Categoria "Meio Ambiente"
29 dez 2015

Universitário cria 5 mil abelhas em pequeno apartamento no centro de São Paulo

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Reprodução/Facebook

O estudante de gestão ambiental Celso Barbieri Jr., de 24 anos, é um apaixonado por abelhas sem ferrão.  Ele cria 5 mil abelhas na sala de seu apartamento de 42 m² no Centro de São Paulo. Para abrigá-las, o universitário projetou uma rede de túneis feita com canos de PVC para abelhas entrarem e saírem, se tornou referência na criação e proteção desses insetos em cidades.

O apartamento não tem sacada e ele precisa manter a janela da sala fechada para que sua gata não fuja. A solução foi montar as colmeias em duas caixas de madeira que ele mantém em uma prateleira sobre a janela.

Tanto amor também tem uma justificativa bem racional: proteger as espécies nativas através do cuidado, do manejo adequado e da educação das pessoas.

Conversei com Barbieri sobre a importância da preservação da abelha sem ferrão. Confira a entrevista realizada por e-mail.

Adriana Santos: Qual a importância das abelhas sem ferrão para os biomas brasileiros?

Celso Barbiéri Jr: As abelhas são animais extremamente importantes devido ao serviço de polinização que executam. Mais de 70% da polinização do mundo depende das abelhas, bem como quase 80% das plantas que nos servem de alimento. As abelhas sem ferrão são importantíssimas para a polinização dos biomas do Brasil, por terem evoluído juntas com as plantas, sendo assim extremamente eficientes. Existem estimativas que apontam que as abelhas sem ferrão sejam responsáveis por até 90% da polinização em alguns sub-biomas.

Adriana Santos: É verdade que as abelhas estão desaparecendo do planeta?

Celso Barbiéri Jr: Sim. É verdade. As populações de abelhas têm entrado em declínio no planeta. Não se tem certeza há quanto tempo, mas passaram a notar isso por conta do desaparecimento das abelhas do gênero Apis, (com ferrão) na última década.  Isso se aplica também aos outros grupos de abelhas, inclusive as solitárias e as sem ferrão (infelizmente ainda são menos estudadas).

Adriana Santos: Qual os principais motivos?

Celso Barbiéri Jr: Os principais motivos do desaparecimento das abelhas é o uso indiscriminado de agrotóxicos como: Glifosato, DDT e Neonicotinóides; a massificação de monoculturas e os desmatamentos. Já as principais causas de morte das abelhas sem ferrão, em zona urbana, são as podas feitas sem instrução e o uso do fumacê para controlar o mosquito da dengue.

Adriana Santos: Como podemos ajudar a salvar as abelhas?

Celso Barbiéri Jr: O primeiro passo é falar sobre a importância das abelhas. Deixar claro que não teremos alimentos, vida e futuro sem a presença das abelhas. Plantando árvores e flores, você protege as abelhas. Não consumindo agrotóxicos, você melhora a sua saúde e ajuda a proteger os polinizadores. E mantenha os enxames de abelhas sem ferrão que você conhece protegidos. Só isso já vai ajudar bastante na proteção das abelhas.

Adriana Santos: Como surgiu a ideia do SOS Abelhas Sem Ferrão?

Celso Barbiéri Jr: Surgiu de um grande amigo que idealizou o projeto. O nome dele é Gerson Pinheiro. Um belo dia a filha caçula dele falou que queria um enxame de abelhas em casa, logo depois que retornou de uma excursão escolar. Ele respondeu: “você está maluca”. A garota explicou que as abelhas não tinham ferrão. Gerson foi pesquisar sobre o assunto e se apaixonou. Em pouco tempo estava formado um grupo de amigos apaixonados por abelhas sem ferrão. O grupo notou a necessidade de resgatar abelhas em risco de morte, além de educar a população sobre o tema. Nasceu o SOS Abelhas sem Ferrão. Poucos meses depois, decidi o tema para meu projeto de formatura. Como já estava interessado pelas abelhas nativas do Brasil, fui assistir uma palestra do SOS Abelhas sem Ferrão. Adorei a ideia. Me encantei de vez pelas abelhas sem ferrão. Em pouco tempo entrei já integrava o time. Estou no SOS Abelhas sem Ferrão há mais de um ano.

Adriana Santos: Como surgiu a ideia de criar abelhas no seu apartamento?

Celso Barbiéri Jr: Eu sentia a necessidade de aprender um pouco mais sobre a criação de abelhas sem ferrão em ambientes urbanos (o que é permitido por lei). Resolvi testar como as abelhas poderiam viver dentro de um apartamento e em um ambiente tão árido, como é o caso do centro de São Paulo- SP. Passei alguns apuros para bolar o esquema de canos para a saída das abelhas, além de protegê-las das luzes artificiais durante á noite. Deu tudo tudo certo. Elas passam bem e polinizam o meu bairro.

Adriana Santos: Como os vizinhos reagiram?

Celso Barbiéri Jr: Na verdade se eu não tivesse contado para os vizinhos, eles nunca teriam notado. No entanto eles acham a ideia bacana, embora seja algo inusitado.

Adriana Santos: Há algum perigo?

Celso Barbiéri Jr:  O único perigo é você se apaixonar pelas abelhas sem ferrão, pois elas são muito dóceis. Não há perigo algum.

Adriana Santos: Como as abelhas são criadas?

Celso Barbiéri Jr: Basicamente as caixas ficam em cima de uma prateleira sobre a janela da minha sala. Por lá elas podem sair pelo basculante da janela através de canos de PVC. As abelhas vão para a rua e coletam tudo que precisam. Eu só preciso checar, quinzenalmente, e dar um xarope de água com açúcar no inverno por conta da escassez de flores.

28 dez 2015

UFMG integra força-tarefa pela recuperação do Rio Doce

Arquivado em Meio Ambiente
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Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)

A UFMG vai integrar força-tarefa coordenada pelo governo de Minas Gerais para realizar ações de recuperação ambiental e social nas áreas atingidas pelo deslizamento de barragem de rejeitos de minério, em novembro, na cidade de Mariana e no Rio Doce.

Em nota à comunidade acadêmica, a reitora em exercício, Sandra Regina Goulart Almeida, explica o objetivo do Programa Participa UFMG – Mariana e Rio Doce, suas áreas de atuação e convoca grupos de extensão e pesquisa a manifestarem sua disponibilidade de integrar esse esforço.

As áreas de atuação envolvem questões ambientais (solo, água, biodiversidade), questões relacionadas aos danos materiais (moradia, infraestrutura pública, desdobramentos socioeconômicos, geração de emprego e renda) e questões humanas (formas de vida e subsistência, saúde pública, cultura e lazer, educação), bem como a conservação e preservação do patrimônio local, entre outras

Leia a íntegra da nota.

10 dez 2015

Instituto Abolicionista Animal entra na Justiça em favor dos animais mortos em Mariana

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Reprodução/Facebook

O Instituto Abolicionista Animal (IAA), uma associação civil sem fins lucrativos ajuizou Ação Civil Pública Ambiental contra a Mineradora Samarco Mineração S.A e contra o IBAMA em razão do dano ambiental ocorrido em Minas Gerais. O ACP foi redigida pela presidente Dra. Danielle Tetu, e firmada, em conjunto, pelos advogados, e firmada em conjunto pela presidente e os advogados Ana Rita Tavares Teixeira, Edna Cardozo Dias, Janderson Flavio Montovani, Fernanda Luiza fontoura Medeiros, Daniel revetra Braz, Francisleida de Fatima Moura Nigro.

Com o rompimento das barragens da Mineradora, que liberou uma enxurrada de lama no Município de Mariana, danos ambientais imensuráveis foram causados e afetou milhares de animais da região de diferentes espécies, entre eles domésticos, domesticados, silvestres, terrestres e aquáticos.

Desde que a estrutura se rompeu, uma onda de lama percorreu o Rio Doce, impedindo a captação de água e prejudicando o ecossistema da região. Destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, afetou Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu e Pedras, além das cidades de Barra Longa e Rio Doce. Os rejeitos também atingiram dezenas de cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo.

Seis localidades de Mariana, além de Bento Rodrigues, fora atingidas. Segundo especialistas, a lama que desce pelo rio Doce atingirá, no total, uma área de cerca de 10 mil quilômetros quadrados no litoral capixaba – área equivalente a mais de seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Os prejuízos são calculados em mais de R$ 100 milhões, segundo o prefeito de Mariana, Duarte Júnior. Segundo especialistas, a área afetada tende a se multiplicar[1] e, inevitavelmente, mais animais sofrerão.

É obvio que a lama está causando o assoreamento, o acúmulo de sedimentos na calha do rio, causando impactos socioeconômicos e ambientais, com alterações nos padrões de qualidade da água. Lamentável o sofrimento das pessoas que perderam seus bens materiais, e mais ainda, seus entes queridos.

Mas outros impactos foram a morte de animais, terrestres e aquáticos, por asfixia, inclusive, e a morte iminente dos animais ainda não resgatados, pois ainda se encontram vários animais acuados e morrendo de fome na região devastada pelo dano ambiental.

Evidente está que perda da biodiversidade demorará décadas para ser restabelecida e as tentativas de contenção da lama e dos rejeito que vazaram da barragem da Mineradora, em Mariana e atingiram a foz do Rio Doce no Espírito Santo, não impediram que os igarapés – berçários de caranguejos e de peixes – fossem tingidos de vermelho e nem que a maré levasse os detritos à parte norte da reserva ecológica de Comboios, o único ponto fixo de desova das tartarugas-gigantes no Brasil.

É mais um santuário atingido pelo desastre, que já afetou 1 mil hectares de áreas de preservação permanente por onde passou, incluindo unidades como o Parque Estadual do Rio Doce.

Além disto, vários ativistas, voluntários e veterinários estão empenhados na busca e na retirada dos animais que ainda se encontram em situação de risco ou isolamento, os quais não sobreviverão caso não recebam ajuda.

A necessidade de recursos para continuar os trabalhos de proteção da fauna é urgente, haja vista que as parcas doações recebidas pelas protetoras in loco continuam destinadas a promover novas operações de resgaste[2].

Assim, o Instituto Abolicionista Animal constatou a urgência da compra de alimentação, medicamentos, utensílios como gaiolas e divisórias, assistência veterinária, cuidados diversos, incluindo espaço destinado aos animais já resgatados e os que ainda serão, até futura adoção.

Dentre os pedidos do IAA, destacam-se o requerimento da disposição de um espaço rural ou urbano, com barracão(ões) com metragem não inferior a 5.000 metros quadrados e área aberta cercada com metragem não inferior a 48.000 metros quadrados, com água e energia elétrica, para abrigo dos animais vitimados, por prazo indeterminado, até que estes sejam encaminhados para adoção ou reinseridos na Natureza, bem como uma equipe composta com 10 veterinários devidamente habilitados e 20 ajudantes escalados a fim de atuar na manutenção física e emocional dos animais resgatados.

Foi solicitado também, a entrega de quatro veículos tipo furgão para realização de resgates e transporte dos animais e voluntários, assim como a entrega de materiais como alimentos e insumos (medicamentos, vacinas, combustível e outros) que se fizerem necessários para a execução das atividades de proteção animal.

O Instituto Abolicionista Animal informou que o caso requer pronta resposta do Poder Judiciário e por isso requereu concessão da medida em caráter liminar, sem oitiva das Requeridas.

Resta agora, aguardar o pronunciamento da Justiça também em favor dos animais vitimados pela catástrofe ambiental.

[1] O biólogo e pesquisador André Ruschi, diretor da Estação de Biologia Marinha Augusto Ruschi, de Aracruz (ES), uma das instituições de pesquisa ambiental mais antigas do país, afirma que os efeitos do desastre da Samarco sobre o ecossistema marinho só estão começando. Confirmando previsões feitas por ele ao Estado de Minas, a poluição já afeta animais na costa. “Já aparecem gaivotas e outras aves marinhas mortas, por causa da contaminação neurológica”, afirmou. Segundo Ruschi, a mancha de lama provoca estragos em uma importante área, onde se reproduzem espécies como baleias, marlins, tubarões e tartarugas.

[2] ONGs mineiras de proteção animal estão trabalhando desde a semana passada no resgate de animais presos ou em situações de risco e uniram-se ao Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA) para arrecadar fundos a fim de mantê-los vivos e saudáveis.

Crédito: Instituto Abolicionista Animal

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