07 mar 2018

Lagoa Santa é considerada a cidade da gentileza aos 80 anos

Arquivado em Cidade, Comportamento
lagoa santa 2

Imagem Divulgação

Pertencente ao Circuito das Grutas, Lagoa Santa é agraciada pela Bacia do Rio da Velhas e fica, aproximadamente, 40 quilômetros de Belo Horizonte. Com cerca de 62 mil habitantes, as principais características da cidade, que completa 80 anos em dezembro de 2018, são: clima agradável, área verde exuberante, sensação de tranquilidade, belos casarões e povo gentil.

A origem da cidade está ligada aos benefícios das águas. Segundo crenças locais, a lagoa que dá nome ao local possui minerais com propriedades curativas, daí a associação ao nome do município. Muitos foram os visitantes que procuravam Lagoa Santa para melhorar a saúde banhando-se na lagoa. As águas da Lagoa Santa chegaram a ser exportadas para Portugal, pelo poder curativo.

No entanto, Lagoa Santa ganhou notoriedade por abrigar importantes tesouros arqueológicos: os vestígios dos primeiros homens americanos, que lá viveram há 25 mil anos. Entre personalidades que estiveram na cidade buscando sinais de nossos antepassados, está o cientista dinamarquês Peter Wilhelm Lund – que morou em Lagoa Santa por mais de 40 anos e marcou época com suas descoberta. Em 1834, ele chegou à região para fazer estudos na área de botânica e zoologia. Logo deparou com os primeiros fósseis de animais: uma preguiça gigante e um tigre dente-de-sabre.

Aberto à visitação desde 12 de maio de 2010, o Parque Estadual do Sumidouro é o encontro de dois biomas: a Mata Atlântica e o Cerrado. Da mesma forma que se pode encontrar árvores frondosas, de copas largas e altas, há também vegetação rasteira, com árvores pequenas de caules retorcidos.

Caracterizado como Unidade de Proteção Integral, o Parque tem o objetivo de promover a preservação ambiental e cultural, possibilitando atividades de pesquisa, conservação, educação ambiental e turismo.

Eleita uma das 7 maravilhas da Estrada Real, a gruta da Lapinha está localizada dentro do Parque, em um maciço calcário formado a cerca de 600 milhões de anos pelos restos de fundo de mar que cobria toda a região da bacia do rio das Velhas.

Segundo o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), Lagoa Santa está no nono lugar do ranking das melhores cidades mineiras para se viver. O IDH é índice padrão da Organização das Nações Unidas (ONU) e avaliado a cada 10 anos em todo o mundo. Basicamente, são levados em conta três itens: vida longa e saudável (nascimento por mortes, saneamento básico e longevidade), acesso ao conhecimento (educação pública em todos os níveis e crianças na escola) e padrão de vida (renda e emprego). A partir dos cálculos de cada um desses fatores, se chega ao índice geral de IDHM, organizado no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, feito em 2010 e divulgado em 2013. O próximo cálculo será em 2020, com divulgação prevista para 2023.

409EAFB1-ABCC-4A79-8F61-C6662D711257Foto: Alexandre, Wanderson, Leda e Lima – moradores de Lagoa Santa

Alexandre Alves Magalhães é advogado, além de cantor e compositor. Ele mora na cidade há 43 anos. Segundo o artista, morar em Lagoa Santa é a possibilidade de viver numa cidade do interior ao lado da Capital. “Aqui ainda conhecemos as pessoas pelo sobrenome, filho de fulano, neto de sicrano, como também relembramos nossa infância e adolescência, desde nadar na lagoa central através dos trampolins, o avião na Praça Dr Lund, as brincadeiras nas ruas da cidade”, revela Alexandre.

O tenente Wanderson Luiz, 47 anos, trabalha no Parque da Aeronáutica e considera Lagoa Santa uma cidade estratégica, porque fica perto de Belo Horizonte e conta com total infraestrutura, como: boas escolas públicas e privadas, trânsito tranquilo, opções de agências bancárias e um comércio atuante. “Também fico perto dos meus pais e dos meu amigos de infância. Eles moram ao lado, em Vespasiano. Aqui também está a minha igreja”, relata o militar.

Lagoa Santa também é reduto de artistas, principalmente artesãos. Lêda Gontijo, 103 anos, nasceu em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, mas mora em Lagoa cerca de 40 anos por considerar a cidade bucólica e tranquila. Ela é uma artista plástica reconhecida internacionalmente. “Aqui as pessoas são muito gentis. Amo Lagoa Santa. Moro na cidade que escolhi para viver o resto da minha vida”, diz Lêda.

Em 1944, ela foi uma das primeiras alunas da escola de arte de Alberto da Veiga Guignard, pintor e professor brasileiro que ficou famoso por retratar paisagens mineiras.

“Entrei para aprender escultura. Era meu sonho. Não tinha, nessa época, professora de escultura”, conta. A pedido de Guignard, ela estudou pintura durante dois anos. “Ele gostava muito de mim. Fomos grandes amigos. Guignard pintou o teto da minha casa em Belo Horizonte. Vendi a casa para morar em Lagoa Santa, mas com uma condição: o novo proprietário não poderia mexer no teto”. Em 1964, Lêda foi a primeira mulher a ganhar a medalha Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras.

A artista também é referência na área social. Em 2001, fundou a Associação das Voluntárias da Santa Casa (ASSANTA), uma entidade sem fins lucrativos, atuante em Lagoa Santa, desde 2001. Atualmente são 22 voluntárias – que se reúnem, às quartas-feiras, na lojinha de artesanato dentro do hospital, a partir das 14 horas, com o objetivo de criar e vender produtos personalizados, como: panos de pratos, bordados, enfeites para casa, kits de higiene, costuras, brinquedos de madeira, entre outros trabalhos. As voluntárias já compraram ,com o dinheiro da venda dos artesanatos, equipamentos médicos e cirúrgicos, rouparia e cadeiras de rodas em prol dos pacientes do hospital, que integra o Sistema Único de Saúde (SUS).

Aqui a generosidade é marca registrada de um povo que tem a palavra gratidão na ponta da língua. “Gosto de agradar e ser útil ao meu semelhante”, diz José Utsch de Lima, 81 anos. Como forma de agradecimento por tudo que a vida oferece e por meio século como morador de Lagoa Santa, Lima resolveu transformar parte da área externa de sua casa em um espaço para disseminar a gentileza. Ali, ele oferece mudas de flores e hortaliças, livros, sapatos, roupas, palavras amigas e sorrisos. Entre os livros que coloca à disposição, alguns foram escritos por ele, como “Valeu a Pena a Caminhada”, publicado em 2016. Ele já escreveu sete livros e está finalizando o oitavo. Outro hábito que Lima mantém é a prática de registrar escritos e comentários em guardanapos, a partir dos quais ele desenvolve seus textos.

Para José Utsch de Lima, Lagoa Santa sempre foi o local dos sonhos, desde quando morava na cidade vizinha e trabalhava lá como trocador de ônibus. “Aqui tem um cheiro especial, cheiro de mulher bonita (risos). São cheiros e gostos que não encontro em lugar nenhum”, declara Lima.

No Centro de Atendimento ao Turista localizado na Rodoviária de Lagoa Santa, os turistas interessados podem obter mais informações sobre a cidade (facilidades, preços e horários de ônibus, clima, etc), tanto sobre a oferta turística existente (atrativos e pontos turísticos, hospedagem, entretenimento, alimentação, entre outros). Telefone para informação: (31) 3688-1392.