Categoria "saúde"
29 jun 2015

Liga da Justiça em nova missão no Hemocentro de BH

Arquivado em Comportamento, saúde

liga da justiça

No dia 4 de julho, às 14 horas (Alameda Ezequiel Dias, 321 -Centro), os heróis da Liga da Justiça vão vão estar reúnidos em nova missão no Hemocentro de Belo Horizonte. Desta vez, as doações de sangue serão feitas em nome do Hospital Militar. O policial militar exerce uma profissão de risco e pode precisar de uma hemotransfusão a qualquer momento. Por isso, os voluntários heróis uniram as forças do bem para aumentar  o saldo de sangue da instituição. Bacana, né?

Sangue é um “remédio” diferente dos outros: não se fabrica em laboratórios, não se compra em farmácia – somente pode ser obtido por meio de doação de um ser humano a outro. E para ter sangue em estoque é necessário contar com a solidariedade humana. A todo instante, pessoas sofrem acidentes, necessitam de cirurgias de urgência, de transplantes etc. Além disso, alguns pacientes – como os aqueles que têm anemias falciformes, hemofilia e outras doenças crônicas – precisam, constantemente, de receber transfusão de sangue e hemocomponentes.

Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos. Pessoas com mais de 60 anos somente poderão doar caso já tenham realizado uma doação antes dos 60 anos, independente do sexo, e devem respeitar o intervalo mínimo de seis meses entre as doações. Saiba mais: HEMOMINAS

10 jun 2015

Como é feito o exame que investiga a saúde do intestino?

Arquivado em saúde
mae

Arquivo pessoal. Dri e Dona Deja, minha mãe.

Há dez anos perdi minha referência de vida por conta de um câncer agressivo. Minha mãe, na época com 60 anos, teve câncer no ânus com metástase no intestino. Ela chegou a usar três bolsas de colostomia.

Os sintomas apareceram sutilmente e disfarçados. Ela acreditava que o sangue expelido junto com as fezes fosse consequência de hemorroidas. Usou pomadas e medicamentos sem prescrição médica. Demorou a procurar ajuda de um médico. Por meio de um exame chamado colonoscopia, ela descobriu que não se tratava de hemorroidas, mas de um câncer nível dois no ânus. Minha mãe faleceu no ano seguinte.

Três anos após a morte da minha mãe, foi a vez da minha doce “Dinha” enfrentar um diagnóstico duro de câncer no intestino. Ela é minha madrinha de batismo e prima de primeiro grau da minha mãe. Logo em seguida, outra perda irreparável. Meu tio materno descobriu um câncer avançado no intestino sem esperanças de cura.

Desde esse tempo, por orientação de um proctologista, faço, a cada 5 anos, o exame preventivo e adotei hábito alimentares mais saudáveis. Consumo com regularidade fibras, abandonei as carnes e coloco no meu prato mais verduras, legumes e frutas frescas. Tudo bem colorido e saboroso. Agora me preparo para realizar mais um exame que investiga com detalhes a saúde do meu intestino.

O câncer colorretal abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. É tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso. Uma maneira de prevenir o aparecimento dos tumores seria a detecção e a remoção dos pólipos antes de eles se tornarem malignos.

Conversei com Christiane Poncinelli – presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed-MG) sobre os procedimentos na hora do exame (colonoscopia) e a importância da prevenção. Confira:

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Foto: Nereu Jr.

Adriana Santos: Como é realizado o exame colonoscopia (preparo, procedimento e sedação)?

Christiane Poncinelli: A colonoscopia é um exame endoscópico realizado com um aparelho flexível que permite o exame de todo o intestino grosso (principal local de doenças malignas) e também do segmento final do intestino delgado.

O paciente que será submetido a uma colonoscopia deve realizar uma consulta prévia com o médico que realizará o procedimento.  Neste momento o endoscopista vai avaliar a indicação do exame, as condições clínicas do paciente, o melhor local para a realização do procedimento e prescrever o preparo para o exame.

É fundamental que o intestino esteja limpo no dia do exame, sem resíduos sólidos e para tal a colaboração do paciente é fundamental. Na maior parte dos casos, recomenda-se uma dieta sem fibras, leite ou derivados, corantes ou carne na véspera do procedimento. O paciente é também orientado a ingerir quantidade abundante de líquidos claros e um laxativo leve no final do dia. Algumas horas antes do exame, ele ingere um laxativo mais potente e fica em jejum por cerca de 4 horas antes do início do exame. O preparo pode ser feito na residência na maioria dos casos. Pacientes mais debilitados são orientados a realizar o preparo em ambiente hospitalar.

O procedimento é realizado com o paciente deitado de lado, em posição confortável sem constrangimento. Ele recebe sedação venosa assistida pelo anestesiologista.

A colonoscopia não gera dor, entretanto, após o exame pode haver discreto desconforto abdominal gerado por distensão gasosa. O exame dura cerca de 20 a 30 min podendo se prolongar quando é  necessária a realização de  terapêutica como a ressecção de lesões (pólipos por exemplo).

Adriana Santos: A partir de qual idade é recomendado o exame?

Christiane Poncinelli: Considera-se que a partir de 50 anos, a população geral já tenha maior risco de desenvolver lesões do intestino. Entretanto, pacientes com história familiar de pólipos ou mesmo câncer de intestino, especialmente se o parente é de primeiro grau e apresentou a doença em idade mais precoce, o exame pode ser recomendado antes, geralmente 10 anos antes da idade do parente mais jovem.

Adriana Santos: O que são pólipos?

Christiane Poncinelli: Pólipos são lesões que se projetam na luz do intestino podendo ser planas ou terem um pedículo (pediculadas). Como se tratam de um crescimento desordenado de células, dependendo da sua avaliação histológica, os pólipos podem preceder lesões malignas e por isso são removidos para análise. A maioria dos pólipos é benigna e são muito frequentes com o envelhecimento. Mas é bom ficar claro que na maioria das vezes o pólipo é benigno e não se maligniza.

Adriana Santos: Um pólipo pode ser um sinal de predisposição para o câncer de intestino?

Christiane Poncinelli: Sim. Dependendo da histopatologia (estudo histológico da lesão). Os pólipos podem preceder o câncer de intestino e por isso devem ser sempre removidos.

Adriana Santos: Minha mãe e dois tios maternos tiveram câncer de intestino. O câncer de intestino é hereditário?

Christiane Poncinelli: Uma história familiar com três parentes (primeiro e segundo grau) com câncer de intestino tem grande importância e neste caso o paciente tem mais risco. Existem estudos genéticos para avaliar melhor a questão da hereditariedade mas certamente com esta história familiar o paciente tem mais chance sim. Entretanto a maioria dos tumores do intestino é considerada esporádica e não é familiar.

Adriana Santos: Realizo o exame colonoscopia a cada 5 anos e não apresento pólipos. Não como carne e consumo aveia, frutas e legumes com frequência. Estou no caminho certo?

Christiane Poncinelli: Sim! A ingesta de fibras com pouca quantidade de gordura e carne vermelha é uma boa orientação.

Pacientes de risco médio (acima de 50 anos, sem história familiar de Câncer de intestino e cuja primeira colonoscopia não tenha mostrado pólipos) poderiam realizar o exame até de 10 em 10 anos.

Adriana Santos: Uma dieta livre da carne ou com menor quantidade de carne vermelha ajuda a reduzir os índices de câncer?

Christiane Poncinelli: Os estudos mostram que obesidade, excesso de carne, especialmente salgadas, os embutidos parecem aumentar, em pessoas susceptíveis o risco de câncer. Recomenda-se uma dieta balanceada associada à atividade física regular.

Adriana Santos: Quando é necessário usar as bolsas de colostomia?

Christiane Poncinelli: Bolsa de colostomia é a exteriorização do intestino no abdome. È usada após uma cirurgia de urgência seja por um processo inflamatório mais grave (diverticulite por exemplo) ou um tumor obstrutivo. Nestes casos, após alguns meses, com o paciente já recuperado, pode-se fazer nova cirurgia e reconstituir o trânsito normal do intestino. Em algumas situações a colostomia pode ficar definitiva quando, por questões técnicas, não há como refazer este trânsito.

Adriana Santos: O câncer de intestino pode ser evitado?

Christiane Poncinelli: Há um fato interessante em relação ao câncer de intestino que é este caminho entre o pólipo (lesão benigna) e o câncer (a malignização do pólipo).  Este processo é relativamente lento (cerca de 10 anos) o que torna o câncer de intestino, na maioria das vezes previsível. Daí a importância da avaliação endoscópica cuidadosa com equipamentos modernos de alta resolução com possibilidade de magnificação de imagem e remoção segura das lesões. Entretanto existem tumores mais agressivos que quando são detectados já estão em fase avançada.

intestino

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