12 nov 2016

Novembro Azul: O que devo saber sobre o câncer de próstata?

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Especialista da Beneficência Portuguesa de São Paulo esclarece dúvidas e mitos sobre a doença que requer atenção e que aterroriza os homens, muitas vezes, sem necessidade.

“Antes de falar sobre o câncer de próstata, é importante salientar, de início, que a doença e as eventuais complicações são todas tratáveis. Em primeiro lugar está a vida”. É assim que o Dr. Celso Heitor de Freitas Júnior, urologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, inicia a conversa com o intuito de tranquilizar os homens sobre o assunto que ainda é tratado como um grande tabu.

O câncer de próstata é o tumor  mais frequente em homens e, apesar da incidência ter aumentado nas últimas décadas, a boa notícia é que a mortalidade tem diminuído graças à detecção precoce.

O que preocupa é que 51% dos homens nunca consultaram um urologista, segundo estudo realizado este ano pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), diante de uma estimativa de 69 mil novos casos de câncer de próstata ao ano, sendo 7,8 novos casos por hora.

A seguir o Dr. Celso Heitor de Freitas Júnior destaca os principais pontos sobre a doença.

Prevenção
Não há uma causa constatada para o desenvolvimento do câncer de próstata, mas como toda doença o diagnóstico precoce é essencial para o tratamento.

Quando devo me preocupar?
A partir dos 50 anos todo homem deve procurar um urologista pelo menos uma vez ao ano para realização de exames preventivos que diminuem em até 21% a mortalidade. Grupos de risco com maior incidência da doença como homens da raça negra ou com casos na família (em pai, irmãos ou avôs) devem realizar os exames a partir dos 40 anos.

Fatores de risco
– Idade (a maioria dos casos ocorre acima dos 65 anos).
– Histórico familiar.
– Raça (existe maior incidência de casos em negros).
– Alimentação inadequada, à base de gordura animal e deficiente em frutas, verduras, legumes e grãos.
– Sedentarismo.
– Obesidade.

Nas fases iniciais, o câncer de próstata não apresenta sintomas
Geralmente, quando os sintomas começam, em 90% dos casos o câncer já se espalhou. Os principais sintomas urinários são a diminuição do jato urinário, gotejamento após urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e retenção urinária. Há também os sintomas irritativos como aumento da frequência urinária, urgência ou incontinência urinária, e aumento da frequência urinária durante a noite.

Exames preventivos: PSA e exame retal
Um não exclui o outro. O antígeno prostático específico (PSA) é um simples exame de sangue que visa identificar a presença de uma substância produzida nas células da glândula prostática. Os homens saudáveis ​​têm níveis menores de 4 ng/ml de sangue. Quando há elevação dos valores do PSA o exame revela o risco que cada homem possui de ter ou desenvolver o câncer de próstata.

“É importante ressaltar que nem sempre um PSA alterado quer dizer um câncer de próstata. Uma infecção urinária, hiperplasia prostática benigna e até ter relação sexual na véspera da coleta pode alterar o resultado do exame”, diz Dr. Celso Heitor.

Como a próstata está localizada na frente do reto e a maioria dos cânceres de próstata começa na parte posterior da glândula, o exame de toque retal ajuda a diagnosticar a existência de um tumor e não dura mais do que 10 ou 15 segundos.

Um tumor foi identificado. E agora?
Se um tumor é localizado o urologista vai definir o melhor tratamento dependendo de uma série de quesitos. O caso pode ser cirúrgico, tratado por meio de radioterapia ou feita a vigilância ativa do câncer de próstata.

O que é o tratamento de vigilância ativa do câncer de próstata?
Atualmente, a análise detalhada do resultado da biópsia de próstata, associada a estudos de imagem específicos possibilitam individualizar o tratamento da doença. Caso seja classificado como um tumor indolente (muito baixo risco), o tratamento indicado pode ser o de vigilância ativa, um método baseado na observação da evolução do quadro sem intervenções terapêuticas. Porém, o paciente precisa se enquadrar em uma série de requisitos.

No caso de uma cirurgia, posso ficar impotente?
 “O medo é a disfunção erétil? Tem tratamento. O medo é a impotência sexual? Tem tratamento. Apesar do risco de complicações decorrentes da cirurgia de retirada da próstata, recomendável em alguns casos, todas são tratáveis”, esclarece o Dr. Celso Heitor. Os principais efeitos colaterais da prostatectomia são a incontinência urinária e a impotência.

Hábitos alimentares
Existem suspeitas, ainda não confirmadas, da associação de dietas ricas em gordura animal e obesidade com cânceres de próstata mais agressivos. Mas os hábitos alimentares e o alto índice de massa corporal (IMC) também estão associados a outros tipos de doenças e cânceres.

O consumo de alguns vegetais crucíferos está associado à redução do risco de câncer por conta dos seus altos índices de glicosinolatos. Exemplos desse tipo de alimento são: repolho, brócolis, couve, couve-flor, couve de bruxelas, nabo, agrião, rabanete, repolho e mostarda. Peixes, como atum e salmão, também estão associados à prevenção do câncer e recomenda-se o consumo duas vezes por semana.

Além de adotar uma alimentação saudável, faz parte da prevenção a pratica regular de atividades físicas, não fumar, evitar bebidas alcoólicas, além das consultas e exames de rotina.

Vlog Adriana Santos. Confira: