09 jul 2018

Operação militar devolve duas onças-pintadas para a selva

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A onça-pintada ou jaguar é o maior felino das Américas. No entanto, o animal  está ameaçado de desaparecer de uma das regiões mais ricas em biodiversidade no Brasil. Por isso, uma operação militar foi planejada pela da Força Aérea Brasileira (FAB) para garantir a reintrodução na natureza de duas onças.

Foram mais de 12 horas e milhares de quilômetros viajados, além de dezenas de profissionais envolvidos, um avião Hércules da FAB, helicóptero e caminhão. Tudo para levar duas onças: Pandora e Vivara de volta para a natureza.

Veja como a FAB organizou e transportou os animais, que estavam em quarentena em um criadouro científico em Corumbá de Goiás (GO), até a região sul do Pará (PA).

Utilizar meios para deslocamento de pessoal e material é uma das ações de força aérea previstas na doutrina da FAB e contribui na missão de integrar o território nacional.

Confira no vídeo  que mostra como ocorreu a soltura dos animais em uma área de preservação ambiental de aproximadamente 14 mil metros quadrados no meio da Floresta Amazônica.

15 set 2016

Amigos da onça pedem que o felino seja patrimônio natural do Brasil

Arquivado em Animais, Cidade, Comportamento

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Quem já me conhece um pouco sabe sobre uma paixão antiga pelo jaguar ou onça-pintada, maior felino das Américas, ameaçado de desaparecer do Continente. Sou idealizadora do blog Amiga da Onça-Pintada, um projeto de comunicação voluntário para valorizar a imagem do representante dos nossos biomas.

img_6086Fui convidada pela grande guerreira Cristina Gianni,  presidente do NEX, uma organização não governamental com o objetivo defender e preservar o símbolo da nossa biodiversidade, para passar alguns dias perto das feras.  Foram um dos momentos mais felizes da minha vida. Quando encarei a primeira onça, meu coração quase foi parar na boca. É amor demais.

A preservação de felinos é um tema bastante polêmico porque a forma correta de mantê-los vivos e saudáveis seria reconhecê-los como patrimônio natural criando condições para que permanecessem livres na natureza, preservando seus habitats naturais.

No início do ano 2000 foi iniciado o planejamento do NEX assim como a criação de estrutura apropriada na fazenda de propriedade de Cristina Gianni.

O entorno da “Fazenda Preto Velho” conta famílias de trabalhadores da região e ainda o povoado de Aparecida de Loyola, formado por 87 famílias que ali fixaram residência, totalizando 465 pessoas. O objetivo do Nex é investir no ecoturismo, valorizando os moradores.

“A sensação de gratificação não tardou porque conseguimos iniciar nosso trabalho de proteção aos felinos ao mesmo tempo em que promovemos o desenvolvimento da comunidade residente no entorno da nossa sede”, diz entusiasmada Cristina.

Conversei com a bióloga Liane Garcia, responsável pelos cuidados necessários para manter a qualidade de vida das onças em cativeiro.

Rogério é cuidador e amigo das onças. Ele também é responsável pela alimentação, brincadeiras motivacionais e quase me fazer de isca de onça… brincadeirinha.

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Xingú é um lindo jaguar negro. Na verdade um príncipe negro que procura sua alma gêmea. Ele precisa de uma fêmea. Veja só o charme do rapaz.


Ajude o Nex a ajudar as onças. Seja também um verdadeiro amigo da onça. Saiba mais AQUI

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04 set 2016

Xamanismo: prática espiritual mais antiga da humanidade

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Divulgação

No capítulo 136 da novela Velho Chico da TV Globo, exibido no dia 19/08,  Santo ( personagem de Domingos Montagner) é tratado e curado por índios em ritual. Em uma oca, um pajé usa ervas e faz um ritual para que Santo melhore. Mas no meio do tratamento, um índio avisa que o filho de Piedade (Zezita Matos) é procurado e precisa sair da aldeia. O pajé se recusa a deixar Santo ir embora por causa da gravidade dos ferimentos: “Corpo bom, alma doente. Se sair assim, alma morre e corpo morre também”.

O ritual indígena representado na novela é conhecido como Xamanismo. Conversei com Wagner Frota, o “Jaguar Dourado“. No livro “Xamanismo Visceral” ele relata uma parte de uma jornada pelo Caminho Xamânico, realizando uma série de viagens pela África, Amazônia e Montanhas Andinas, onde teve contato com tradições nativas. Wagner narra também a busca incessante do encontro com a própria Sombra, despertando assim o Guerreiro Interior.

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Adriana Santos: Aloha! O que é Xamanismo?

Wagner Frota: Acredita-se que Xamanismo é a prática espiritual mais antiga da humanidade, porém este Caminho Sagrado é muito mais que isso. Xamanismo é uma abordagem da realidade alternativa a esta que temos hoje, uma forma de se relacionar com outras realidades dentro de paradigmas completamente diferentes. Podemos dizer que o Xamanismo vem da origem dos tempos, daquele período misterioso quando o ser humano ainda está surgindo e sabíamos conversar com os animais, com as plantas, com as montanhas e serras, com os rios e lagos, com os ventos, quando contávamos nossos segredos a eles e eles contavam seus segredos para nós, quando vivíamos em harmonia com a Vida e a Vida nos fortalecia. Ele foi mantido e desenvolvido pelos povos nativos mas não vem deles, passou por eles, vem da aurora dos tempos.

Adriana Santos: Qual a função espiritual do Xamã em uma tribo indígena?

Wagner Frota: Basicamente é a de manter a harmonia entre os indivíduos e de toda a comunidade, utilizando-se para isso uma série de cerimônias e ritos xamânicos que visam a cura espiritual, emocional, física e mental. A função do xamã é a de controlar o incontrolável, transformar o sagrado aterrador em uma força terapêutica, buscar almas perdidas dos enfermos subindo até as estrelas por meio de cordas mágicas, cavalgando o arco-íris, ou viajando até a terra dos mortos. Se quisermos uma definição sintética da função do xamã nas culturas mundiais, devemos dizer que este é a ponte entre o aspecto visível e a contraparte invisível da realidade, ou seja, entre “corpo” e “alma” de todas as coisas. Entre o microcosmo e o macrocosmo, entre o humano e o sagrado.

Adriana Santos: Como é o despertar de um Xamã?

Wagner Frota: O xamã é escolhido a partir de um “chamado divino”, geralmente durante uma doença grave ou um acidente, podendo também trilhar esse caminho através de uma herança, ou por aprendizado. Em qualquer um desses casos, logo após a sua eleição, o xamã entra num estado alternativo de consciência, num coma profundo, no qual é levado para a caverna dos antepassados. Sua cabeça é então retirada do corpo, seus olhos lavados para que possa “ver”, seus membros arrancados, e o resto do corpo cortado em muitos pedaços que são jogados nos quatro cantos do mundo. Esses pedaços são comidos pelos demônios de todas as doenças, e isso, posteriormente, vai outorgar-lhe o direito de cura de todas as doenças. Ao final, seu corpo é refeito; porém, sempre faltará um ossinho, perdido e jamais encontrado, para dar a ele a dimensão da sua imperfeição e, portanto, da sua humanidade.

Adriana Santos: Como o Xamanismo pode nos orientar na busca espiritual

Wagner Frota: Oferecendo as técnicas necessárias para que possamos trilhar um caminho que nos leve a respeitar toda a Vida e viver em Harmonia com a Natureza.

Adriana Santos: Os índios acreditam em Deus?

Wagner Frota: Se for a figura do Deus das religiões patriarcais, a resposta é negativa. Os povos nativos que ainda praticam o Xamanismo celebram a vida, os ciclos da natureza, mas o celebrar não é adorar, não é prestar culto ou submissão a um ente superior, para o Xamanismo tudo está interligado, assim tudo é igualmente sagrado, um xamã se ajoelhando na terra não estará demonstrando “temor” a um ente superior, está se aninhando no seio da Mãe, se aconchegando na fonte de onde tudo provém, a Mãe Terra.

Adriana Santos: Como as tradições xamânicas podem ajudar na cura física?

Wagner Frota: Xamãs são grandes conhecedores dos usos das ervas, e das forças elementais, além de ao entrarem num Estado Xamânico de Consciência Ampliada terem acessos a outros mundos, onde obtém a cura necessária para o seu paciente ou toda a tribo.

Adriana Santos: O que são animais de poder e como conseguir a conexão desejada?

Wagner Frota: Infelizmente hoje a moda do Xamanismo é “chamar o animal de poder”, tocando um tambor ou ouvir o som de um gravado para entrar em alfa e pronto, e depois de meia hora se imagina um animal, geralmente um animal fashion. Afirmo, como estudioso do Xamanismo, que isto é falso, que nada tem a ver com a profunda e transformadora experiência que é ir ao animal de poder, porque não “temos” um animal de poder, somos nosso animal como este animal é a gente, numa relação muito complexa onde descobrimos que somos seres que existimos em muitas facetas e dimensões diferentes simultaneamente.

Adriana Santos: Por que alguns animais são considerados sagrados?

Wagner Frota: Cada tradição xamânica consideram determinados animais como sagrados e os representam como um totem da tribo, para as direções e representantes de cada estação. Muitas das mitologias nativas narram que um determinado povo é descendente de um determinado animal e por essa razão o considera sagrado. Só para complementar a pergunta de número 7, gostaria de dizer que um animal de poder é evocado em um rito, num lugar ermo, com grande fogueira que não pode se apagar durante todo o rito, quem vai ritualizar jejuou, suou, já se harmonizou com sua árvore de poder, sua pedra de poder e só então vai percorrer a perigosa trilha até o animal de poder.

Adriana Santos: Qual a força espiritual do Jaguar e da Águia, por exemplo?

Wagner Frota: Cada animal tem sua medicina e a compartilha com o xamã. A águia nos ensina principalmente a ver as coisas de cima, de forma holística, já o jaguar nos ensina a vermos sem sermos vistos, a trilhar o caminho da espreita e do guerreiro.

Adriana Santos:  O ritual xamânico deve ser feito apenas por índios e iniciados?

Wagner Frota: Todo e qualquer ritual xamânico só deve ser realizado por um xamã, ser índio não significa poder fazer e manter um ritual. Já uma cerimônia, pode ser conduzida por um nativo, mas de qualquer maneira ele tem que ter dito um treinamento para tal. Vamos esclarecer o que vem a ser um ritual e uma cerimônia, para que faça mais sentido o que eu falei. O ritual é usado para alterar o status quo, perturbar a ordem das coisas, e para criar o caos, quando necessário. Já a cerimônia é utilizada para restaurar ou reforçar o status quo, aterrando as pessoas na ordem certa das coisas (leis naturais) e fortalecimento da comunidade. O ritual é o domínio do xamã, mágico e feiticeiro. A cerimônia pode ser usada por qualquer sacerdote ou líder espiritual que tem as habilidades para se conectar e envolver-se com as energias invisíveis.

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