Categoria "Alimentação e Nutrição"
17 nov 2020

A obesidade é um fator de risco para câncer da próstata

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Por: Daniel Xavier Lima, médico Urologista e coordenador da urologia do corpo clínico do Biocor Instituto

O câncer da próstata é o segundo mais frequente entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. A a importância do diagnóstico precoce já está bem estabelecida na sociedade, tanto pela frequência com a qual a doença ocorre, quanto pelas campanhas de conscientização. O Novembro Azul, que tem lugar de destaque dentre essas campanhas em todo o mundo, objetiva renovar essa consciência e eliminar o preconceito contra a realização dos exames de rastreamento, especialmente o exame de toque retal.

Estima-se que de todos os homens vivos hoje, em torno de 1 em cada 7 (15%) apresentarão a doença em algum momento e aproximadamente 1 em cada 38 (2,6%) irão falecer em decorrência dela. Em todo o mundo, a partir da década de 1990, momento em que o exame de sangue com a dosagem do PSA (antígeno prostático específico) passou a ser feito de forma rotineira, ocorreu uma queda significativa na mortalidade. Embora existam algumas controvérsias a respeito da necessidade de se rastrear todos os homens, devido à possibilidade de serem diagnosticados tumores indolentes, que não causariam a morte do paciente, a seleção dos pacientes que precisam ser tratados a partir dos dados do diagnóstico inegavelmente traz benefícios para o controle da doença e reduz a mortalidade.

Sabe-se que o rastreamento do câncer da próstata encontrou uma resistência a partir de resultados conflitantes da literatura na década passada, havendo uma redução da sua realização em vários locais do mundo, especialmente nos EUA. Lamentavelmente, observou-se um aumento do número dos casos de câncer da próstata metastático (quando já há disseminação para outras partes do corpo e não há possibilidades de cura) nesses últimos anos, especialmente nos pacientes de cor negra, que apresentam maior incidência da doença.

Embora o rastreamento do câncer da próstata permita um diagnóstico precoce e um tratamento mais eficaz, ele não impede que a doença venha a se estabelecer. Essa é uma questão crucial quando é discutido o termo “prevenção” contra o tumor prostático. Sabemos que os fatores de risco envolvem questões genéticas, para as quais ainda não podemos agir, além de fatores relacionados aos hábitos, que podem ser modulados.

Dentre esses fatores de risco, a obesidade é uma situação que tem trazido discussões. Sendo uma ocorrência comum em homens de meia-idade, quando o câncer da próstata também é bastante frequente, a gordura corporal em excesso é comprovadamente relacionada ao maior risco de câncer colorretal e de mama, dentre outros. Acredita-se que dos tipos de câncer associados à obesidade, cerca de ¼ deles poderiam ter sido evitados se a prevalência de pessoas obesas no mundo não tivesse dobrado desde 1980.

Grandes estudos prospectivos correlacionaram a obesidade com maior risco de câncer de próstata mais agressivo. Também foi encontrada maior mortalidade nos pacientes obesos tratados com radioterapia e cirurgia. Fatores hormonais podem estar implicados, além de dificuldades técnicas para o tratamento. Em estudos experimentais com modelos de câncer da próstata em camundongos, também se observa crescimento acelerado do tumor nas situações em que a obesidade está presente.

Curisosamente, a obesidade reduz os valores séricos do PSA, provavelmente por efeito dilucional, reduzindo então a possibilidade do exame se mostrar alterado nas fases iniciais do câncer da próstata. Pelas mudanças das dimensões corporais, o exame do toque retal também pode se mostrar prejudicado. Esses podem ser outros fatores que resultam nos piores resultados do tratamento desse tumor nos pacientes obesos.

Somando-se a essas evidências, há também correlação entre a ingestão elevada de gordura animal e o risco do câncer de próstata. Esses fatos corroboram a recomendação universal de que a adoção de hábitos de vida saudáveis, a prática de atividade físicas e a alimentação saudável são armas fundamentais para a verdadeira prevenção dos tumores malignos. No caso do câncer da próstata, recomenda-se também a visita periódica ao urologista, que da mesma forma é uma medida de manutenção da saúde.

30 dez 2019

Oleaginosas: faça do consumo das famosas sementes de fim de ano um hábito para a vida!

Crédito: Freepik

As festas de fim de ano são marcadas pela união da família. Dezembro é o mês de confraternização e mesa farta de delícias irresistíveis. É aí que mora o perigo!  As refeições são repletas de alimentos que podem contribuir com o ganho de quilinhos indesejados, mas nem tudo está perdido. A boa notícia é que a ceia é uma boa oportunidade de consumir alimentos saudáveis, que muitas vezes são esquecidos durante o ano, como as incríveis oleaginosas: nozes, castanhas, avelãs, entre outras.

De acordo com o médico nutrólogo Guilherme Ferreira Mattos, as oleaginosas podem trazer vários benefícios para a saúde e esse período pode ser um pontapé inicial para incluí-las na rotina alimentar.  “Elas são ricas em fibras, gorduras boas, vitaminas e minerais. Também são versáteis e podem ser incluídas em receitas típicas de fim de ano, além no preparo de saladas, bolos, pães e biscoitos”, informa o especialista.

No entanto, segundo Mattos, é importante o bom senso e a quantidade ideal: “a melhor maneira de consumi-las é na versão in natura. As sementes sem sal são mais indicadas pelo teor reduzido de sódio. Infelizmente a maioria das pessoas já faz uma ingestão significativa de sal durante o dia, portanto, nada de exageros”.

Castanha do Pará é rica de selênio, um importante mineral que atua na inativação dos radicais livres; ativa os hormônios da tireoide; contribui para a desintoxicação do organismo e fortalece o sistema imunológico. Com isso, é uma forte aliada no combate aos efeitos do envelhecimento. O ideal é consumir duas unidades por dia. No entanto, uma ingestão de selênio acima do limite pode resultar em uma quantidade excessiva desse mineral no sangue, o que leva à condição tóxica chamada selenose.

Nozes:  são oleaginosas protetoras do cérebro devido ao teor de ômega 3. Elas evitam que os radicais livres ataquem os neurônios e previnem o envelhecimento cerebral. “Já existem evidências de que o consumo regular reduz o risco de doenças como Alzheimer e Parkinson, além de melhorar a memória. Entre as oleaginosas, é a que possui maior teor de vitamina E, importante para proteger os vasos sanguíneos e controlar a pressão arterial. O seu consumo é de quatro unidades por dia”, informa o nutrólogo.

Amêndoas:  apresentam baixo teor glicêmico, por isso, são menos calóricas e uma boa opção para quem procura controlar a quantidade de calorias consumidas, numa dieta mais restrita. Além disso, ajudam a controlar a saciedade. “Elas têm antioxidantes, gorduras monoinsaturadas, vitaminas E, B1 e minerais. É um alimento que protege o coração de doenças cardiovasculares e a recomendação é de até quatro unidades diárias”.

Avelã: é excelente no auxílio à redução do colesterol ruim (LDL) e elevação dos níveis do colesterol bom (HDL). “A avelã fornece o dobro das gorduras monoinsaturadas das castanhas de caju. Os benefícios já são obtidos com o consumo de cerca de 10 unidades diárias, mais ou menos, uma colher de sopa”.

Castanha de caju, por conter zinco em sua composição, é fundamental para prevenir casos de anemia. As gorduras poli-insaturadas dessa oleaginosa também ajudam a reduzir os níveis de LDL (colesterol ruim) e elevam as taxas de HDL (colesterol bom). “Ela contém o aminoácido arginina, que melhora o desempenho durante a prática de atividades físicas e a capacidade de recuperação no período pós-treino. Consumindo uma colher de sopa da castanha de caju já é possível obter 23% das necessidades diárias de zinco.”

Como as porções são relativamente pequenas, o médico explica que as oleaginosas podem compor os lanches entre as principais refeições.

02 dez 2019

Unicef: mortalidade infantil tem redução histórica no Brasil

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Por Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil São Paulo – com edição. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)  produziu um relatório que confere ao Brasil reconhecimento por ter melhorado, ao longo dos anos, índices como o da mortalidade, do trabalho infantil, além da exclusão escolar.

Conforme o Unicef, de 1990 a 2017 registrou-se “redução histórica” no total de mortes de crianças menores de um ano de idade. No período, a taxa nacional caiu de 47,1 para 13,4 a cada 1 mil nascidos vivos. Além disso, entre 1996 e 2017, 827 mil vidas foram salvas.

A queda nos índices de cobertura vacinal, adverte o Unicef, tem sido porta de entrada para doenças que eram, até recentemente, consideradas erradicadas, como o sarampo. “Em 2016, a mortalidade infantil subiu pela primeira vez em mais de 20 anos e ainda não voltou aos patamares de 2015, acendendo um sinal de alerta. No total, 42 mil crianças menores de 5 anos ainda morrem por ano no Brasil”, informa o fundo da ONU no relatório.

A representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, afirma que o país deve consolidar os avanços já conquistados até agora, voltando a atenção para a primeira infância e a adolescência. “Os indicadores, em sua maioria, são piores no Nordeste e no Norte do país. E piores entre as populações indígena, parda e negra”, diz.

Florence exemplifica seu argumento comentando que não basta manter escolas, mas também garantir que todos possam chegar a elas, em especial as crianças em situação de vulnerabilidade social. “Por isso é que é preciso que as políticas, mais do que nunca, tenham um enfoque de equidade, não sendo suficiente dar as mesmas oportunidades para todos. O que a gente precisa é de políticas que permitam que qualquer criança e adolescente tenha acesso a essas mesmas oportunidades. Por exemplo, não é suficiente que uma escola exista, porque tem uma parte da população que tem que ir atrás, não vai ter oportunidade de chegar.”

A mandatária comenta que a contribuição da convenção consiste em fortalecer a noção de que os direitos das crianças e dos adolescentes são “inegociáveis e indissociáveis”. Única instituição citada nominalmente no tratado, o Unicef, relata Florence, tem conclamado os presidentes dos países signatários a “reafirmar o compromisso” com os princípios ali colocados.

Índice de violência

A alta incidência de homicídios de adolescentes é outro ponto abordado no documento. O Unicef destaca que, entre 1990 e 2007, o total de ocorrências dessa natureza mais do que dobrou.

“De 1996 a 2017, 191 mil crianças e adolescentes de 10 a 19 anos foram vítimas de homicídio”, informam os autores do relatório, acrescentando que, a cada dia, em média, 32 meninas e meninos nessa faixa de idade são assassinados.

Nos municípios paulistas, somente na década encerrada em 2017, destaca o documento do Unicef, 8.200 crianças e jovens nessa faixa etária foram assassinados. A taxa chegou a ser de 9,7 homicídios por 100 mil habitantes, há dois anos.

Imigrantes e saúde mental

Para o Unicef, outro ponto que deve integrar a agenda das autoridades preocupadas com a garantia dos direitos de crianças e adolescentes refere-se à acolhida de refugiados. Dos cerca de 200 mil venezuelanos que ingressaram no país até julho, 30% eram menores de idade.

O tema suicídio também figura no relatório do Unicef como uma das questões contemporâneas que requerem atenção. “Nos últimos 10 anos, os suicídios de crianças e adolescentes vêm aumentando no Brasil. Eles passaram de 714, em 2007, para 1.047, em 2017.

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