18 fev 2016

Cerca de um milhão de crianças desnutridas por grave seca na África, diz Unicef

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Imagem/Unicef

Cerca de um milhão de crianças na África Oriental e Austral sofrem de desnutrição aguda grave por causa da seca que atinge o continente e é provável que piore com o fenômeno climático El Niño – alerta o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). “O fenômeno El Niño será reduzido, mas o impacto sobre as crianças será sentido por muitos anos”, avaliou Leila Gharagozloo-Pakkala, diretora-regional da Unicef para a África Oriental e Austral. “É uma situação sem precedentes e a sobrevivência das crianças depende das ações tomadas agora”, acrescenta.

A desnutrição aguda severa é caracterizada por uma perda de peso muito significativa e é responsável pela maioria das mortes de crianças menores de cinco anos no mundo, de acordo com Fundo das Nações Unidas. Há dois anos o volume de chuvas está abaixo da média e as colheitas são escassas nessas regiões da África. Como resultado, os preços das matérias-primas aumentar e os habitantes tiveram a alimentação reduzida. As crianças estão em maior risco de morrer de fome e de doenças, segundo a Unicef. Lesoto, Zimbábue e várias províncias sul-africanas já estão em estado de catástrofe natural.

A ONU estima que 14 milhões de pessoas podem ficar sem alimento em 2016 no sul da África por conta das escassas colheitas do ano anterior e da seca extrema. No Malauí, por exemplo, 2,8 milhões de pessoas estão ameaçadas pela fome. Na África Oriental, a Etiópia é particularmente atingida pela tragédia com 18 milhões de pessoas que necessitarão de ajuda alimentar antes do final do ano, segundo a Unicef. Para a organização, o país precisa de 87 milhões de dólares em doações. Segundo o escritório da ONU pata a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), as comunidades afetadas pelo fenômeno do El Niño necessitarão de dois anos para se recuperar desta grave seca.

O fenômeno El Niño, corrente equatorial quente do Pacífico, reaparece a cada cinco ou sete anos e conheceu este ano uma forte intensidade. Causou graves secas em certas áreas e inundações em outras. A estação de chuvas, correspondente ao verão no hemisfério sul, termina tradicionalmente em abril para dar início a cerca de cinco meses de estação seca, o que poderia piorar a situação até o final de 2016.

07 jul 2015

Nutricionista ensina dicas e truques para uma alimentação saudável na infância

Arquivado em Saúde & Literatura

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Saúde&Literatura Há 20 anos, a desnutrição infantil era um problema de saúde pública. Faltava comida na mesa dos pequenos brasileiros. Hoje, o Brasil enfrenta outro desafio: a obesidade infantil. Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que quase 35% das crianças entre 5 e 9 anos estão acima do peso. Doenças como diabetes, hipertensão arterial e até mesmo câncer são provocadas pelo excesso de peso das nossas crianças. Como mudar esse quadro e garantir às crianças saúde e longevidade? No livro Alimentação saudável na infância – Conceitos, dicas e truques fundamentais, a nutricionista Cláudia Lobo mostra o caminho para implantar – e manter – uma alimentação saudável na rotina dos pequenos. Com dicas e soluções práticas, ela ensina a escolher os alimentos adequados e prepará-los de forma saborosa e nutritiva.

Adriana Santos: Muitas mães ficam apavoradas quando não conseguem convencer os próprios filhos sobre a importância de consumir frutas, verduras e legumes. Como driblar as manhas e birras na hora de comer?

Cláudia Lobo: As recusas alimentares são normais para todas as crianças, principalmente quando elas começam a entrar em contato com sabores, consistências, cheiros, cores diferentes dos alimentos, como acontece a partir do início do desmame, por isso é importante que os pais tenham consciência disso e saibam administrá-las, primeiramente não se deixando estressar por essas situações, prevendo-as e não se rendendo a elas, ou seja, as recusas são normais, inevitáveis e acontecerão em algum momento, porém devem ser consideradas como parte de um processo de aprendizagem e não como determinantes precoces dos hábitos alimentares das crianças.

Segundo, nunca, jamais, em tempo algum substituir o alimento rejeitado por outro de que a criança goste mais; se a criança rejeitar um alimento, preparação ou refeição, aceite, lembrando-a, delicadamente e com seriedade, porém sem tom de ameaça, de que aquilo que foi rejeitado não será substituído por outro alimento, seja ele qual for, mesmo que seja solicitado (como certamente será) através de todo e qualquer tipo de recurso que as crianças costumam usar para conseguirem o que querem como choro, birra, gritos, pedidos insistentes, carinhas tristes etc. e o mais importante: manter a promessa.

Alguns estudos comprovam que para se formar um hábito alimentar, a exposição repetida de novos alimentos à crianças deve ser feita de forma sistemática. Um mesmo alimento deverá ser apresentado e oferecido à criança, de 8 a 10 vezes. Alguns citam um oferecimento de 12 a 15 vezes até. Em dias espaçados, claro. O hábito de ver um alimento sempre à mesa, fazendo parte da alimentação da família, é um fator que favorece a aceitação do mesmo. A recusa inicial do seu filho a alguns alimentos deve ser encarada como uma resposta normal, pois é um exercício de adaptação, portanto, não se estresse ou se preocupe demais. Ter calma, paciência e perseverança é fundamental. Um processo de educação ou reeducação alimentar de uma criança pode levar de 6 meses a 1 ano, portanto não desista nas primeiras tentativas.

Use travessas bonitas, pratos decorados, e copos com motivos infantis na hora de servir. Você pode utilizar também os próprios brinquedos das crianças para servir algumas preparações (depois de bem lavados, claro); por exemplo, um caminhãozinho com a caçamba cheia de brócolis e cenouras baby ou os pratinhos do joguinho de jantar de sua filha para servir tomates-cereja, morangos, etc. Enfeite as preparações. Faça comidas divertidas com carinhas, monstros, flores. Tolere alguma bagunça à mesa de vez em quando, como deixar seu filho pegar alguns alimentos com a mão e lambuzar-se. Brinque você também com a comida.

Adriana Santos: A rotina estressante nos faz acelerar tudo, inclusive a mastigação. Por que a mastigação é tão importante na hora da alimentação?

Cláudia Lobo: A má mastigação pode acarretar problemas digestivos como azia, refluxo, indisposições gástricas em geral. Lembre-se de que o estômago não possui dentes. Ele não vai mastigar aquele pedaço grande de alimento que você engoliu. Aquele pedaço vai ficar lá no estômago mais tempo do que deveria, vai ser atacado pelos ácidos que não vão dar conta do recado. Dessa forma, o estômago vai produzir mais ácido para tentar digerir aquele pedaço, o esvaziamento gástrico vai ficar mais difícil, enfim, vai exigir muito do pobre do estômago; depois vai exigir muito do intestino também e das outras glândulas que participam da digestão dos alimentos. Nesse sentido, todos esses órgãos vão ter que trabalhar dobrado para fazer o que têm que fazer, a fim de aquele alimento ser processado adequadamente e ter seus nutrientes absorvidos, antes de ser transportado e depois eliminado. Imagine essa aventura acontecendo a cada refeição, todos os dias, por vários anos. Um dia, todo o corpo vai sentir suas consequências.

Alimento mal mastigado também será mal absorvido, o que fará você perder em absorção de nutrientes. Além disso, a mastigação bem feita permite que o cérebro receba estímulo eficaz e envie sua mensagem de saciedade, evitando exageros alimentares. É isso mesmo, mastigar bem emagrece e/ou evita que se engorde. Só após 20 minutos de mastigação é que o cérebro libera a produção do PYY pelo intestino, hormônio responsável pela saciedade. A salivação é que é a responsável por essa liberação. Enquanto esse hormônio estiver circulando na corrente sanguínea nos sentimos saciados.

Existem ainda muitos outros ótimos motivos para você caprichar na mastigação dos alimentos, mas que não dizem respeito diretamente à nutrição e sim à fonoaudiologia e à odontologia, a má mastigação pode gerar consequências como a falta de harmonia do crescimento facial, deixando a musculatura orofacial flácida, influenciando negativamente nas suas funções. Durante o ato mastigatório, trabalhamos vários músculos que são articuladores, de extrema importância e ativos no processo da produção dos sons da fala, como os músculos responsáveis pelo vedamento labial, abertura e fechamento da boca, trituração dos alimentos e a língua, um dos músculos mais ativos durante a fala e mastigação.

Adriana Santos: Como escapar dos modismo alimentares e oferecer uma alimentação equilibrada para nossos filhos?

Cláudia Lobo: Os motivos que levam uma criança a preferir alguns alimentos a outros são os mais variados, mas estou convencida de que essa preferência é estimulada e aceita muito facilmente primeiramente dentro de suas próprias casas. Uma criança de dois anos, por exemplo, que já teve o contato com o sabor doce do açúcar, dos refrigerantes, chocolates, balas e afins, assim como com o gosto diferente das frituras e o salgadinho dos snacks, certamente o fez por terem sido esses alimentos disponibilizados a elas dentro de seu próprio ambiente familiar ou no convívio com seus familiares, nada de muito errado nisso, mas a frequência de consumo desses produtos, a quantidade oferecida e o fato de os pais cederem regularmente às vontades dessa criança quanto ao consumo desse tipo de alimento é que a fazem obviamente rejeitar outros tipos de alimentos não tão saborosos ao seu confuso paladar. É um ciclo vicioso: disponibilização de alimentos pouco nutritivos –> rejeição de alimentos saudáveis –> disponibilização de alimentos pouco nutritivos.

É importante lembrar também que a insistência sistemática, agressiva, seja através de pedidos, chantagens, comparações, barganha, promessas, ameaças, ou mesmo dar comida na boca da criança enquanto a distrai com histórias ou outro divertimento para que ela nem perceba o que está comendo são artifícios que muitos pais utilizam, mas não são educativos de forma positiva e podem trazer muitos prejuízos à criança, tanto à sua saúde física quanto à emocional.

À medida que a criança vai crescendo ela também começa a ser exposta à mídia agressiva dos alimentos industrializados e fast foods, que descobriram na criança uma importante e leal consumidora, geradora de milhões de reais a essas empresas anualmente e que utilizam todos os recursos para alcançar esse público tão lucrativo. Agora junte tudo isso: as crianças sofrem influência dos hábitos familiares desde bebês; aprendem desde cedo a gostar de alimentos altamente calóricos e pobremente nutritivos e os obtém fácil e abundantemente; assistem mais de quatro horas de TV por dia, segundo pesquisas; são influenciadas pelas propagandas de alimentos e pelos modismos; as crianças influenciam (decidem) as compras de supermercado e ainda comem mais guloseimas quando estão diante da TV, games ou computador, e verá que não é a toa que as crianças estão a cada dia que passa se alimentando pior e sofrendo em seus próprios corpos e na sua saúde as consequências dessa falta de cuidado e orientação.

Se há culpados pelo fato inequívoco das crianças estarem se alimentando mal, não são únicos. Talvez sejamos todos! Mas, mais importante do que procurar culpados é corrigirmos nossos próprios erros, como?, nos instruir mais e nos engajarmos nessa luta para orientar melhor nossos filhos para a vida, incluindo a alimentação.

Adriana Santos: Qual a importância das refeições feitas em família para o desenvolvimento da criança?

Cláudia Lobo: As ocasiões em que a família está reunida à mesa, podem ser um grande acontecimento para a criança em desenvolvimento; uma reunião assim, alegre, leve, em clima de união e cumplicidade faz a criança se relacionar positivamente com o momento de comer. Esse é um aspecto extremamente importante, pois as crianças adquirem preferências por alimentos quando formam associações entre as características sensoriais dos alimentos, principalmente a aparência, cheiro e o sabor e sensações positivas, como a gerada por um ambiente familiar descontraído, divertido. Se essas ocasiões são muito raras, tente se organizar para aumentar a frequência delas, pelo menos para uma refeição por semana regularmente, com todos os presentes, pais e filhos, ou a maioria deles.

Para ilustrar, veja só a que ambiente se associam os alimentos que os filhos adoram. Os doces, balas e outras guloseimas são alimentos que costumam ser oferecidos a eles em dias de festas, datas especiais, momentos de lazer, etc., não é?! Pois bem, devemos também oferecer o máximo de momentos especiais aos nossos filhos, relacionados com uma alimentação mais nutritiva e saudável. Você não precisa fazer nada extraordinário ou mirabolante para deixar o ambiente do dia-a-dia mais festivo e oferecer, nesse clima, alimentos saudáveis a seu filho, basta estar presente e curtir o momento com alegria e descontração.

Adriana Santos: O que é necessário no prato para garantir a nutrição saudável da criança?

Cláudia Lobo: Ainda não se conhece um alimento perfeito que por si só seja insubstituível ou que sozinho consiga garantir a saúde. O que ocorre é um conjunto de alimentos variados de grupos de alimentos que agem sinergicamente para essa função.

· Água

· Raios solares incidindo sobre a pele –absorção de vitamina D (O sol também influi na nutrição. A exposição solar, preferencialmente até as dez horas da manhã ou após as quatro horas da tarde é capaz de penetrar na pele e converter um precursor de colesterol em vitamina D. Essa vitamina é considerada um nutriente essencial e pode até ser consumida através da alimentação, mas existem muito poucas fontes alimentares naturais dela)

· Verduras

· Legumes

· Frutas

· Carboidratos – cereais, tubérculos, raízes, farinhas e preparações feitas com quaisquer desses alimentos

· Leguminosas – todos os tipos de feijões, ervilha, grão-de-bico, lentilha

· Proteínas de boa qualidade – carnes em geral, peixes, ovos, cogumelos, mistura de cereais e leguminosas (tipo arroz com feijão), quinoa, amaranto, castanhas e nozes, leite e derivados

· Gorduras do bem azeites extravirgens, óleos vegetais, manteiga

· Fibras – parte das plantas que o nosso organismo não consegue digerir, mas são necessárias para o bom funcionamento intestinal – farelos de cereais, cascas de frutas, hortaliças, frutas, leguminosas rtc.

Nós necessitamos de mais de 40 tipos diferentes de nutrientes para o bom funcionamento e desenvolvimento do nosso organismo, nas quantidades certas e todos os dias, principalmente as crianças, pois elas estão vivendo um período de intenso crescimento e desenvolvimento do seu corpo em todos os aspectos, incluindo o intelecto.

12 jun 2015

Minas Gerais lidera índices de trabalho infantil doméstico

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Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, com base no Censo 2010, apontam que o estado de Minas Gerais apresenta o maior número absoluto de crianças e adolescentes entre dez e dezessete anos que enfrentam o trabalho infantil doméstico no Brasil.

34.699 meninos e meninas trabalham em casas de família e são submetidos a atividades como lavar, passar, varrer, cozinhar, cuidar de outras crianças, e, muitas vezes, enfrentam duras jornadas de trabalho.

Como parte das ações comemorativas do Dia Mundial de Erradicação do trabalho infantil, o Tribunal do Trabalho de Minas Geais (TRT) promove, hoje (12/06), a partir das dez horas, com apoio da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), a distribuição de folder cartilha nas bilheterias da estação central do metrô de Belo Horizonte. O objetivo é mobilizar quem passa pelo local sobre os prejuízos do trabalho precoce na infância.

Neymar Jr. é o protagonista da campanha contra o trabalho infantil da Justiça do Trabalho. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o jogador alerta sobre os riscos do trabalho precoce e destaca que criança tem que estudar, brincar e praticar esportes. Veja: