11 out 2017

Você conhece os benefícios da acupuntura, procedimento da medicina chinesa?

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Reconhecida como especialidade médica no Brasil desde 1995, a acupuntura vem sendo cada vez mais procurada por pacientes que desejam obter o alívio de diversos sintomas. Utilizada como tratamento complementar das mais variadas doenças – de insônia e depressão a infertilidade e lombalgia –, o método oferece o melhor da sabedoria milenar oriental aliada à segurança e à eficácia da medicina ocidental.

No livro Acupuntura e medicina integrativa – Sabedoria milenar, ciência e bem-estar, Dr. Mário Sérgio aborda, em linguagem clara e direta, os princípios que compõem a medicina tradicional chinesa, as evidências de que a acupuntura funciona, os vários tipos de tratamento, as principais indicações do agulhamento, os benefícios da técnica e as dúvidas mais comuns dos leigos. Além disso, mostra como a acupuntura está alinhada com uma nova visão de medicina, baseada na prevenção, na busca do equilíbrio do organismo, na qualidade de vida e no respeito ao paciente.

Confira a entrevista exclusiva que o Dr. Mário Sérgio concedeu ao Blog Saúde do Meio:

 

Adriana Santos: O que é e qual a origem da Acupuntura?

Mário Sérgio: A acupuntura é um procedimento de origem chinesa que visa tratar e prevenir doenças por meio da aplicação de agulhas, estimulando a homeostase, ou seja, a tendência natural do organismo de autorregular-se e reequilibrar- se para uma condição geral de harmonia física, mental, emocional e energética. Pioneiros na descoberta de que o agulhamento de distintas partes do corpo provoca reações e influencia várias funções orgânicas, os chineses desenvolveram explicações para isso conforme sua cultura, filosofia e conhecimento do organismo humano naquela época. Ao longo dos séculos, foram se estabelecendo parâmetros técnicos para que a estimulação por acupuntura fosse a mais eficiente possível, muitas vezes baseados em tentativa e erro, e criteriosa observação clínica e anotação e compilação criteriosa desses dados. Nos últimos 50 anos, com a integração da medicina ocidental à acupuntura e o melhor entendimento de seu funcionamento pelos critérios da ciência ocidental, a técnica foi aperfeiçoada e potencializada, e, agora, integrada ao arsenal médico ocidental, tem resultados cada vez mais expressivos.

O método é reconhecido no Brasil?

No Brasil, a acupuntura foi reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 1995 e, três anos mais tarde, pela Associação Médica Brasileira (AMB). Além disso, desde 1979, é indicada como “medicina complementar”, tendo sua eficácia como tratamento comprovada para mais de 40 doenças pela Organização Mundial de Saúde (OMS). E, mais recentemente, o órgão vem estimulando o uso da medicina tradicional/complementar nos sistemas de saúde de forma integrada às técnicas modernas da medicina ocidental.

A Acupuntura é usada apenas para distúrbios físicos?

Não. A Acupuntura é indicada na prevenção e no tratamento de diversas patologias e apresenta, segundo a visão da medicina ocidental, efeito analgésico, anti-inflamatório e relaxante muscular, além de melhorar a imunidade. Também tem efeito ansiolítico, antidepressivo leve e cicatrizante, entre outras ações, atuando nos mecanismos intrínsecos de autorregulação do organismo.

Como pode ajudar nos transtornos mentais, como a depressão e a Síndrome do Pânico?

A acupuntura pode ser aliada no tratamento de transtornos mentais como a depressão e a Síndrome do Pânico sempre como abordagem complementar às orientações e intervenções propostas pelo médico especialista na área em questão.

Quantas aplicações são necessárias para um bom resultado?

Normalmente consideramos uma média de dez a vinte sessões para reavaliar cada caso. Vale frisar que o ritmo da melhora com a acupuntura deve ser considerado tendo em conta a capacidade do organismo de processar e transformar os estímulos, além do tipo de patologia, que pode ter um prognóstico melhor ou pior. Além disso, por ser uma técnica que depende de um operador, a perícia e habilidade do médico acupunturista ao agulhar o conjunto de pontos mais adequados para aquela patologia são fundamentais para os melhores resultados.

A Acupuntura provoca algum tido de dor, enfeito colateral ou restrição?

A estimulação por acupuntura é muito bem tolerada. A sensação costuma ser de leve pressão e, em alguns casos, sente-se um rápido “choquinho”. A maioria dos pacientes, após algumas sessões, fica completamente relaxada e imersa no ambiente terapêutico da acupuntura, relatando sensações de calma e vitalidade. Alguns inclusive afirmam que a sensação é prazerosa e lhes traz relaxamento imediato.

Como em qualquer outro procedimento invasivo, certos riscos inevitavelmente estarão presentes. Entretanto, a acupuntura é uma técnica muito segura, desde que se cumpram os requisitos de segurança preconizados para essa classe de procedimentos. As técnicas de acupuntura são variáveis e envolvem uma gama de possibilidades de inserção de agulhas em locais, planos de profundidade e tecidos distintos.

Quando conduzida por um profissional experiente, com conhecimento técnico adequado, os riscos são baixíssimos, de pequenas consequências e facilmente administrados.

Existem situações e patologias para as quais a acupuntura não está indicada e sua utilização será perda de energia e tempo. Além disso, os profissionais competentes não utilizam a acupuntura para mascarar sintomas e retardar o diagnóstico correto de uma patologia que deveria estar sendo tratada, por exemplo, com antibióticos.

14 set 2017

Setembro Amarelo: os heróis também pedem ajuda

Arquivado em saúde, Saúde mental

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A vida do Superman não é nada fácil. Além de enfrentar vilões de carne e osso, um dos heróis mais consagrados da Terra teve uma infância bem complicada, foi separado dos pais, foi um refugiado, não pode revelar sua verdadeira identidade e acumula duas profissões. Você lembra da história? Ele nasceu no fictício planeta Krypton e foi chamado pelos seus pais de Kal-El (que significaria Filho das Estrelas no idioma kryptoniano). Foi mandado à Terra por seu pai, Jor-El, um cientista, momentos antes do planeta explodir. O foguete aterrissou na Terra na cidade de Smallville onde o jovem Kal-El foi descoberto pelo casal de fazendeiros Jonathan e Martha Kent. Conforme foi crescendo, ele descobriu que tinha habilidades diferentes dos humanos. Quando não está atuando como Super-Homem, ele vive como Clark Kent, repórter do Planeta Diário. Realmente, não está fácil para ninguém!

IMG_20170630_081358Enquanto isso, em Belo Horizonte, o sargento do Hospital Militar de Minas Gerais, Daniel Xavier, 39 anos, sendo 16 anos de polícia, enfrenta um drama pessoal, antes de assumir a identidade de Super-Herói do Projeto Social Liga da Justiça. Em 2013, o mundo parecia desabar nos ombros do jovem policial. “Fui diagnosticado com quadro de depressão. Minha mãe estava doente, meu pai em estado grave no CTI, vindo a falecer. Meu casamento já havia praticamente chegado ao fim. Além de estar passando por uma intensa pressão no meu ambiente de trabalho”, explica.

O sargento Daniel sentia que não tinha forças para continuar a viver. Foi aí que o sinal alerta foi acionado. “Quando comecei meu tratamento, já apresentava os principais sentimentos de quem pensa tirar a própria vida: depressão, desesperança, desamparo e desespero. Tanto que, ao ser abordado pelo psiquiatra sobre o que eu queria fazer a respeito de tudo aquilo, minha resposta foi: eu só queria apertar um botão e desaparecer”.

No entanto, o sargento Daniel contou com uma rede de proteção, envolvendo os amigos, os colegas de trabalho e a Mulher Maravilha.

DSC06420Nunca fiquei afastado da Polícia. No período mais difícil, tive a licença médica de alguns dias e, logo em seguida, minha chefe Ten Cel Elaine autorizou o pedido de férias prêmio. Minha amiga me incentivou a criação do Projeto Social Liga da Justiça (saiba mais).

No mês de junho de 2017, participei de um minicurso sobre Suicídio, realizado pela LASME – Liga Acadêmica de Saúde Mental da UFMG. Durante o curso, vi o quanto o tema do suicídio ainda é tabu na nossa cultura. Números são omitidos. Quando o tema é abordado pela mídia, muitas vezes é feito de forma negligente com informações distorcidas. 

Em 2016 o Projeto Social Liga da Justiça realizou seu primeiro Setembro Amarelo, no Hospital Militar, pois policiais, bombeiros e agentes de saúde estão entre as profissões mais propensas ao suicídio, fato reiterado no próprio curso da LASME.  Alguns membros da Liga já tiveram experiência de auto extermínio na família e o convite da LASME foi quase que um presente, pois nos trouxe um pouco de conforto ao sabermos que não estamos sozinhos nessa luta e que um tema tão delicado está sendo abordado por pessoas altamente qualificadas para ajudar”.

SETEMBRO AMARELO – CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O SUICÍDIO

O suicídio é um fenômeno complexo, que envolve várias facetas da existência humana. No entanto, os dados recentes apontam que o assunto não pode ficar restrito aos poucos grupos de discussão acadêmica, filosófica ou religiosa. Todos devem estar atentos ao tema – que afeta direta ou indiretamente à população.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que ocorram, no Brasil, 12 mil suicídios por ano. No mundo, são mais de 800 mil ocorrências, isto é, uma morte por suicídio a cada 40 segundos, conforme o primeiro relatório mundial sobre o tema, divulgado pela OMS, em 2014.

Na maioria dos casos, a vontade de acabar com própria vida é provocada pela falta de esperança, de uma luz no fim do túnel, além de uma insustentável sensação de desamparo e angústia. O quadro de transtorno mental, quando não diagnosticado ou não tratado, como depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar afetivo, crise psicótica e transtorno de personalidade (borderline) pode levar uma pessoa a cometer suicídio. É claro que a prevenção é uma grande aliada da vida. Segundo a OMS, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos.

IMG_9745Adriana Santos: Como é sua situação atualmente?

Daniel: Atualmente estou bem. Me monitoro sempre para perceber algum sinal de recaída, porque eles se manifestam, só que a gente e quem está ao nosso redor não percebe.

Como você consegui superar a depressão?

Estava consciente da minha situação. Sabia que seria um processo a longo prazo. Segui as recomendações médicas. Fiz terapia. Pratiquei e ainda pratico atividade física (artes marciais). Tentei focar na solução ao invés do problema e tentei não me entregar. Pude contar com algumas pessoas. Tive uma amiga que ficou ao meu lado na pior hora. Acho que ela foi essencial porque eu mesmo já estava duvidando da minha capacidade de sair dessa. Ela sempre acreditou e isso me deu forças. Hoje atuamos juntos na Liga da Justiça.

O trabalho voluntário foi importante na sua recuperação?

Embora não tenha criado o grupo para uma ser um tipo de terapia, é claro que ajudar as pessoas nos faz bem. Sentir a gratidão das pessoas, tirar sorrisos, fazer as doações, tudo isso num trabalho de equipe. Alcançar essas metas tem uma atuação direta na liberação de hormônios que nos ajudam na nossa felicidade (endorfina, oxitocina, dopamina e serotonina).

06 set 2017

Quando a vida perde o sentindo…

Arquivado em Comportamento, saúde

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O Próximo ao Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro) o sinal vermelho acende: o número de casos é crescente no país. Segundo dados do Mapa da Violência 2017, a taxa de suicídio entre jovens de 15 a 29 sobe 10% desde 2002. Considerado um tema delicado, a conversa e orientações sobre os fatores que levam uma pessoa a cometer essa atitude e as principais indicações que isso pode ocorrer devem ser divulgados para que casos sejam evitados.

A médica e psicanalista Soraya Hissa de Carvalho explica que, por meio da observação dos casos, pode-se constatar que há certos fatores que estão relacionados a uma maior ou menor probabilidade de cometer o suicídio. “Por exemplo, as mulheres tentam mais suicídio que os homens, mas, os homens o cometem (isto é, morrem devido à tentativa) mais do que as mulheres”, afirma. Para Soraya, a idade também está relacionada às taxas de suicídio, sendo que a maioria ocorre na faixa dos 15 aos 44 anos. “Doenças físicas ou mentais, como alcoolismo, drogas, depressão, transtorno afetivo bipolar e esquizofrenia são fatores relacionados às taxas mais altas de suicídio. Além disso, uma pessoa que já tentou cometer o suicídio anteriormente tem maior risco de cometê-lo”, exemplifica.

Segundo a psicanalista, as pessoas podem tentar ou cometer suicídio por diversos motivos: numa tentativa de se livrarem de uma situação de extrema aflição para a qual acham que não há solução; por estarem num estado psicótico, isto é, fora da realidade; por se acharem perseguidas, sem alternativa de fuga; por se acharem deprimidas, achando que a vida não vale a pena; por terem uma doença física incurável e se acharem desesperançados com sua situação; por serem portadores de um transtorno de personalidade e atentarem contra a vida num impulso de raiva ou para chamar a atenção, dentre outras causas.

Soraya alerta para o fato de que o suicídio é algo que, em geral não pode ser previsto, mas existem alguns sinais indicadores de risco, e eles são: tentativa anterior ou fantasias de suicídio, disponibilidade de meios para o suicídio, idéias de suicídio abertamente faladas, preparação de um testamento, luto pela perda de alguém próximo, história de suicídio na família, pessimismo ou falta de esperança, entre outras. “Pessoas que apresentem tais indicadores devem ser observadas mais atentamente. No entanto não se pode ter certeza alguma a respeito, pois a ideia de morrer pode mudar na mente da pessoa, de um momento para outro”, justifica a psicanalista.

A médica e psicanalista aconselha que quando a preocupação sobre um risco de suicídio ocorrer em relação a uma pessoa, esta deve ser encaminhada a uma avaliação psiquiátrica para que se possa checar adequadamente o risco e oferecer um tratamento para essa pessoa. “Esse tratamento poderá ser uma internação, quando for avaliado que o risco é muito grave, ou tratamento ambulatorial (consultas regulares com psiquiatra), ocasião em que é feita uma avaliação das circunstâncias da vida da pessoa. Se ela tem uma família que possa estar presente, observando-a e fornecendo-lhe suporte, e a qual, ela própria, apesar da vontade de se matar, possa comunicar isso e pedir ajuda antes de cometer o ato”, explica Soraya Hissa.

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