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A desobediência civil e o coronavírus

Por: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

O endurecimento da quarentena, decorrente da elevação do número de infectados, lotação dos hospitais e da nova cepa – mais agressiva – do coronavírus, tromba na desobediência civil. Grupos, que vão desde a alta sociedade até aos cooptados pelos esquemas criminosos, insistem em continuar se reunindo em festas ou eventos esportivos e musicais que potencializam a pandemia e relativizam a ordem oficial. Em São Paulo, noticiou-se um evento que, depois de decretada a fase vermelha, reuniu 175 pessoas no centro da cidade, outros 15 locais foram autuados por aglomeração e, além disso, quem ouviu as emissoras de rádio na madrugada ficou sabendo de denúncias dos ouvintes sobre reuniões, bailes e pancadões em diferentes pontos, tanto da capital quanto da região metropolitana e até do interior.

O mesmo ocorreu no Rio de Janeiro e em outras unidades da federação. Parece que uma significativa parcela da população ainda não se conscientizou do risco cada dia maior. Como todos os vírus, o novo corona fortalece e se torna mais letal a cada reinfecção; se não for contido, será cada dia mais perigoso e ter até o viés de levar à eliminação a espécie atacada. Na recém-identificada variante brasileira, a Covid-19 – que antes era mais perigosa a idosos e portadores de comorbidades – está levando a óbito os jovens e até as crianças.

Os governos estaduais – como titulares da Segurança Pública – precisam ter uma postura mais firme. Da mesma forma que agem com mão de ferro para obrigar prefeitos discordantes a manter em suas cidades as quarentenas, lockdowns e outras restrições, devem atuar quando a desobediência parte de extratos da sociedade. Se assim não agirem, no mínimo, perderão o respeito, o que será muito ruim. Grupos sociais (oficiais ou oficiosos), torcidas organizadas e assemelhadas e cidadãos em geral têm de ser responsabilizados civil e penalmente por suas transgressões, principalmente quando se aglomeram para divertimento. Sua diversão pode levar à morte e, por isso, tem de se contida.

Os governos e seus prepostos têm a obrigação de conter os recalcitrantes com o mesmo rigor que já vimos atuar em relação a comerciantes que foram impedidos de trabalhar, não tiveram o direito ao contraditório e, na insistência, chegaram a ser abordados coercitivamente. Não defendemos o emprego da força, que sempre deve ser o último recurso. Mas é preciso convencer a população de que o recolhimento e cuidados profiláticos são necessários para evitar o alongamento da pandemia, o sofrimento e as mortes por ela causadas.

E, além das medidas restritivas, todos os níveis de governo – federal, estadual e municipal – têm o dever de agir para ofertar as vagas hospitalares e o atendimento ambulatorial adequados ao enfrentamento do mal e fazer todo o esforço possível para adiantar a vacinação do povo, já que a vacina é tida como a única solução. Que venham todas as vacinas, pouco importando de que pais venham desde que testadas e aprovadas por órgãos próprios. Os empresários também devem ser autorizados a adquirir as doses, mesmo que obrigados a respeitar os grupos prioritários de aplicação. Sem vencer a pandemia, o país não voltará à normalidade e todos nós continuaremos sofrendo os diferentes impactos, desde o desconforto das quarentenas, a retração econômica (que provoca a fome dos vulneráveis) até a dor da perda de familiares e amigos.

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HOJE: O que você fez para melhorar a vida de outra pessoa?

 O mais estranho de tudo isso é que alguns humanos se acham muito melhores do que de fato são

Por Adriana Santos (jornalista e especialista em Comunicação e Saúde)

Hoje, aqui em Belo Horizonte, o tempo é cinza… Os trovões indicam que pode chover a qualquer momento. As ruas estão vazias. A maioria das pessoas está em casa. O domingo está chato demais da conta. Muitas famílias não estão completas. Falta café no bule.  Falta alegria em torno de uma mesa farta de macarronada. Falta paz. Falta tolerância. Falta música. Falta tanta coisa boa… Inclusive, falta clareza mental para agradecer por tudo e por todos.

O planeta passa por transformações profundas, antes mesmo do surgimento da pandemia COVID. O vírus é só mais uma sinalização que precisamos ter cosmovisão e abandonar as ilusões. O Antropocentrismo já não faz nenhum sentido civilizatório. Fazemos parte de um projeto maior de humanidade. Por isso, no atual momento, não podemos jamais nos esquecer: a vida se comporta em redes. O sucesso de um depende do esforço do outro. O fracasso de muitos depende do sucesso de poucos. A evolução humana depende da união de todos.

No entanto, nós não acordamos ainda com relação às armadilhas de um ego demasiadamente humano e de uma posição arrogante em relação às necessidades do outro. Infelizmente, muitos ainda dormem, enquanto alguns estão cansados de tantas injustiças e poucos colocam a mão na massa em prol da nossa civilização humana. Nesse sentido, nada faz tanto sentido do que uma vida que não tem sentido nenhum. Aí surgem as velhas perguntas: Por que estamos aqui? De onde viemos? Para onde vamos?

Algumas novas perguntas surgem para nos causar ainda mais desconforto: Estamos sozinhos no universo? A ciência é capaz de responder todas as nossas perguntas? Os fins dos tempos estão chegando?  Qual a minha missão de vida? Sim, a quarentena está sendo uma oportunidade de lançar novos questionamentos existenciais.

No entanto, ainda não nos conscientizamos sobre a importância de uma evolução civilizatória ética. A ganância ainda dita as “regras do jogo”. As desigualdades sociais são cada vez mais evidentes no nosso Continente, mas isso nos importa pouco. A miséria é ainda a grande aposta dos impérios econômicos espalhados no mundo, mas acreditamos que não podemos fazer nada para reverter essa situação. A corrupção é endêmica no Brasil e achamos isso cultural. As relações de trabalho são, geralmente, abusivas e discriminatórias. Os idosos são discriminados no mercado de trabalho, principalmente as mulheres mais velhas. As brasileiras ainda ocupam poucos cargos de chefia e muitas são assediadas moralmente ou sexualmente pelos ditos “superiores”. Ainda temos poucas mulheres na política e na ciência. A política deixou se ser uma ciência para se transformar em um reduto de homens habilidosos na arte de enganar a população. A Justiça está cada vez mais cega. A imprensa é movida por interesses econômicos. Jornalistas independentes são vistos como ameaças a soberania nacional. Os jovens encontram nas drogas a única forma de enxergar uma nova realidade…

O mais estranho de tudo isso é que alguns humanos se acham muito melhores do que de fato são.

Para finalizar: Qual a sua missão de vida? O que você tem feito para melhorar o planeta Terra? O que você tem feito para melhorar a vida de outra pessoa? Com o objetivo de colaborar um pouco, listei algumas dicas para iluminar suas reflexões:

  • Escreva em um caderno as boas ações do dia ou o que você fez para melhorar a vida de outra pessoa. Ex: reservei um pedaço de bolo para o porteiro do seu prédio; preparei um almoço especial para o meu marido; lavei as roupas da minha mulher; elogiei o meu colega de trabalho; ajudei o meu amigo(a) a encontrar um novo trabalho; fiz as compras do mês para os meus vizinhos que já são idosos; telefonei para o meu um amigo que enfrenta a depressão; orei pelo bem da humanidade; fiz uma doação anônima para alguma instituição social; comprei um brinquedo lindo para uma criança em situação de rua…;
  • Medite durante 30 (trinta) minutos todos os dias. No Youtube,  é possível encontrar várias boas meditações guiadas. Gosto muito das meditações da Louise Hay; 
  • Escolha um dia da semana para escrever uma carta de agradecimento para uma pessoa amada (filho, marido, esposa, primos, irmãos. colegas de trabalho, avós…). Se possível, envie a cartinha (correio, WhasApp, e-mail…);
  • Ouça músicas clássicas e anote as emoções que surgiram durante a experiência;
  • Faça caminhadas (pelo menos 30 minutos)
  • Antes de dormir, agradeça a oportunidade de fazer diferença no mundo.
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Mulher: uma conquista a cada dia

Por: Emília de Castro Belo, administradora de empresa, sócia- Fundadora da Aspen Investimentos

Entrada no mercado de trabalho, independência financeira, direito político, liberdade sexual. Essas são algumas conquistas da mulher moderna. Mas será que isso basta? Acho que não, pois essas vitórias e os obstáculos do dia a dia parecem andar juntinhos, como por exemplo, conciliar a vida profissional com a familiar e ainda priorizar as atividades profissionais; desempenhar plenamente os papéis, como o de mãe, profissional, dona de casa e ainda ser uma esposa exemplar; e etc.

Vale dizer que tudo começou no dia 28 de fevereiro de 1909, nos Estados Unidos, quando mulheres foram para as ruas para reivindicar por seus direitos. Já naquela época, havia muitas denúncias de más condições de trabalho em fábricas formadas essencialmente pelo sexo feminino. Era nítido, que os privilegiados que tinham melhores condições, eram os homens, com cargo de chefia.

Com as reivindicações do Movimento Feminista, especialmente a partir da década de sessenta do século XX, as mulheres conseguiram inúmeras conquistas, ou seja, mesmo não evitando a desigualdade entre os sexos, diminuíram consideravelmente as diferenças.

As profissões importantes e de prestígio, à época, eram muito menos associadas a nomes femininos do que são atualmente. Com acesso negado aos estudos e ambientes intelectuais durante séculos, a primeira mulher a alcançar um diploma de ensino superior o conquistou estudando sozinha, e não dentro das salas de aula. A heroína foi a filósofa italiana Elena Lucrezia Piscopia Cornaro, que reclamou este direito acredite, apenas em 1678.

Foi apenas no início do Século XX que as mulheres de classe média começaram a atuar nas empresas, preenchendo funções de auxiliar, como secretárias. Aos poucos, elas foram ganhando espaço no mercado de trabalho, bem como sua inserção na política. Além disso, as mudanças na economia, a globalização e o capitalismo, trouxeram como consequência a busca pelo aumento da renda familiar, favorecendo o crescimento das mulheres dentro das empresas.

Diante do atual cenário, mediante o surgimento da pandemia em decorrência do novo coronavírus, a vida de muitas mulheres virou pelo avesso. De acordo com a pesquisa Mulheres na pandemia, realizada pela Gênero e Número, 50% das mulheres no Brasil passaram a ser cuidadoras de alguma pessoa, sendo que 16% delas foram prejudicadas em suas finanças por conta desse fato.

Mas no Dia Internacional da Mulher, que se comemora no dia 8 de março, temos também que destacar as coisas boas: direito de expressão, direito ao voto, direito de escolher ter ou não filho, direito de tomar as próprias decisões. O resultado desse mix positivo foram as transformações ideológicas e psicológicas nas novas gerações.

A mulher tem a capacidade de sempre encontrar equilíbrio entre a sua carreira e a vida familiar. Ela sabe dividir e diferenciar o que é trabalho e o que é lazer encontrando uma nova forma de viver bem na sociedade. Que assim seja!