15 mar 2017

Adolescentes compram indiscriminadamente anticoncepcionais em farmácias

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A venda indiscriminada de hormônios femininos, como anticoncepcionais, pode agravar os riscos à saúde das mulheres. É bom lembrar que o medicamento é vendido sem a exigência de receita médica em vários países, inclusive no Brasil. Especialistas alertam que a automedicação sem uma avaliação médica pode acarretar problemas como a trombose e a embolia. O problema pode ser ainda mais complicado quando uma adolescente resolve usar o anticoncepcional por conta própria.

Recebi algumas mensagens de mães aflitas relatando que as filhas adolescentes estavam comprando anticoncepcionais em farmácias sem orientação de uma ginecologista. Teve um relato bem inusitado de um garoto de 15 anos com problemas psicológicos que usava anticoncepcional para ficar sem pelos no corpo. Enfim, as farmácias vendem indiscriminadamente o medicamento em qualquer situação. Conversei com o professor da UFMG e ginecologista Agnaldo Lopes sobre o assunto.

1- Adriana Santos: Quais os principais efeitos colaterais dos anticoncepcionais para adolescentes?

Agnaldo Lopes: Os efeitos mais comuns para adolescentes são náuseas, vômitos, dor de cabeça, mal estar, intolerância gástricas e possibilidade de sangramento irregular.

2- Quais os cuidados no uso dos anticoncepcionais para meninas que começaram a menstruar?

Todo método anticoncepcional deve ser prescrito por um médico após uma histórica clínica e avaliação detalhada.

3- Por que no Brasil os adolescentes podem comprar o medicamento sem receita médica, já que são menores de idade?

A legislação brasileira permite isso. Reforço a importância da prescrição do anticoncepcional por um médico, apesar de que todas as barreiras para os métodos contraceptivos podem implicar em gravidez não desejada.

4- Adolescentes usam concepcionais também para tratar espinhas. Os meninos podem usar o anticoncepcional feminino? Quais os possíveis efeitos colaterais?

É absolutamente contraindicado. Não devem usar de forma alguma.

5- O anticoncepcional Diane foi proibido na França por provocar trombose em várias mulheres. Por que ainda é consumido no Brasil, em especial por adolescentes que tentam tratar espinhas?

O Diane é aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) como tratamento hormonal contra os sintomas de hiperandrogenismo (excesso de pelo e de acne).

6- Qual a importância de procurar um ginecologista para iniciar o uso do anticoncepcional?

Ele vai definir juntamente com a mulher se a pílula anticoncepcional é o método contraceptivo mais indicado, qual o tipo de pílula ela deve tomar, e aconselhá-la sobre benefícios físicos e sinais alerta de cada método

26 jun 2015

Brasil ainda não tem consenso sobre descarte correto de medicamentos

Arquivado em Comportamento

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Restos de medicações sem o destino correto podem ocasionar, por exemplo, o uso inadvertido por outras pessoas resultando em reações adversas graves e intoxicações. De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas, o Sinitox, os medicamentos ocupam o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicações desde 1996.  Além disso, o meio ambiente é agredido com a contaminação da água, do solo e dos animais.

Atualmente, está sendo discutido no âmbito da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) o funcionamento do sistema de descarte de medicamentos no país. O objetivo é que a população tenha alternativa apropriada para o descarte seguro e ambientalmente correto das sobras dos medicamentos por falta de uso ou com prazo de validade vencido.

Entrevistei o presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter da Silva Jorge João, sobre os perigos (para a saúde e para o meio ambiente) gerados pelo descarte incorreto de medicamentos vencidos, avariados e as suas sobras e em que estágio encontra-se a construção da Logística Reversa de Medicamentos.

No Brasil, ainda não há acordo setorial legalizado sobre descarte de medicamento domiciliar. Para a legalização na ambiência domiciliar, é necessária uma ampla discussão sobre as diretrizes e responsabilidade compartilhada.

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Adriana Santos:  Quais os impactos para a saúde e o meio ambiente do descarte incorreto de medicamentos feito, atualmente, pela maioria dos brasileiros através do lixo comum ou da rede pública de esgoto?

Walter Jorge João: Descartar incorretamente medicamentos que não estão em uso e que perderam a validade representa um perigo em potencial para a saúde das pessoas, porque esses produtos podem contaminar os lençóis freáticos, os riachos, ribeirões e rios, voltando, depois, para a população que, sem saber, passa a consumi-los, de novo, direta ou indiretamente. Importa realçar que os metabólitos não são eliminados no processo de tratamento de esgotos. Os resultados deste erro podem ser a resistência microbiana, as reações adversas, as intoxicações, entre outros problemas, sem contar as agressões ao meio ambiente, por meio da contaminação da água, do solo e de animais.

Adriana Santos: O que é sistema de logística reversa de resíduos de medicamentos? Quais as principais dificuldades para a implantação no Brasil?

Walter Jorge João: A logística reversa é um meio que o Brasil adotará, com vistas a dar uma destinação correta aos medicamentos que precisam ser descartados. Consiste em se realizar a coleta dos resíduos sólidos e devolvê-los ao setor empresarial – no caso dos medicamentos, à indústria farmacêutica – para que sejam reaproveitados, ou para que tenham outra destinação final adequada.

As dificuldades para a implantação da logística reversa têm origem na própria complexidade da proposta, vez que abrange todos os envolvidos com o medicamento – dos produtores aos usuários. A maior dificuldade concentra-se na não aceitação em arcar com todos os custos da destinação final e adequada dos resíduos, por parte da indústria farmacêutica. Tanto que a indústria pediu um prazo para discutir a proposta.

Adriana Santos: Até que ponto a indústria e as farmácias estão colaborando na implantação do sistema?

Walter Jorge João: O Brasil está construindo um acordo setorial para a implementação da logística reversa que abrange todos os envolvidos com o medicamento (o usuário, as farmácias, as distribuidoras e as indústrias farmacêuticas) em total consonância com a Lei 12305, de 02 de agosto de 2010, que dispõe sobre o assunto. Representantes de todos esses segmentos estão participando ativamente das discussões sobre a logística reversa, e esta já é uma forma de colaboração. O que se busca é a elaboração de um acordo entre todas as partes envolvidas, com o compromisso de que ele seja cumprido. O CFF tem sido um participante ativo das discussões sobre a logística reversa e será, sempre, um incentivador do acordo.

Adriana Santos:  Quais os perigos do consumo de medicamentos fora da data de validade?

Walter Jorge João: Alguns medicamentos, depois de abertos, perdem o efeito, ao fim de um determinado tempo. Outros têm o prazo de validade previsto pelo fabricante. O perigo do consumo fora do prazo é o de a terapia não apresentar nenhuma eficácia, expondo o seu usuário a riscos, como o de a sua doença ser prolongada, de sofrer uma recidiva, ou até de morrer.

Adriana Santos:  Como as pessoas devem descartar os medicamentos vencidos ou sobras de medicamentos usados em tratamentos prescritos?

Walter Jorge João: O ponto de partida para um descarte correto é jamais jogar os medicamentos no lixo comum, na pia, nem no vaso sanitário. Antes, é recomendável que as pessoas procurem os farmacêuticos, nas farmácias, para obter informações sobre como proceder para fazer o descarte adequado. Os medicamentos devem ser levados em suas embalagens originais para as farmácias que participam de algum programa de descarte. A destinação final adequada dos resíduos de medicamentos é a incineração ou os aterros industriais. Mas a maioria dos Municípios, ainda, não dispõe de programas voltados para o descarte.

Importa realçar que, entre os agentes causadores de intoxicações, os medicamentos ocupam o primeiro lugar, segundo o Sistema Nacional de Informações Tóxico-farmacológicas (Sinitox). O descarte incorreto pode contribuir para o surgimento desses problemas. Realço, ainda, que o uso racional de medicamentos deve estar no núcleo das discussões sobre o descarte. O uso racional diminuiria drasticamente o volume do descarte.