Posts de Adriana Santos
26 mar 2018

Livro aborda a presença consciente e inconsciente dos animais

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Os animais nos encantam por vários motivos, conscientes ou inconscientes. Motivadas pela observação de sua importância no cotidiano e na prática clínica como analistas, as autoras do livro “OS ANIMAIS E A PSIQUE abordam na publicação um rico simbolismo ligado ao asno, ao camelo, ao gato, ao golfinho, ao morcego, à raposa e ao rato. Características biológicas, detalhes sobre o habitat e dados atuais acerca desses animais dividem espaço com lendas, mitos e fatos históricos de diversos lugares do mundo – da Amazônia brasileira à Romênia, passando pelo Japão e por muitas regiões longínquas. Este livro – segundo volume de uma obra produzida ao longo de anos de pesquisa – é mais uma contribuição aos inúmeros esforços desenvolvidos por grupos que lutam pelo respeito e pela preservação de nossos companheiros animais. Nesse sentido, o leitor passa a ser conosco mais um elo dessa corrente em prol da harmonia e da saúde da vida no planeta.

Adriana Santos:  Qual é o objetivo central do livro?

Autoras (Denise Gimenez Ramos, Maria do Carmo De Biase, Maria Helena Monteiro Balthazar, Neuza Maria Lopes Sauaia, Roseli Ribeiro Sayegh, Stella Maria T. Cerquinho Malta): O objetivo central deste livro é conhecer e explorar o simbolismo animal nas mais diferentes culturas e épocas, mostrando a relação íntima e plena de significados entre a vida humana e a vida animal. Além disso, se propõe a relacionar este simbolismo à psique, uma vez que os símbolos são essenciais para sua estruturação. Neste sentido o contato com a riqueza do simbolismo animal traz a possibilidade do homem conhecer e se relacionar com sua instintividade, promovendo um equilíbrio e uma integração entre a esfera intelectual e os instintos, fundamentais para o desenvolvimento da personalidade.

Quais foram os critérios para a escolha dos animais analisados?

Nossa opção foi pesquisar os mamíferos, dada a sua proximidade com o ser humano na escala evolutiva. A escolha de cada um dos animais dependeu do interesse das autoras, sem o uso de um critério de maior ou menor importância ou popularidade dos animais eleitos. Independentemente do animal escolhido, o método utilizado para estudar seu simbolismo pode perfeitamente ser aplicado ao estudo de qualquer outro animal, dada a impossibilidade real de elencar todos os animais existentes no universo, para tal proposta de trabalho.

Qual a relação simbólica dos animais apresentados com o comportamento humano?

Simbolicamente a energia dos animais manifesta-se como diferentes forças no homem. Cada ser humano contém em si todos os animais: dentro de nós está o gato, o rato, o camelo, o golfinho … cada um exemplificando parte de várias convenções comportamentais, que podem ser encontradas nas expressões populares como “esperto como uma raposa”, “teimoso como um asno” ou “trabalhar como um camelo”.  Cada uma dessas e de outras expressões tão comuns na fala popular, retrata uma característica do animal, que corresponde a um sentimento ou a uma qualidade humana.

Qual o marco teórico do livro?

Embora o livro tenha sido escrito tendo como base teórica a Psicologia Analítica de Jung, ele é muito mais amplo já que apresenta os dados de uma enorme pesquisa qualitativa sobre os animais estudados. Para cada um dos animais são apresentados, além dos dados biológicos e etológicos já citados, uma enorme quantidade e diversidade de mitos, contos, lendas e folclore do mundo todo. Do Ocidente ao Oriente, do Norte ao Sul, da Antiguidade até os nossos dias. Nada foi desprezado, nele estão descritas histórias folclóricas da pequena ilha de Samoa, da Europa, do Antigo Egito, das tribos nativas americanas de norte a sul e em especial as brasileiras. Isto o torna um livro totalmente diferenciado, realmente uma referência.

Porque os animais estão tão presentes nas manifestações culturais e folclóricas?

Os animais, presentes na vida de todo ser humano, mesmo que não direta e objetivamente, representam uma instância importante da psique humana – a vida instintiva – tanto no plano pessoal quanto no plano coletivo. Desta forma trazem a possibilidade do homem relacionar-se, através desses símbolos, com seus aspectos instintivos, tão vitais na experiência e na vida humana. Por essa razão são frequentemente encontrados nas produções culturais dos mais variados povos, assim como nos sonhos, fantasias, na arte e em tantas outras expressões do inconsciente.

Que tipo de influência recebemos do mundo animal?

Não nos esqueçamos que pertencemos a ele e que evolutivamente estamos associados à classe dos mamíferos. Vivemos e evoluímos conjuntamente a milhares de anos. Esta interação vem sendo modificada durante toda a história da evolução em nosso planeta. Certamente mecanismos de defesa, de sobrevivência e reações instintivas da mais variada amplitude estão entre as maiores influências que recebemos. Estamos passando atualmente por mais uma transformação na relação homem/animal, a maioria de nós deixou de compartilhar o mesmo ambiente selvagem ou campestre para vivermos nos centros urbanos, mas não conseguimos nos separar deles e os trazemos para dentro de nossas casas… de nossas vidas…

Os animais analisados, qual é o mais surpreendente? Qual o motivo?

Vários deles nos revelaram aspectos surpreendentes e por vezes desconhecidos, assim como atributos presentes com muita força e relevância em seus simbolismos. Como exemplo podemos citar a dimensão da capacidade de resistência do camelo, a qualidade de guia e salvador do golfinho, a importância do morcego por eliminar insetos nocivos e seu aspecto polinizador/fertilizador, sua imagem sendo usada por muitos povos como amuletos provedores de sorte e proteção, a gratidão da raposa, a visão do rato como animal benéfico em algumas culturas, simbolizando prudência e retidão, e sendo adorado num templo na Índia e o gato preto tendo um caráter positivo nas culturas orientais.

O que é um animal de poder e qual a relação com nosso inconsciente?

O poder de um animal é conferido pela projeção de poder que o ser humano e/ou sua sociedade faz sobre ele. Esta projeção se dá de acordo com as características biológicas, etológicas ou simbólicas que damos a cada um deles. Animais fisicamente grandes e pesados, como o elefante, evocam projeções referentes principalmente a solidez, estabilidade, suporte, segurança, força e proteção. Já sobre a raposa é projetado o poder de ser esperta e astuta, não por suas características físicas, mas etológicas de conseguir sobreviver devido a sua capacidade de aguardar a melhor hora para atacar e criar estratégias para não ser pega. Estes poderes projetados sobre cada animal também estão presentes em nosso inconsciente, quando conscientes e desenvolvidos podem ser utilizados como qualidades protetoras frente a situações ameaçadoras por exemplo.

Qual a principal mensagem do livro?

A principal mensagem deste livro diz respeito à importância dos animais e do significado simbólico das caraterísticas de cada um deles para o homem, no que concerne à compreensão mais profunda da vida psíquica. Entendemos que tal compreensão promoveria uma ampliação do conhecimento de si mesmo e uma maior integração e equilíbrio no desenvolvimento da personalidade. Esta condição possibilitaria ainda ao indivíduo a consciência da importância da vida animal e da preservação da natureza para a viabilidade da vida no planeta.

20 mar 2018

Transplante de Fígado é tema de seminário em Belo Horizonte

Arquivado em Comportamento, SUS

fígado

Nos dias 23 e 24 de março, a Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição de Minas Gerais (SGNMG) com o apoio do Hospital Felício Rocho realiza o “Seminário Mineiro” e o “1° Encontro Multidisciplinar de Transplante de Fígado”. As inscrições são gratuitas e limitadas, e devem ser feitas no site www.sympla.com.br/smtf.

Minas Gerais apresentou expansão recente no número de equipes de transplante de fígado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que agora estão presentes em cidades pólo do Estado. Além de três equipes ativas em Belo Horizonte, que atuam no Hospital Felício Rocho, Hospital das Clínicas da UFMG e Santa Casa de Misericórdia de BH, ainda existem grupos transplantadores nas cidades de Montes Claros (Santa Casa – MC), Juiz de Fora (Santa Casa – JF, H. Monte Sinai) e Itajubá (Hospital Escola).

O Seminário contará com a presença de todas as equipes que fazem transplante de fígado pelo SUS em Minas Gerais e também com a central reguladora de transplantes do estado, o MG transplantes. Deste modo, estarão reunidos cirurgiões do aparelho digestivo, hepatologistas, gastroenterologistas, infectologistas, intensivistas, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais da área da saúde envolvidos no sistema de transplantes em Minas Gerais.

Com a presença de renomados convidados nacionais e os principais nomes da área em MG serão debatidos os problemas que envolvem a doação de órgãos em nosso estado e as dificuldades vividas pelas equipes que realizam estes transplantes. Em um segundo momento ocorrerá atualização científica, com destaque para temas que expressam os desafios complexos do dia-a-dia das equipes, destacando-se as complicações clínicas e cirúrgicas pós-transplante, o câncer de fígado e a hepatite fulminante, ou ainda temas novos e atuais como a febre amarela.

14 mar 2018

Casos de febre amarela reforçam necessidade do cartão de vacinação

febre-amarela

Especialista alerta que nem todos monitoram a imunização na vida adulta

Em meio a notícias sobre a disparada de casos prováveis de febre amarela e exigência de comprovação de vacinação para acesso a alguns pontos turísticos, a população começa a dar mais atenção ao cartão e descobre que nem todos fazem o acompanhamento da cobertura vacinal. Até o momento, em Minas Gerais foram confirmados 320 casos da doença, sendo que 108 evoluíram para óbito. Outros 624 casos estão sob investigação da Secretaria Estadual de Saúde. Os casos alteraram a rotina para os visitantes no Instituto Inhotim, em Brumadinho, e no Complexo Santuário do Caraça, por exemplo, onde o acesso só é permitido com a apresentação do cartão de vacinação que comprove a imunização dos visitantes contra a febre amarela há no mínimo dez dias.

Alguns pontos turísticos de Belo Horizonte, como o Jardim Zoológico, chegaram a fechar temporariamente em função da endemia e, atualmente, também estão exigindo a apresentação do cartão de vacina para o acesso de visitantes. “Com o surto da febre amarela e a atenção à vacinação, fica mais claro o quanto parte dos adultos é relapsa neste acompanhamento. Vale lembrar que o controle vacinal pode evitar uma série de doenças e que os postos de saúde têm os registros dos últimos anos, facilitando o controle. Monitorar as vacinas faltantes é importante para não ser pego de surpresa, especialmente em situações de surto como a que estamos vivendo”, orienta o infectologista da Unimed-BH, Adelino Melo Freire Júnior.

Ele esclarece que a atenção à imunização não pode ficar restrita aos primeiros anos de vida, e que há doses focadas em adolescentes e idosos. “Esse é um momento estratégico para reforçarmos o alerta para vacinações recomendadas para outras doenças, como a gripe, Hepatites A e B, difteria, coqueluche e meningite, além de HPV, indicada formalmente para adolescentes”, destaca o infectologista.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, até o momento, não há relato de vacinação para a Febre Amarela entre os casos confirmados e o número de infectados deixou em alerta as pessoas que ainda não tinham tomado a vacina. Paralelamente, a disseminação de informações desencontradas levanta dúvidas na população. A Unimed-BH é parceira das Secretarias Municipal e Estadual de Saúde e assumiu o compromisso de informar e orientar seus clientes e familiares quanto à importância da atenção à Febre Amarela. Atenta ao período de chuvas, crítico para as chamadas arboviroses, entre elas a febre amarela, a operadora trabalha intensamente junto aos clientes as orientações quanto ao combate e prevenção, e junto aos médicos cooperados, promovendo a atualização quanto ao manejo correto dos pacientes com suspeita das doenças em seminários com especialistas de referência.

Esclarecendo dúvidas

– A partir dos nove meses de idade, já é indicada uma dose única da vacina contra a febre amarela para todos aqueles que ainda não tiverem se imunizado. Acima dos 59 anos, a vacina também é recomendada, desde que avaliados por um médico.

– Gestantes e mulheres amamentando bebês acima de seis meses podem se vacinar contra a doença. Lactantes com filhos abaixo dessa idade devem receber a vacina e suspender o aleitamento por 10 dias após a aplicação.

– Viajantes não vacinados com destino a áreas de mata, cachoeiras, sítios e fazenda devem se imunizar, pelo menos, dez dias antes da viagem.

“Surgiram ainda alguns mitos, como o uso do própolis como repelente natural, o que não tem comprovação científica, e que reações como Síndrome de Guillain-Barré são comuns, o que também é equivocado, pois não há associação com a vacina da febre amarela. A vacina da febre amarela é raramente associada a eventos adversos graves, e os mais comuns são efeitos pequenos diante dos benefícios. Quanto à imunização permanente de quem já contraiu o vírus, não há comprovação, e sim, de uma proteção duradoura, de longo prazo”, esclarece o especialista da Unimed-BH, Adelino Melo Freire Júnior.

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