14 set 2017

Setembro Amarelo: os heróis também pedem ajuda

Arquivado em saúde, Saúde mental

heroi

A vida do Superman não é nada fácil. Além de enfrentar vilões de carne e osso, um dos heróis mais consagrados da Terra teve uma infância bem complicada, foi separado dos pais, foi um refugiado, não pode revelar sua verdadeira identidade e acumula duas profissões. Você lembra da história? Ele nasceu no fictício planeta Krypton e foi chamado pelos seus pais de Kal-El (que significaria Filho das Estrelas no idioma kryptoniano). Foi mandado à Terra por seu pai, Jor-El, um cientista, momentos antes do planeta explodir. O foguete aterrissou na Terra na cidade de Smallville onde o jovem Kal-El foi descoberto pelo casal de fazendeiros Jonathan e Martha Kent. Conforme foi crescendo, ele descobriu que tinha habilidades diferentes dos humanos. Quando não está atuando como Super-Homem, ele vive como Clark Kent, repórter do Planeta Diário. Realmente, não está fácil para ninguém!

IMG_20170630_081358Enquanto isso, em Belo Horizonte, o sargento do Hospital Militar de Minas Gerais, Daniel Xavier, 39 anos, sendo 16 anos de polícia, enfrenta um drama pessoal, antes de assumir a identidade de Super-Herói do Projeto Social Liga da Justiça. Em 2013, o mundo parecia desabar nos ombros do jovem policial. “Fui diagnosticado com quadro de depressão. Minha mãe estava doente, meu pai em estado grave no CTI, vindo a falecer. Meu casamento já havia praticamente chegado ao fim. Além de estar passando por uma intensa pressão no meu ambiente de trabalho”, explica.

O sargento Daniel sentia que não tinha forças para continuar a viver. Foi aí que o sinal alerta foi acionado. “Quando comecei meu tratamento, já apresentava os principais sentimentos de quem pensa tirar a própria vida: depressão, desesperança, desamparo e desespero. Tanto que, ao ser abordado pelo psiquiatra sobre o que eu queria fazer a respeito de tudo aquilo, minha resposta foi: eu só queria apertar um botão e desaparecer”.

No entanto, o sargento Daniel contou com uma rede de proteção, envolvendo os amigos, os colegas de trabalho e a Mulher Maravilha.

DSC06420Nunca fiquei afastado da Polícia. No período mais difícil, tive a licença médica de alguns dias e, logo em seguida, minha chefe Ten Cel Elaine autorizou o pedido de férias prêmio. Minha amiga me incentivou a criação do Projeto Social Liga da Justiça (saiba mais).

No mês de junho de 2017, participei de um minicurso sobre Suicídio, realizado pela LASME – Liga Acadêmica de Saúde Mental da UFMG. Durante o curso, vi o quanto o tema do suicídio ainda é tabu na nossa cultura. Números são omitidos. Quando o tema é abordado pela mídia, muitas vezes é feito de forma negligente com informações distorcidas. 

Em 2016 o Projeto Social Liga da Justiça realizou seu primeiro Setembro Amarelo, no Hospital Militar, pois policiais, bombeiros e agentes de saúde estão entre as profissões mais propensas ao suicídio, fato reiterado no próprio curso da LASME.  Alguns membros da Liga já tiveram experiência de auto extermínio na família e o convite da LASME foi quase que um presente, pois nos trouxe um pouco de conforto ao sabermos que não estamos sozinhos nessa luta e que um tema tão delicado está sendo abordado por pessoas altamente qualificadas para ajudar”.

SETEMBRO AMARELO – CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O SUICÍDIO

O suicídio é um fenômeno complexo, que envolve várias facetas da existência humana. No entanto, os dados recentes apontam que o assunto não pode ficar restrito aos poucos grupos de discussão acadêmica, filosófica ou religiosa. Todos devem estar atentos ao tema – que afeta direta ou indiretamente à população.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que ocorram, no Brasil, 12 mil suicídios por ano. No mundo, são mais de 800 mil ocorrências, isto é, uma morte por suicídio a cada 40 segundos, conforme o primeiro relatório mundial sobre o tema, divulgado pela OMS, em 2014.

Na maioria dos casos, a vontade de acabar com própria vida é provocada pela falta de esperança, de uma luz no fim do túnel, além de uma insustentável sensação de desamparo e angústia. O quadro de transtorno mental, quando não diagnosticado ou não tratado, como depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar afetivo, crise psicótica e transtorno de personalidade (borderline) pode levar uma pessoa a cometer suicídio. É claro que a prevenção é uma grande aliada da vida. Segundo a OMS, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos.

IMG_9745Adriana Santos: Como é sua situação atualmente?

Daniel: Atualmente estou bem. Me monitoro sempre para perceber algum sinal de recaída, porque eles se manifestam, só que a gente e quem está ao nosso redor não percebe.

Como você consegui superar a depressão?

Estava consciente da minha situação. Sabia que seria um processo a longo prazo. Segui as recomendações médicas. Fiz terapia. Pratiquei e ainda pratico atividade física (artes marciais). Tentei focar na solução ao invés do problema e tentei não me entregar. Pude contar com algumas pessoas. Tive uma amiga que ficou ao meu lado na pior hora. Acho que ela foi essencial porque eu mesmo já estava duvidando da minha capacidade de sair dessa. Ela sempre acreditou e isso me deu forças. Hoje atuamos juntos na Liga da Justiça.

O trabalho voluntário foi importante na sua recuperação?

Embora não tenha criado o grupo para uma ser um tipo de terapia, é claro que ajudar as pessoas nos faz bem. Sentir a gratidão das pessoas, tirar sorrisos, fazer as doações, tudo isso num trabalho de equipe. Alcançar essas metas tem uma atuação direta na liberação de hormônios que nos ajudam na nossa felicidade (endorfina, oxitocina, dopamina e serotonina).

18 abr 2017

Hospital de Lagoa Santa alerta sobre aumento de casos de suicídios

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Imagem Google

A Santa Casa de Lagoa Santa registrou, no último mês, cinco tentativas de suicídio entre jovens na faixa dos 25 anos. A maioria dos casos provocado por praguicidas de uso doméstico, produtos de limpeza e consumo de medicamentos controlados.

Segundo Fabiana Saqueto, assistente social do Hospital, houve um aumento significativo de casos. As vítimas são atendidas no ambulatório do hospital. “Uma das dificuldades de tratar o paciente é a ocultação de informações do próprio paciente ou dos familiares. As situações de extremo sofrimento, angústia e outros conflitos podem provocar, com o tempo, algum tipo de distúrbio psiquiátrico”, esclarece Fabiana.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o suicídio é um problema de saúde pública responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo, sendo a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. Setenta e cinco por cento dos suicídios ocorrem em países de baixa e média renda. O Brasil é o oitavo país com mais registros de suicídios.

Alguns casos estão relacionados com transtornos mentais, em particular, depressão e abuso de álcool. Os casos mais frequentes acontecem em momento de crise ou na dificuldade de lidar com os estresses da vida – tais como problemas financeiros, términos de relacionamento ou dores crônicas e doenças. Além disso, enfrentamento de conflitos, desastres, violência, abusos ou perdas e solidão estão fortemente associados com o comportamento suicida.

Segundo dados da OMS, até o momento, apenas alguns países incluíram a prevenção ao suicídio entre suas prioridades de saúde e só 28 países relatam possuir uma estratégia nacional para isso. O suicídio é uma questão complexa e, por isso, os esforços de prevenção necessitam de coordenação e colaboração entre vários setores da sociedade, além da conscientização da população por meio de informações claras, sem preconceitos e com o objetivo de alertar as famílias sobre os principais sinais de uma pessoa com perfil suicida.

08 set 2016

Especialistas discutem prevenção ao suicídio em BH

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Imagem Google

 Por: Assessoria de Comunicação da Associação Médica de Minas Gerais

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), todos os anos são registrados cerca de dez mil suicídios no Brasil e mais de um milhão em todo o mundo. Os especialistas consideram o problema uma silenciosa epidemia e realizam um grande debate na Reunião Multidisciplinar do dia 10 de setembro (sábado), a partir das 8h30, na Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), e lançam a campanha ‘Setembro Amarelo’, que fala sobre prevenção ao suicídio durante todo o mês. Além de psiquiatras, participam representantes da clínica médica, geriatria, ginecologia, medicina do trabalho e pediatria;

Quando se fala em suicídio, a principal abordagem é a prevenção. Conforme a cartilha ‘Suicídio: Informando para prevenir’, desenvolvida pela ABP, juntamente com o Conselho Federal de Medicina (CFM), em 2014, “é possível prevenir o suicídio, desde que os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, estejam aptos a reconhecer os seus fatores de risco”. O psiquiatra Frederico Garcia explica que, de maneira geral, o paciente com pensamento suicida quase sempre procura um médico alguns dias antes de fazer uma tentativa. O médico pode, muitas vezes, perceber o risco e interceder favoravelmente pelo paciente. “Ao contrário do senso comum, falar sobre suicídio não causa suicídio, o previne! É preciso abordar claramente o tema com a pessoa, quando a ideia de tirar a própria esteja presente”, ressalta.

Os médicos alertam que o suicídio ou comportamento suicida está quase sempre relacionado a fatores externos, por exemplo, às doenças mentais e a uso de drogas. Os diversos públicos e faixas etárias nas quais as pessoas tiram a própria vida também serão tema de discussão e foram divididos em: suicídio em médicos; militares; idosos; gestantes; jovens e adolescentes. O Centro de Valorização da Vida (CVV), organização não governamental que oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, é parceiro do evento. Um dos membros estará presente para contar as experiências que ultrapassam o ponto de vista clínico. O CVV atende voluntária e gratuitamente as pessoas que se sentem fragilizadas, que querem e precisam conversar, de maneira sigilosa, por telefone, email, chat e Skype, durante 24 horas.

Participam do encontro, Associação dos Ginecologistas de Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Associação Mineira de Medicina do Trabalho (Amimt), Associação Mineira de Psiquiatria (AMP), Sociedade Brasileira de Clínica Médica – Regional Minas Gerais (SBCM-MG), Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Regional Minas Gerais (SBGG-MG), Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), e Sociedade dos Acadêmicos de Medicina de Minas Gerais (Sammg). A Reunião Multidisciplinar é promovida pela AMMG na sede da entidade. Informações e inscrições pelo site: seaci@ammgmail.org.br ou (31) 3247 1619.

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