26 jan 2018

Cirurgia robótica aumenta a precisão na retirada de tumores em pacientes com câncer de próstata

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Interna-robo

Divulgação

                                   No Brasil, a estimativa em 2017 foi de 61.200 novos casos e cerca de 13.772 mortes

Diminuição da dor; redução do tempo de recuperação; ampliação da precisão; aumento do alcance de áreas de difícil acesso; e a realização de movimentos coordenados, são alguns dos benefícios trazidos pela cirurgia robótica, que vem sendo aplicada pelo Hospital Felício Rocho no tratamento do câncer de próstata.

Aplicada a partir dos anos 2000 nos Estados Unidos (EUA), a prostatectomia radical robótica (cirurgia robótica para o tratamento do câncer de próstata) é bastante comum também na Europa e chegou como mais um avanço no parque tecnológico do Hospital Felício Rocho, que conta com uma infraestrutura diferenciada e um corpo clínico altamente qualificado.

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo tumor que mais mata os homens, estando atrás somente do câncer de pulmão. A estimativa em 2017 foi de 61.200 novos casos e cerca de 13.772 óbitos causados pela doença, – o que equivale a uma morte a cada 38 minutos, segundo dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A cirurgia robótica para o tratamento do câncer de próstata se tornou um grande avanço na assertividade do procedimento cirúrgico, que é parte essencial no tratamento do câncer.

Disponível no país desde 1998, sendo realizada desde outubro de 2017 no Hospital Felício Rocho, a cirurgia robótica permite com maior precisão, a visualização de uma imagem de alta definição, magnificada e em três dimensões (3D) do local a ser tratado. Ao fazer uso de pinças articuladas, o robô guiado pelo médico, realiza uma dissecção cautelosa e minuciosa dos tecidos, e no caso do câncer de próstata, podem ser preservados os pequenos nervos e vasos sanguíneos responsáveis pela ereção masculina, bem como os tecidos envolvidos com a incontinência urinária.

Segundo o médico urologista e diretor do Hospital, Francisco Guerra, a cirurgia robótica é um caminho sem volta. “O impacto na evolução das vias de acesso para tratamentos cirúrgicos (cirurgia aberta, laparoscopia e agora a robótica) é contundente para os cirurgiões. No entanto, o melhor de tudo isso, é o que visualizamos e vislumbramos para os pacientes em relação aos resultados e melhoria da qualidade de vida”, destaca.

Diante desse cenário, o Hospital Felício Rocho projeta um crescimento exponencial no número de cirurgias robóticas, com uma previsão de realizar mais de 250 cirurgias em 2018

19 jul 2017

Mapeamento genético pode detectar 32% dos casos de câncer

Arquivado em Comportamento, Genética, saúde

DNA

Os avanços tecnológicos na área da saúde são notórios e grandes aliados para o prolongamento da vida. Na área da oncologia não é diferente. A cada dia, novas técnicas de prevenção e rápido diagnóstico fazem com que o câncer não seja tão temido. Uma das possibilidades, por meio se uma simples amostra de sangue, pode fazer toda a diferença. A tecnologia do sequenciamento genético para diagnóstico, controle e tratamento diferenciado para a pessoa que tem câncer é uma realidade dos tempos virtuais.

“Em muitas situações, a análise do perfil genético tumoral pode ser feita inclusive por meio da coleta de sangue periférico, pois esta tecnologia consegue realizar a leitura do DNA tumoral livre circulante, o que poupa muitas vezes o paciente de biópsias das metástases tumorais” (André Márcio Murad).

Conversei com André Marcio Murad, professor adjunto-doutor Coordenador da Disciplina de Oncologia da Faculdade de Medicina da UFMG e  diretor clínico da Personal – Oncologia de Precisão e Personalizada de Belo Horizonte, sobre a tecnologia em prol do diagnóstico precoce do câncer.

Adriana Santos: O estudo genético de uma pessoa pode prevenir o aparecimento de um câncer?

André Murad: Sim. Não só o tratamento como também a prevenção do câncer passou a contar com uma poderosa ferramenta: a análise genética para a identificação de mutações responsáveis pela predisposição hereditária ao câncer. Identificando-se estas predisposições, que podem ser responsáveis por até 32% dos casos de câncer, uma estratégia de prevenção pode então ser personalizada ou individualizada para cada paciente. Vários genes podem hoje ser rastreados através de exames de sequenciamento genético, realizados com material de saliva ou sangue. Uma vez detectada a predisposição, podemos individualizar medidas preventivas e de rastreamento precoce específicas para o ou os cânceres para o qual ou os quais aquele indivíduo está predisposto. Estas medidas variam desde modificações dietéticas e de hábitos de vida até o emprego de exames periódicos de imagem ou endoscópicos e até mesmo cirurgias conhecidas como “redutoras de risco”, como a remoção preventiva de mamas, ovários, tireoide ou intestino grosso.

Como a tecnologia genética pode ajudar na cura do câncer?

R: Nos casos dos pacientes com cânceres já diagnosticados, o mapeamento genético dos tumores pode estabelecer seu prognóstico, orientar seu tratamento, muitas vezes indicando tratamentos específicos para mutações então identificadas (a chamada terapia alvo-molecular), ou até mesmo contraindicá-los pois, determinadas mutações são preditivas de resistência a certos tipos de medicamentos. Mesmo a moderna imunoterapia também é indicada ou contraindicada de acordo com a presença de mutações específicas, instabilidade genômica dos tumores e hiperexpressão de determinadas proteínas como o ligante da proteína PD-1. O DNA das células tumorais circula pelo sangue periférico e hoje já há tecnologia disponível para extraí-lo e também sequenciá-lo. É a chamada “biópsia líquida”. Esta ferramenta permite não só o diagnóstico molecular tumoral como também o monitoramento do tratamento, detectando com precisão: resposta, remissão molecular e recaída ou resistência tumoral.

Os mais variados tipos de câncer podem ser detectados pela tecnologia genética?

R: Sim, embora nem sempre mutações ou variações gênicas relevantes sejam identificadas nos tumores estudados. Mesmo quando mutações ou variações gênicas são identificadas nos tumores, em apenas 20 a 25% dos casos teremos drogas específicas para tratá-los de forma específica. Já as mutações herdadas, ou seja, aquelas que predispõem a cânceres, podem ser identificadas em até 32% dos casos. Esse diagnóstico guiará medidas preventivas nos portadores, incluindo seus familiares.

Como é feito o mapeamento genético?

R: Através das modernas tecnologias que identificam, estudam e mapeiam os genes presentes no DNA ou RNA, tanto das células tumorais (mutações somáticas ou tumorais) quanto das células sadias, naqueles casos com suspeita de síndromes de predisposição hereditária ao câncer (mutações germinativas). Os genes podem ser estudados tanto individualmente, usualmente através da tecnologia de PCR (reação de polimerase em cadeia) quanto como em grupos, através do chamado sequenciamento genômico. A revolucionária tecnologia de sequenciamento genético de nova geração (NGS) consegue estudar vários genes e sequências de DNA ao mesmo tempo, ou até mesmo todo o exoma tumoral ou germinativo, detectando com precisão mutações e variações gênicas causadoras ou de câncer ou promotoras de crescimento e multiplicação tumoral. O exoma é o conjunto de éxons, ou seja, a parte do genoma com uma função biológica ativa, como as regiões codificantes de todos os nossos 20.000 genes. Nessa porção, portanto, encontra-se a grande maioria das alterações responsáveis pelas doenças genéticas, incluindo o câncer.

Por que ainda não conseguimos tecnologia suficiente para curar o câncer?

R: A maioria dos cânceres pode ser curada quando o diagnóstico é feito em fases precoces da doença. Hoje, estima-se que, desde que todos os recursos terapêuticos sejam utilizados, pelo menos metade dos pacientes seja curada desta doença. Já para os casos em que o tumor seja diagnosticado em sua fase avançada ou metastática, a cura não é possível para a maioria dos casos. Entretanto, graças aos tratamentos mais modernos, como a quimioterapia, o tratamento alvo-molecular e a imunoterapia, a sobrevida dos pacientes tem sido consideravelmente prolongada e a tendência no futuro próximo é que boa parte destes cânceres seja controlado através de um processo de “cronificação”, tal qual acontece com o tratamento para AIDS com os modernos antirretrovirais. Com estes avanços, a sobrevida média de pacientes portadores de câncer de pulmão, melanoma ou câncer de rim, por exemplo, passou de meses (7 a 9 meses) com a terapia convencional para anos (4 a 6 anos) coma utilização de drogas alvo-moleculares ou imunoterápicas. Os Avanços caminham a passos largos.

08 jun 2017

Sobreviver ao câncer depende de você descobrir a melhor forma de agir

zilda

Por: Relato pessoal de Zilda de Assis, jornalista, gestora de pessoas e editora do blog Comportamento sem Grilos . Ela nos conta os desafios de encarar um diagnóstico de câncer.

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Sobreviver ao câncer é um dos maiores desafios que um ser humano pode vivenciar. A notícia de que você está com um tumor chega como uma bomba destruidora em sua mente. Paralisa, choca e traz consigo a ideia de que você foi vencido.

A doença em si mexe com o emocional, além de todo o organismo que se volta para combatê-la. E é por isso que muita gente ainda não consegue nem pronunciar seu nome.

Ocorre que saber que você é portador de um tumor maligno não é o mesmo que ter sua morte decretada. E, como estou muito viva, decidi aprender com ele quando descobri que tinha um na mama.

Atitude e autocuidado são as senhas para sobreviver ao câncer. É, acima de tudo, uma questão de atitude e autocuidado. Muito antes pelo contrário, saber que você tem a doença trata-se do começo de uma longa jornada.

Quando descobri o diagnóstico, junto com ele, permiti que a tristeza fizesse seu papel e me entreguei ao choro. Foi um dia inteirinho de lágrimas, nariz entupido, soluços e uma famigerada dor de cabeça que me obrigou a tomar uma decisão. Fazer da situação um momento para reconstruir a mim mesma.

Passado o primeiro impacto, levantei e sacodi a poeira. Para dar a volta por cima ainda era cedo, pois que as médicas que acompanham meu caso indicaram um período de seis a oito meses de tratamento.

Só que já podia ver minha história de maneira diferente. Na verdade, a primeira etapa da jornada durou 10 meses. A segunda, que vivencio agora, tem previsão de outros seis.

Lição 1 para sobreviver ao câncer

Aprendi há uns anos, quando li o livro “O efeito sombra” um fato muito importante. A melhor maneira de lidar com um incômodo é olhá-lo de frente, sem vergonha, sem rodeios. E essa foi minha escolha.

Tornei pública minha situação e inúmeros amigos abraçaram a causa comigo. Naquele momento, me senti acolhida, amada, confortável.

Além disso, sou acompanhada por uma equipe de alto nível científico e de relacionamento. Inteligência emocional é tudo num momento desses.

Daí veio o primeiro ensinamento. A maneira como se lida com o problema é que vai determinar sua qualidade de vida. Com tantas mensagens e telefonemas carinhosos, fiquei tentada a entrar no “vitimismo”.

Ter uma neoplasia não é como ter dengue, que é epidemia e todo mundo tem. E, apesar de não ser uma sentença de morte, a tendência é que todos pensem que precisam estar mais perto. Funciona como se você fosse se quebrar todo a qualquer momento.

Logo de cara, um amigo me ligou cheio de dedos. Ainda estava aos prantos e ele foi tateando, até que não aguentei e soltei uma piada.

Foi a senha para que o cidadão fizesse outras piadas e me ajudasse a aliviar a tensão. Rir faz muito bem, tanto que meu ânimo voltou. Porém, eu ainda estava muito envolvida com a dor e a perspectiva de meses de rotina alterada pelo tratamento.

O dia a dia do câncer

As sensações que o câncer de mama me causa atualmente são predominantemente de esgotamento. As dores são terríveis no local das lesões e muito sono.

O mal estar é generalizado, com tremuras, suor frio, náuseas, de vez em quando, e isso tudo exaure a energia. Mesmo assim, levei poucos dias para conseguir reagir.

Sobreviver ao câncer passou então, a ser objetivo mais palpável, já que conto suporte dos amigos. A agilidade da Dra. Lúcia, a presteza da Dra. Ana Carolina e o comprometimento da Dra. Alessandra me colocaram para correr atrás do tratamento.

Foi num amanhecer para seguir a caminhada para a cura que tomei a decisão mais sábia. Optei por lidar com o carcinoma, aprender o que ele veio me ensinar. Naquela 5ª-feira, sabia que poderia entrar em guerra ou olhar a situação de maneira mais pacífica e crescer com ela.

Decidi tentar identificar o que a vida tem para me ensinar com essa doença. Com certeza, o câncer pode fazer algo para meu crescimento emocional e espiritual.

Naquela manhã empoderei-me. Mudei de postura, ergui a cabeça e determinei para mim, que eu serei otimista do início ao fim. E do espanto pela notícia à postura que adotei, para vivenciar uma doença tão ingrata, acabei gerando admiração.

Admiração que virou incentivo, companheirismo e mais. Afastou aquele espírito triste que estava rondando minha alma. Até então, já havia feito três exames de sangue para verificar os fatores de coagulação do sangue e todos os três deram alteração.

Era tudo para que eu tivesse condições de sobreviver ao câncer. Até o momento, ele tem sido agressivo, insistente, mas apesar de todos os desafios, tenho certeza de que terminarei a jornada mais forte e experiente.

Transformar em amigo para sobreviver ao câncer

A partir do momento que decidi fazer do câncer professor, meu ânimo virou outro. Apesar de ficar muito emotiva em momentos do dia, tenho estado em paz e otimista. Passei por momentos dolorosos, de agonia e de esperança.

A primeira etapa da doença foi extremamente pesada. Contudo, aprender a ter atitude positiva e disposição para aprender me deu forças.

A segunda etapa, que vivencio agora, tem sido um tanto mais desafiadora. Foi muito decepcionante, descobrir que o tumor já tinha se ramificado em outras partes do corpo.

Por alguns dias me abati profundamente. Tinha feito de tudo para me ver livre do câncer de mama, mas ele resistiu à cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
Segundo a oncologista que me acompanha, Dra. Ana Carolina, meu caso é raro. Afinal de contas, a doença retornou menos de seis meses após o fim da quimioterapia.

As dores que senti eram terríveis. As lesões surgiram na coluna lombar, pélvis, bacia e ossos do bumbum, além de fígado e pulmão.

O susto foi terrível e novamente, surgiu a primeira lição. Abatida com a notícia, fiquei com um medo enorme da morte e ele tornou as dores mais intensas.

Lembrei então de um pensamento matinal enviado pela Brahma Kumaris. Ele diz que quando estamos com nosso campo energético impregnado de energias positivas, elas nos acompanham onde quer que estejamos.

Elas são geradas pelo nosso próprio pensamento e, portanto, uma propriedade nossa. Dessa forma, podemos influenciar positivamente as pessoas que entram em contato conosco.

Sendo assim, procurei forças na experiência que acabei de viver. Estou seguindo os mesmos passos. Enfrentei o medo de morrer e me abri para o tratamento.

Com isso, as dores começaram a perder força. Cultivar otimismo e o bom ânimo é o que me dá condições para sobreviver ao câncer.

Conclusão

Você leu nesse artigo que a atitude é o ponto chave para sobreviver ao câncer. E este foi meu primeiro aprendizado com a doença.

Tanto que após o susto de descobrir a recidiva da neoplasia, retomar a postura positiva tem sido a salvação. Meu estado mental faz com que a jornada seja mais ou menos pesada.

Além disso, a força que eu possuir vai ser multiplicada, sendo transmitida igualmente para as pessoas à minha volta. E esse empoderamento continuará a contribuir, fatalmente para que a realidade seja mais leve, digna e positiva.

Se você está passando por essa experiência ou conhece alguém que está, lembre-se que a atitude é tudo. Com certeza você já conviveu com alguém que teve a doença e sabe que sobreviver ao câncer depende da forma como o paciente lida com ele.

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