04 nov 2016

Eu sou Mariana

Arquivado em Animais, Cidade, Meio Ambiente, Vlog
Mariana (MG) - Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Mariana (MG) – Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Fonte: Agência ONU

Um grupo de especialistas independentes do sistema de direitos humanos das Nações Unidas pediu ação imediata do governo brasileiro e das empresas envolvidas para solucionar os impactos do colapso de uma barragem da empresa Samarco, ocorrido em 5 de novembro de 2015 em Mariana (MG).

Na declaração, que marca o primeiro aniversário do desastre provocado pela ruptura da barragem de rejeitos de Fundão, os especialistas destacaram vários danos não solucionados, dentre eles o acesso seguro à água para consumo humano, a poluição dos rios, a incerteza sobre o destino das comunidades forçadas a deixar suas casas, e a resposta insuficiente do governo e das empresas envolvidas.

Leia a carta na íntegra: AQUI

Deixei um recadinho para os moradores de Bento Rodrigues. Veja

10 dez 2015

Instituto Abolicionista Animal entra na Justiça em favor dos animais mortos em Mariana

cavalo4

Reprodução/Facebook

O Instituto Abolicionista Animal (IAA), uma associação civil sem fins lucrativos ajuizou Ação Civil Pública Ambiental contra a Mineradora Samarco Mineração S.A e contra o IBAMA em razão do dano ambiental ocorrido em Minas Gerais. O ACP foi redigida pela presidente Dra. Danielle Tetu, e firmada, em conjunto, pelos advogados, e firmada em conjunto pela presidente e os advogados Ana Rita Tavares Teixeira, Edna Cardozo Dias, Janderson Flavio Montovani, Fernanda Luiza fontoura Medeiros, Daniel revetra Braz, Francisleida de Fatima Moura Nigro.

Com o rompimento das barragens da Mineradora, que liberou uma enxurrada de lama no Município de Mariana, danos ambientais imensuráveis foram causados e afetou milhares de animais da região de diferentes espécies, entre eles domésticos, domesticados, silvestres, terrestres e aquáticos.

Desde que a estrutura se rompeu, uma onda de lama percorreu o Rio Doce, impedindo a captação de água e prejudicando o ecossistema da região. Destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, afetou Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu e Pedras, além das cidades de Barra Longa e Rio Doce. Os rejeitos também atingiram dezenas de cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo.

Seis localidades de Mariana, além de Bento Rodrigues, fora atingidas. Segundo especialistas, a lama que desce pelo rio Doce atingirá, no total, uma área de cerca de 10 mil quilômetros quadrados no litoral capixaba – área equivalente a mais de seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Os prejuízos são calculados em mais de R$ 100 milhões, segundo o prefeito de Mariana, Duarte Júnior. Segundo especialistas, a área afetada tende a se multiplicar[1] e, inevitavelmente, mais animais sofrerão.

É obvio que a lama está causando o assoreamento, o acúmulo de sedimentos na calha do rio, causando impactos socioeconômicos e ambientais, com alterações nos padrões de qualidade da água. Lamentável o sofrimento das pessoas que perderam seus bens materiais, e mais ainda, seus entes queridos.

Mas outros impactos foram a morte de animais, terrestres e aquáticos, por asfixia, inclusive, e a morte iminente dos animais ainda não resgatados, pois ainda se encontram vários animais acuados e morrendo de fome na região devastada pelo dano ambiental.

Evidente está que perda da biodiversidade demorará décadas para ser restabelecida e as tentativas de contenção da lama e dos rejeito que vazaram da barragem da Mineradora, em Mariana e atingiram a foz do Rio Doce no Espírito Santo, não impediram que os igarapés – berçários de caranguejos e de peixes – fossem tingidos de vermelho e nem que a maré levasse os detritos à parte norte da reserva ecológica de Comboios, o único ponto fixo de desova das tartarugas-gigantes no Brasil.

É mais um santuário atingido pelo desastre, que já afetou 1 mil hectares de áreas de preservação permanente por onde passou, incluindo unidades como o Parque Estadual do Rio Doce.

Além disto, vários ativistas, voluntários e veterinários estão empenhados na busca e na retirada dos animais que ainda se encontram em situação de risco ou isolamento, os quais não sobreviverão caso não recebam ajuda.

A necessidade de recursos para continuar os trabalhos de proteção da fauna é urgente, haja vista que as parcas doações recebidas pelas protetoras in loco continuam destinadas a promover novas operações de resgaste[2].

Assim, o Instituto Abolicionista Animal constatou a urgência da compra de alimentação, medicamentos, utensílios como gaiolas e divisórias, assistência veterinária, cuidados diversos, incluindo espaço destinado aos animais já resgatados e os que ainda serão, até futura adoção.

Dentre os pedidos do IAA, destacam-se o requerimento da disposição de um espaço rural ou urbano, com barracão(ões) com metragem não inferior a 5.000 metros quadrados e área aberta cercada com metragem não inferior a 48.000 metros quadrados, com água e energia elétrica, para abrigo dos animais vitimados, por prazo indeterminado, até que estes sejam encaminhados para adoção ou reinseridos na Natureza, bem como uma equipe composta com 10 veterinários devidamente habilitados e 20 ajudantes escalados a fim de atuar na manutenção física e emocional dos animais resgatados.

Foi solicitado também, a entrega de quatro veículos tipo furgão para realização de resgates e transporte dos animais e voluntários, assim como a entrega de materiais como alimentos e insumos (medicamentos, vacinas, combustível e outros) que se fizerem necessários para a execução das atividades de proteção animal.

O Instituto Abolicionista Animal informou que o caso requer pronta resposta do Poder Judiciário e por isso requereu concessão da medida em caráter liminar, sem oitiva das Requeridas.

Resta agora, aguardar o pronunciamento da Justiça também em favor dos animais vitimados pela catástrofe ambiental.

[1] O biólogo e pesquisador André Ruschi, diretor da Estação de Biologia Marinha Augusto Ruschi, de Aracruz (ES), uma das instituições de pesquisa ambiental mais antigas do país, afirma que os efeitos do desastre da Samarco sobre o ecossistema marinho só estão começando. Confirmando previsões feitas por ele ao Estado de Minas, a poluição já afeta animais na costa. “Já aparecem gaivotas e outras aves marinhas mortas, por causa da contaminação neurológica”, afirmou. Segundo Ruschi, a mancha de lama provoca estragos em uma importante área, onde se reproduzem espécies como baleias, marlins, tubarões e tartarugas.

[2] ONGs mineiras de proteção animal estão trabalhando desde a semana passada no resgate de animais presos ou em situações de risco e uniram-se ao Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA) para arrecadar fundos a fim de mantê-los vivos e saudáveis.

Crédito: Instituto Abolicionista Animal

27 nov 2015

Abrasco questiona progresso e crescimento econômico a qualquer custo

Arquivado em Meio Ambiente, opinião, saúde

nota_de_repudio

NOTA ABRASCO: A Abrasco foi criada com o objetivo de atuar como mecanismo de apoio e articulação entre os centros de treinamento, ensino e pesquisa em Saúde Coletiva para fortalecimento mútuo das entidades associadas e para ampliação do diálogo com a comunidade técnico-científica e desta com os serviços de saúde, as organizações governamentais e não governamentais e a sociedade civil.

“A Abrasco, através de sua Direção e seus Grupos Temáticos (GTs) de Saúde e Ambiente e de Saúde do Trabalhador, se solidariza com todas as comunidades e trabalhadores atingidos, assim como todas as entidades e movimentos sociais e sindicais que, nesse momento, se mobilizam para compreender e enfrentar os terríveis efeitos da tragédia decorrente do rompimento da barragem de rejeitos de minérios da empresa Samarco, controlada pela Vale e a australiana BHP.

É preciso dar dignidade às mortes e destruições ocorridas por meio da memória coletiva dos que lutam por justiça: familiares, comunidades, movimentos e entidades parceiras e solidárias. Além dos mais de 20 mortos e desaparecidos, são inúmeras as comunidades, territórios, atividades econômicas e cursos d´água atingidos, devastados e contaminados, indo desde Bento Ribeiro, distrito de Mariana, em Minas Gerais, até centenas de quilômetros de distância no Espírito Santo. Foram mais de 200 municípios atingidos ao longo do Rio Doce, com a morte de várias espécies de peixes e outros animais, incluindo espécies típicas da bacia do Rio Doce que podem ser extintas. A devastação afetou agricultores familiares, pescadores artesanais, quilombolas e até mesmo o povo indígena Krenak, cuja cultura e a subsistência dependem do Rio Doce.

Os efeitos da tragédia se prolongarão por décadas, e não há como reverter as perdas de vidas humanas e dos ecossistemas destruídos. A maior ou menor gravidade do que virá, assim como a repetição de novos desastres, dependerá de como a sociedade brasileira compreenderá e se mobilizará para transformar os processos que determinaram sua ocorrência.

A tragédia atual é uma repetição agravada de várias outras que vêm acontecendo nos últimos anos. Portanto, uma tragédia anunciada e que se relaciona diretamente com fundamentos centrais da saúde coletiva e do movimento pela reforma sanitária no Brasil: a determinação social da saúde, o enfrentamento das desigualdades sociais, espaciais e ambientais, e a luta por democracia.

O Brasil é o segundo maior exportador de minério de ferro, e a Vale é a maior empresa mundial neste ramo, além de grande financiadora de partidos e políticos que, eleitos, atuam como legisladores e gestores. Este fato alimenta a postura absurda de várias “autoridades” eleitas ao relativizarem as responsabilidades de empresas que os apoiaram financeiramente.

O crescimento da megamineração se viabilizou no país com inúmeros problemas e falhas. Como revelam diversos artigos e notas produzidos recentemente após o desastre , problemas ocorreram em diversas fases e setores, desde a gestão, licenciamento, fiscalização, monitoramento, até a vigilância e o sistema de emergência. Empresas, com tecnologias e formas de gestão inseguras e perigosas, se espraiam na busca pelo lucro rápido da megaprodução, fato agravado por conjunturas de quedas nos preços do volátil mercado de commodities. Essa é uma das armadilhas de nosso modelo de desenvolvimento atual.

Neste momento é preciso que o setor saúde e suas instituições façam parte do enorme esforço de analisar os efeitos da tragédia, monitorando a contaminação, a qualidade da água e seus efeitos na saúde no curto, médio e longo prazo das populações atingidas e expostas. Mais importante ainda: é fundamental que a saúde coletiva se some às mobilizações sociais e processos que resgatem a dignidade de trabalhadores, comunidades e gerações futuras em defesa dos direitos constitucionais ao meio ambiente equilibrado, à saúde e à participação. É absolutamente estratégico avançar em mudanças estruturais do modelo de sociedade e desenvolvimento, da gestão ambiental, da vigilância e promoção da saúde.

Aprenderemos com a tragédia de Mariana se medidas exemplares de transformação forem criadas. Por exemplo, responsabilizar econômica e criminalmente empresas e gestores omissos; fortalecer instituições dos setores ambiental, da saúde e do trabalho atualmente vulnerabilizadas em seus papéis de cuidar dos direitos fundamentais ao meio ambiente equilibrado, ao trabalho digno e à saúde; construir planos de reparação e recuperação democráticos e eficientes, com a participação do Ministério Público, da Defensoria Pública e das comunidades atingidas.

A Abrasco está mobilizada no acompanhamento permanente das comunidades e trabalhadores atingidos através de vários de seus GTs, e participará ativamente dos desdobramentos desse episódio. Por fim, é preciso questionar a ideia de progresso e crescimento econômico a qualquer custo. A megamineração do mercado global de commodities faz parte desse modelo de desenvolvimento. Outros países soberanamente, como a Costa Rica, já abriram mão dessa forma de exploração humana e da natureza.

A Abrasco se propõe a continuar atuando no fortalecimento de alianças, diálogos e convergências que valorizem uma ciência engajada e de qualidade junto com as vozes dos territórios e populações atingidas, dos movimentos sociais, sindicais e por justiça ambiental. Além das denúncias, precisamos avançar nos anúncios de que outros futuros são possíveis e já estão sendo construídos no presente, através de inúmeras lutas e experiências. Elas revelam, em diferentes níveis – cotidiano, local e global – as sementes de novas práticas sociais, institucionais, acadêmicas e econômicas mais sustentáveis, solidárias, justas e saudáveis.”

Página 1 de 41234