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06 jul 2015

Empresas mineiras investem em educação a distância com foco em acidentes de trabalho

Arquivado em Saúde do Trabalhador

ACIDENTES DE TRABALHO

O Brasil é o 4º país do mundo em número de acidentes de trabalho. Aqui, há uma média de oito mortes por dia provenientes de acidentes no ambiente profissional.  Cerca de 40 trabalhadores ficam inabilitados para o trabalho, a cada dia. O índice de acidentes medido entre 2008 e 2012 tem superado 700 mil anuais, de acordo com dados da Previdência Social. Esses números não incluem motoboys, militares, trabalhadores informais, domésticos e servidores públicos. A incidência de acidentes é maior entre os colaboradores no trabalho terceirizados. Segundo a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), quatro em cada cinco mortes no trabalho acontecem na terceirização.

Minas Gerais é o Estado do Sudeste onde há o maior índice de ocorrências de acidentes de trabalho que deixaram sequelas ou incapacidades entre pessoas com mais de 18 anos, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na tentativa de conscientizar empresários e trabalhadores sobre a importância da prevenção de acidentes, empresas mineiras oferecem serviços de consultoria em planejamento e desenvolvimento de programas de educação e treinamentos técnicos na modalidade a distância, envolvendo profissionais dos mais diversos segmentos industriais e pedagogos. Conversei com Marcos Aires, diretor da Datte Educação & Treinamentosobre direitos e prevenção. Confira:

Adriana Santos: “Pago porque a lei me obriga, mas não concordo. A desatenção dele foi o que provocou o acidente. Porque sou eu o responsável?”  Esta reação por parte dos empresários é bem comum por não se sentirem responsáveis pela causa do acidente e, tampouco, serem condenados ao pagamento de indenização por dano moral ou material ao empregado acidentado. Por que as empresas brasileiras ainda acreditam que a responsabilidade do acidente de trabalho é sempre do empregado?

Marcos Aires – Sócio – Diretor da empresa mineira Datte Educação & Treinamento: Basicamente, porque a fiscalização do ministério do Trabalho ainda é mínima. Faltam auditores fiscais para realizar as inspeções e fiscalizações em campo e as ações indenizatórias ainda são morosas na justiça. Desta forma muitos empresários acreditam que não serão responsabilizados quando da ocorrência de acidentes e acreditam que qualquer ação pode ser imputada ao trabalhador acidentado, eximindo-os de suas responsabilidades.

Adriana Santos: Como reduzir os acidentes no ambiente de trabalho?

Marcos Aires: Investindo em capacitação e qualificação, orientação e conscientização. O empregador precisa cumprir e evidenciar suas obrigações legais e exigir de seus empregados que façam a sua parte.

Adriana Santos: Qual a responsabilidade da empresa que contrata funcionários que trabalham em casa? Quando ocorre um acidente, a empresa pode ser responsabilizada pela Justiça do Trabalho?

Marcos Aires: Sim, se for contrato via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é obrigado, além da legislação previdenciária, a cumprir todos os requisitos previstos nas normas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Adriana Santos: O que o trabalhador deve fazer para que todos os direitos sejam cumpridos, caso ele tenha sofrido um acidente dentro da empresa?

Marcos Aires: Caso a empresa se negue a abrir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) o próprio empregado pode fazê-lo ou solicitar a seu sindicato de classe que comunique o fato através da abertura da CAT.

Adriana Santos: Como prevenir os acidentes ocorridos dentro do ambiente de trabalho?

Marcos Aires: Promovendo um ambiente seguro, cumprindo as determinações do empregador com relação às questões de saúde e segurança, realizando sempre a análise prévia dos riscos da atividade e adotando os controles necessários.

Adriana Santos: A empresa pode alegar que o empregado não cumpriu as exigências de segurança, por isso que ocorreu o acidente de trabalho?

Marcos Aires: Sim. Mas é preciso que ela tenha evidências das informações e treinamentos repassados ao empregado, do cumprimento de suas obrigações como empregadora e da forma como ela faz a gestão da segurança em suas instalações.

03 jul 2015

Refrigerantes e outras bebidas açucaradas são responsáveis por 184 mil mortes

Arquivado em saúde

Refrigerantes em latas varios

O consumo de refrigerantes, de sucos artificiais e de outras bebidas açucaradas são responsáveis por cerca de 184 mil pessoas em todo mundo. Pelo menos é o que aponta um estudo divulgado na última segunda-feira.

Segundo a investigação, publicada na revista norte-americana Circulation, estima-se que 133 mil pessoas tenham morrido em todo o mundo devido a diabetes, 45 mil a patologias cardiovasculares e 6450 a câncer associado ao consumo deste tipo de bebidas.

“Muitos países no mundo apresentam um elevado número de mortes causadas por fatores dietéticos: os refrigerantes e outras bebidas açucaradas (…), é necessário reduzir significativamente o seu consumo ou eliminá-las da dieta deve ser uma prioridade à escala planetária”, defendeu Dariush Mozaffarian, o principal autor do estudo, da Faculdade de Ciências da Nutrição da Universidade de Tufts, em Boston (Massachusetts).

As estimativas de consumo foram efetuadas a partir de 62 inquéritos alimentares preenchidos por 611.971 pessoas entre 1980 e 2010, num total de 51 países.

Os investigadores também estimaram as quantidades de açúcar disponíveis, a nível nacional, em 187 países e estabeleceram uma analogia entre a incidência da diabetes, de patologias cardiovasculares e câncer segundo zonas geográficas e as suas populações.

Fonte: Diário de Notícias

02 jul 2015

Liberar o consumo de cerveja no Mineirão é uma boa ideia?

Arquivado em Comportamento

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Liberar o consumo de cerveja no Mineirão é uma “boa ideia”? Segundo o presidente da Comissão de Prevenção e Combate ao Uso de crack e outras drogas da Assembleia Legislativa, o deputado Antônio Jorge, a liberação é um retrocesso e mostra o “poder de fogo” da indústria do álcool que movimenta nada menos do que 500 bilhões de dólares, no mundo, a cada ano.

Conversei com o deputado. Ele já foi secretário de Saúde de Minas Gerais e um defensor das políticas púbicas contra o abuso de drogas lícitas e ilícitas. Antônio Jorge alerta sobre os perigos do consumo abusivo de bebidas alcóolicas entre jovens  e faz duras críticas à publicidade que incentiva o consumo prematuro de bebidas alcóolicas por adolescentes. Homens e mulheres, segundo pesquisas divulgadas no “Ciclo de Debates Políticas sobre Drogas e a Juventude” da Assembleia Legislativa” começam a beber por volta dos 13 anos.

Confira a entrevista:

Audiência pública Comissão de saúde 16.03

Adriana Santos: Os defensores da liberação da bebida alcoólicas  argumentam que a medida atrairia um público maior aos estádios, favorecendo não só os torcedores que gostam de assistir às partidas acompanhados de cerveja, mas também os clubes de futebol. Na sua opinião, os interesses privados dos grandes clubes prejudicam o entendimento sobre os prejuízos do consumo de álcool em grandes eventos de massa?

Deputado Antonio Jorge – Em Minas, avançamos muito grande com a proibição da bebida alcoólica nos estádios. No entanto, a restrição que tivemos, de certa forma afrontada pela Fifa, foi uma interrupção. Acabou o momento da Copa e agora retroagimos ao debate.

Na semana passada, a Comissão de Combate ao Crack e a Outras Drogas, que eu presido, realizou na ALMG o “Ciclo de Debates Políticas sobre Drogas e a Juventude – Prevenção: O X da Questão”.    O professor Sérgio de Paula Ramos, ao proferir a palestra magna,  apresentou dados muito preocupantes obtidos em pesquisa realizada pela Escola Paulista de Medicina.  Perguntaram a jovens de 18 a 25 anos quando haviam começado a beber e eles responderam que, em média, aos 15,3 anos. Em seguida perguntaram o mesmo aos jovens de 14 a 17 anos, a geração seguinte, e a resposta foi 13,9.

Essa pesquisa confirma que no Brasil o álcool é a droga de entrada para os jovens. Pensando-se na saúde pública, nosso dever é criar leis e fiscalizar o cumprimento delas, com o objetivo de nesse caso reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. É claro que o interesse da indústria do álcool é o inverso. Que cada um se pergunte de que lado quer ficar.

Adriana Santos: A cerveja pode celebrar a paz nos estádios?

Deputado Antonio Jorge – Seguramente o estádio é um espaço da grande paixão nacional que é o futebol. Por isso, acredito, não deveria ser utilizado como espaço para propagandear a indústria da cerveja, vinculando a bebida ao esporte. Lamento mais ainda que técnico e jogadores da Seleção, durante anos considerados os melhores do mundo, se apresentem como garotos propaganda de marcas de cerveja.

Adriana Santos: Os defensores da liberação do consumo de bebidas alcoólicas nos estádios alegam que não há dados que comprovem qualquer relação entre o consumo de bebidas e o aumento da violência. Eles têm razão?

Deputado Antonio Jorge – Há pesquisas da Organização Mundial de Saúde que desmentem essa afirmação. O uso nocivo do álcool resulta em 2,5 milhões de mortes a cada ano. Trezentos e vinte mil jovens, entre 15 e 29 anos, morrem de causas relacionadas ao álcool, o que corresponde a 9% de todas as mortes nessa faixa etária. O álcool é o 3º fator de risco para o desenvolvimento de doenças. O álcool está ligado a sérios problemas sociais e questões de desenvolvimento, incluindo violência, negligência, abusos infantis e absenteísmo no trabalho.

No Brasil,  sobre álcool e violência os dados são os seguintes: 36% dos suicidas têm alcoolemia positiva; 48% das pessoas que se envolveram em agressão física no último ano disseram-se sob efeito do álcool, fora as que estavam, mas não disseram; 56% das mulheres agredidas em casa reportaram que seu cônjuge, no momento da agressão, estava alcoolizado; em 76% dos processos criminais, o autor, a vítima ou ambos estavam alcoolizados; e 82% das vítimas fatais no trânsito estavam relacionadas ao álcool.

As pessoas têm o direito a uma vida familiar, comunitária e de trabalho, protegida de acidentes, violências e outras consequências negativas do consumo de álcool. Qualquer arcabouço legal ou política pública sobre álcool e drogas que tenha por objetivo essas medidas estará no caminho certo. Quando se diminui o consumo de álcool em uma dada comunidade, diminui-se, na mesma proporção, os índices de violência urbana.

Adriana Santos: O senhor faz severas criticas ao Conselho Nacional de Regulamentação Publicitária (Conar) e aos fabricantes de cerveja que patrocinam eventos esportivos e defende o fim desse tipo de propaganda, a exemplo do que foi feito com o cigarro. A proibição das propagandas é o principal caminho da prevenção contra o abuso de bebidas alcoólicas?

Deputado Antonio Jorge – Ninguém discute a proibição do álcool. As tentativas na história mostraram problemas graves, do ponto de vista do controle, do tráfico de bebidas alcoólicas. Mas o fato é que regular o acesso, restringir e disciplinar o uso, não estimular o exemplo, tudo isso está ao nosso alcance. Há algumas posturas municipais que podem contribuir. Há questões que nós, da Casa Legislativa de Minas, podemos contribuir. Infelizmente não podemos regular sobre tudo. A  regulação de propaganda, por exemplo, é atribuição do ente federal. Com o  nosso desenho federativo, com a autonomia das esferas de governo, os papéis das atribuições de legislar em cada esfera de governo ficaram limitados. O espaço para legislar da Assembleia – os temas que temos autoridade constitucional para legislar – é muito pequeno. Esse tema da regulação das propagandas somente cabe ao Congresso. Se a nossa Casa fizer uma propositura de lei regulando a propaganda da cerveja, seguramente, vai ser declarada inconstitucional no dia seguinte pela indústria, ainda que a Casa a aprovasse. É prerrogativa exclusiva do Congresso Nacional regular matérias dessa natureza. Regulou delegando ao Conaf, o que, em vários aspectos há  muita contradição. Temos atribuições restritas, mas temos, sim, espaço para atuar junto à sociedade e para legislar. A ALMG tem espaço, as câmaras municipais têm espaço para legislar sobre posturas. Em alguns estados americanos não se pode beber em mesas instaladas nas calçadas. Não se pode beber em público. Mesmo em países de alto consumo de bebida alcoólica, como a Inglaterra, onde o consumo per capita de cerveja é muito alto, maior que o nosso, só se bebe internamente nos pubs, não em público, e até meia-noite. Portanto regular o uso, regular o acesso, é uma contribuição.

Adriana Santos: Em audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte sobre a venda de bebida alcoólica em estádios, o promotor de Justiça Fernando Abreu afirmou que a liberação representaria um retrocesso. “O consumo de álcool potencializa a violência e aumenta o número de ocorrências nos jogos. Toda e qualquer medida favorável à comercialização interna  é um retrocesso”. Na sua opinião, qual o motivo de tantos projetos em favor da liberação da cerveja nos estádios de futebol?

Deputado Antonio Jorge –  À pressão de grupos empresariais. A indústria do álcool opera US$ 500 bilhões por ano no mundo; a do tabaco, US$ 350 bilhões. Estamos falando aqui do comércio de drogas licitas, mas que matam e impactam fortemente no setor saúde. Estamos falando de saúde pública, de saúde coletiva. Alem disso, reafirmo que mais que considerar como um ponto de vendas, para a indústria da bebida alcóolica, o estádio e o futebol criam uma asssociação muito poderosa do ponto de vista publicitário. A atividade salutar do esporte favorece muito a indústria no que tange às suas estratégias de aumento do consumo junto a juventude.

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