25 jul 2016

Campanha de doação de livros nos centros urbanos movimenta as redes sociais

Arquivado em Cidade

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Campanha de doação de livros nos espaços urbanos movimenta as redes sociais e o WhatsApp. A ideia é “esquecer” os livros que já foram lidos em bancos de praças, hospitais, postos de saúde, terminais de metrô, pontos de ônibus, aeroportos, jardins, nas portas das escolas… Vale todos os gêneros: romance, auto-ajuda, religioso, policial, aventura, clássicos da literatura, bibliografia.

Os organizadores agendaram o dia 25 de julho (hoje) para intensificar as doações em cada cantinho do Brasil. Eles pedem que o doador deixe um bilhete explicando sobre a campanha e a importância da leitura para o fortalecimento da educação no Brasil ou um recadinho incentivando a leitura do livro que foi doado. Não precisa se identificar.

O objetivo é incentivar a leitura, a solidariedade e a generosidade entre as pessoas que circulam pela cidade, geralmente apressadas, aflitas e sempre atrasadas. É uma oportunidade de começar ou terminar o dia com um bom livro nas mãos – sem tanto estresse.

O Muro da Gentileza Dona Pequetita, em Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte ficou repleta de livros já nesse domingo. Até os grandes clássicos da literatura brasileira foram colocados nos bancos e até nas árvores.

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Veja só o recadinho amoroso da Fernanda. Ela tem uma verdadeira história de amor com os livros. Participe! É divertido! É amoroso! É generoso… e faz um bem para o coração.

27 abr 2016

Resenha digital do livro Comunicação Não-Violenta com Adriana Santos

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O “Saúde e Literatura” de hoje apresenta o livro “Comunicação Não-Violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”

Manual prático e didático que apresenta metodologia criada pelo autor Marshall B. Rosenberg, voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais e diminuir a violência no mundo. Aplicável em centenas de situações que exigem clareza na comunicação: em fábricas, escolas, comunidades carentes e até em graves conflitos .

Confira na resenha de Adriana Santos

30 dez 2015

Brasil ainda é um modesto exportador de queijos, ocupando a posição nº 53, diz especialista

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IPHAN

Um dos maiores especialistas em vinhos do Brasil,  José Osvaldo Albano do Amarante tem também uma grande paixão por queijos – tema sobre o qual ministra palestras em todo o país desde 1993. Viajante inveterado, ele foi colecionando observações sobre os queijos que consumiu e aprofundou suas pesquisas ao longo das últimas três décadas. O resultado desse estudo está no livro Queijos do Brasil e do mundo para iniciantes e apreciadores.

Trata-se de uma obra bem informativa, com dados sobre produção, exportação e consumo dos principais queijos do Brasil e do mundo. O autor inclui ainda informações sobre compra, armazenamento, serviço, consumo e uso na culinária, além de receitas famosas que levam o queijo como principal ingrediente.

Durante o seu longo aprendizado, Amarante teve a oportunidade de visitar um grande número de queijarias e museus de queijo no exterior. Assim, a publicação, considerada referência na área, aborda os tipos de leite e os fatores que garantem sua qualidade, mostra a classificação do queijo de acordo com a espécie de massa, conta a história do queijo no Brasil e classifica-os por tipo: de vaca, de cabra, de ovelha e de búfala. Ele comenta ainda a produção de países como França, Itália, Espanha, Portugal, Suíça, Áustria, Alemanha, Holanda, Bélgica, Inglaterra, Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Grécia e Estados Unidos, com dicas de viagem e dados sobre produtores.

Conversei, por e-mail, com Amarante sobre alguns pontos abordados no livro. Confira:

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Divulgação

Adriana Santos: Qual a origem do queijo?

Amarante: O queijo vem regalando os paladares humanos desde épocas bastante remotas – seguramente a partir do momento em que certos mamíferos passaram a ser domesticados pelo homem, no período Neolítico, há cerca de 10 mil‑12 mil anos. Inicialmente, a partir de leite de caprinos e ovinos, no Oriente Médio, e em 3000 a.C. os sumérios da Mesopotâmia já registravam cerca de 20 queijos frescos diferentes. Pouco tempo depois, o queijo também começou a ser elaborado na Europa, local de origem da vaca moderna.

Adriana Santos: Qual o melhor queijo tipo exportação: vaca, cabra, ovelha ou búfala?

Amarante: Como podemos ver no item nº 4 abaixo, o Brasil é sobretudo um país importador de queijos e não exportador.

Adriana Santos: O que mais influencia na qualidade do queijo?

Amarante: Partindo do princípio que o mestre queijeiro seja competente, o fator que mais influencia a qualidade de um queijo é a qualidade de sua matéria-prima principal: o leite. Por sua vez, a qualidade do leite depende de vários fatores: espécie, raça e alimentação do gado, clima, estação do ano e, em especial, se o leite é cru ou pasteurizado. A espécie e raça de gado deve ser preferencialmente, leiteiras.

Com relação ao clima/estação do ano, podemos dizer que o leite de vaca criada no pasto é melhor do que o de vaca em estábulo, onde elas passam o inverno. A altitude também é um fator muito importante. Muitos dos melhores queijos brasileiros são elaborados em regiões montanhosas, tais como: Queijo Minas Artesanal e Queijo Artesanal Serrano. A alimentação do gado envolve a vegetação apropriada e a pureza da água consumida. As ervas e flores dos pastos dão frescor no aroma e sabor incomparável.

Finalmente, o último e importantíssimo aspecto: o emprego de leite cru ou pasteurizado. A pasteurização permite o transporte do leite a distâncias maiores, estabilizando-o e assegurando uma vida mais longa ao queijo. O processo elimina certos micro-organismos patológicos do leite e destrói a flora natural, possibilitando a inoculação de fermentos selecionados. O seu maior inconveniente é que as características gustativas do produto tornam‑se menos marcantes, para desgosto dos amantes de queijo. A diferença entre utilizar leite pasteurizado ou cru não é muito importante para queijos naturalmente suaves, já em um casca lavada é fundamental. Na Europa, notadamente na França, boa parte de seus mais renomados queijos é feita, há séculos, de forma tradicional – ou seja, fabricada em fazendas com leite cru, não pasteurizado. Ele não é danoso, se originado de animais sadios e transformado em queijo dentro de 24 horas. No Brasil e nos Estados Unidos, a fabricação de queijo com leite cru só é permitida para aqueles com cura superior a dois meses.

Adriana Santos: O Brasil é bem avaliado com relação aos queijos vendidos no mundo?

Amarante: Infelizmente, o Brasil segundo esse site www.worldstopexports.com/cheese-exports-country/3237, é apenas um modesto exportador de queijos, ocupando a posição nº 53, bem abaixo de nossos vizinhos: Argentina (21º), Uruguai (22º) e Chile (44º).

Adriana Santos: Minas Gerais é o estado brasileiro com o melhor queijo?

Amarante: Poderíamos dizer que sim, por vários motivos. Pelo pioneirismo, por ser o maior produtor de queijos, além de ser também o maior produtor de queijos finos. Além de possuir a maioria das queijarias artesanais do país. Tudo isso, devido ao estado possuir uma grande quantidade de regiões montanhosas, com clima propício á produzir laticínios. A indústria queijeira brasileira iniciou‑se praticamente em fins do século XIX, em Minas Gerais, graças à imigração de europeus não ibéricos. Os pioneiros foram dois queijeiros holandeses, que desenvolveram o nosso tão apreciado Queijo do Reino, baseado no Edam holandês. Até então, só dispúnhamos do queijo Minas, elaborado artesanalmente em diversas fazendas espalhadas nesse Estado.

Contudo, o grande salto de qualidade de nossos queijos deu‑se com a vinda de várias famílias dinamarquesas, que se instalaram no Sudeste de Minas Gerais, no início do século XX. Esses imigrantes fundaram algumas das mais tradicionais empresas queijeiras do país com projeção, até hoje estabelecidas no mercado nacional de queijos finos: Skandia e Campo Lindo (ambas adquiridas pela francesa Bongrain, também dona da Polenghi), Dana/Luna (extinta) e Símbolo (também extinta). Inicialmente, eles produziram o nosso tão conhecido queijo Prato, em seguida o Estepe, o Gruyère, o Gorgonzola e o Camembert, entre muitos outros.

Os maiores estados produtores de queijos finos (que não commodities, como a grande maioria dos queijos brasileiros) são: Minas Gerais (principalmente na região sul, montanhosa), líder com mais de 75%, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Adriana Santos: Qual o melhor queijo mineiro: canastra, serro ou frescal?

Amarante: Existem três tipos de queijo Minas, típicos do estado de Minas Gerais. O primeiro é o Minas Frescal, que é um queijo de alta umidade, a ser consumido fresco, isto é, jovem. É obtido de leite pasteurizado, com a coalhada não cozida, não prensada e não maturada. Bastante perecível, com validade de 8–10 dias, em refrigeração abaixo de 8ºC.

O Minas Padrão (Meia Cura, Curado ou Prensado) é obtido também de leite pasteurizado e com coalhada não cozida, porém a massa é prensada e maturada. Quando armazenado embalado e refrigerado a 1–3ºC, dura até 90 dias.

Por último, temos o Minas Artesanal, queijo elaborado conforme a tradição histórica e cultural da região do estado em que é produzido, a partir de leite integral de vaca fresco e cru. Atualmente, são sete as regiões tradicionais demarcadas pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA): Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro (a mais recente). No restante do estado, o queijo curado é classificado simplesmente como Minas Padrão.

O Serro foi a primeira região a ser demarcada. O Canastra talvez seja o mais conceituado de todos. Entretanto, até o presente, o melhor Minas Artesanal que tive a oportunidade de saborear foi o queijo Serra do Salitre Imperial de João José de Melo.

Adriana Santos: Qual a sua opinião sobre a exclusividade de Minas vender o queijo produzido no estado?

Amarante: Durante décadas, o queijo Minas Artesanal ficava praticamente obrigado a ser comercializado sem o Selo de Inspeção Federal (SIF), portanto não podia ir além dos limites do estado de Minas Gerais. Por ser produzido a partir de leite cru e ter um período de maturação inferior a 60 dias, contrariava frontalmente a legislação brasileira. Recentemente, a publicação da Instrução Normativa nº 30, de 7/8/2013, do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, visou aliviar um pouco as exigências em relação à comercialização desses queijos artesanais, em complemento à IN nº 57 de 15/12/2011.

Algumas das medidas estipuladas foram:

• Permitir que os queijos artesanais tradicionalmente elaborados a partir de leite cru sejam maturados por um período inferior a 60 dias, desde que estudos técnico‑científicos comprovarem que a redução do período de maturação não compromete a qualidade e a inocuidade do produto. (mantida, conforme a IN nº 57/2011)

• O novo período de maturação dos queijos artesanais será definido após a avaliação dos estudos pelo órgão estadual ou municipal de inspeção industrial e sanitária, reconhecidos pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI‑POA). Essa cláusula foi flexibilizada, tendo em vista que anteriormente a redução do tempo de maturação só podia ser autorizada por um órgão federal (MAPA).

• Fixar que a produção de queijos elaborados a partir de leite cru, com período de maturação inferior a 60 dias, fique restrita a queijarias situadas em região de indicação geográfica certificada ou tradicionalmente reconhecidas e em propriedade livre de tuberculose, de brucelose e com controle de mastite. (mantida, conforme a IN nº 57/2011)
Como consequência direta da IN nº 57/2011, a produção de queijos artesanais passa a ser incluída no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produto de Origem Animal (SISBI‑POA). Essa inclusão, que se inicia pelas propriedades instaladas em Minas Gerais, estado onde se concentra a maioria das queijarias artesanais do país, permitirá que os produtos com o selo do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) ou do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) sejam comercializados em todo o território nacional, com equivalência ao selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF).
Felizmente, já se consegue adquirir ótimos queijos Minas Artesanal, fora das Minas Gerais.

Adriana Santos: Como conservar por mais tempo o queijo?

Amarante: A duração de um queijo está intimamente relacionada a sua consistência. Quanto mais duro ele for, mais longevo será, pois tem menos água. Por exemplo, um Parmesão é muito mais longevo que um Prato, que por sua vez, dura mais que um Minas Frescal.
O queijo deve ser armazenado corretamente para manter suas características originais. A maioria deles deve ser guardada em gaveta própria dos refrigeradores, onde eles permanecem na temperatura e na umidade corretas (5–10ºC; 80–95%). Devem estar bem fechados, acondicionados em sacos plásticos ou envolvidos em papel-alumínio. Atenção: nunca leve o queijo ao congelador. Ele vai ressecar em demasia, perdendo sua textura e prejudicando irreversivelmente seu flavor. Os queijos azuis são os mais delicados no armazenamento, pois podem ressecar rapidamente. Eles precisam ficar em locais mais úmidos, a 95%. Poucos queijos, como o Parmesão, o tipo Suíço, o Provolone e o Queijo do Reino em lata, podem ser conservados fora da geladeira, desde que em locais frescos (18ºC).

Adriana Santos: Queijo mineiro combina com qual bebida?

Amarante: Os queijos Minas Artesanal combinam muito bem com vinhos. Apesar de muitos acharem que ele vai bem com vinho tinto, na realidade o vinho branco harmoniza melhor que o tinto. A acidez do vinho branco associa-se perfeitamente com a do queijo. Prefira tintos maduros a jovens, e tintos leves a concentrados, pois muito tanino traz amargor ao queijo.

Adriana Santos: Qual o melhor queijo do mundo?

Amarante: Essa pergunta é muito difícil, pois vai depender do gosto de cada um. No meu caso particular, os melhores queijos, dependendo do leite empregado, são esses:
– Vaca: Mont d’Or (francês)
– Cabra: Rocamadour (francês)
– Ovelha: Serra da Estrela (português)

Uma pergunta um pouco menos difícil, seria essa: qual a melhor classe de queijos do mundo. Nesse caso, a maioria dos queijófilos (amantes do queijo) diria sem dúvida: a classe de queijos de massa mole e casca lavada.

São queijos de massa mole, não cozida, não prensada ou ligeiramente prensada, curada por micro-organismos superfíciais, que surgem durante a lavagem, deixando a casca geralmente pegajosa e alaranjada. A lavagem da casca é realizada durante a cura, com água, soro, salmoura, óleo, vinho branco, sidra, cerveja, conhaque, grappa, etc. O sabor e o odor estão entre os mais pronunciados de todos.

Essa classe abrange, principalmente, exemplares europeus. Alguns exemplos de queijos dessa classe, são:
– Mont d’Or, Époisses, Pont l’Évêque, Livarot, Munster, Maroilles (franceses)
– Taleggio (italiano)
– Vacherin Mont d’Or (suíço)
– Limburger, Romadur (alemães)
– Herve, Herve Remodou (belgas)

No Brasil, alguns exemplares dignos de nota seriam: o Pont l’Évêque da Serra das Antas, o
Taleggio da Serra das Antas e o recente mineiro Embriago d’Alagoa.

 

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