05 jun 2018

Governo de Minas deve mais de 35,5 milhões para Santa Casa de BH

Arquivado em Cidade, Comportamento, saúde, SUS
santa casa

Juarez Rodrigues/EM/D.A.Press

O maior hospital filantrópico de Minas Gerais luta diariamente para equilibrar suas contas. A irregularidade nos repasses dos convênios por parte do Governo de Minas Gerais é um dos principais responsáveis por esse desajuste orçamentário. A dívida com o hospital é de R$ 35.416.852,07 (valor atualizado em 15/05) por conta de diversos convênios cujos repasses estão acumulados desde 2016. No dia 5/05, a Santa Casa BH foi comunicada oficialmente que deste total, R$ 8.096.262,09 deixarão de ser pagos por conta do decreto 47.101/2016, que decretou situação de calamidade financeira no estado e incapacidade de honrar com o custeio para manutenção dos serviços públicos.

Os recursos provenientes de convênios assinados em 2015 deixarão de ser investidos no atendimento às gestantes, recém-nascidos e crianças com problemas cardíacos que dependem do SUS. No convênio com a Maternidade Hilda Brandão, R$ 4.346.105,69 seriam utilizados para aquisição de equipamentos, mobiliários e materiais de consumo. Já o convênio que beneficiaria a Cirurgia Cardiovascular Pediátrica, no valor de R$ 3.700.208,40, seria destinado à aquisição de equipamentos, mobiliários, materiais de consumo, além da execução de obras e de reforma para ampliação dos leitos de UTI Pediátricos para pacientes da especialidade. Outro convênio, de R$ 49.948, seria para aquisição de cadeiras de rodas para banho.

O Diretor de Finanças, Recursos Humanos e Relações Institucionais do Grupo Santa Casa BH, Gonçalo de Abreu Barbosa, recebeu a notícia da rescisão dos convênios com muita preocupação: “precisamos que o governo pague a Santa Casa agora. Estamos sendo enrolados. O estado tem que cumprir com a sua obrigação e ajudar a população que depende do hospital. Contamos com esses convênios para colocar as nossas contas em dia. Muitas vezes precisamos contrair empréstimos bancários por conta desses atrasos e da defasagem nos valores pagos pelos procedimentos. Por conta disso, deixamos de investir em unidades estratégicas e de comprar materiais médicos e insumos”.

REFERÊNCIA NOS ATENDIMENTOS

De acordo com o DATASUS, a Santa Casa BH ocupa a 1ª posição em Belo Horizonte e em Minas Gerais na realização de cirurgia cardiovascular pediátrica, que inclui pacientes de até 17 anos. Na comparação nacional, está em segundo lugar. Os números são expressivos: em 2017, foram 259 procedimentos. Na Maternidade Hilda Brandão, foram realizados no mesmo período 3.650 partos, sendo 2.482 normais e 1.168 cesáreas, além de 16.057 consultas obstétricas. Já na UTI Neonatal, foram 589 atendimentos.

SOBRE O DÉFICIT DA SANTA CASA BH

Com 119 anos e 1.086 leitos destinados exclusivamente aos usuários do SUS, a instituição realiza cerca de 36,5 mil internações mensais. Dos 1.086 leitos, 126 estão fechados por falta de verba. O custo do leito da SCBH é o menor da capital mineira (R$ 23 mil). Ainda assim, há um grande déficit mensal (R$ 3,5 mil) a ser suportado pela instituição, causado pela diferença entre o custo real dos procedimentos e os valores constantes na tabela SUS. Fecha-se o mês negativo em mais de R$ 3,3 milhões. Por ano, o hospital realiza: cerca de 23 mil cirurgias, 22 mil sessões de quimioterapias, 250 transplantes e 51 mil sessões de radioterapias.

25 maio 2018

Greve dos caminhoneiros já afeta serviços de nefrologia

Arquivado em Cidade, Comportamento, saúde

renais

Com a greve dos caminhoneiros indefinida no Brasil, as clínicas de diálise, que fazem o tratamento de terapia renal substitutiva – TRS e mantêm a vida de mais de 130 mil pacientes renais começam a serem afetadas, de acordo com informações do presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia (SMN), Daniel Calazans. “A falta da chegada de insumos e materiais necessários para a realização dos tratamentos já coloca diversas clínicas de nefrologia mineiras em situação de alerta”, afirma.

Uma clínica de Contagem, enviou comunicado à SMN informando que os insumos para a realização de sessões de hemodiálise têm previsão de término na segunda-feira, 28 de maio, no terceiro turno. Como solução, clínica vai reduzir o fluxo de solução e o tempo de diálise até que exista uma possibilidade de resolução do problema.

Em Belo Horizonte, outro serviço, que atende atualmente 180 pacientes com doenças renais informou que seu estoque de materiais terá duração até terça-feira, 29 de maio, no primeiro turno. Após esse período provavelmente não haverá mais como tratar os pacientes. “Já em Governador Valadares, as clínicas estão em alerta, pois os insumos estão chegando ao fim, e um caminhão carregado com capilares está parado em um dos bloqueios”, frisa Calazans. No Vale do Aço o serviço que atende a mais de 420 pacientes têm estoque até a próxima dia 29 de maio.

O presidente da SMN revela que no caso das clínicas de diálise o problema não é apenas econômico: “Para a realização de uma sessão de hemodiálise são necessários vários materiais e a falta de um deles, por menor que seja, impede a realização do procedimento. Os pacientes renais crônicos dependem do tratamento para sobreviverem. O setor está no limite, devido à peculiaridade do serviço de diálise, à necessidade de continuidade do tratamento e à fragilidade dos pacientes”, sintetiza.

“Compreendemos a seriedade do movimento, mas no momento estamos receosos com o impacto que ele pode gerar nos serviços de hemodiálise, porque o transporte é fundamental para a chegada de insumos e materiais para o tratamento dos pacientes”, explica Daniel Calazans. Segundo ele, a SMN já notificou as secretarias de saúde (municipais e estadual) e o Ministério Público.

04 abr 2018

Comissão Extraordinária da Assembleia debate, em Vespasiano, violência contra a mulher

IMG_2628[1]

Motivada por denúncias de agressão contra a vereadora Luciene Fonseca (PPS), de Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte, a Comissão Extraordinária das Mulheres da Assembleia Legislativa de Minas Gerais esteve na cidade nessa terça-feira (3/4), no Palácio das Artes Nair Fonseca Lisboa, para debater, junto com a população, os vários tipos de violência (física, moral, psicológica e discriminatória por gênero) sofridos pelas mulheres no município. A audiência pública contou com a presença de autoridades locais do executivo e do legislativo, deputados, representantes de organizações em defesa da mulher e membros dos direitos humanos.IMG_2618[1]

Em dezembro do ano passado, a vereadora Luciene Fonseca esteve na Assembleia de Minas Gerais e acusou três colegas parlamentares de agressão. Ela apresentou áudios, aos quais teve acesso por um aplicativo de mensagens por celular, que mostrariam comentários sexistas sobre ela. Entre as ameaças, segundo a denúncia, os colegas diziam que não votariam favoráveis a nenhuma proposta da parlamentar na Câmara Municipal de Vespasiano. “Em um primeiro momento fiquei anestesiada. No entanto é indispensável compreender que a violência não é um caso reservado ao tratamento policial ou à lei. Ela é uma questão social que requer atenção de toda sociedade, que precisa ser enfrentada com muita coragem e determinação. Não obstante temos pessoas corajosas, que através do senso de justiça, amor próprio e amor ao próximo, são capazes de superar as ameaças e consequências para combater tais violências”, desabafa a vereadora Luciene.

Os autores do requerimento para a realização da reunião são: a presidente da comissão, deputada Marília Campos (PT), a deputada Geisa Teixeira (PT) e os deputados Antônio Jorge (PPS) e Geraldo Pimenta (PCdoB). A presidente da comissão repudiou o ato e classificou a violência sofrida pela vereadora como “machista” e uma clara tentativa de impedi-la de exercer o mandato. Ela anunciou que serão aprovados requerimentos em relação ao tema. À Câmara de Vespasiano, será solicitado que comunique as providências tomadas quanto às denúncias. A comissão vai sugerir à prefeita local, Ilce Rocha Perdigão, que filie Vespasiano ao Consórcio Mulheres das Gerais. Também será requerido à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social que informe o andamento do inquérito sobre a violência contra a vereadora.

Marília Campos ressaltou que Vespasiano é uma cidade com importante representação da mulher na política. “É a cidade das mulheres. Vespasiano tem uma forte representação feminina: com uma prefeita, uma vice-prefeita. Dos 11 secretários muncipais, sete são mulheres. A cidade conta ainda com uma delegada, uma promotora e uma juíza. É uma cidade das mulheres para as mulheres”, constatou.

A prefeita de Vespasiano agradeceu a iniciativa da Assembleia e ressaltou a importância da defesa dos direitos das mulheres e a participação da mulher na tomada de decisões políticas. “É importante ter uma mulher a frente de uma Comissão da Assembleia Legislativa em defesa dos direitos das mulheres.  Eu sei o quão difícil é construir isso em um universo masculino. Sabemos que existem leis, mas muitas delas não contemplam realmente as mulheres. As leis falam pela metade, não falam com clareza sobre a ocupação da mulher na sociedade, na política, como acontece em outros países”, diz a prefeita de Vespasiano Ilce Rocha.

O deputado Antonio Jorge (PPS) disse estar chocado com o grau de violência contra as mulheres. “infelizmente, vivemos um cenário em que parece que nos acostumamos com a violência. Mas temos que nos inquietar. E quando se trata de violência contra mulheres é ainda pior. Quanto maior esse tipo de violência maior é nosso afastamento de patamares civilizatórios aceitáveis”, constatou.

O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Vespasiano esteve presente e falou um pouco sobre o projeto “Acordar para Crescer”, uma iniciativa contra a violência doméstica e o empoderamento da mulher.

Mapa da Violência mostra aumento do feminicídio

“O Mapa da Violência divulgado depois de dez anos de aprovação da Lei Maria da Penha foi um tapa na nossa cara”, afirmou Ermelinda Ireno de Melo, superintendente do Consórcio Regional de Promoção da Cidadania Mulheres das Gerais de Belo Horizonte. Segundo ela, os assassinatos de mulheres aumentaram após a lei, “mostrando o quanto é sexista e racista o Brasil”. O documento de 2016 dá conta que diariamente 13 mulheres são assassinadas no País, a quinta mais alta taxa no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ermelinda acrescentou que o Mapa traçou os cem municípios mais violentos para as mulheres no Brasil, dentre os quais sete são de Minas Gerais. “O levantamento nos mostra porque os assassinatos de mulheres negras ainda não nos chocaram tanto, pois em sua maioria acontecem em municípios com menos de 20 mil habitantes”, alertou.

A pesquisadora acredita que uma mudança nesse quadro de violência só será possível com a inversão da lógica assassina que dizima minorias – mulheres, negros, LGBTs. Essa lógica resulta do modelo patriarcal, implantado pelo grupo dominante, que é masculino, heterossexual, burguês e branco, afirma Ermelinda. “Quando Luciene e Marielle sofrem violência é porque denunciam esse sistema”, concluiu.

Com essa linha de pensamento, Cássia Costa de Oliveira, psicóloga e cientista das religiões, postulou que o feminismo pode ser a resposta para a atual crise. “O atual modelo agoniza e a crise ética se mostra em todas as instituições criadas pelo patriarcado. O feminismo é a solução, mas sem propor o matriarcado, e sim, uma luta radical em favor dos direitos dos setores excluídos pelo patriarcado – mulheres, negros, LGBTs”, analisou.

*com dados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Página 3 de 211234567... 21Próximo