20 jan 2018

Professor de literatura cria campanha de livros para leitores da África

Arquivado em Cidade, Comportamento
 CV (Leandro e livros) (1)

Sou apaixonada por livros. Desde pequena, eles estão presentes na minha vida, em todos os momentos, mesmo nos períodos de grana curta. Aprendi com meus pais o gosto pela leitura. É um hábito que transmito ao meu filho, quando ele ainda estava na minha barriga. Hoje, meu filhote é um adolescente de 16 anos, ávido por boas histórias. Acredito que os livros são  companheiros de jornadas e bons conselheiros. Por isso, fico emocionada quando vejo pessoas que promovem a leitura e a solidariedade ao mesmo tempo.

Desde novembro do ano passado, o Dr. Leandro Garcia Rodrigues, professor de Teoria Literária da Faculdade de Letras da UFMG, está reunindo livros para enviar para Cabo Verde, na África, onde serão criados dois núcleos (lá chamados de “leitorados”) de literatura brasileira contemporânea — um na Biblioteca Nacional do país, que fica no centro da capital Praia, na ilha de Santiago, e outro no Centro Cultural do Brasil, mantido pela embaixada brasileira no bairro de Palmarejo.

A Campanha está sendo realizada em cooperação com a Marinha do Brasil e com a embaixada brasileira em Cabo Verde. O navio que levará os volumes tem Portugal como destino, mas fará uma parada no país africano especialmente para entregar a encomenda aos representantes da embaixada brasileira.

Entrevistei o Leandro por e-mail. Confira:

Adriana Santos: Como surgiu a ideia de reunir livros para doação?

Leandro Garcia: Surgiu depois da minha visita a Cabo Verde, no mês passado, a convite da embaixada do Brasil naquele país. Percebi que havia uma enorme carência de produção literária brasileira contemporânea, tantos nas bibliotecas quanto nas livrarias, então voltei pensando em como atenuar um pouco esta situação. Surgiu a ideia desta campanha.

Quantos livros foram doados até agora?

Hoje (21/01) se encerra a campanha, chegaram 1.150 livros.

Como você recebe os livros? 

Encerra-se a campanha hoje porque na próxima segunda-feira todos serão embarcados num navio na Marinha brasileira, atracado no porto do Rio, que os levará a Cabo Verde. Recebi tudo pelos Correios, os autores e editoras enviaram por sedex e outros serviços dos correios. Alguns me trouxeram pessoalmente.

Quem ou qual instituição vai receber a doação?

Nossa embaixada em Cabo Verde receberá tudo e distribuirá em dois núcleos de pesquisa e leitura de literatura brasileira que serão criados na capital Santiago: um na Biblioteca Nacional e outro no Centro Cultural do Brasil, ambos naquela capital.

Que tipo de livro é doado (romance, poesia, conto, espiritualidade…)

Literatura brasileira contemporânea, nos diferentes gêneros: poesia, conto, romance, novela, teatro etc. Mas tudo ficção.

Os livros já foram entregues? Como foram entregues?

Sim, encerramos a entrega hoje, tudo via correios e poucos em mãos.

Você pretende realizar outras campanhas de doação?Sim, meu próximo algo é São Tomé e Príncipe, também na África, só que pra isso preciso fazer uma série de contatos entre embaixadas e a Marinha do Brasil, o que não é rápido.

18 fev 2016

Cerca de um milhão de crianças desnutridas por grave seca na África, diz Unicef

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Imagem/Unicef

Cerca de um milhão de crianças na África Oriental e Austral sofrem de desnutrição aguda grave por causa da seca que atinge o continente e é provável que piore com o fenômeno climático El Niño – alerta o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). “O fenômeno El Niño será reduzido, mas o impacto sobre as crianças será sentido por muitos anos”, avaliou Leila Gharagozloo-Pakkala, diretora-regional da Unicef para a África Oriental e Austral. “É uma situação sem precedentes e a sobrevivência das crianças depende das ações tomadas agora”, acrescenta.

A desnutrição aguda severa é caracterizada por uma perda de peso muito significativa e é responsável pela maioria das mortes de crianças menores de cinco anos no mundo, de acordo com Fundo das Nações Unidas. Há dois anos o volume de chuvas está abaixo da média e as colheitas são escassas nessas regiões da África. Como resultado, os preços das matérias-primas aumentar e os habitantes tiveram a alimentação reduzida. As crianças estão em maior risco de morrer de fome e de doenças, segundo a Unicef. Lesoto, Zimbábue e várias províncias sul-africanas já estão em estado de catástrofe natural.

A ONU estima que 14 milhões de pessoas podem ficar sem alimento em 2016 no sul da África por conta das escassas colheitas do ano anterior e da seca extrema. No Malauí, por exemplo, 2,8 milhões de pessoas estão ameaçadas pela fome. Na África Oriental, a Etiópia é particularmente atingida pela tragédia com 18 milhões de pessoas que necessitarão de ajuda alimentar antes do final do ano, segundo a Unicef. Para a organização, o país precisa de 87 milhões de dólares em doações. Segundo o escritório da ONU pata a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), as comunidades afetadas pelo fenômeno do El Niño necessitarão de dois anos para se recuperar desta grave seca.

O fenômeno El Niño, corrente equatorial quente do Pacífico, reaparece a cada cinco ou sete anos e conheceu este ano uma forte intensidade. Causou graves secas em certas áreas e inundações em outras. A estação de chuvas, correspondente ao verão no hemisfério sul, termina tradicionalmente em abril para dar início a cerca de cinco meses de estação seca, o que poderia piorar a situação até o final de 2016.