ocorre um acidente, a empresa pode ser responsabilizada pela Justiça do Trabalho?

Marcos Aires: Sim, se for contrato via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é obrigado, além da legislação previdenciária, a cumprir todos os requisitos previstos nas normas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Adriana Santos: O que o trabalhador deve fazer para que todos os direitos sejam cumpridos, caso ele tenha sofrido um acidente dentro da empresa?

Marcos Aires: Caso a empresa se negue a abrir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) o próprio empregado pode fazê-lo ou solicitar a seu sindicato de classe que comunique o fato através da abertura da CAT.

Adriana Santos: Como prevenir os acidentes ocorridos dentro do ambiente de trabalho?

Marcos Aires: Promovendo um ambiente seguro, cumprindo as determinações do empregador com relação às questões de saúde e segurança, realizando sempre a análise prévia dos riscos da atividade e adotando os controles necessários.

Adriana Santos: A empresa pode alegar que o empregado não cumpriu as exigências de segurança, por isso que ocorreu o acidente de trabalho?

Marcos Aires: Sim. Mas é preciso que ela tenha evidências das informações e treinamentos repassados ao empregado, do cumprimento de suas obrigações como empregadora e da forma como ela faz a gestão da segurança em suas instalações.

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