06 fev 2018

Cerca de 40% dos idosos já perderam todos os dentes

saude-bucal-idosos-750x354De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 41,5% das pessoas acima dos 60 já perderam todos os dentes. “Estes dados são alarmantes. É preciso compreender que, se há os devidos cuidados orais, é possível diminuir a perda dental e chegar à terceira idade com grande parte dos dentes naturais. Em casos de perda de dentes, o ideal é substituí-los por implantes, evitando o uso de próteses removíveis”, afirma Dr. Paulo Coelho Andrade, mestre e especialista em implatodontia e odontologia estética.

O profissional conta que o envelhecimento aumenta o risco de vários problemas orais como a gengivite, doença periodontal, cárie de raiz, diminuição da saliva, entre outros. “Com a idade, os dentes costumam ficar mais sensíveis, pois é comum ocorrer a retração gengival ao longo da vida, deixando a raiz exposta. Higiene bucal inadequada, fumo, estresse, doenças sistêmicas também podem contribuir para problemas gengivais”, explica. Para prevenir estes problemas e conseguir manter a saúde bucal em dia, Dr. Paulo dá algumas dicas:

. Uma alimentação saudável faz bem para o organismo como um todo, incluindo a boca e os dentes. Consumir alimentos in natura e evitar açúcar e industrializados ajuda a manter a boa saúde oral;

. A hidratação é essencial, principalmente na terceira idade, onde os níveis de água no corpo são drasticamente inferiores. Beber muita água ajuda na produção de saliva, diminuindo a proliferação de bactérias na boca;

. A utilização de escovas de cerdas macias minimiza a retração natural da gengiva que costuma ocorrer ao longo da vida. Suavidade na hora da escovação também ajuda a diminuir o problema;

. Dar preferência a pastas de dente com flúor e que amenizam a sensibilidade. Evitar cremes que clareiam os dentes, pois são abrasivos. Utilizar o fio dental depois das principais refeições;

. Praticamente todas as doenças bucais, se descobertas e tratadas no primeiro estágio, são reversíveis. As visitas periódicas ao dentista – de 6 em 6 meses – asseguram a boa saúde oral;

. As coroas e pontes são utilizadas para reforçar dentes danificados e substituir os extraídos. No caso de dentes desgastados pelas erosões dentárias ou até bruxismo, as facetas são uma excelente alternativa para harmonizar a estética oral. Os cuidados diários devem ser os mesmos tomados com os dentes naturais: escovar e usar fio dental após as refeições;

. No caso do uso de próteses removíveis – dentaduras – a pessoa também deve escova-las após as refeições com uma escova macia e um creme dental específico. Há diversos produtos no mercado que auxiliam na higienização das mesmas. Entretanto, para manter uma verdadeira saúde oral e do organismo de forma geral, o ideal é substituí-las por implantes com próteses fixas, que garantem uma boa mastigação e não provocam perda óssea.

07 abr 2016

Morremos quase todos os dias e nem percebemos

Arquivado em Espiritualidade, Idoso, opinião
envelhecer

Imagem/Google

Pensar a velhice não é muito confortável, principalmente em tempos modernos de sentimentos líquidos e, muitas vezes, cambiáveis. Valemos menos quando temos mais rugas no rosto e mais calos na mão. Também lamento imaginar, por exemplo, meu filho adolescente de 14 anos desfrutando, no futuro, o convívio com os meus bisnetos, seria a mesma coisa que plasmar minha ausência. Confesso que não tenho a pretensão de viver tanto tempo assim, já que engravidei bem pertinho dos 30 anos e meu filhote não pensa em encarar choro de criança antes dos 40 anos, mas fica um lamento no ar. Os jovens de hoje tendem a adiar cada vez mais a maternidade e a paternidade.

Nas sociedades ocidentais, a velhice é o “fim do caminho”, é indesejável, é impróprio para os negócios. Talvez porque temos a sensação exata que estamos perto da morte física. Para a maioria dos jovens, a morte não existe ou é improvável. No entanto, envelhecer é o processo natural da vida. A morte não é o contrário da vida, mas a oportunidade de uma nova forma de consciência. Além disso, convivemos com a morte desde sempre. Morremos quase todos os dias e nem percebemos. Você duvida?

A cada cinco dias, temos um revestimento interno do estômago. Ganhamos um novo fígado a cada dois meses. Nossa pele se repõe a cada seis semanas. A cada ano, 98 por cento dos átomos de nosso corpo são substituídos. Essa substituição química ininterrupta, o metabolismo, é um sinal seguro de vida.

É a nossa poesia interna (autopoese) nos ensinando que quanto mais morremos, mais estamos vivos. Estas informações preciosas estão em um dos livros mais lindo que a vida me possibilitou ler sobre a morte: (O QUE É VIDA? de Lynn Margulis e Dorion Sagan.

Além da morte física de cada dia, morremos também emocionalmente, por meio de mudanças de consciência. Às vezes ficamos altruístas, generosos, sábios, pacientes, evoluídos, mas acontece também o contrário. Muitos não conseguem renovar os sonhos, ideais, virtudes e ficam no sofá esperando a morte chegar.

Não somos mais sábios porque estamos mais velhos, não somos mais éticos porque estamos mais velhos, não somos mais generosos porque estamos mais velhos. Envelhecer não é uma questão moral ou meramente materialista, mas, talvez uma grande oportunidade de superar os desafios da vida por meio da mudança de consciência. A renovação no planeta Terra não é pela morte, mas pela transformação. O envelhecimento é uma chama divina, um convite para novas formas de “estar” no mundo. No entanto, devemos enterrar o que é realmente velho; como a corrupção, a falta de ética, a humilhação, o medo, o desespero, a inveja, o racismo, a pobreza.

Envelhecer é um ponto de vista diante de várias possibilidades. Que saibamos envelhecer com os olhos dos sábios, com a alegria dos apaixonados, com a experiência de vida e com grandeza do Universo.

19 maio 2015

A neuropsicologia para um envelhecimento saudável

Arquivado em Saúde & Literatura

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Com textos elaborados por pesquisadores de diversos campos do conhecimento e organizado por professores considerados expoentes na área, “Neuropsicologia do Envelhecimento” publicado pela editora Artmed, aborda diferentes desafios científicos para uma velhice mais saudável, tais como psicologia do desenvolvimento, nutrição, reabilitação cognitiva, psicofarmacologia, educação física, neurociências, entre outras. Para falar mais sobre envelhecimento saudável, entrevistei o Dr. Ramon Cosenza, um dos autores do livro. Acompanhe:

Adriana Santos: O Brasil já foi considerado um país jovem, mas estudos apontam para o envelhecimento da população em poucas décadas. Estamos mais velhos. Como a ciência pode ajudar no nosso envelhecimento saudável, fisicamente e emocionalmente?

Dr. Ramon Cosenza: A população, não só do Brasil, mas de todo o mundo está se tornando mais velha. Isto é uma conquista da nossa civilização, mas traz também uma série e desafios e custos que precisam ser enfrentados. Os estudos estão deixando claro que, para que se mantenha um envelhecimento saudável, é importante que os idosos lancem mão não só de recursos internos (saúde física e mental) mas também de recursos externos (econômicos e sociais).  Nossa Sociedade precisa adaptar-se a essa nova realidade e prover os recursos necessários para que uma população mais idosa possa desfrutar de qualidade de vida nas décadas adicionais que estão se tornando comuns. Ainda vivemos num ambiente cultural que tende a desvalorizar o envelhecimento e os idosos. Socialmente, existe um preconceito (ageísmo) que torna o processo de envelhecimento mais penoso e estimula os comportamentos para disfarçar a passagem dos anos. No entanto, a população madura, que tende a se tornar cada vez mais numerosa, pode ainda contribuir de forma muito positiva para a sociedade em geral, não só no ambiente familiar como no próprio mercado de trabalho.

Adriana Santos: Somos mais velhos, portanto temos mais saúde?

Dr. Ramon Cosenza: O aumento da longevidade é decorrente de melhorias na saúde que incluem, avanços no saneamento, diminuição da mortalidade infantil e por doenças agudas na idade adulta. Dessa maneira, podemos agora chegar saudáveis a uma idade mais avançada (a expectativa de vida era em torno de 40 anos em 1900 e hoje está em torno dos 80 anos nos países desenvolvidos). Por outro lado, doenças crônicas tendem a aparecer com o envelhecimento e os idosos mais velhos estão inegavelmente sujeitos a elas.

Adriana Santos: A velhice é sinônimo de doença?

Dr. Ramon Cosenza: Uma grande reviravolta da gerontologia nas décadas finais do século XX foi exatamente a percepção de que o envelhecimento pode ocorrer sem a incidência de doenças. Anteriormente, acreditava-se que isso era impossível, que o envelhecimento era sinônimo de doenças. As pesquisas chamadas “longitudinais”, feitas com grande grupo de pessoas que são acompanhadas ao longo de muitos anos, têm mostrado que os idosos, atualmente, tendem a ser mais saudáveis do que em épocas precedentes. Ou seja, as doenças que costumam aparecer com o aumento da idade têm ocorrido mais tarde, permitindo maior número de anos com qualidade de vida. Pelo menos nos países desenvolvidos, a maior longevidade tem se acompanhado de menos anos de incapacidade, e não o contrário, como poderia ser esperado. Contudo, é bom lembrar que o processo de envelhecimento é muito variável e cada pessoa envelhece de uma forma particular.

Adriana Santos: Como a mudança de comportamento pode ajudar no processo de envelhecimento, já que o perfil epidemiológico mudou (somos mais afetados pelas doenças crônicas)?

Dr. Ramon Cosenza: Muitas doenças são naturalmente inevitáveis. Não só os condicionamentos genéticos, mas as circunstâncias ambientais e sociais podem levar ao adoecer. Contudo, sabemos que os hábitos saudáveis de vida são extremamente importantes para promover a saúde ao longo de todo o ciclo vital. Levar uma vida ativa, do ponto de vista físico e mental, manter uma alimentação saudável, evitar o fumo e outras drogas, manter-se integrado socialmente e evitar o estresse desnecessário são os principais itens para chegar a uma velhice bem sucedida.

Adriana Santos: Como a Neuropsicologia pode alertar aos mais jovens da importância da prevenção e da promoção da saúde?

Dr. Ramon Cosenza: A neuropsicologia estuda as relações entre o funcionamento do cérebro e as funções cognitivas (memória, atenção, linguagem, capacidade de autoregulação, etc). Ela nos ensina que o cérebro tem uma grande plasticidade intrínseca, que se mantém por toda a vida, mas que diminui com o passar dos nos. Assim, nem sempre o desempenho dos idosos pode ser comparável ao dos indivíduos mais jovens. O envelhecimento cerebral cobra um preço no desempenho dessas funções e, além disso, existem doenças degenerativas, como as demências, que podem ter nelas um efeito devastador.  Por isso é importante que o cérebro seja adequadamente estimulado em todos os períodos da existência. Mesmo ao envelhecer, somos capazes de manter aquelas funções das quais nos utilizamos cotidianamente. Além disso, sabe-se que um cérebro mais rico em conexões possui o que se chama de reserva cognitiva, o que pode retardar o aparecimento dos sintomas das demências, como a Doença de Alzheimer. Pessoas com maior nível educacional, por exemplo, podem ter um certo grau de proteção (não que as demências não apareçam, mas o seu cérebro terá uma capacidade de resistir por mais tempo à degeneração).

Adriana Santos: Podemos manter a mente mais jovem por mais tempo? Quais as principais dicas na prevenção de doenças neurodegenerativas?

Dr. Ramon Cosenza: É preciso fazer uma distinção entre o envelhecimento cognitivo e as doenças neurodegenerativas. Essas últimas podem ser, como dissemos, muitas vezes inevitáveis. O envelhecimento cognitivo, por outro lado, está ligado ao envelhecimento cerebral  e pode sofrer intervenções, pois se não é possível impedir o envelhecimento, podemos ao menor diminuir ou retardar suas consequências. As pesquisas realizadas revelam que os estilos de vida que combinam atividades cognitivas estimulantes e atividade física permanente, controle nutricional e a manutenção de uma rede de interação social são essenciais para a preservação da saúde cognitiva na idade madura.

Adriana Santos: Qual a importância da saúde integrada, articulada ou multidimensional para a prevenção e tratamento de algumas doenças na velhice?

Dr. Ramon Cosenza: Sabemos que o conceito de envelhecimento saudável é multidimensional. É preciso levar em conta aspectos biomédicos, psicossociais, cognitivos e emocionais. Muitas vezes indivíduos portadores de doenças crônicas ou deficiências físicas ou mentais relatam que se consideram envelhecendo satisfatoriamente. Além disso, sabemos que é muito importante o sentimento de auto eficácia. Os idosos com atitudes mais positivas com relação á velhice e com um propósito na vida tendem a ser mais otimistas e podem inclusive viver mais.

Adriana Santos: Qual é a principal dica para o envelhecimento saudável?

Dr. Ramon Cosenza: Não existe uma dica principal. Os elementos mais importantes já foram relatados anteriormente. Talvez possamos dizer que o importante é aceitar o envelhecimento como mais uma fase da vida, com vantagens e desvantagens, sendo preciso otimizar o próprio funcionamento dentro das realidades vivenciadas. Aceitar as limitações do envelhecimento e simultaneamente preservar, o mais possível, o funcionamento físico e mental que permitam um envolvimento social produtivo são sinais inequívocos de sabedoria e garantia de um envelhecimento saudável.