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Feiura e beleza: Quem ama o feio, bonito lhe parece?

A dica “Saúde & Literatura” de hoje é um passeio histórico em torno de dois aspectos que movem artes, desde a antiguidade clássica até a atualidade, e, consequentemente, influenciam toda estética social: beleza e feiura. Afinal, o que é beleza? O que é feiura? Gosto se discute? O que é arte? O que é estética?

“Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental” (Vinícius de Moraes)

“Quem ama o feio, bonito lhe parece” (Provérbio popular)

“A beleza está nos olhos de quem vê” (Provérbio popular)

Para mergulhar fundo nas águas profundas de dois conceitos  filosóficos que mexem com as nossas emoções, nada melhor do que dois livros maravilhosos do escritor, filósofo, professor e semiólogo,  Umberto Eco.

No último dia 19 de fevereiro, completaram-se cinco anos desde a morte do autor das obras: História da Feiura e História da Beleza. Os livros buscam testemunhos teóricos capazes de delimitar o gosto de determinada época.

Depois de registrar, o curso do belo na civilização ocidental, no livro História da beleza, Umberto Eco se volta para a feiura e nos faz refletir sobre os padrões estéticos que influenciam o surgimento das culturas. Para um ocidental, por exemplo, uma máscara ritual africana pode causar estranhamento, repulsa, terror, ao passo que para o nativo pode representar uma divindade benévola.

Nos quinze capítulos do livro “História da Feiura”, Umberto Eco reflete sobre as diversas transformações do conceito de feiura, em diversas áreas do conhecimento, como a filosofia, a teologia, a ciência, a política e a economia.

Entre demônios, loucos e deformidades, descobre-se uma veia iconográfica rica e curiosa. As ilustrações do livro são sensacionais e ajudam no entendimento de cada conceito.

Beleza deve ser analisada ou sentida?  O que é beleza? Umberto Eco propõe essas indagações em História da beleza, evitando ideias preconcebidas em torno do belo e do ponto de vista limitante de uma determinada cultura.  Até o feio, o cruel e o demoníaco merecem considerações importantes do autor, no sentido de ancorar argumentos teóricos e conceituais do belo, desde a antiguidade clássica.

O livro “História da Beleza” conta com 17 capítulos, dos quais escreveu nove (os outros são de autoria do escritor italiano Girolamo de Michele). A linguagem é original, inteligente e comparativa, afinal Umberto Eco é um amante das palavras.

Pra discutir conceito tão complexo, Eco investiga as múltiplas ideias de Beleza expressadas e discutidas da Grécia antiga até hoje, traçando paralelos curiosos, como, por exemplo, entre a nudez da Vênus de Millo, do século II A.C., com a da modelo Monica Bellucci, num calendário da Pirelli; ou entre o corpo atlético do Apolo do Belvedere, exibido no Musei Vaticani, em Roma, e os bíceps anabolizados de Arnold Schwarzenegger no filme Comando.

Sensacional!!!

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Comportamento saúde

Vamos falar sobre incontinência urinária

Divulgação

Por: Dr. Renato Teixeira Mascarenhas*

Quatorze de março é o dia mundial da conscientização sobre a incontinência urinária. Definida como a perda involuntária de urina, acomete 45% das mulheres e 15 % dos homens com mais de 40 anos, segundo estudo realizado no Brasil.

Apresenta-se de forma diversificada, desde perdas leves e esporádicas de urina até perdas iminentes e abundantes, trazendo a necessidade do uso de absorventes e até de fraldas. Muitas vezes relevada, seja por conformismo ou mesmo vergonha, pode causar impacto significativo na qualidade de vida do indivíduo, com repercussões na sua higiene e saúde.

Dermatites causadas pelo contato da urina com a pele são frequentes. Distúrbio do sono causado por idas constantes ao banheiro durante a noite favorecem o cansaço crônico, quedas em populações mais idosas e predispõe a doenças como hipertensão arterial, dentre outras.

É comum notar uma significativa redução na ingestão de líquidos em portadores de incontinência, sob o raciocínio equivocado de que produzir menos urina implica menor perda. A desidratação crônica poderá desencadear outras consequências para a saúde. Ansiedade, piora da autoestima, diminuição da atividade sexual e depressão são condições que poderão se instalar a partir de um quadro de incontinência.

Há, também, o impacto social. O afastamento de amigos e família pode ocorrer devido ao constrangimento de perda urinária em público ou a preocupação com o eventual odor de urina exalado pela roupa.

Idas e vindas a qualquer lugar ficam restritas aos locais que apresentam banheiros acessíveis no trajeto.

Mais que um problema do indivíduo, trata-se de um problema de saúde pública. Provavelmente, milhões de reais são gastos por ano no Brasil por tudo que envolve a incontinência urinária, desde a aquisição de fraldas geriátricas e medicamentos, até a realização de eventuais cirurgias para o tratamento, fato que, em janeiro de 2020, o senado brasileiro realizou uma sessão especial para discussão sobre o tema.

Existem vários tipos de incontinência urinária, dependendo dos fatores causais, sendo mais frequentes a incontinência por esforço, a incontinência por urgência, além da incontinência mista.

Na incontinência por esforço, a perda urinária ocorre quando o indivíduo ri, tosse, espirra ou caminha. Nas mulheres, a causa está relacionada, principalmente, à fraqueza dos músculos pélvicos que sustentam a uretra e a bexiga; nos homens, por outro lado, tal condição é mais comumente relacionada a problemas relacionados à próstata.

Na incontinência por urgência, ocorre uma vontade súbita de urinar em decorrência de contrações inesperadas da bexiga. O principal fator causal é o envelhecimento, embora tal quadro possa ser notado eventualmente em indivíduos jovens saudáveis.

Finalmente, o tipo misto que engloba as características dos dois tipos de perda urinária anteriormente descritas.

Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento da incontinência estão a idade, obesidade, tabagismo, ingestão excessiva de cafeína, diabetes, doenças neurológicas, dentre outros.

No caso das mulheres, o número de gestações, tipo do parto e história de cirurgia do útero são relevantes. Nos homens, frequentemente, as doenças da próstata estão associadas a perda urinária.

O tratamento deverá ser orientado por um médico urologista com avaliação histórica do quadro, exame físico e, eventualmente, alguns poucos exames e testes a fim de se diagnosticar o tipo da incontinência, sua intensidade e fator causal.

Mudanças de hábitos, fisioterapia, medicamentos e eventualmente cirurgias poderão ser indicadas, caso a caso. Com o tratamento adequado, a melhora e até a cura são observadas em mais de 80% dos casos.

Fica o conceito de que a perda urinária pode afetar (e muito) a qualidade de vida. Então, se você é portador de incontinência urinária ou conhece alguém que seja, a hora é de atitude!

No ano 1 d.C., Sêneca, filósofo romano, conselheiro de César, imperador de Roma, escreveu: “Não importa o quanto viveremos, mas a qualidade de vida que teremos”.

  • Urologista do Corpo Clínico do Biocor Instituto, Membro titular da sociedade brasileira de urologia, mestre em ciências da saúde pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, coordenador do departamento de urologia feminina da Sociedade Brasileira de Urologia, seção MG
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Comportamento Internacional política saúde

Como a Covid-19 impactou a população carcerária pelo mundo

Unicef/Josh Estey

Especialista em reforma prisional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, Philipp Meissner, revela que o grupo de mais de 11 milhões de presos é afetado, de forma desproporcional, pela pandemia; agência apoia treinamentos online sobre prevenção da pandemia, no Brasil, e outros países.

Mais de 527 mil presos em todo o mundo foram contaminados pelo vírus da Covid-19 em 47 países. Deste total, 3,8 mil perderam a vida para a doença.

Os dados são do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, que realiza o 14º Congresso sobre Prevenção do Crime e Justiça Pena, em Quioto, no Japão.

Nesta entrevista à ONU News, ele explica o porquê.

Qual é a situação dos presidiários acometidos pela pandemia ao redor do mundo?

Os sistemas carcerários com mais de 11 milhões de detidos estão sendo mais afetados que outros setores. Estima-se que mais de 527 mil presos foram infectados em 11 países. Deste total, 3,8 mil morreram em 47 nações. Com testes escassos em várias localidades e um vírus que se movimenta muito rapidamente, o número real pode ser ainda mais alto. Também é preciso pensar que por causa da interação muito próxima com os prisioneiros, os agentes de prisão, trabalhadores de saúde e outros profissionais nos presídios estão sob maior risco de contaminação. Não resta dúvida de que as prisões são ambientes de alto risco de transmissão da Covid-19 para todos que vivem e trabalham lá.

Onde os prisioneiros sofrem mais esses riscos?

O impacto é fortemente sentido pelos detidos na maioria dos países e em todos os continentes. Até mesmo os sistemas penais relativamente bem ressarcidos estão enfrentando sérios desafios na mitigação dos efeitos da pandemia nas cadeias. E essas consequências são principalmente severas em sistemas carcerários que foram sendo pressionados, superlotados, por negligência ou falta de pessoal e outros recursos. Tudo isso levou a condições precárias nas prisões, por exemplo, com saneamento e limpeza insuficientes, poucos serviços de saúde e condições de higiene.

Quais dificuldades as autoridades nacionais enfrentam no combate à Covid-19 em presídios pelo mundo?

Mesmo antes da pandemia, muitas prisões lutavam até mesmo para cobrir suas necessidades básicas e assegurar a saúde dos detidos. Estamos falando de espaço suficiente, nutrição, água potável, acesso a itens de limpeza e higiene e até mesmo de ventilação apropriada. Em muitas prisões do mundo, as pessoas não têm áreas de trabalho ou outros espaços. E o acesso a equipamento de proteção pessoal, termômetros e material de testagem de Covid-19 tornou-se um desafio.

O ambiente na prisão tornou-se tenso em muitos países o que é alimentado por ansiedade, medos e incertezas entre prisioneiros e os empregados do sistema prisional. Os motins em cadeias e outros incidentes de segurança em 50 países demonstraram a importância da comunicação, de forma transparente, sobre a Covid-19, e sempre que possível com a participação ativa dos detentos.

As medidas adotadas em muitos países resultaram, tipicamente, em mais endurecimento como a suspensão de visitas assim como a restrição ao acesso a programas de reabilitação e outras atividades construtivas fora das celas.
O fato de o detento não poder ver os familiares, os filhos, por um período longo de tempo, tem um impacto sério na saúde mental e no bem-estar dos presos incluindo mães e pais. Isto também agrava o sofrimento inerente à situação da detenção em si.

As autoridades nacionais estão dedicando atenção suficiente à situação dos prisioneiros durante esta pandemia?

O gerenciamento da prisão e os serviços são um ponto fraco na justiça penal em vários países. Os presos são um segmento da sociedade que é geralmente esquecido na hora de se formular políticas públicas e entre a opinião pública.

Mesmo que muitas jurisdições estejam chamando a atenção para o tema e feito esforços, muito precisa ser alcançado ainda para responder à situação dos prisioneiros na pandemia e mitigar os riscos da doença nas prisões. E isto deveria, claro, incluir programas de imunização.

O apoio global do Unodc no Brasil

O Unodc segue conduzindo treinamentos online sobre a prevenção da pandemia e resposta em presídios em países como Brasil, Egito, Paquistão, Peru, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e nações do sul da África, do leste da Europa e das regiões centro-asiáticas.

A entrevista completa: AQUI

Crédito: news.un.org