Categoria "opinião"
29 maio 2018

Repensar antes de desistir

Arquivado em Comportamento, opinião

crenças

Por Juan O’Keeffe do blog Evolução Pessoal

Alguma vez na sua vida tinha algo que você gostaria muito de fazer mas desistiu? Provavelmente já aconteceu com você. Se esse é o seu caso, este artigo pode ser do seu interesse. Um dos principais motivos que as pessoas desistem de alguma coisa é porque desenvolveram o que se chama de uma crença limitante.

As crenças limitantes são ideias em que acreditamos e que nos bloqueiam de fazer algo que desejamos. Imagine que você queira emagrecer mas desiste de fazer a dieta e exercícios, pois acha que não tem força de vontade suficiente para isso. Acreditar que você não tem força de vontade seria a sua crença limitante nesse caso. É o que está impedindo você de ir em frente e tomar as atitudes que sabe que deveria tomar. Uma alternativa seria mentalizar que se muitas pessoas conseguem você pode conseguir também. Para ajudar nesse trabalho de mudança de mindset uma possibilidade seria ir atrás de leituras e programas que trabalhem a questão da motivação ou procurar um profissional que possa ajudar a reformular essa maneira de pensar.

De forma geral, as pessoas sabem as coisas que precisam fazer para ter uma vida mais saudável. Ao mesmo tempo muitas criam uma crença limitante de que ser saudável é chato. Ficam pensando nas coisas gostosas que vão precisar deixar de comer por exemplo. Para quebrar essa crença, que tal observar pessoas que levam uma vida saudável para saber se realmente acham que a vida é chata dessa forma? Todos nós conhecemos pessoas que são muito felizes se alimentando bem e praticando esportes.

Alguém que queira voltar a estudar, mas desiste da ideia, pois julga que já passou da idade pra isso é um outro exemplo. A idade torna-se pretexto para gerar uma série de limitadores. Obviamente não existe idade limite para aprender. Lembro de já ter visto diversas notícias de idosos sendo alfabetizados, por exemplo. Mas a idade frequentemente serve como justificativa para não se ir em frente em diversos aspectos da vida.

Claro, eventualmente os motivos para desistir de alguma coisa realmente fazem sentido. Nem sempre é apenas uma crença limitante que precisa ser eliminada. Porém, muitas vezes é. O ponto aqui é refletir sobre o motivo de você desistir de alguma coisa e verificar se realmente faz sentido ou se você está colocando uma crença que não precisa estar lá.

A nossa vida é cheia de sonhos. Temos que nos perguntar por quê muitas vezes desistimos deles. Por mais estranho que possa parecer, isso talvez envolva lutar contra nós mesmos para mudar o nosso pensamento. Transformar uma crença limitante numa nova forma de pensar que empodere e contribua para você ir em frente e batalhar pelo que quer.

28 mar 2018

Monitoramento remoto pretende transformar o setor de saúde

qualidade-de-vida

*Por Carlos Reis, consultor do segmento de Saúde da Logicalis

Quase sempre, quando se fala em wearables, nosso cérebro nos remete ao mundo fitness. Ou seja, ao uso de dispositivos vestíveis para controlar gasto calórico e batimentos cardíacos, entre outros aspectos, durante o exercício físico. No entanto, esses equipamentos podem trazer inúmeros outros benefícios se forem aplicados no setor de saúde, como em campanhas de prevenção de doenças e conscientização ou no monitoramento remoto de pacientes.

Por conta da má alimentação, sedentarismo, estresse e outros males da vida urbana, o número de pacientes com doenças crônicas tem aumentado muito nos últimos anos, o que vem afetando, e muito, as operadoras. Muitas delas, inclusive, lançaram programas de prevenção e conscientização, com o objetivo de reduzir a criticidade dos pacientes que ingressam nos hospitais e, consequentemente, o custo do tratamento.

Nesses programas, os wearables e os aplicativos de celular funcionam como um incentivo, especialmente pelo elemento lúdico e competitivo que conferem à iniciativa. Tanto que, segundo a Tractica, até 2021, haverá mais de 97,6 milhões desses dispositivos, que coletarão dados dos usuários em tempo real e os enviarão a médicos, instituições e outras empresas. Tudo isso autorizado pelo paciente, é claro.

Os benefícios não se restringem apenas à prevenção de doenças. Com uma população cada vez mais idosa, os dispositivos podem monitorar queda, insônia e, até mesmo, o uso correto de medicação, enviando notificações na hora de tomá-la ou avisando aos médicos sobre possíveis alterações nos batimentos cardíacos, na pressão, e em outros aspectos relevantes. Esses dados alimentam o prontuário eletrônico do paciente, mas, além disso, em casos de urgência, a instituição pode enviar um profissional para verificar pessoalmente o que está acontecendo.

Além disso, o monitoramento remoto de pacientes crônicos é mais uma forma de reduzir os custos e aumentar a receita no setor de saúde. Operadoras e hospitais tornam-se mais eficientes, já que conseguirão diminuir o número de procedimentos repetidos e poderão oferecer um tratamento mais humanizado e focado na prevenção de doenças, ao mesmo tempo em que o paciente terá um acompanhamento em tempo real, mesmo estando em casa, e não precisará voltar ao hospital com frequência.

Para se ter uma ideia dos benefícios, um programa de monitoramento remoto realizado pelo Geisinger Health Plan, nos EUA, reduziu em 23% a incidência de internação hospitalar de pacientes com doenças crônicas e em 44% a chance de internação recorrente. Além disso, para cada dólar gasto na implementação do projeto, a instituição economizou cerca de US$ 3,30. Um ótimo retorno sobre o investimento!

No Brasil, esse movimento ainda é pequeno, mas deve crescer fortemente este ano, principalmente no setor privado, encabeçado pelas operadoras de saúde que buscam aumentar a lucratividade. Já existe também uma movimentação no setor público visando a eficiência e a redução de custos no atendimento primário – feito pela prefeitura por meio de postos de saúde, clínicas de saúde da família e UBS. Atualmente, a prefeitura do Rio de Janeiro está fazendo um estudo de admissão hospitalar por meio de uma mochila com dispositivos que medem sinais vitais.

Mas é importante lembrar que, para obter resultados efetivos, é imprescindível que hospitais e operadoras invistam em infraestrutura de tecnologia e de conectividade. Assim, tornam-se capazes de compartilhar os dados em tempo real, garantir a segurança das informações e para analisar os dados coletados pelos wearables. É necessário também investir na integração desses dados com o prontuário eletrônico do paciente e com os sistemas do governo, do hospital ou do plano de saúde. Só assim, será possível realizar ações de combate ou prevenção a uma determinada doença.

Embora pareça um investimento alto, os benefícios trazidos pelo monitoramento remoto de pacientes às operadoras, instituições, pessoas e, até mesmo, ao governo, garantem o retorno do que foi investido. Mais do que isto, garante um ecossistema de saúde inteligente e benéfico para todos os elos da cadeia.

08 mar 2018

Discriminação de gênero afeta 86% das jornalistas, diz estudo da Abraji

Arquivado em Comportamento, opinião

jornalista

Para início de conversa, não sou feminista, apenas mulher, mãe, amiga e jornalista. Nunca gostei de rótulos, talvez por conta da minha vocação para a liberdade.  No entanto, não posso me calar justamente no Dia Internacional da Mulher (8/3), revelando dados sobre a discriminação de gênero dentro das redações. São estatísticas que me deixam constrangida. Afinal, aprendi na universidade que o jornalista é porta-voz da sociedade.

Segundo a Associação de Jornalismo Investigativo (Abraji), 70% das mulheres afirmam terem se sentido desconfortáveis com comentários sobre sua aparência recebidos durante exercício da profissão. Tenso, né? Já senti na carne alguns comentários maldosos, como por exemplo, sobre o volume e o tamanho dos meus cabelos (longos, lisos, escuros, pesados, volumosos e lindos rs). Achavam que eu ficava mulherão demais nos telejornais. Até hoje, muitas mulheres jornalistas precisam deixar os cabelos mais curtos para passar credibilidade.

Também precisei usar terninhos em pleno calor escaldante de Salvador, onde trabalhei como repórter em uma grande emissora de TV. Quando estava no sétimo mês de gravidez do meu filho único, fui demitida, na mesma emissora, sem receber um centavo. Na época, trabalhei como louca sem carteira assinada ou contrato;  fui agredida verbalmente no exercício da profissão;  fiz reportagens do caos provocado pela maior greve dos policiais sem nenhuma garantia de segurança por parte da empresa. Apesar dos pesares, foi uma experiência importante.  “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”. Nunca denunciei… (pensativa).

Ainda como estagiária de jornalista, fui assediada sexualmente pelo diretor de uma pequena rádio da minha cidade. Enquanto o meu colega trabalhava como escravo, o tal chefe me mantinha prisioneira em sua sala gelada pelo ar condicionado. É claro que não suportei a pressão. Em menos de um mês pedi para sair. Meu amigo também saiu em solidariedade. Nunca denunciei… (pensativa). Isso não é uma boa ideia.

A pesquisa “Mulheres no Jornalismo Brasileiro” da  Abraji  foi realizada com cerca de 500 jornalistas brasileiras e mostra que 86% das entrevistadas dizem já ter passado por pelo menos uma situação de discriminação de gênero no trabalho. Os resultados da pesquisa feita com jornalistas de 271 veículos do país apontam para a presença de atitudes sexistas em relações às jornalistas dentro e fora das redações.

Entre as entrevistadas, 70% dizem já ter presenciado ou tomado conhecimento de assédio a colegas mulheres no ambiente de trabalho. Quase 60% afirmaram também ter sentido alguma vez que ser mulher lhes prejudicou na distribuição de tarefas, enquanto 39% viram barreiras para a obtenção de uma promoção.

A pesquisa revela ainda que “o mercado jornalístico mudou significativamente nas últimas décadas e a proporção de homens e mulheres nas redações se tornou mais equilibrada”. Ainda assim, há desigualdades: 65% das entrevistadas disseram haver mais homens em cargos de poder (editores, coordenadores, diretores) em seus veículos do que mulheres.

Cerca 70% das entrevistadas afirmam terem se sentido desconfortáveis com comentários sobre sua aparência;  46,3% relataram “cantadas” vindas de colegas homens, 36,9%, de fontes masculinas e 27,9% ouviram de um superior hierárquico.  Apenas 15%, no entanto, denunciaram à empresa situação de assédio ou machismo no ambiente de trabalho. Das entrevistadas, 30% disseram que seus veículos possuíam canais para receber e responder às denúncias.

O estudo recomenda que os veículos produzam cartilhas para funcionários e colaboradores definindo o assédio cometido por uma fonte e indicando os procedimentos a serem adotados pelas repórteres quando forem vítimas desses atos. Recomenda ainda que as redações criem um canal de comunicação interno para que vítimas de abuso e assédio possam fazer denúncia formal.

Fonte: Folhapress/ Portal do Dia

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