Posts de Adriana Santos
25 set 2019

Parapsicologia ou metapsíquica

Por Dr. João Jorge Cabral Nogueira parapsicojoaojorgecabral@yahoo.com.br * A Parapsicologia ou metapsíquica é uma ciência que estuda os fenômenos ditos Paranormais (quer dizer: ao lado dos normais, logia: ao lado da Psicologia). Foi uma ciência criada para tentar explicar os fenômenos que não se encaixavam dentro das leis da natureza (uma levitação, por exemplo, que contraria a lei da gravidade).

Desde o início da humanidade existem fenômenos não explicáveis para o conhecimento da época. Atualmente, por exemplo, a telepatia é provada cientificamente pela física quântica como normal, mas ainda continua na classificação como paranormal. Em toda a história da humanidade aparecem descrições de possessões, curas milagrosas, visões celestiais, audição de vozes com mensagens dos céus, etc.

A classificação é muito grande, temos a escola materialista, a espiritualista, a eclética e a teórica, mas podemos dividir os fenômenos em dois grupos: os psi-gama do espírito e os psi-kapa do corpo. Na descrição dos fenômenos vocês vão entender essa divisão que não serve para nada, só para normatizar os fenômenos.

Para muitas universidades como a de Duke a parapsicologia é uma ciência, mas há muito preconceito e alguns ainda a acham um misticismo.

Todos nós apresentamos em maior ou menor grau fenômenos parapsicológicos que às vezes interpretamos como esquisitos e não nos importamos (Um pesadelo premonitório, por exemplo). Também podemos desenvolver nossas capacidades paranormais adormecidas. Existem cursos para isso, mas vai depender da sensibilidade de cada um, do dom de cada um, uns já nascem prontos e outros têm que se fazer.

Existem muitos fenômenos que se confundem com doenças mentais, então vamos expor cada um fazendo a distinção entre os dois quando necessário. Ora falaremos dos fenômenos, ora dos autores que pesquisaram esses fenômenos.

Possessão

Em todas as épocas houveram fenômenos de possessão. Na Bíblia encontramos muitas referências. Na idade média, porém, houveram várias epidemias sendo a mais famosa a Dança de São Vito, na Alemanha, onde as pessoas possuídas davam as mãos e dançavam freneticamente pelas ruas até se deixarem vencer pela fadiga e exaustão. Faziam parecer muito com os ataques epileptiformes de hoje, porque ficavam bons depois dessa catarse sem nenhum exorcismo.

Mesas falantes

Foi William Crookes, nascido em 1832, membro da Real Sociedade de Londres, foi o pioneiro no estudo em laboratório das famosas mesas falantes de sua época. As pessoas acreditavam que os espíritos se comunicavam através delas. Elas também foram estudadas por Alan Kardec, o codificar do espiritismo.

Charles Richet: Richet, nascido em 1850, foi premio Nobel em 1913, estudou e publicou trabalhos sobre clarividência, transmissão de pensamento e diagnóstico de doenças somente com a sensibilidade psíquica. Em 1922 publica o seu Tratado de Metapsíquica, importante obra até hoje.

Joseph Banks Rhine: Rhine, nascido em 1950, foi um botânico estadunidense, fundador da investigação científica na parapsicologia como um ramo da psicologia, fundador do laboratório de parapsicologia na Universidade de Duke, foi um pioneiro nos estudo da Percepção Extra Sensorial como Telepatia, Clarividência, Pré-cognição e Psicocinese. Todos os estudiosos de Parapsicologia já ouviram falar das cartas Zener nos trabalhos de pesquisas feitos por Rhine. Foi o nome mais importante dentro do início da Parapsicologia ainda na época denominada Metapsíquica.

Vamos à Classificação de Richet:

CRIPTESTESIA,  percepção fora do alcance do sensório comum como:
Telepatia: transmissão de pensamentos entre duas pessoas.

Clarividência: visualização de ocorrências distantes sem interferência do sensório.

Clariaudiência: percepção de sons e palavras sem interferência do sensório.

Pré-cognição: conhecimentos de fatos ainda não acontecidos.

Retro-cognição: conhecimento de fatos passados sem interferência do sensório.

Transposição de sentidos: leitura com os dedos, fotos sensibilidade cutânea, etc.

DESDOBRAMENTO ASTRAL: viajar a outros lugares numa espécie de transporte. Temos no Brasil o trabalho do Waldo Vieira chamado Projeciologia que ensina a desenvolver esse fenômeno.

XENOGLOSIA: faculdade de certas pessoas de falarem, em transe, uma língua desconhecida. Dentro do contexto religioso temos o “falar em línguas” dos Pentecostais evangélicos e Carismáticos católicos.

DUPLA PERSONALIDADE: fenômeno e que a pessoa assume caracteres de outra personalidade por períodos diversos. Tive uma paciente que desenvolveu três Personalidades por traumas na infância, por técnicas regressivas (hipnose) ao conseguirmos tratar os traumas as personalidades desapareceram.

MEDIUNIDADE: capacidade de um sensitivo (médium ou paranormal) incorporar o espírito de outra pessoa morta. É o fundamento da doutrina espírita compilada por Kardec.

TELECINESIA: capacidade por ação da energia mental ou concentração do pensamento influir no deslocamento de objetos a distância.

LEVITAÇÃO: movimentos de corpos pesados contra a ação da gravidade, muito citada na comunidade indu entre brâmanes e yogues.

BILOCAÇÃO: desdobramento astral, mas sendo visíveis os dois corpos ao mesmo tempo em lugares diferentes. Conta-se que Santo Antônio fazia sermões ao mesmo tempo em Lisboa e Pádua sendo conhecido por Santo Antônio de Lisboa em Portugal e Santo Antônio de Pádua na Itália.

ECTOPLASMIA: onde há intervenção do ectoplasma, substância geralmente eliminada pelo médium.

POLTERGEIST: é variação da telecinesia, é uma psicocinesia que é a movimentação de pequenos objetos contras as paredes, quebrando vidraças, abrindo e fechando gavetas, etc.

Há a interpretação que são espíritos brincalhões, mas eu tive um caso em que era uma jovem que produzia esses fenômenos após um trauma. Resolvido o trauma os fenômenos cessaram. A sua casa vivia com papelões nas janelas, comiam em prato de papelão e copos de plástico porque tudo voava e quebrava.

Todos esses fenômenos podem ser de uma magnitude que a pessoa consiga lidar com eles. Mas se forem de uma magnitude que não aja como lidar com eles, então precisam ser trabalhados como no caso da jovem que apresentava psicocinesia.

Quando houver necessidade de tratamento procurar um parapsicólogo seja ele um psiquiatra ou psicólogo que entenda desses fenômenos. No caso de possessões encaminhar para um centro que façam a desobsessão.

Haveria muito mais a falar, mas o tema é muito grande e ficamos por aqui desejando que vocês se interessem pelo tema e busquem mais informação.

  • O autor é médico e psicoterapeuta transpessoal. Estudou parapsicologia nos anos setenta com Padre Quevedo, fez whorkshops com o parapsicólogo Stanley Krippner, estudou estados alterados de consciência com o médico transpessoal Stanilav Groff, com os físicos quânticos Amit Goswami e Harbans Aarora, e com os neurocientistas Karl Pribram e Francisco Di Biase. Professor até este ano do curso de Psicopatologia na visão dos fenômenos paranormais confundidos com doença mental no Curso de Pós-graduação de Psicologia Transpessoal em Belo Horizonte. Diretor do Flor do AmanheSer de Medicina integral. Professor dos cursos de Pós-graduação de Hipnose e Psicologia Transpessoal. Autor dos livros: Autoscopia, Criança de Luz e Ciência e Espiritualidade.
24 set 2019

Você sabe o que são fenômenos parapsicológicos?

Somos seres complexos, dotados de pelo menos cinco sentidos físicos:  visão, olfato,  paladar, audição e  tato. A intuição, considerada o sexto sentido, é uma característica presente nos humanos, apesar de oculto. Seria aquela “voz que vem de dentro” que nos ajuda a tomar algumas decisões. No entanto, estar no mundo, vai para além do conhecido. Nesse sentido, muitas pessoas se relacionam com fenômenos que não são tão comuns, como: clarividência, telepatia, psicografia, dentre outros. São fenômenos de origem extracerebral, não física, ou seja, não podem ser explicados a partir das percepções derivadas de nossos cérebros. É o que alguns pesquisadores chamam de fenômenos parapsíquicos.

Para entender melhor sobre o assunto, produzi duas postagens: “O que são fenômenos parapsíquicos” (24/09).  Para tanto, entrevistei  Maurício Sales, pesquisador e professor do IIPC (Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia) que vai nos ajudar a entender alguns fenômenos parapsicológicos.

Amanhã, 25/09,  “Parapsicologia ou Metapsíquica” – artigo do Dr. João Jorge Cabral Nogueira.  O autor é médico e psicoterapeuta transpessoal. Estudou parapsicologia nos anos setenta com Padre Quevedo, fez whorkshops com o parapsicólogo Stanley Krippner, estudou estados alterados de consciência com o médico transpessoal Stanilav Groff, com os físicos quânticos Amit Goswami e Harbans Aarora, e com os neurocientistas Karl Pribram e Francisco Di Biase.  Professor até este ano do curso de Psicopatologia na visão dos fenômenos paranormais confundidos com doença mental no Curso de Pós-graduação de Psicologia Transpessoal em Belo Horizonte.
Diretor do Flor do AmanheSer de Medicina integral. Professor dos cursos de Pós-graduação de Hipnose e Psicologia Transpessoal. Autor dos livros: Autoscopia, Criança de Luz e Ciência e Espiritualidade.

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Adriana Santos: A Parapsicologia é reconhecida cientificamente?

Maurício Sales: Isso depende do paradigma de Ciência que se use para avaliar os fenômenos parapsíquicos. As ciências físicas (Biologia, Química, Física, e suas derivadas) tem dificuldade de lidar com tal realidade, preferindo, muitas vezes, dizer que ela não existe. Mas existem muitas casuísticas e experimentos já realizados que evidenciam a existência de outros estados de manifestação da nossa consciência, inclusive estados não físicos. Mesmo dentro da Parapsicologia, há várias iniciativas que procuram relacionar os fenômenos parapsíquicos com algum tipo de atividade ainda desconhecida do cérebro, o que é inadequado. Para se estudar com mais propriedade tais fenômenos, é necessário um paradigma novo de Ciência, com diferentes modelos e teorias, a exemplo do paradigma consciencial proposto pela Conscienciologia, campo científico proposto e desenvolvido no Brasil.

O que diferencia um fenômeno parapsíquico de um fenômeno mediúnico?

O mediunismo é uma forma de parapsiquismo em que o indivíduo age como intermediário no contexto, ou seja, ele não é o agente produtor do fenômeno, mas o meio através do qual o fenômeno ocorre. Esse é o caso da psicografia ou da psicofonia, muito conhecidos no país. Entretanto, os fenômenos parapsíquicos podem ser produzidos de forma anímica, isto é, através da vontade e do conhecimento do indivíduo, sem que ele seja apenas intermediário do evento. Um exemplo disso é a experiência fora do corpo, ou projeção consciente, fenômeno largamente pesquisado na Projeciologia, uma especialidade da Conscienciologia que se dedica especificamente ao estudo dos fenômenos parapsíquicos.

Todos nós temos habilidades parapsíquicas?

Sim, elas fazem parte da natureza de todo ser humano.

Há como desenvolver as habilidades parapsíquicas?

Há várias técnicas eficientes para o desenvolvimento de qualquer forma de parapsiquismo, bastando treinamento aplicado. E já que o parapsiquismo não é um dom ou algo sobrenatural, fazendo parte da natureza humana, ele pode ser desenvolvido e se transformar em habilidade, sem ser necessário depender de nenhuma ideologia, linha mística, gurus ou aparelhos.

Como identificar um fenômeno parapsíquico?

Às vezes, por falta de conhecimento, muitas pessoas confundem ocorrências parapsíquicas com percepções orgânicas. Um fenômeno parapsíquico envolve aquisição de informações que não podem ser acessadas pelo cérebro (clarividência à distância, por exemplo) ou manifestações no ambiente não produzidas por meios físicos (telecinesia, por exemplo, em que ocorre movimentação de objetos sem se tocar neles). Vale a pena estudar para começar a identificar as diferenças.

Os pesadelos constantes são considerados fenômenos parapsíquicos inconsistentes?

Os pesadelos podem ser sonhos com caráter mais perturbador, de origem cerebral durante o sono. Se eles são constantes, há que se investigar se há algum problema que aflige o indivíduo e tem como reflexo essa ocorrência do sono. Contudo, a Projeciologia estuda o que se denomina projeção semiconsciente, que é uma experiência fora do corpo em que o indivíduo não identifica que está em uma dimensão extrafísica, podendo confudir a experiência com um sonho ao acordar. Se a experiência fora do corpo teve um caráter mais aflitivo ou perturbador, ela pode ser confundida com um pesadelo. O pesadelo existe, e é uma ocorrência física, cerebral, mas existe também a experiência fora do corpo, ocorrência extrafísica, extracerebral. Há muita confusão entre as duas ocorrências.

Quais os fenômenos parapsíquicos mais comuns?

Clarividência (percepções visuais), clariaudiência (percepções auditivas), psicometria (leitura de informações de pessoas ou ambientes, através das energias), dejaismo (sensação de já ter estado em um local ou já ter vivenciado algo quando ele ocorre), projeção consciente (experiência fora do corpo físico), telecinesia (movimentação de objetos sem interferência física), psicocinesia (deformação de objetos sem interferência física), psicografia (escrita mediúnica), psicofonia (fala mediúnica), dentre outros.

Como conseguir ajuda no caso de fenômenos que perturbam a saúde psicológica ou física da pessoa?

Qualquer coisa que perturbe a saúde do indivíduo deve ser investigada. Existem muitos distúrbios orgânicos, que devem ser tratados através da medicina. Porém, por desconhecimento ou descontrole, há manifestações parapsíquicas que podem afetar a saúde da pessoa. É sempre importante descobrir se a causa do distúrbio é orgânica, ou se pode ter origem não física. O IIPC, instituição de pesquisa e educação na área de fenômenos parapsíquicos pode ajudar os interessados que tem dúvidas ou problemas nessas questões.

O correto é inibir tais fenômenos, controlar ou tratar?

Quando necessário, o tratamento deve ser feito. Mas é sempre melhor compreender e controlar esses fenômenos ao invés de inibi-los. A partir do estudo e maior conhecimento, o próprio indivíduo pode usar os fenômenos parapsíquicos como ferramenta importante de aprendizado e autoconhecimento.

Considerações finais

Existe, hoje, muita pesquisa séria sobre os fenômenos parapsíquicos. Ao invés de entendê-los como fantasia ou doença, pode-se estudá-los e transformá-los em habilidades pessoais extremamente úteis. O IIPC (www.iipc.org), inclusive em Belo Horizonte, oferece grande material e atividades para quem quiser se aprofundar no assunto.

23 set 2019

Suicídio entre Policiais Federais é seis vezes maior que a média nacional

A Polícia Federal  está no imaginário popular como uma das profissões mais excitantes dentro da polícia.  “Os Anjos de Preto” são homens e mulheres, geralmente muito jovens, que fazem parte de um time qualificado, mas nem sempre preparados para enfrentar os desafios “trevosos” da profissão.

Nos últimos 10 anos, 33 servidores da corporação tiraram a própria vida, revela levantamento inédito da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef).  Em 20 anos – de 1999 até 2019 – foram 49 suicídios mais sete tentativas. Dos 49 casos, 27 foram de agentes. A maior quantidade de suicídios ocorreu no Distrito Federal. Em seguida: Rio de Janeiro,  Santa Catarina e Paraná. Outro dado importante: 30% do quadro utiliza algum tipo de medicamento relacionado a questões psicoemocionais, segundo enquete realizada pela entidade em 2016.

Direitos Humanos/Segurança Pública

Publicada em dezembro de 2010, a Portaria Interministerial SEDH/MJ nº 2 estabelece as Diretrizes Nacionais de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos dos Profissionais de Segurança Pública. O documento aponta dez medidas específicas de saúde que deveriam ser oferecidas aos servidores.

Entre elas, assegurar o acesso ao atendimento independente e especializado em saúde mental; desenvolver programas de acompanhamento e tratamento destinados aos profissionais de segurança pública envolvidos em ações com resultado letal ou alto nível de estresse; implementar políticas de prevenção, apoio e tratamento do alcoolismo, tabagismo ou outras formas de drogadição e dependência química; desenvolver programas de prevenção ao suicídio, disponibilizando atendimento psiquiátrico, núcleos terapêuticos de apoio e divulgação de informações sobre o assunto; criar núcleos terapêuticos de apoio voltados ao enfrentamento da depressão, estresse e outras alterações psíquicas.

Entrevistei Roberto Uchôa, policial federal, bacharel em direito, especialista em gestão de segurança pública, mestrando em sociologia política, integrante do NUC/UENF, núcleo de pesquisa sobre conflito da Universidade Estadual do Norte Fluminense, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sobre os desafios da Polícia Federal. Confira:

Adriana Santos: Qual o maior desafio de ser um policial?

Roberto Uchôa: O maior desafio de ser um policial no Brasil é querer servir da melhor forma possível à sociedade e não poder fazê-lo em razão das inúmeras dificuldades existentes. Ninguém decide arriscar a própria vida em defesa de outros por outro motivo que não seja vocação. Porém só a vontade não basta. Sem estrutura de trabalho, remuneração digna que permita ao policial descansar na sua folga e um ambiente laboral saudável, não há como o policial prestar o serviço que deseja.

Por que tantos policiais estão emocionalmente fragilizados?

Policiais convivem com o amor e ódio da população. Quando ajudam são adorados, quando fiscalizam e punem são odiados, mas todos sabem como isso funciona. O problema é que além de conviver com os problemas ao lidar com a população no dia a dia e com a violência, os policiais encontram também inúmeros problemas internos. Temos modelos de polícia criados no século XIX. São polícias sem carreira, com castas distintas e constante assédio moral. Isso acaba provocando um estresse contínuo no profissional, que não encontra no ambiente interno o suporte necessário para aguentar a pressão do dia a dia, e muitas vezes esse ambiente interno é tão nocivo que agrava a situação.

As instituições de Segurança Pública estão aptas no acolhimento dos policiais que passam por depressão ou outros transtornos mentais?

A maioria das instituições policiais no país não está preparada para acolher os policiais com problemas pessoais e emocionais. Há muito preconceito interno, não há política de acompanhamento dos profissionais e sequer há quadros profissionais adequados para tal tarefa na maioria das polícias. Por isso o aumento expressivo no número de suicídios de policiais. Sem auxílio, muitos tem sucumbido aos problemas de saúde mental.

O que mais prejudica a saúde mental de um policial?

O dia a dia do policial é extremamente estressante. Estado de alerta constante, cobranças, altos níveis de violência e medo de errar fazem parte da rotina diária do profissional de segurança pública. O problema é que ao sair das ruas e voltar ao ambiente de trabalho, onde essa pressão deveria diminuir, isso não ocorre. Devido ao péssimo ambiente de trabalho em grande parte das polícias e ao assédio moral, esse estado de tensão normalmente piora.

O número de suicídios aumento muito entre os policiais. Você já perdeu algum colega de trabalho?

Essa semana perdi o segundo policial que conheci. É muito triste quando isso ocorre, mas ao mesmo tempo fica um sentimento de revolta. Saber que os gestores do órgão tinham conhecimento do grave quadro de saúde mental de um servidor e que não prestaram o auxílio necessário é revoltante. Uma família foi destruída por incapacidade do órgão em cuidar de forma adequada dos seus servidores, que são o maior ativo da instituição.

Você já passou por algum problema emocional e precisou ajuda de um profissional de saúde mental?

No ano de 2012 tivemos uma greve relativamente longa no órgão e os ânimos se acirraram entre os cargos de policiais e delegados, que são os que dirigem o órgão. O ambiente interno que já não era dos melhores piorou bastante, destruindo muitas relações pessoais. Foi uma época difícil, de muito desânimo e desesperança quanto ao futuro, mas consegui lidar da melhor forma possível, canalizando minhas energias para voltar a estudar e tentar propor mudanças para que as instituições de segurança pública sejam modernizadas.

O que dificulta o pedido de ajuda por parte de um policial?

Além do preconceito interno a falta de estrutura de atendimento. Quando um policial busca o auxílio de um psicólogo ou de um psiquiatra é porque realmente está precisando, muitas vezes sendo na verdade um pedido de socorro, e ao negar uma estrutura mínima para acolher e ajudar esse profissional, a instituição policial mostra que sua preocupação se resume a números.

O  policial que passa por algum tratamento psiquiátrico continua portando arma de fogo?

Ao ser afastado por problemas psiquiátricos pode ser determinado que o policial entregue sua arma de fogo, porém essa decisão só ocorre após exame por uma junta médica pericial designada para avaliar o caso. Não sei como funciona em cada instituição policial, mas essa parece ser a regra geral.

Conclusões finais

O cenário de crescimento no número de suicídios de policiais deveria ter ligado o alerta das autoridades responsáveis, mas infelizmente isso parece não ter ocorrido. A crença de que armas mais modernas e viaturas mais possantes são a fórmula para a melhoria da segurança pública já se provou equivocada. O maior ativo de uma polícia são os policiais e o fator que pode melhorar a segurança pública é o investimento neles. Dar condições de trabalho adequadas, remuneração digna que permita o descanso na folga, cuidar da saúde mental e melhorar o ambiente de trabalho incentivando o crescimento profissional são a melhor saída para mudar o panorama existente.

Veja ainda: Assédio moral nas polícias é coisa séria

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