Posts de Adriana Santos
13 mar 2018

Cartilha orienta médicos a agir em situações de emergência durante voos

Arquivado em Cidade, Comportamento

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Por: Sabrina Craide – Repórter da Agência Brasil

Quando uma pessoa passa mal em um voo, a tripulação pergunta aos passageiros se existe algum médico a bordo. É obrigação ética do médico se apresentar para ajudar no atendimento do passageiro. Para dar essas orientações aos médicos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) lança hoje (12) a cartilha Medicina aeroespacial: orientações gerais para médicos a bordo.

A publicação será disponibilizada para pacientes, médicos e companhias de aviação e traz informações sobre como agir nessas situações, especialmente pelo fato de estarem em um ambiente estranho, onde as condições de temperatura e pressão são diferentes e o espaço físico é limitado. Mesmo que os tripulantes recebam treinamento para situações de emergência, a ajuda de passageiro médico a bordo pode ser solicitada em casos mais graves.

O coordenador da Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial do CFM, Emmanuel Fortes, diz que os temas relacionados à altitude e à adaptação do corpo a essas condições não são tratados com profundidade nas faculdades de medicina. “Hoje as estatísticas mostram que quase 3 bilhões utilizam o transporte aéreo anualmente. Metade da população está voando, então temos que ter cuidado mesmo”, diz Fortes.

Entre os problemas de saúde mais frequentes em voos estão desmaios, sintomas respiratórios e cardíacos, convulsões, náuseas, vômitos e reações alérgicas. Segundo a CFM, as ocorrências médicas a bordo são decorrentes de estresses fisiológicos relacionados à altitude, e podem agravar-se com doenças preexistentes dos passageiros.

A legislação brasileira obriga as empresas aéreas a disponibilizarem, em aviões comercias, o chamado Conjunto Médico de Emergência, que contém medicamentos como analgésicos, antialérgicos, além de adrenalina, seringas, agulhas e equipamentos como desfibrilador e estetoscópio.

Edição: Graça Adjuto

08 mar 2018

Discriminação de gênero afeta 86% das jornalistas, diz estudo da Abraji

Arquivado em Comportamento, opinião

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Para início de conversa, não sou feminista, apenas mulher, mãe, amiga e jornalista. Nunca gostei de rótulos, talvez por conta da minha vocação para a liberdade.  No entanto, não posso me calar justamente no Dia Internacional da Mulher (8/3), revelando dados sobre a discriminação de gênero dentro das redações. São estatísticas que me deixam constrangida. Afinal, aprendi na universidade que o jornalista é porta-voz da sociedade.

Segundo a Associação de Jornalismo Investigativo (Abraji), 70% das mulheres afirmam terem se sentido desconfortáveis com comentários sobre sua aparência recebidos durante exercício da profissão. Tenso, né? Já senti na carne alguns comentários maldosos, como por exemplo, sobre o volume e o tamanho dos meus cabelos (longos, lisos, escuros, pesados, volumosos e lindos rs). Achavam que eu ficava mulherão demais nos telejornais. Até hoje, muitas mulheres jornalistas precisam deixar os cabelos mais curtos para passar credibilidade.

Também precisei usar terninhos em pleno calor escaldante de Salvador, onde trabalhei como repórter em uma grande emissora de TV. Quando estava no sétimo mês de gravidez do meu filho único, fui demitida, na mesma emissora, sem receber um centavo. Na época, trabalhei como louca sem carteira assinada ou contrato;  fui agredida verbalmente no exercício da profissão;  fiz reportagens do caos provocado pela maior greve dos policiais sem nenhuma garantia de segurança por parte da empresa. Apesar dos pesares, foi uma experiência importante.  “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”. Nunca denunciei… (pensativa).

Ainda como estagiária de jornalista, fui assediada sexualmente pelo diretor de uma pequena rádio da minha cidade. Enquanto o meu colega trabalhava como escravo, o tal chefe me mantinha prisioneira em sua sala gelada pelo ar condicionado. É claro que não suportei a pressão. Em menos de um mês pedi para sair. Meu amigo também saiu em solidariedade. Nunca denunciei… (pensativa). Isso não é uma boa ideia.

A pesquisa “Mulheres no Jornalismo Brasileiro” da  Abraji  foi realizada com cerca de 500 jornalistas brasileiras e mostra que 86% das entrevistadas dizem já ter passado por pelo menos uma situação de discriminação de gênero no trabalho. Os resultados da pesquisa feita com jornalistas de 271 veículos do país apontam para a presença de atitudes sexistas em relações às jornalistas dentro e fora das redações.

Entre as entrevistadas, 70% dizem já ter presenciado ou tomado conhecimento de assédio a colegas mulheres no ambiente de trabalho. Quase 60% afirmaram também ter sentido alguma vez que ser mulher lhes prejudicou na distribuição de tarefas, enquanto 39% viram barreiras para a obtenção de uma promoção.

A pesquisa revela ainda que “o mercado jornalístico mudou significativamente nas últimas décadas e a proporção de homens e mulheres nas redações se tornou mais equilibrada”. Ainda assim, há desigualdades: 65% das entrevistadas disseram haver mais homens em cargos de poder (editores, coordenadores, diretores) em seus veículos do que mulheres.

Cerca 70% das entrevistadas afirmam terem se sentido desconfortáveis com comentários sobre sua aparência;  46,3% relataram “cantadas” vindas de colegas homens, 36,9%, de fontes masculinas e 27,9% ouviram de um superior hierárquico.  Apenas 15%, no entanto, denunciaram à empresa situação de assédio ou machismo no ambiente de trabalho. Das entrevistadas, 30% disseram que seus veículos possuíam canais para receber e responder às denúncias.

O estudo recomenda que os veículos produzam cartilhas para funcionários e colaboradores definindo o assédio cometido por uma fonte e indicando os procedimentos a serem adotados pelas repórteres quando forem vítimas desses atos. Recomenda ainda que as redações criem um canal de comunicação interno para que vítimas de abuso e assédio possam fazer denúncia formal.

Fonte: Folhapress/ Portal do Dia

07 mar 2018

Lagoa Santa é considerada a cidade da gentileza aos 80 anos

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Imagem Divulgação

Pertencente ao Circuito das Grutas, Lagoa Santa é agraciada pela Bacia do Rio da Velhas e fica, aproximadamente, 40 quilômetros de Belo Horizonte. Com cerca de 62 mil habitantes, as principais características da cidade, que completa 80 anos em dezembro de 2018, são: clima agradável, área verde exuberante, sensação de tranquilidade, belos casarões e povo gentil.

A origem da cidade está ligada aos benefícios das águas. Segundo crenças locais, a lagoa que dá nome ao local possui minerais com propriedades curativas, daí a associação ao nome do município. Muitos foram os visitantes que procuravam Lagoa Santa para melhorar a saúde banhando-se na lagoa. As águas da Lagoa Santa chegaram a ser exportadas para Portugal, pelo poder curativo.

No entanto, Lagoa Santa ganhou notoriedade por abrigar importantes tesouros arqueológicos: os vestígios dos primeiros homens americanos, que lá viveram há 25 mil anos. Entre personalidades que estiveram na cidade buscando sinais de nossos antepassados, está o cientista dinamarquês Peter Wilhelm Lund – que morou em Lagoa Santa por mais de 40 anos e marcou época com suas descoberta. Em 1834, ele chegou à região para fazer estudos na área de botânica e zoologia. Logo deparou com os primeiros fósseis de animais: uma preguiça gigante e um tigre dente-de-sabre.

Aberto à visitação desde 12 de maio de 2010, o Parque Estadual do Sumidouro é o encontro de dois biomas: a Mata Atlântica e o Cerrado. Da mesma forma que se pode encontrar árvores frondosas, de copas largas e altas, há também vegetação rasteira, com árvores pequenas de caules retorcidos.

Caracterizado como Unidade de Proteção Integral, o Parque tem o objetivo de promover a preservação ambiental e cultural, possibilitando atividades de pesquisa, conservação, educação ambiental e turismo.

Eleita uma das 7 maravilhas da Estrada Real, a gruta da Lapinha está localizada dentro do Parque, em um maciço calcário formado a cerca de 600 milhões de anos pelos restos de fundo de mar que cobria toda a região da bacia do rio das Velhas.

Segundo o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), Lagoa Santa está no nono lugar do ranking das melhores cidades mineiras para se viver. O IDH é índice padrão da Organização das Nações Unidas (ONU) e avaliado a cada 10 anos em todo o mundo. Basicamente, são levados em conta três itens: vida longa e saudável (nascimento por mortes, saneamento básico e longevidade), acesso ao conhecimento (educação pública em todos os níveis e crianças na escola) e padrão de vida (renda e emprego). A partir dos cálculos de cada um desses fatores, se chega ao índice geral de IDHM, organizado no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, feito em 2010 e divulgado em 2013. O próximo cálculo será em 2020, com divulgação prevista para 2023.

409EAFB1-ABCC-4A79-8F61-C6662D711257Foto: Alexandre, Wanderson, Leda e Lima – moradores de Lagoa Santa

Alexandre Alves Magalhães é advogado, além de cantor e compositor. Ele mora na cidade há 43 anos. Segundo o artista, morar em Lagoa Santa é a possibilidade de viver numa cidade do interior ao lado da Capital. “Aqui ainda conhecemos as pessoas pelo sobrenome, filho de fulano, neto de sicrano, como também relembramos nossa infância e adolescência, desde nadar na lagoa central através dos trampolins, o avião na Praça Dr Lund, as brincadeiras nas ruas da cidade”, revela Alexandre.

O tenente Wanderson Luiz, 47 anos, trabalha no Parque da Aeronáutica e considera Lagoa Santa uma cidade estratégica, porque fica perto de Belo Horizonte e conta com total infraestrutura, como: boas escolas públicas e privadas, trânsito tranquilo, opções de agências bancárias e um comércio atuante. “Também fico perto dos meus pais e dos meu amigos de infância. Eles moram ao lado, em Vespasiano. Aqui também está a minha igreja”, relata o militar.

Lagoa Santa também é reduto de artistas, principalmente artesãos. Lêda Gontijo, 103 anos, nasceu em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, mas mora em Lagoa cerca de 40 anos por considerar a cidade bucólica e tranquila. Ela é uma artista plástica reconhecida internacionalmente. “Aqui as pessoas são muito gentis. Amo Lagoa Santa. Moro na cidade que escolhi para viver o resto da minha vida”, diz Lêda.

Em 1944, ela foi uma das primeiras alunas da escola de arte de Alberto da Veiga Guignard, pintor e professor brasileiro que ficou famoso por retratar paisagens mineiras.

“Entrei para aprender escultura. Era meu sonho. Não tinha, nessa época, professora de escultura”, conta. A pedido de Guignard, ela estudou pintura durante dois anos. “Ele gostava muito de mim. Fomos grandes amigos. Guignard pintou o teto da minha casa em Belo Horizonte. Vendi a casa para morar em Lagoa Santa, mas com uma condição: o novo proprietário não poderia mexer no teto”. Em 1964, Lêda foi a primeira mulher a ganhar a medalha Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras.

A artista também é referência na área social. Em 2001, fundou a Associação das Voluntárias da Santa Casa (ASSANTA), uma entidade sem fins lucrativos, atuante em Lagoa Santa, desde 2001. Atualmente são 22 voluntárias – que se reúnem, às quartas-feiras, na lojinha de artesanato dentro do hospital, a partir das 14 horas, com o objetivo de criar e vender produtos personalizados, como: panos de pratos, bordados, enfeites para casa, kits de higiene, costuras, brinquedos de madeira, entre outros trabalhos. As voluntárias já compraram ,com o dinheiro da venda dos artesanatos, equipamentos médicos e cirúrgicos, rouparia e cadeiras de rodas em prol dos pacientes do hospital, que integra o Sistema Único de Saúde (SUS).

Aqui a generosidade é marca registrada de um povo que tem a palavra gratidão na ponta da língua. “Gosto de agradar e ser útil ao meu semelhante”, diz José Utsch de Lima, 81 anos. Como forma de agradecimento por tudo que a vida oferece e por meio século como morador de Lagoa Santa, Lima resolveu transformar parte da área externa de sua casa em um espaço para disseminar a gentileza. Ali, ele oferece mudas de flores e hortaliças, livros, sapatos, roupas, palavras amigas e sorrisos. Entre os livros que coloca à disposição, alguns foram escritos por ele, como “Valeu a Pena a Caminhada”, publicado em 2016. Ele já escreveu sete livros e está finalizando o oitavo. Outro hábito que Lima mantém é a prática de registrar escritos e comentários em guardanapos, a partir dos quais ele desenvolve seus textos.

Para José Utsch de Lima, Lagoa Santa sempre foi o local dos sonhos, desde quando morava na cidade vizinha e trabalhava lá como trocador de ônibus. “Aqui tem um cheiro especial, cheiro de mulher bonita (risos). São cheiros e gostos que não encontro em lugar nenhum”, declara Lima.

No Centro de Atendimento ao Turista localizado na Rodoviária de Lagoa Santa, os turistas interessados podem obter mais informações sobre a cidade (facilidades, preços e horários de ônibus, clima, etc), tanto sobre a oferta turística existente (atrativos e pontos turísticos, hospedagem, entretenimento, alimentação, entre outros). Telefone para informação: (31) 3688-1392.

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