Posts de Adriana Santos
10 jun 2015

Como é feito o exame que investiga a saúde do intestino?

Arquivado em saúde
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Arquivo pessoal. Dri e Dona Deja, minha mãe.

Há dez anos perdi minha referência de vida por conta de um câncer agressivo. Minha mãe, na época com 60 anos, teve câncer no ânus com metástase no intestino. Ela chegou a usar três bolsas de colostomia.

Os sintomas apareceram sutilmente e disfarçados. Ela acreditava que o sangue expelido junto com as fezes fosse consequência de hemorroidas. Usou pomadas e medicamentos sem prescrição médica. Demorou a procurar ajuda de um médico. Por meio de um exame chamado colonoscopia, ela descobriu que não se tratava de hemorroidas, mas de um câncer nível dois no ânus. Minha mãe faleceu no ano seguinte.

Três anos após a morte da minha mãe, foi a vez da minha doce “Dinha” enfrentar um diagnóstico duro de câncer no intestino. Ela é minha madrinha de batismo e prima de primeiro grau da minha mãe. Logo em seguida, outra perda irreparável. Meu tio materno descobriu um câncer avançado no intestino sem esperanças de cura.

Desde esse tempo, por orientação de um proctologista, faço, a cada 5 anos, o exame preventivo e adotei hábito alimentares mais saudáveis. Consumo com regularidade fibras, abandonei as carnes e coloco no meu prato mais verduras, legumes e frutas frescas. Tudo bem colorido e saboroso. Agora me preparo para realizar mais um exame que investiga com detalhes a saúde do meu intestino.

O câncer colorretal abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. É tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso. Uma maneira de prevenir o aparecimento dos tumores seria a detecção e a remoção dos pólipos antes de eles se tornarem malignos.

Conversei com Christiane Poncinelli – presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed-MG) sobre os procedimentos na hora do exame (colonoscopia) e a importância da prevenção. Confira:

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Foto: Nereu Jr.

Adriana Santos: Como é realizado o exame colonoscopia (preparo, procedimento e sedação)?

Christiane Poncinelli: A colonoscopia é um exame endoscópico realizado com um aparelho flexível que permite o exame de todo o intestino grosso (principal local de doenças malignas) e também do segmento final do intestino delgado.

O paciente que será submetido a uma colonoscopia deve realizar uma consulta prévia com o médico que realizará o procedimento.  Neste momento o endoscopista vai avaliar a indicação do exame, as condições clínicas do paciente, o melhor local para a realização do procedimento e prescrever o preparo para o exame.

É fundamental que o intestino esteja limpo no dia do exame, sem resíduos sólidos e para tal a colaboração do paciente é fundamental. Na maior parte dos casos, recomenda-se uma dieta sem fibras, leite ou derivados, corantes ou carne na véspera do procedimento. O paciente é também orientado a ingerir quantidade abundante de líquidos claros e um laxativo leve no final do dia. Algumas horas antes do exame, ele ingere um laxativo mais potente e fica em jejum por cerca de 4 horas antes do início do exame. O preparo pode ser feito na residência na maioria dos casos. Pacientes mais debilitados são orientados a realizar o preparo em ambiente hospitalar.

O procedimento é realizado com o paciente deitado de lado, em posição confortável sem constrangimento. Ele recebe sedação venosa assistida pelo anestesiologista.

A colonoscopia não gera dor, entretanto, após o exame pode haver discreto desconforto abdominal gerado por distensão gasosa. O exame dura cerca de 20 a 30 min podendo se prolongar quando é  necessária a realização de  terapêutica como a ressecção de lesões (pólipos por exemplo).

Adriana Santos: A partir de qual idade é recomendado o exame?

Christiane Poncinelli: Considera-se que a partir de 50 anos, a população geral já tenha maior risco de desenvolver lesões do intestino. Entretanto, pacientes com história familiar de pólipos ou mesmo câncer de intestino, especialmente se o parente é de primeiro grau e apresentou a doença em idade mais precoce, o exame pode ser recomendado antes, geralmente 10 anos antes da idade do parente mais jovem.

Adriana Santos: O que são pólipos?

Christiane Poncinelli: Pólipos são lesões que se projetam na luz do intestino podendo ser planas ou terem um pedículo (pediculadas). Como se tratam de um crescimento desordenado de células, dependendo da sua avaliação histológica, os pólipos podem preceder lesões malignas e por isso são removidos para análise. A maioria dos pólipos é benigna e são muito frequentes com o envelhecimento. Mas é bom ficar claro que na maioria das vezes o pólipo é benigno e não se maligniza.

Adriana Santos: Um pólipo pode ser um sinal de predisposição para o câncer de intestino?

Christiane Poncinelli: Sim. Dependendo da histopatologia (estudo histológico da lesão). Os pólipos podem preceder o câncer de intestino e por isso devem ser sempre removidos.

Adriana Santos: Minha mãe e dois tios maternos tiveram câncer de intestino. O câncer de intestino é hereditário?

Christiane Poncinelli: Uma história familiar com três parentes (primeiro e segundo grau) com câncer de intestino tem grande importância e neste caso o paciente tem mais risco. Existem estudos genéticos para avaliar melhor a questão da hereditariedade mas certamente com esta história familiar o paciente tem mais chance sim. Entretanto a maioria dos tumores do intestino é considerada esporádica e não é familiar.

Adriana Santos: Realizo o exame colonoscopia a cada 5 anos e não apresento pólipos. Não como carne e consumo aveia, frutas e legumes com frequência. Estou no caminho certo?

Christiane Poncinelli: Sim! A ingesta de fibras com pouca quantidade de gordura e carne vermelha é uma boa orientação.

Pacientes de risco médio (acima de 50 anos, sem história familiar de Câncer de intestino e cuja primeira colonoscopia não tenha mostrado pólipos) poderiam realizar o exame até de 10 em 10 anos.

Adriana Santos: Uma dieta livre da carne ou com menor quantidade de carne vermelha ajuda a reduzir os índices de câncer?

Christiane Poncinelli: Os estudos mostram que obesidade, excesso de carne, especialmente salgadas, os embutidos parecem aumentar, em pessoas susceptíveis o risco de câncer. Recomenda-se uma dieta balanceada associada à atividade física regular.

Adriana Santos: Quando é necessário usar as bolsas de colostomia?

Christiane Poncinelli: Bolsa de colostomia é a exteriorização do intestino no abdome. È usada após uma cirurgia de urgência seja por um processo inflamatório mais grave (diverticulite por exemplo) ou um tumor obstrutivo. Nestes casos, após alguns meses, com o paciente já recuperado, pode-se fazer nova cirurgia e reconstituir o trânsito normal do intestino. Em algumas situações a colostomia pode ficar definitiva quando, por questões técnicas, não há como refazer este trânsito.

Adriana Santos: O câncer de intestino pode ser evitado?

Christiane Poncinelli: Há um fato interessante em relação ao câncer de intestino que é este caminho entre o pólipo (lesão benigna) e o câncer (a malignização do pólipo).  Este processo é relativamente lento (cerca de 10 anos) o que torna o câncer de intestino, na maioria das vezes previsível. Daí a importância da avaliação endoscópica cuidadosa com equipamentos modernos de alta resolução com possibilidade de magnificação de imagem e remoção segura das lesões. Entretanto existem tumores mais agressivos que quando são detectados já estão em fase avançada.

intestino

09 jun 2015

Os cinco estágios da morte e do morrer.

Arquivado em Saúde & Literatura

morte

Falar sobre a morte não é nada fácil, principalmente em uma sociedade que valoriza o copo, o sexo e a juventude eterna. Com certeza é um assunto desconfortável. Acreditamos, muitas vezes, que somos imortais, infalíveis, quase deuses. A morte é encarada como algo distante. Falar sobre a morte pode atrair a própria morte, acreditam muitos. Para entender melhor sobre os estágios de uma morte próxima, a escritora suíça, Elisabeth Kübler – Ross, escreveu o livro “Sobre a morte e o morrer”.

Durante dois anos e meio, a autora trabalhou junto a pacientes desenganados pela medicina, com poucas chances de sobrevida. Este livro conta o começo desta experiência. Não pretende ser um manual sobre como tratar pessoas a beira da morte, tampouco um estudo exaustivo sobre a psicologia do comportamento dos pacientes que convivem com a proximidade da morte. Na verdade, é uma oportunidade nova e desafiante de abordar uma vez mais o paciente como ser vivo integral, de fazer participar dos diálogos, de saber dele os méritos e as limitações de nossos hospitais no tratamento dos doentes.

O livro “Sobre a morte e o morrer” tenta demonstrar na prática por meio de relatos de experiências reais às pessoas diversas situações em que indivíduos por algum motivo deparam com a morte, seja ele um paciente ou um ente que acompanha o estágio final de alguém querido. Além destes relatos o livro faz comentários interessantes aos profissionais de saúde á equipe multiprofissional mais precisamente de como lidar com as diversas situações da morte em si.

Outro ponto relevante é a religião, antigamente as pessoas viam na morte uma possibilidade de redenção. Muitos acreditavam que se sofressem na terra, sua morte seria um alívio, e também acreditavam na vida após a morte, uma vida melhor que na terra, hoje em dia a religião tem levado um número menor de adeptos que vão aos templos mais pelo encontro social do que pela própria crença.

O primeiro sentimento relatado na pesquisa diante de uma notícia de doença terminal foi a negação, por parte dos pacientes, independente do modo como tomaram conhecimento dessa condição, seja pelo médico, no início da doença ou até mesmo depois. A fase de negação foi observada em todos os pacientes. Após esta fase vem a aceitação parcial, a maioria dos pacientes não se utilizada negação por muito tempo, é um estado temporário do paciente do qual eles e recupera gradualmente á medida que vai se acostumando com a sua realidade, ele reage. Alguns pacientes utilizam da negação perante alguns membros da equipe hospitalar e até mesmo são exigentes na escolha dos familiares que podem ficar a par do seu real estado, para tanto se utilizam da negação principalmente diante daqueles familiares que ele considera mais vulneráveis a sua perda e diante de membros da equipe hospitalar que não passam confiança para o paciente.

O sentimento de raiva aparece quando já não é mais possível manter firme o primeiro estágio de negação, e ele é substituído por sentimento de raiva, revolta, inveja e de ressentimento. Nessa fase, a pergunta que permanece nos pensamentos do paciente é: Por que eu? Por que não poderia estar acontecendo com outra pessoa?

O terceiro estágio é a barganha, menos conhecido, porém muito útil ao paciente. É o momento em que o paciente começa a ter algumas reações com esperança de receber o que quer de Deus, uma possibilidade de cura. Isso acontece muito com pacientes terminais, quando almeja um prolongamento de sua vida. A barganha, na realidade, é uma tentativa de adiantamento, uma promessa; tem de incluir um prêmio oferecido “por um bom comportamento”.

O quarto estágio ocorre quando o paciente, em fase terminal, não pode mais negar sua doença, sendo forçado a diversos procedimentos como cirurgias, hospitalizações. Não há como negar um corpo debilitado. O paciente começa a perder coisas importantes para ele como sua própria identidade. Os encargos financeiros elevados fazem com que estes pacientes tenham que dispor de muitos recursos dos quais muitas vezes não o tem, ou abrir de mão de muitos sonhos, principalmente relacionados á família. Muitos perdem seus empregos e se afastam do convívio com a família por causa das hospitalizações o que aumenta o sentimento de culpa dos mesmos.

O quinto estágio decorre sobre a aceitação da doença sem depressões de correntes ao seu estado de saúde. Este paciente já passou pela fase de não aceitação da enfermidade e não mais sentirá raiva quanto ao seu destino. Ele terá externado seus sentimentos, sua inveja pelos vivos e sadios e sua raiva por aqueles que não são obrigados a enfrentar a morte tão cedo. Terá lamentado a perda iminente de pessoas e lugares queridos e contemplara seu fim próximo com certo grau de tranquilidade e expectativa. Ele estará cansado e bastante fraco, na maioria dos casos, sentindo a necessidade de cochilar e dormir com frequência em intervalos curtos diferindo da fase de dormir da depressão. Não e um sono de fuga, nem um instante de descanso para aliviar a dor e sim uma necessidade gradual e crescente de aumentar as horas de sono. Isso indica o fim da luta, mas com um significado de aceitação.

De todos os estágios pelos quais as pessoas passam quando diante de problemas trágicos, a única coisa que persiste é a esperança. Até os pacientes mais conformados com sua situação terminal, sempre deixam transparecem que sentem um sinal de esperança.

08 jun 2015

Quais os bons motivos para você contratar um Coach?

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Renata Lemos (arquivo pessoal)

As relações de trabalho mudaram nas últimas décadas, principalmente com o surgimento das novas ferramentas de comunicação interativas e das estratégias de economia cada vez mais globalizadas.

Com a proliferação desses artefatos tecnológicos muitas profissões caíram no esquecimento e outras tantas surgiram para compor o cenário atual. Algumas profissões nasceram, justamente, com o objetivo de auxiliar o “novo trabalhador” na árdua tarefa de fazer as melhores escolhas profissionais e pessoais.

Você já ouviu falar em Coach? É uma palavra em inglês que significa treinador, instrutor que assessora o cliente (coachee), levando-o a refletir, chegar a conclusões, definir ações e, principalmente, agir em direção a seus objetivos, metas e desejos. O profissional coach é aquele que pode ajudar, você, a identificar oportunidades.

Conversei com a master coachRenata Lemos, responsável por uma das maiores escolas preparatórias de Coach do Brasil. A empresa registrou nos últimos três anos um aumento de 400 por cento na procura de pessoas interessadas pela profissão Coach, mas também por aqueles que desejam tomar decisões mais acertadas.

Adriana Santos: O que é Coach ou Coaching?

Renata Lemos – Master Coach: Muitas pessoas confundem as duas palavras. Coach é o profissional que faz o processo. Coaching é o processo em si. Temos também a palavra Coachee, que é o cliente que participa do processo. Coaching é uma metodologia de desenvolvimento humano que busca atende as necessidades humanas, como atingir metas, despertar o potencial, desenvolver novas habilidades , solucionar problemas e se autoconhecer.

Adriana Santos: Quais são os Benefícios do Coaching?

Renata Lemos – Master Coach: O Coaching traz muitos benefícios como autorreflexão, autoconhecimento, melhoria da comunicação, flexibilidade, inteligência e controle emocional, autodesenvolvimento, resiliência, foco, desenvolvimento e aprimoramento de habilidades e capacidades, relacionamento interpessoal, gestão do tempo, definição de metas e objetivos realistas, quebra de crenças limitantes.

Adriana Santos: Qual a diferença entre Coach ou Coaching, Psicologia Clínica e Orientação Profissional?

Renata Lemos – Master Coach: Coach é profissional capacitado a realizar o processo de Coaching. As ferramentas utilizadas no Coaching foram desenvolvidas através de ciências como: Administração, Filosofia, Sociologia, Psicologia, Antropologia, entre outras, que juntas proporcionam o aprimoramento de habilidades e capacidades que visam o despertar do potencial humano. Então dentro do Coaching encontramos também um pouco da Psicologia. A psicologia em si é voltada para questões mais profundas, muitas vezes focado em analisar o subjetivo e padrões de comportamento limitantes, sem tempo determinado. O Coaching é um processo de inicio, meio e fim. Ele possui um ou mais objetivos a serem trabalhados, através de perguntas e ferramentas que levam a pessoa a reflexão, potencializando seus pontos fortes, trabalhando o autoconhecimento, desenvolvendo os pontos de melhoria para que o cliente atinja o que estado desejado em uma curto espaço de tempo. A orientação profissional trabalha com objetivo de auxiliar o cliente na escolha ou mudança de carreira. Tanto Coaching e Psicologia podem atuar com a orientação profissional. O Coaching e a Psicologia juntos torna o processo evolutivo do cliente ainda mais acelerado e poderoso.

Adriana Santos: Qual a importância do equilíbrio emocional e autoconfiança na conquista do trabalho ideal?

Renata Lemos – Master Coach: Para que possamos conquistar o trabalho ideal, e preciso primeiramente ter a consciência do que é o ideal para cada indivíduo. Para que isso ocorro o autoconhecimento é necessário, pois precisamos entender quais são as nossas motivações, o que nos faz feliz e realizados. Quando nos conhecemos verdadeiramente, aumentamos a nossa autoconfiança e nosso equilíbrio emocional, pois temos a consciência de quem somos, do que somos capazes e onde queremos chegar. Esse conhecimento nos ajuda a resistir as pressões do dia a dia e sermos mais felizes no ambiente de trabalho.

Adriana Santos: Por que tantas pessoas estão insatisfeitas com o próprio trabalho?

Renata Lemos – Master Coach: Muitas pessoas estão vivendo de forma desenfreada e infelizes nos dias de hoje. A falta de tempo, os relacionamentos principalmente com as lideranças, a busca por algo a mais, o não conhecimento de si mesmo e de suas emoções, faz com que muitos profissionais busquem novas oportunidades de trabalho. Ë importante que o profissional tenha consciência de si mesmos, das suas motivações, de seus valores e principalmente do seu propósito de vida. Muitos profissionais não sabem porque realizam aquele trabalho sem nenhum sentido. Encontrar um sentido, um propósito, o que nos faz feliz, nos ajuda a nos realizar e sermos felizes profissionalmente.

Adriana Santos: Como o coach pode ajudar pessoas na conquista de maior satisfação pessoal e profissional?

Renata Lemos – Master Coach: O Coaching auxilia o autoconhecimento e reúne varias ferramentas que permite o profissional entender suas motivações, conhecer seus pontos fortes, suas crenças limitantes, encontrar o seu propósito e sua missao de vida, para que ela possa cada vez mais conhecer suas necessidades profissionais e pessoais para que se torne uma pessoa mais realizada e feliz.

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