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26 maio 2015

Escritor com esquizofrenia registra em livro a experiência de enlouquecer

Arquivado em Saúde & Literatura

ilusão (1)

A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica. O paciente apresenta dificuldade para conseguir diferenciar o que é delírio da realidade. Com o intuito de trazer um olhar mais humano em relação à doença, os autores Cecília Cruz Villares, Jorge Cândido de Assis e Rodrigo Affonseca Bressan escreveram o livro “Entre a Razão e a Ilusão: Desmistificando a Esquizofrenia”, lançado pela editora Artmed.

O livro foi escrito por um paciente de esquizofrenia em tratamento e por profissionais e pesquisadores que se dedicam ao tema, sob a proposta de ajudar outros pacientes, familiares e, até mesmo, o leitor leigo a entender como se dá a doença, o processo de tratamento, os surtos, os distúrbios e a importância de aceitar essa condição ao longo da vida.

Para conversar mais sobre a doença, eu conversei com  um dos autores, José Cândido de Assis. Ele foi diagnosticado com esquizofrenia no início da fase adulta e relata a própria experiência no livro. Confira:

Adriana: Já foram quatro surtos decorrentes da esquizofrenia. O primeiro foi aos 21 anos. Você consegue perceber as diferenças e semelhanças de cada surto?

José Cândido de Assis: Nestes 28 anos passei por cinco crises com a esquizofrenia. Cada uma foi uma experiência diferente das outras, cada uma esteve relacionada com o contexto que estava vivendo na época. As semelhanças são relacionadas com uma percepção diferente da realidade, causada por um aumento de saliência no que se pensa e sente do mundo ao redor, o que causa uma experiência distorcida da realidade, que só existe na cabeça  da pessoa. É vivência aterrorizante, marcada por sensações de perseguição onde a pessoa se vê no centro de todas as coisas que acontecem ao seu redor.

Adriana: Como foi para um jovem conseguir conviver com o preconceito?

José Cândido de Assis: Na minha história, depois da minha segunda crise que foi acompanhada de uma internação, eu voltei a estudar na universidade no interior da São Paulo. Eu que antes tinha muitos amigos vi meu circulo de amizades se reduzir drasticamente para cinco amigos que não se deixaram influenciar pelo fato de eu ter esquizofrenia. Entretanto, foi uma experiência dolorosa não ser aceito pela maioria das pessoas. A convivência com o preconceito leva ao isolamento e à percepção de não ser aceito compreendido. Isto dificulta muito a relação com a doença, pois após uma crise precisamosde muito apoio. Com o tempo eu refiz um grupo maior de amigos o que tornou as coisas menos difíceis.

Adriana: Como foi receber o diagnóstico de esquizofrenia?

José Cândido de Assis: Quando eu recebi o diagnóstico de esquizofrenia após a minha segunda internação em 1987 não dei muita importância. Foina minha terceira crise no final de 2000, depois da minha segunda internação, que a esquizofrenia paralisou a minha vida por completo, então eu fui ler sobre a doença e todas as descrições eram muito negativas. Receber o diagnóstico foi um golpe duro, tive que manter a esperança que superaria aquela fase ruim. É como começar tudo de novo do zero, enfrentando grandes dificuldades.

Adriana: Quais os sintomas da esquizofrenia mais difíceis de conviver?

José Cândido de Assis: O curso da esquizofrenia é com crises agudas, que se forem bem tratadas duram cerca de um mês e, períodos de remissão dos sintomas, que se forem bem tratadas duram anos. Nas crises agudas os sintomas mais difíceis são os delírios que são crenças inquestionáveis que a pessoa cria e as alucinações que são
percepção dos sentidos sem que haja o estímulo externo, por exemplo, ouvir vozes sem ter ninguém falando. Na fase de remissão os sintomas mais difíceis são a falta de vontade, a perda da capacidade de sentir prazer, dificuldades de comunicação e isolamento social.

Adriana: Você tem dificuldade de explicar o que sente para as outras pessoas? Você tem medo de confundir a realidade?

José Cândido de Assis: Eu explico a minha experiência com a esquizofrenia já há oito anos para alunos de medicina, dou palestras e participo de grupos com pessoas com esquizofrenia. Neste período aprendi que se deve explicar os próprios sentimentos para pessoas amigas e que têm condições de entender e levar a sério (como é para qualquer pessoa). Não tenho medo de confundir a realidade, tenho uma rede de amizades, o psiquiatra e a psicóloga que me ajudam a ter um senso claro de realidade e dos seus significados para a minha vida.

Adriana: Como foi escrever o livro “Entre a Razão e a Ilusão”?

José Cândido de Assis: O livro foi escrito primeiro na forma de seis livretos, em um trabalho de 18 meses. Eles foram inspirados em experiências com grupos de pessoas com esquizofrenia durante cinco anos e da experiência de dar aula para os alunos de medicina. Foi um trabalho construído a três, eu a Cecília que é Terapeuta ocupacional e o Rodrigo que é professor de psiquiatria. Neste processo foi possível o diálogo ente os três pontos de vista em um trabalho colaborativo. Contamos também com um ilustrador e com depoimentos dos vários profissionais de saúde mental, familiares e pessoas com esquizofrenia. O objetivo do livro é levar informações de qualidade em uma linguagem acessível.

Adriana: Você pode deixar uma mensagem para as pessoas que enfrentam a esquizofrenia?

José Cândido de Assis: Para a maior parte das pessoas a esquizofrenia é uma doença crônica, que precisa de tratamentos por tempo indeterminado. É muito importante a adesão ao tratamento, principalmente a tomada correta dos medicamentos. Mas é preciso lembrar sempre que somos maiores que a doença e devemos manter a esperança procurando novos significados para a vida a partir das questões que ela nos coloca. É possível ter uma vida com qualidade a partir das perspectivas que criamos todos os dias no nosso cotidiano.

 

25 maio 2015

Os encantos de uma calopsita

Arquivado em Animais

Para encerrar os trabalhos de hoje, imagens doces de uma calopsita que adora cantar, ou melhor, assobiar ao som do piano. 

A calopsita é uma ave dócil, amigável e fácil de criar. Domesticada, gosta de carinho e chega a ficar nos ombros e nos dedos das pessoas. Ela não é barulhenta, mas assobia e, se treinada, pode imitar a voz humana. Natural da Austrália, país localizado no Hemisfério Sul como o Brasil, a ave se adaptou bem às condições climáticas da América do Sul, desde a sua chegada aqui na década de 1970.

As calopsitas têm média de 30 centímetros de comprimento e pesam de 80 a 150 gramas. Pertencem à família Cacatuidae (a mesma das cacatuas), da ordem dos Psitacídeos, que engloba mais de 300 espécies como araras, papagaios e periquitos. Além de apresentarem resistência a doenças e longevidade – podem viver cerca de 20 anos em cativeiro. Mas lembre-se: as aves são mais felizes na natureza.

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