Categoria "Saúde & Literatura"
20 maio 2015

Suicídio em pauta com André Trigueiro

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O jornalista do programa de televisão “Cidades e Soluções”, André Trigueiro, confirmou presença no XVII Congresso Mineiro de Psiquiatria, entre os dias 11 e 13 de junho, em Belo Horizonte, para o lançamento do seu livro “Viver é a Melhor Opção – A prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” da Editora Correio Fraterno.

André reúne na obra elementos de convicção baseados em estudos recentes da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde para afirmar a importância da prevenção do suicídio em todos os setores da sociedade.

O suicídio tem provocado curiosidade e reflexão em função de casos recentes, como a morte do ator Robin Williams, as referências ao autoextermínio na cerimônia do Oscar 2015, a ação do copiloto do avião que caiu nos Alpes franceses. Isso sem falar nos casos de morte por overdoses e comuns referências sobre a falta de sentido para a vida.

O livro traz como foco a prevenção do suicídio através da informação e enfoca o valor da vida, trazendo também os fundamentos do espiritismo sobre o que é o viver e a realidade da vida após a morte.

“O silêncio em torno do assunto – um abominável tabu – agrava a situação. Falar de suicídio, portanto, pode salvar vidas. O suicídio atinge gente de todas as idades, credos, nível de renda ou escolaridade. A boa notícia é que ele é prevenível em 90% dos casos. Mas para que se reduzam as estatísticas de autoextermínio (mais de 800 mil casos por ano no mundo) é preciso informação, planejamento e, acima de tudo, a coragem de se retirar o véu que há séculos encobre esse tema” explica o jornalista em entrevista para o site da Associação Brasileira de Psiquiatria.

André Trigueiro também participa do XXXIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria, ente os dias 4 e 7 de novembro, em Florianópolis, com o tema:  “Como o jornalista deve abordar o tema suicídio”.

19 maio 2015

A neuropsicologia para um envelhecimento saudável

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Com textos elaborados por pesquisadores de diversos campos do conhecimento e organizado por professores considerados expoentes na área, “Neuropsicologia do Envelhecimento” publicado pela editora Artmed, aborda diferentes desafios científicos para uma velhice mais saudável, tais como psicologia do desenvolvimento, nutrição, reabilitação cognitiva, psicofarmacologia, educação física, neurociências, entre outras. Para falar mais sobre envelhecimento saudável, entrevistei o Dr. Ramon Cosenza, um dos autores do livro. Acompanhe:

Adriana Santos: O Brasil já foi considerado um país jovem, mas estudos apontam para o envelhecimento da população em poucas décadas. Estamos mais velhos. Como a ciência pode ajudar no nosso envelhecimento saudável, fisicamente e emocionalmente?

Dr. Ramon Cosenza: A população, não só do Brasil, mas de todo o mundo está se tornando mais velha. Isto é uma conquista da nossa civilização, mas traz também uma série e desafios e custos que precisam ser enfrentados. Os estudos estão deixando claro que, para que se mantenha um envelhecimento saudável, é importante que os idosos lancem mão não só de recursos internos (saúde física e mental) mas também de recursos externos (econômicos e sociais).  Nossa Sociedade precisa adaptar-se a essa nova realidade e prover os recursos necessários para que uma população mais idosa possa desfrutar de qualidade de vida nas décadas adicionais que estão se tornando comuns. Ainda vivemos num ambiente cultural que tende a desvalorizar o envelhecimento e os idosos. Socialmente, existe um preconceito (ageísmo) que torna o processo de envelhecimento mais penoso e estimula os comportamentos para disfarçar a passagem dos anos. No entanto, a população madura, que tende a se tornar cada vez mais numerosa, pode ainda contribuir de forma muito positiva para a sociedade em geral, não só no ambiente familiar como no próprio mercado de trabalho.

Adriana Santos: Somos mais velhos, portanto temos mais saúde?

Dr. Ramon Cosenza: O aumento da longevidade é decorrente de melhorias na saúde que incluem, avanços no saneamento, diminuição da mortalidade infantil e por doenças agudas na idade adulta. Dessa maneira, podemos agora chegar saudáveis a uma idade mais avançada (a expectativa de vida era em torno de 40 anos em 1900 e hoje está em torno dos 80 anos nos países desenvolvidos). Por outro lado, doenças crônicas tendem a aparecer com o envelhecimento e os idosos mais velhos estão inegavelmente sujeitos a elas.

Adriana Santos: A velhice é sinônimo de doença?

Dr. Ramon Cosenza: Uma grande reviravolta da gerontologia nas décadas finais do século XX foi exatamente a percepção de que o envelhecimento pode ocorrer sem a incidência de doenças. Anteriormente, acreditava-se que isso era impossível, que o envelhecimento era sinônimo de doenças. As pesquisas chamadas “longitudinais”, feitas com grande grupo de pessoas que são acompanhadas ao longo de muitos anos, têm mostrado que os idosos, atualmente, tendem a ser mais saudáveis do que em épocas precedentes. Ou seja, as doenças que costumam aparecer com o aumento da idade têm ocorrido mais tarde, permitindo maior número de anos com qualidade de vida. Pelo menos nos países desenvolvidos, a maior longevidade tem se acompanhado de menos anos de incapacidade, e não o contrário, como poderia ser esperado. Contudo, é bom lembrar que o processo de envelhecimento é muito variável e cada pessoa envelhece de uma forma particular.

Adriana Santos: Como a mudança de comportamento pode ajudar no processo de envelhecimento, já que o perfil epidemiológico mudou (somos mais afetados pelas doenças crônicas)?

Dr. Ramon Cosenza: Muitas doenças são naturalmente inevitáveis. Não só os condicionamentos genéticos, mas as circunstâncias ambientais e sociais podem levar ao adoecer. Contudo, sabemos que os hábitos saudáveis de vida são extremamente importantes para promover a saúde ao longo de todo o ciclo vital. Levar uma vida ativa, do ponto de vista físico e mental, manter uma alimentação saudável, evitar o fumo e outras drogas, manter-se integrado socialmente e evitar o estresse desnecessário são os principais itens para chegar a uma velhice bem sucedida.

Adriana Santos: Como a Neuropsicologia pode alertar aos mais jovens da importância da prevenção e da promoção da saúde?

Dr. Ramon Cosenza: A neuropsicologia estuda as relações entre o funcionamento do cérebro e as funções cognitivas (memória, atenção, linguagem, capacidade de autoregulação, etc). Ela nos ensina que o cérebro tem uma grande plasticidade intrínseca, que se mantém por toda a vida, mas que diminui com o passar dos nos. Assim, nem sempre o desempenho dos idosos pode ser comparável ao dos indivíduos mais jovens. O envelhecimento cerebral cobra um preço no desempenho dessas funções e, além disso, existem doenças degenerativas, como as demências, que podem ter nelas um efeito devastador.  Por isso é importante que o cérebro seja adequadamente estimulado em todos os períodos da existência. Mesmo ao envelhecer, somos capazes de manter aquelas funções das quais nos utilizamos cotidianamente. Além disso, sabe-se que um cérebro mais rico em conexões possui o que se chama de reserva cognitiva, o que pode retardar o aparecimento dos sintomas das demências, como a Doença de Alzheimer. Pessoas com maior nível educacional, por exemplo, podem ter um certo grau de proteção (não que as demências não apareçam, mas o seu cérebro terá uma capacidade de resistir por mais tempo à degeneração).

Adriana Santos: Podemos manter a mente mais jovem por mais tempo? Quais as principais dicas na prevenção de doenças neurodegenerativas?

Dr. Ramon Cosenza: É preciso fazer uma distinção entre o envelhecimento cognitivo e as doenças neurodegenerativas. Essas últimas podem ser, como dissemos, muitas vezes inevitáveis. O envelhecimento cognitivo, por outro lado, está ligado ao envelhecimento cerebral  e pode sofrer intervenções, pois se não é possível impedir o envelhecimento, podemos ao menor diminuir ou retardar suas consequências. As pesquisas realizadas revelam que os estilos de vida que combinam atividades cognitivas estimulantes e atividade física permanente, controle nutricional e a manutenção de uma rede de interação social são essenciais para a preservação da saúde cognitiva na idade madura.

Adriana Santos: Qual a importância da saúde integrada, articulada ou multidimensional para a prevenção e tratamento de algumas doenças na velhice?

Dr. Ramon Cosenza: Sabemos que o conceito de envelhecimento saudável é multidimensional. É preciso levar em conta aspectos biomédicos, psicossociais, cognitivos e emocionais. Muitas vezes indivíduos portadores de doenças crônicas ou deficiências físicas ou mentais relatam que se consideram envelhecendo satisfatoriamente. Além disso, sabemos que é muito importante o sentimento de auto eficácia. Os idosos com atitudes mais positivas com relação á velhice e com um propósito na vida tendem a ser mais otimistas e podem inclusive viver mais.

Adriana Santos: Qual é a principal dica para o envelhecimento saudável?

Dr. Ramon Cosenza: Não existe uma dica principal. Os elementos mais importantes já foram relatados anteriormente. Talvez possamos dizer que o importante é aceitar o envelhecimento como mais uma fase da vida, com vantagens e desvantagens, sendo preciso otimizar o próprio funcionamento dentro das realidades vivenciadas. Aceitar as limitações do envelhecimento e simultaneamente preservar, o mais possível, o funcionamento físico e mental que permitam um envolvimento social produtivo são sinais inequívocos de sabedoria e garantia de um envelhecimento saudável.

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