Categoria "adolescente"
19 maio 2021

Edital seleciona instituição para desenvolver Observatório da Criança

Arquivo Agência Brasil

Por Agência Brasil – Brasília. Estão abertas até 30 de maio as inscrições para um edital que vai possibilitar a criação do Observatório da Criança e do Adolescente. A iniciativa tem o objetivo de reunir ações direcionadas à proteção e prevenção de crimes contra esse público, especialmente aqueles de cunho sexual. Coordenada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a ação terá investimento de R$ 2,6 milhões.

Os interessados em participar do processo seletivo deverão apresentar proposta à Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do ministério e ao PNUD pelo e-mail cptdca@mdh.gov.br, até às 23h59 do dia 30 de maio de 2021. É possível acessar os detalhes do edital pelos sites do ministério e do PNUD.

Serão consideradas elegíveis no processo seletivo instituições públicas como centros de pesquisa, fundações, institutos e universidades, que devem ter experiência no desenvolvimento de metodologias, estudos e pesquisas, bem como na implantação de projetos em áreas temáticas relacionadas ao edital. O contrato com a instituição vencedora terá duração de nove meses, podendo ser firmado em todo o território nacional.

Edição: Graça Adjuto

06 abr 2021

Tratamento a base do riso durante a pandemia

Divulgação

Ouvir, brincar, fazer sorrir, mas também despertar o que faz viver, ressignificar situações e levar um olhar mais amplo da saúde para hospitais, unidades de acolhimento e instituições de longa permanência para idosos, além, é claro, de quem está em casa vivenciando o distanciamento social. É isso que o Instituto Hahaha, uma organização sociocultural de Belo Horizonte, tem realizado com o objetivo de promover mais saúde por meio do riso para crianças, adolescentes, adultos, idosos, seus familiares, profissionais de saúde e corpo técnico, que estão na linha de frente do atendimento durante a pandemia.

Foi preciso improvisar diante dos limites impostos pela Covid-19, mas na arte da palhaçaria a improvisação é um elemento fundamental. Desde 2020, as ações da organização, que antes eram realizadas presencialmente assumiram formatos virtuais por meio de teleconsultas, Plantão Hahaha e vídeos semanais no canal do Youtube. As ferramentas digitais tornaram-se aliadas na conexão do riso com o outro.

“Ressaltamos o nosso compromisso de minimizar os efeitos do distanciamento social e encontrar sempre modos de estar perto sem ser fisicamente, de provocar um sorriso, de se conectar, de valorizar o encontro, o olhar e a escuta. E é muito bom ver que mesmo à distância, as pessoas continuam rindo com a gente”, enfatiza a co-fundadora do Instituto Hahaha, Gyuliana Duarte.

Os atendimentos virtuais estão à disposição do público semanalmente no Plantão Hahaha. No dia mundial da saúde, nesta quarta-feira (7/04), tem palhaço de plantão de 9h às 17h. Para participar, basta enviar uma mensagem para o WhatsApp (31) 97350-0011 e agendar este encontro. Cada teleconsulta realizada por meio das janelas virtuais que se abrem é uma passagem para o mundo de alguém. E esse mundo é transformado no universo da ludicidade da palhaçaria.

Com jaleco branco e nariz vermelho, palhaços fingem que são médicos, e pacientes fingem que acreditam. Nesse faz de conta, o tratamento à base do riso acontece por meio de teleconsultas. Entre os espaços atendidos em 2021 estão: Hospital das Clínicas-UFMG, Santa Casa BH, Hospital da Baleia, Hospital João Paulo II – Rede Fhemig, Hospital João XXIII – Rede Fhemig – BH, Hospital Márcio Cunha (FSFX), em Ipatinga, Hospital Paulo de Tarso, Instituto Geriátrico Afonso Pena – IGAP, Casa dos Pequenos (Associação Irmão Sol), Casa do Caminho (Associação Caminhos para Jesus), Lar Irmã Veneranda.

Sobre a organização

O Instituto Hahaha é uma organização sociocultural da sociedade civil (OSC), que promove a arte da palhaçaria profissional em espaços de saúde e ambientes vulneráveis. Criado em 2012 em Belo Horizonte, já alcançou diretamente mais de 826.236 mil pessoas desde sua fundação. O trabalho realizado durante todo o ano é gratuito. As ações são executadas por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e do Fundo Municipal do Idoso, com o patrocínio da Drogaria Araujo, Vale, Cemig, Usiminas, Vaccinar, ArcelorMittal, Havan, Abbott, Mater Dei, Hypofarma, Viena Siderúrgica, Cedro, Biohosp, Grupo Emalto, Uber, Supermix, Magotteaux Brasil, Dufrio, Loja elétrica, Thermotelha e ThermJet, e apoio de Lyon Engenharia, Instituto Usiminas e Fundação São Francisco Xavier, com realização da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal, Pátria Amada Brasil.

CONHEÇA MAIS:

Consulta da Lara com Dr. Mulambo: AQUI

www.institutohahaha.org.br

30 mar 2021

Pandemia pode intensificar ainda mais a subnotificação de casos de catapora no Brasil

As Américas continuam sendo a região com o maior número de casos da Covid-19 e concentram mais metade de todas as mortes no mundo. A pandemia sobrecarrega o sistema de saúde dos países americanos e afeta, até mesmo, o calendário de vacinação das crianças nas regiões mais pobres do continente.

Numa entrevista à ONU News (8/10/2020), de Washington, o vice-diretor-geral da Opas, Jarbas Barbosa, afirmou que a pandemia da Covid-19 causou uma interrupção grave nas campanhas de imunização, o que coloca a saúde das crianças em em risco.

“A pandemia afetou também alguns serviços essenciais de saúde pública como os serviços de imunização. Metade dos países da América Latina informam que os serviços de imunização durante os picos de transmissão da Covid-19 tiveram que ser suspensos total ou parcialmente. Isso é muito perigoso para a nossa região porque milhões de crianças estão deixando de se vacinar.”

A varicela ou catapora lidera o ranking das doenças infantis mais comuns. No entanto, a vacina proporciona a redução significativa de novos casos da doença entre os brasileiros. Mas isso não significa que devemos baixar a guarda. Pelo contrário, no momento atual devemos reunir forças e zelar pela saúde das crianças. Muitas delas sofrem com a alimentação inadequada, a escassez de leitos hospitalares por conta da pandemia, a falta de recursos financeiros, o desemprego dos pais e a limitação do convívio social.

“A vacina não conseguiu erradicar a catapora, mas atualmente, a doença é bem mais controlada do que antigamente. No entanto, a vacinação é fundamental, pois preserva não só a pessoa contra as doenças, mas todos que estão ao redor, incluindo aquelas pessoas que não podem vacinar, como as com sistemas imunológicos debilitados e mulheres grávidas. Existem indivíduos que mesmo vacinados, podem ser infectados, mas será uma versão geralmente mais suave, com menos bolhas e pouca ou nenhuma febre”, esclarece Diogo Umann, médico clínico geral e diretor da iMEDato.

A Catapora (varicela) é uma doença infecciosa, altamente contagiosa, mas geralmente benigna, causada pelo vírus Varicela-Zoster, que se manifesta com maior frequência em crianças e com incidência no fim do inverno e início da primavera .

No Brasil, não há dados confiáveis sobre a incidência de varicela, uma vez que somente os casos mais graves que exigem internação, além das mortes, são de notificação compulsória em alguns estados. A estimativa, segundo o site do Ministério da Saúde, é de cerca de 3 milhões de casos ao ano (criança e adultos). Os dados mais recentes de varicela (catapora) é de 2017.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil no período entre 2012 a 2017 foram notificados 602.136 casos de varicela no Brasil, a região sul notificou o maior número com 199.057 (33 %) dos casos, seguindo a região sudeste com 189.249 (31,4%), enquanto a região norte notificou apenas 40.325 (6,6%). (Tabela 1). Em 2013, destaca-se o ano com o maior registro de casos de varicela, com 197.628 (32,8%) casos, e em 2017 o menor número de registros, com 11220 (1,8%) casos, sendo dados parciais. A média de casos notificados neste período foi de 100.356 casos.

Com o agravamento da pandemia, o levantamento de dados sobre a catapora em todas as regiões do Brasil fica ainda mais difícil. As consequências são muitas:  falta de planejamento de campanhas eficientes de promoção da saúde infantil; ausência de controle social; redução na melhora dos índices de saúde e diminuição de recursos financeiros para a erradicação da doença no nosso país.

No estado de Minas Gerais já foram registrados vários surtos de catapora, antes de 2014, quando a vacinação foi contemplada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a médica infectologista pediátrica e diretora de Comunicação da Sociedade Mineira de Pediatria, Gabriela Araújo Costa : ” em Minas Gerais, nós não temos dados publicados da Secretaria de Estado de Saúde consolidando a notificações de varicela, recentemente. Os dados que nós temos estão relacionados ao período de 2017, considerando toda região sudeste”.

Em Belo Horizonte, os dados publicados são ainda mais antigos: 2014. O último levantamento mostra cerca de 1.300 casos. Em 2010, foram cerca de 6 mil casos notificados. Isso significa que não sabemos como está a real situação, em especial a partir de 2020, com o surgimento da pandemia coronavírus.

A subnotificação da catapora ainda é real e intensificada pelo MITO que a catapora é uma doença do bem. No imaginário popular, isso significa: toda criança precisa ter catapora; toda catapora é benigna e criança que é criança tem catapora”. Só que não é bem assim.  A varicela ou catapora pode evoluir para um quando mais crítico.

A  diretora de Comunicação da Sociedade Mineira de Pediatria, Gabriela Araújo Costa, explica que, antigamente, algumas mães, por falta de informação correta, levava os próprios filhos para a casa de pessoas que estavam infectadas pelo vírus da catapora. O objetivo era que as crianças ficassem livres de uma vez da doença .

“A catapora não pode ser considerada uma doença do bem. A catapora é uma doença que a maior parte das vezes vai evoluir de forma benigna, ou seja, as crianças não vão ter muitas complicações. Mas em alguns casos, a criança pode ter, a partir das lesões iniciais de catapora, infecção na pele que pode ficar grave, pode generalizar. A catapora de forma mais rara pode provocar pneumonia, complicações neurológicas (encefalites e alterações de equilíbrio) e, algumas vezes, dependendo da condição de base da criança, como, por exemplo, se ela tiver outras doenças, se for desnutrida ou se ela for muito novinha, a catapora pode, inclusive, levar essa criança ao óbito”.

“A catapora era uma das enfermidades mais comuns da infância antes do advento da vacina, mas continua sendo facilmente transmitida por via aérea da pessoa infectada, através da tosse e de espirros. A catapora é contagiosa desde o primeiro e segundo dia antes do aparecimento das manchas na pele. Assim, a criança que está infectada, como ainda não manifesta sintomas, tende a estar em contato com outras pessoas e crianças também, propagando o vírus rapidamente. Quando as manchas vermelhas começarem a aparecer, o paciente continua infectando por cerca de cinco a seis dias até que todas as bolhas tenham formado cascas”, esclarece Diogo Umann, médico clínico geral e diretor da iMEDato.

Os cuidados de higiene são muito importantes e devem ser feitos apenas com água e sabão. Para diminuir a coceira, o ideal é fazer compressa de água fria.

“Não existe um tratamento específico para a catapora. São usados alguns medicamentos que podem aliviar os sintomas de febre, como a dipirona e o paracetamol ou pomadas e gel à base de calamina para aliviar o incômodo da coceira. O médico também pode receitar o uso de antissépticos e sabonetes à base de triclosano”, informa o médico Diogo Umann.

Outros cuidados importantes: lavar sempre as mãos, após tocar as lesões; as crianças devem evitar o contato com outras crianças; os objetos pessoais das crianças devem ser higienizados com frequência.

Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunização (PNI), oferece, desde setembro de 2013, em toda a rede pública de saúde, a vacina varicela (catapora) incluída na tetra viral, que também protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A  vacina faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e é ofertada para crianças de 15 meses de idade que já tenham recebido a primeira dose da vacina tríplice viral.

A vacina tetra viral é segura – tem 97% de eficácia e raramente causa reações alérgicas. A vacina evita complicações, casos graves com internação e possível morte, além da prevenção, controle e eliminação das doenças: sarampo, caxumba e rubéola.

Em 2020, foi adicionado ao calendário do SUS de vacina varicela contra a catapora, quando a criança atinge 4 anos de idade.

Na rede particular de saúde, o preço médio da vacinação, segundo a Sociedade Mineira de Pediatria, é de 150 reais cada dose.

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