12 jul 2018

A exploração de animais em circos é tão antiga quanto a nossa ignorância

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Jumbo (elefante que inspirou o personagem Dumbo) passeia com visitantes do zoológico de Londres | Foto: Wiki Commons

Um dos desenhos animados que mais marcou a minha infância foi Dumbo (1941), a história de um bebê elefante de circo que nasceu com orelhas enormes. Dumbo não percebe, mas todos tiram chacotas de suas orelhas, mas sua mãe percebe e ataca um dos homens que estavam fazendo mal ao seu filho. Na mesma hora,  ela é  chicoteada, presa e separada de seu filhote amado. O filme impactou tanto a minha vida, que não conseguia ver graça, apenas sofrimento, durante algumas poucas apresentações de circo que estive presente, ainda quando criança.

Dumbo foi inspirado no maior elefante do mundo. Jumbo, como era conhecido, desembarcou na capital britânica em 1865, vindo da África, onde foi capturado quando era filhote. O elefante era tão popular na época que até os filhos da rainha Victoria eram seus fãs. O fato é que a vida real de Jumbo foi muito diferente da fantasia criada pelos estúdios Disney. Fotografias e gravuras da época mostram Jumbo no zoológico de Londres, carregando crianças e adultos nas “costas”. Ter a oportunidade de “andar de Jumbo’ era certamente uma das aventuras mais emocionantes para as crianças londrinas. Mas o elefante que era manso durante o dia sofria “ataques de fúria” à noite – os acessos de raiva chegaram a danificar, em diversas ocasiões, as cercas de madeira que ficavam ao seu redor.

A exploração animal em circos é tão antiga quanto a nossa ignorância, mas vivemos outros tempos. Aos poucos, a cultura da diversão às custas do sofrimento animal abre espaço para uma nova consciência humana. Muitos países já proibiram animais em circo: Índia,  Itália, Irlanda, Romênia, Eslováquia, Áustria, Holanda, Suécia, Índia, Finlândia, Suíça, Dinamarca, Argentina, etc. Em torno de 42 países no mundo colocaram fim na exploração animal nos circos.

No Brasil apenas alguns estados: Goiás, Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A lei que proíbe a exploração de animais em circos em todo o país está pronta para ser votada. O texto tem como objetivo impedir que espetáculos circenses burlem legislações municipais e se instalem em cidades e estados sem leis específicas.

Projeto de Lei 7291/2006, que estabelece a proibição do uso de animais em circos no Brasil em nível nacional ainda espera por votação na Câmara dos Deputados.

Minas Gerais sem exploração: “Liberdade ainda que tardia”

Há quatro anos, foi publicada na página 5 do Diário Oficial de Minas Gerais do dia 18/01/2014 a Lei Nº 21.159/2014 de autoria do deputado Alencar da Silveira Jr (PDT) – que proíbe que os 853 municípios explorem animais em espetáculos circenses. A lei vale para animais silvestres, domésticos, nativos ou exóticos. Sancionado pelo governador Antonio Anastasia, após uma articulação política intensa do então presidente da Assembleia de Minas Gerais, Dinis Pinheiro, junto aos demais deputados e com o apoio dos movimentos de defesa animal. O texto define multa de R$ 26.382,00 e apreensão do animal para o circo que descumprir a lei.

DUMBO tá de volta em 2019

Trailer Brasileiro legendado Tim Burton, Disney Filme

01 fev 2018

Secretaria de Saúde lança site de alerta para os dias de chuva em Minas Gerais

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O período chuvoso já começou! Chuvas intensas e/ou prolongadas, enchentes e enxurradas, deslizamento, alagamento, granizo, vendaval, descarga atmosférica, além de um aumento na incidência de algumas doenças são comuns nesse período. Pensando em orientar a população sobre os cuidados necessários para manter a segurança e a saúde no período, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) colocou no ar o site www.saude.mg.gov.br/alertachuva

“O hotsite #AlertaChuva nasceu de uma demanda da Vigilância Epidemiológica da SES-MG que queria deixar de forma pública no nosso site dicas de prevenção à saúde no período chuvoso. Essas dicas são importantes para prevenir doenças e, principalmente, ensinar a população cuidados com o manejo de alimentos e água para consumo”, explicou Wander Veroni, coordenador da Comunicação Digital da SES-MG.

Nas ancoragens “Água e Alimentos”, “Limpeza e Desinfecção”, “Enchentes e Alagamentos”, “Animais Peçonhentos” e “Doenças”, é possível obter diversas informações, dados e dicas de saúde. O site traz, ainda, vídeos e cartilhas sobre como proceder em caso de enchentes, desmoronamento e raios. Informações sobre procedimentos de limpeza e de higiene em caso de inundações para reduzir os riscos á saúde, dicas para limpar a caixa d’água, entre outros.

“O hotsite agrega em um só espaço várias informações sobre os riscos à saúde durante o período das chuvas. Traz esclarecimentos de forma didática sobre as ações e as medidas mais adequadas em caso de chuva. Ensinando a população como proceder para evitar acidentes, enxurradas e doenças mais comuns no período”, disse Marcela Ferraz, Diretora de Vigilância Ambiental da SES-MG. De acordo com Wander além do hotsite “Alerta Chuva”, nas próximas semanas serão divulgados posts para serem compartilhados nas redes sociais.

Doenças mais comuns durante as chuvas

Segundo Marcela Ferraz, durante o período das chuvas aumentam muito os riscos de aparecimento de doenças como leptospirose, hepatites infecciosas, diarreias agudas, febre tifóide, dengue, chikungunya, zika, doenças dermatológicas e respiratórias infecciosas.

Em 2017 em Minas, por exemplo, ocorrem 95 casos de leptospirose com 7 óbitos. A ocorrência dos casos tende a ser maior nos períodos de enchentes porque a enxurrada traz para os ambientes humanos a urina de roedores que estão nos esgotos e bueiros. Por isso qualquer pessoa que entrar em contato com a água ou lama pode infectar-se.

A transmissão de Hepatite A está relacionada diretamente às condições de saneamento básico e higiene pessoal. Normalmente transmitida por meio de alimentos mal lavados, também pode surgir com a ingestão acidental de água das chuvas contaminado. No ano passado foram 91 casos notificados da doença.

Também é preciso estar atento aos sintomas de diarreia, especialmente nas crianças. Se não for tratada adequadamente, pode evoluir para uma desidratação grave e até mesmo levar ao óbito. Em crianças de 1 a 4 anos, por exemplo, foram notificadas no ano passado 6 óbitos causado pela doença.

A febre tifoide é outra doença cuja incidência pode aumentar nesse período. Transmitida por bactéria, provoca febre alta, dores de cabeça, mal-estar geral, falta de apetite, retardamento do ritmo cardíaco, aumento do volume do baço, manchas rosadas no tronco, prisão de ventre ou diarreia e tosse seca. É transmitida pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes humanas ou com urina contendo a bactéria.

A Chikungunya, Zika e Dengue também tendem a aumentar nesse período isso porque com a chegada da época do calor e do período chuvoso aumenta a quantidade de água parada facilitando a proliferação do vetor dessas doenças. Informações sobre a doença, campanha de mobilização e dicas sobre como evitar a proliferação do mosquito também estão no site www.saude.mg.gov.br/aedes

Outra doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por mosquitos, a Febre Amarela também pode aumentar nesse período chuvoso. Para o enfrentamento da doença, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina por meio do Calendário Nacional de Vacinação nas Unidades Básicas de Saúde. Confira mais informações no site www.saude.mg.gov.br/febreamarela   

Animais peçonhentos

Marcela Ferraz alerta, ainda, que durante esses períodos aumentam muito os acidentes com animais peçonhentos. Por isso, o site traz informações sobre como evitar os acidentes tanto dentro quanto fora de casa.

“Durante essa época, animais como escorpião, cobras e aranhas procuram lugares secos para se abrigarem, podendo ser encontrados nas proximidades das casas, jardins e parques, tanto em áreas urbanas, quanto rurais. Para evitar acidentes é importante manter jardins e quintais limpos, não acumular entulhos, lixo doméstico e material de construção nas proximidades das casas e terrenos baldios”, explicou.

Em 2017 foram registrados em Minas cerca de 40.077 mil casos de acidentes envolvendo algum tipo de animal peçonhento, desses 78 evoluíram para óbito.

Por Juliana Gutierrez 

10 fev 2017

Cerveja também é álcool e vicia como qualquer outra droga

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cervejaJá estamos no tão desejado ano de 2017 e bem pertinho do Carnaval. Como o tempo passa rápido para quem tem sede de viver. Na verdade não sou muito ligada ao passado. Prefiro fincar os pés no presente e traçar algumas metas flexíveis para o futuro. No entanto não tem como escapar da memória antiga para alertar sobre alguns perigos que rondam, em especial nossos jovens em épocas festivas de muita folia, muito samba e muita falta de conscientização no consumo de bebidas alcoólicas por todo canto do país.

Na minha adolescência curtia o Carnaval como os meu amigos na então pacata cidade de Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Lá rolava até escolas de samba da melhor qualidade e apresentação do tradicional Boi da Manta (tinha um medo danado dos caras fantasiados e correndo atrás do povo).

A grana era curta, então a regra era dividir os custos da bebida alcoólica: coca cola ou fanta misturado com vodka fazia o sucesso da garotada. Na época cerveja era muito cara e poucos jovens tinham acesso a bebida em garrafa ou latinha. Enfim, nossos pais sofriam com as consequências da bebedeira no final de cada folia. Algumas famílias amagavam perdas irreparáveis por conta dos abusos do álcool. Perdi alguns amigos em acidentes de carros porque estavam alcoolizados.

No meu caso, já levei muita bronca e lição de moral.  Sou filha de professora da rede publica de ensino e de militar da Aeronáutica, ou seja, as regras disciplinares na minha casa eram parecidas com um quartel. Imagina só o que eu passei.

É bom lembrar que menores de 18 anos compravam livremente bebidas em supermercados, postos de gasolina, vendedores ambulantes, ou seja, em qualquer lugar, sem nenhum critério. Hoje é um pouco diferente ou mais discreto. Vendedores ambulantes, por exemplo, vendem bebida alcoólicas sem nenhuma fiscalização, pelo contrário tem até apoio da Ambev – Companhia de Bebidas das Américas. Todas as marcas de cerveja e bebidas fabricadas pela Ambev – Skol, Budweiser, Brahma e Antárctica – poderão ser vendidas no Carnaval de Belo Horizonte. Cabe à empresa oferecer um preço diferenciado para motivar os ambulantes a comprar produtos daquela marca.

Os tempos mudaram, mas nem tanto. Os jovens continuam consumindo indiscriminadamente bebidas alcoólicas. Eles acreditam que cerveja não é álcool ou droga que prejudica a saúde, que drinques de frutas com vodka ou cachaça e bastante açúcar são inofensivos. Na realidade, pura ilusão vendida por uma indústria poderosa que cativa cada vez mais por meio de propagandas enganosas e perversas.

No Brasil, a Lei nº 9.294 de 15/7/96 regulamenta a veiculação de propagandas de bebidas alcoólicas em emissoras de rádio e de televisão. Essa lei restringe o horário de veiculação das propagandas de bebidas das 22 às 6 horas da manhã. É diz que é proibida a associação de bebidas alcoólicas com: temas ligados ao sexo;  temas que induzam a uma ideia de bem-estar e saúde; temas ligadas ao esporte.

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais tem um trabalho sério de conscientização e mobilização social sobre o problema e alerta: “Cerveja também é álcool. Diga não ” propaganda de bebidas alcoólicas no rádio e na TV. Todos sabem os perigos do uso indiscriminado da bebida alcoólica, um problema de saúde pública.

Crianças e adolescentes são alvos das propagandas de cerveja. O maior crescimento do consumo indiscriminado acontece dos 12 aos 17 anos, indivíduos ainda em formação ideológica. Conheça mais a campanha: Cerveja também é álcool AQUI e oriente seus filhos, sobrinhos, netos, amigos, vizinhos. Faça parte de uma sociedade mais consciente. Aproveite o Carnaval e faça parte da mudança. Lembre-se: um mais um é sempre mais do que dois. Não vamos permitir que o álcool destrua a felicidade e a saúde da nossa família.