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Por que o Brasil ainda ignora a função do “agente secreto”?

Alguns jovens sonham em algum dia trabalhar como um agente secreto, prontos para combater o crime, defender as belas mocinhas e viver um sonho americano. O cinema, os documentários, as séries de televisão e a galera da internet (em especial os ligados em assuntos conspiratórios) são os principais responsáveis por criar um cenário fantasioso em torno de um profissional que trabalha em missões secretas.

Geralmente, os agentes são vistos como homens elegantes, sempre de óculos escuros e vestidos de preto, habilidosos, munidos de ferramentas tecnológicas de última geração e rodeados de lindas mulheres indefesas.

No entanto, a figura do agente secreto no Brasil é uma coisa completamente fora da nossa realidade, inclusive o país ainda não tem uma legislação específica – com normas bem definidas sobre o papel do profissional que trabalha em missões de alto risco. O que aproxima mais é o Agente Federal que realiza infiltrações em organizações criminosas. A legislação brasileira que prevê isso é muito muito recente, e está no “pacote anticrime” aprovado em 2019.

Entrevistei Luís Antônio de Araújo Boudens, agente de Polícia Federal, natural de Nanuque, Minas Gerais, sobre a importância do serviço de inteligência das polícias; da necessidade de compartilhar informações; do trabalho integrado e dos riscos enfrentados pelos profissionais que trabalham em missões secretas, inclusive em investigações para o enfrentamento do terrorismo e das guerras cibernéticas.

Boudens é pós-graduado em direito público, especialista em segurança pública pela Academia Nacional de Polícia. São mais de 14 anos de experiência só na área de inteligência da Polícia Federal. Foi vice-presidente do Sindicato dos Policiais Federais em Minas Gerais (Sinpef/MG) e da Federação Nacional dos Policiais Federais. Trabalhou como diretor parlamentar e diretor de esportes em duas gestões da Associação dos Servidores da PF em Minas Gerais (Ansef/BH).

Atualmente, é presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef – triênio 2019-2021) e vice-presidente da OIP (Organização Internacional de Entidades Representativas de Policiais de Língua Portuguesa).

Adriana Santos: Qual a importância do trabalho de inteligência das polícias no Brasil, em especial em um período de incertezas políticas, econômicas e sociais?

Antônio Boudens: A área de inteligência é uma das colunas fortes do trabalho policial. Os setores vivem conforme a dinâmica diária de coleta, alimentação e processamento de informações das mais diversas fontes. Basicamente, e fugindo das classificações técnicas e doutrinárias, é a inteligência estratégica e a inteligência policial em sentido estrito. Os resultados são sempre voltados para a elucidação de fatos criminosos, notadamente com apontamento de autoria e/ou materialidade, registrados em relatório próprio. Muitas informações checadas e processadas servem para fomentar decisões de Estado e não chegam a compor relatórios de investigação policial que integram os inquéritos policiais.

Qual a principal função de um agente?

Um Agente Federal é responsável por diversas atividades da Polícia Federal, desde as investigações de campo e análises de inteligência até a pilotagem de aeronaves, passando pelas fiscalizações das áreas ambientais, de controle de produtos químicos, de controle migratório, de polícia de soberania (portos, aeroportos e fronteiras), de empresas e profissionais da segurança privada. Tudo isso sem falar da atuação nos grupos especiais, como GPIs (grupos de pronta intervenção), CAOP (operações aéreas) e COT (comando de operações táticas), e na área de polícia judiciária, onde são cumpridas as ordens emanadas pelo Poder Judiciário e as eventuais requisições do ministério público.

Nas investigações criminais é dele o relatório ou os relatórios que trazem as análises das informações obtidas durante o curso das investigações em campo ou através de técnicas de investigação diversas (pedofilia, crimes cibernéticos, etc.).

No Brasil, o trabalho de inteligência policial é integrada e bem estruturada para desvendar casos que possam ameaçar a nossa soberania?

Infelizmente o Brasil não consegue adotar uma integração plena entre suas forças policiais. Com isso a criminalidade ocupa grandes espaços onde o Estado não consegue atuar de forma plena. Muitos são os fatores. Um dos principais é a falta de sistemas integrados de informação (bancos de dados), onde todos possam alimentar e ter acesso, ao mesmo tempo. Outra questão é a falta do que chamamos Ciclo Completo de Polícia, o que significa termos polícias trabalhando nos estados brasileiros de forma separada, uma na prevenção e outra na investigação. Isso causa perda de informações e altos custos para o estado, além de obrigar uma polícia (polícia militar) a apresentar o resultado do seu trabalho (um flagrante, por exemplo) a outra polícia (polícia civil), que só depois irá iniciar uma investigação, a depender da demanda e do efetivo disponível.

Quais as nossas melhores habilidades com relação ao trabalho de inteligência policial no Brasil?

Com base em esforços individuais de policiais e iniciativas esporádicas e isoladas, houve pequena evolução nos sistemas de interceptações de sinais (telemática) e nas investigações de crimes cibernéticos e pedofilia. Mas tudo muito aquém do que a demanda exige. As organizações criminosas adotaram o formato empresarial para se estabelecerem e crescerem, com divisão de tarefas e obrigações cotidianas, serviços de contabilidade, segurança e advocacia, todas com áreas de inteligência funcionando como setores validação dos planejamentos e execuções de ações criminosas. Em suma, o policial brasileiro continua sendo a melhor fonte de habilidades no setor de segurança pública.

Quais as nossas maiores carências operacionais: capacitação de novos profissionais ou acesso aos artefatos tecnológicos mais avançados?

Nossa maior carência está, por incrível que pareça, na gestão da segurança pública. O Brasil optou pela manutenção de um sistema antigo, criado ainda na época do Império, onde há polícias divididas nos estados (ou “meias-polícias”) e policias investigativas chefiadas por profissionais formados em Direito e, não, em Segurança Pública ou Gestão da Segurança Pública. Mais policiais ou mais equipamentos seria como equipar uma carroça (como o ultrapassado inquérito policial) ao invés de comprar um carro ultramoderno, com motor potente e todos os acessórios. Ainda que seja colocado nela um painel eletrônico ou computador de bordo, uma carroça continua sendo uma carroça.

O Brasil tem capacidade de agir rapidamente em caso de espionagem internacional?

O Brasil já esteve em melhor situação em relação à prevenção e combate à espionagem internacional. Nossa política e nossa legislação migratória é por demais benevolente com a questão do controle de estrangeiros que adquirem permanência ou naturalização, o que pode gerar um enorme descontrole no aspecto de combate ao terrorismo e à espionagem internacional.

Como a inteligência do Brasil age com relação aos atos terroristas praticados por extremistas religiosos e extremistas políticos?

Praticamente essa inteligência é feita pela Polícia Federal, através dos setores de inteligência, a Diretoria de Inteligência Policial (DIP) e sua Divisão Antiterrorismo (DAT). Esse setor age sob demanda, que pode ser gerada tanto em território nacional quando no exterior.

Ser um agente secreto no Brasil é mais complicado do que ser agente nos Estados Unidos?

A figura do “agente secreto” não existe no Brasil. Ainda não temos uma legislação que permita manter um nome de um policial oculto nos sistemas ou com todo o rol de atividades encoberto pela estrutura estatal. Nossos nomes constam em listas públicas de concursos, posse e até direcionamento de lotações. Até nas audiências junto ao Poder Judiciário, nossos nomes constam abertamente nos processos e até nossos endereços são expostos! É algo a se pensar em mudar urgentemente, de forma a proteger a identidade dos agentes públicos que se arriscam em trabalhos que deveriam ser classificados de secretos ou ultra secretos.

Quais os principais mitos, muitas vezes propagados pelo cinema e pelas mídias, com relação ao agente secreto?

A figura cinematográfica do agente secreto não existe na realidade. Não há um policial que detenha permissões para agir em diversos locais, com autorização para requisitar veículos, eliminar pessoas ou utilizar diversos tipos de armas (também supostamente secretas) na execução dos seus trabalhos. Os cursos de formação policial, por exemplo, duram em média quatro meses, o que inviabiliza qualquer treinamento de alta complexidade ou alto custo.

Um agente secreto leva uma vida normal como qualquer cidadão brasileiros ou as restrições são ainda maiores?

Qualquer policial no Brasil, por exemplo, já leva uma vida tensa e de preocupação diária. O simples fato de ter uma carteira funcional já serve como condenação nos casos de abordagem de grupos criminosos. Os policiais da área de inteligência possuem uma preocupação a mais, pois além de terem que preservar suas identidades em grande parte das suas ações, ainda têm que deixar de portar suas armas nessas atividades, o que aumenta o risco de execução sumária tão logo seja identificado como tal.

Quais as qualidades e as virtudes de um agente secreto em um mundo cada vez mais virtual, mais público e com menos garantia de privacidade?

Um agente secreto deve ter primeiramente uma legislação específica, construída para trazer segurança jurídica para o seu trabalho.

A publicidade da sua contratação deve ser um dos primeiros pontos a se pensar. Ter o nome estampado em Diário Oficial, ligado a um concurso para cargo policial, já é um dos impedimentos para se garantir a privacidade de agente secreto.

A legalidade dos seus atos, principalmente em ações em que não possa se identificar como Agente da Lei, deve constar em lei específica, assim como as suas condições legais para infiltração, entrada em locais privados, etc. Um excelente exercício imaginar todas as condições legais necessárias para se estipular as qualidades e virtudes de agente secreto no Brasil.

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Em busca do meteorito e de objetos não identificados, em Pirapora

Imagem ilustrativa. Revista Ovni Pesquisa

No dia 1º de agosto de 2002, os moradores de Pirapora e cidades vizinhas, no norte de Minas, puderam observar um fenômeno raro e de grande beleza: a passagem de um meteoro que riscou o céu no sentido nordeste-sudoeste, por volta das 19h40, seguida da sua provável queda em uma região pouco habitada, distante mais de 120 km de Pirapora.

O cerrado agreste e as altas temperaturas nesta época, juntamente com estradas precárias, foram obstáculos enfrentados nas primeiras buscas por evidências de uma possível queda. Paulo Baraky Werner, representando o CIPFANI (Centro de Investigações e Pesquisas de Fenômenos Aéreos Não Identificados) e Márcio Vicente Teixeira, representando o GRUMPU (Grupo Mineiro de Pesquisas Ufológicas), saíram de Belo Horizonte no dia 15 de agosto de 2002, na primeira expedição até o local.

Assessorados pela equipe da TV RIO de Pirapora, em parceria com a sucursal norte da TV Alterosa (SBT), as equipes do CIPFANI e do GRUMPU percorreram uma grande área, coletando informações, depoimentos em vídeo e um rico registro fotográfico da região. A magnitude do fenômeno, que em alguns pontos provocou abalos sísmicos e ondas de calor, assustou e ao mesmo tempo maravilhou o humilde e religioso homem do campo.

“Achei que Jesus estava chegando”, comentou o vaqueiro Domingos Barbosa Silva, de 54 anos, morador de Cachoeira da Manteiga, local em que o fenômeno foi observado com muita intensidade. Os moradores chegaram a acreditar que o mundo estava acabando, e houve quem afirmasse se tratar da mãe-do-ouro, tentando dar uma explicação sobre a estranha bola de fogo.

Ao chegar a Belo Horizonte, as equipes buscaram apoio financeiro e logístico para efetuar uma segunda expedição até a região. O objetivo principal era coletar mais informações para traçar a trajetória do bólido e identificar o local da possível queda. O relatório resumido desta viagem mostra as dificuldades e o empenho dos grupos CIPFANI e GRUMPU para trazer até a comunidade científica uma descrição fiel do fenômeno.

No dia 31 de agosto de 2002, os pesquisadores Márcio Vicente Teixeira e Paulo Baraky Werner retornaram até o norte de Minas Gerais, mais precisamente ao município de Buritizeiro, onde percorreram mais de 300 km de estrada de terra. Patrocinada pelo pesquisador mineiro Ubirajara Franco Rodrigues, a segunda expedição contou com a colaboração do motorista da prefeitura local, o Sr. Eulálio Lopes e do cinegrafista da TV RIO, Cláudio Vieira.

Mais coisas nos céus do que meteoros

Na porção semiárida do território mineiro, onde a paisagem fica menos acidentada, a caatinga domina os vales dos rios São Francisco, Paracatu e Rio do Sono. A região norte do estado, que é conhecida como “sertão mineiro”, no passado serviu de abrigo e esconderijo para escravos. Também foi usada como rota natural para o gado proveniente da Bahia e pelos tropeiros que viajavam para Goiás.

A pouca disponibilidade de recursos hídricos condiciona a economia às atividades primárias, como a pecuária extensiva e a agricultura de subsistência. Os moradores da região sobrevivem como heróis, pois é imensa a falta de recursos. Os vilarejos se instalam próximos aos córregos e rios, que são fontes de água e sustento da família. E foi em um destes vilarejos, Paredão de Minas, que iniciamos a nossa busca por informações e evidências sobre a passagem e provável queda do meteorito.

Às margens do Rio do Sono, os moradores do pequeno vilarejo também presenciaram o fenômeno. Eles forneceram pistas importantes para a nossa equipe. O tratorista Edison P. França (foto ao lado), de 47 anos, relata a observação do meteoro, que foi descrito como uma imensa bola de fogo que cruzou o céu no sentido nordeste-sudoeste, iluminou o chão e depois de cerca de seis segundos provocou um forte estrondo.

A observação, segundo ele, ocorreu entre as 19h e 20h. “Parecia luz de solda!”, finaliza. Preenchemos vários questionários de pesquisa em Paredão de Minas e, por motivos de força maior, tivemos que sair do vilarejo às pressas durante a noite, rumo à Fazenda do Grupo Sendas, situada às margens do Rio Paracatu.

Durante a espera pela balsa para realizar a travessia do Rio Paracatu, obtivemos o relato do pescador Gilberto Nunes, de 42 anos, morador local que também presenciou o fenômeno. O tempo estava bom, sem nuvens e céu estrelado, quando o Sr. Gilberto notou a estranha luminosidade. Um objeto de magnitude superior ao planeta Vênus cortou o céu e desapareceu por detrás da copa das árvores. Logo depois, pôde-se ouvir um forte estrondo. A cor do bólido variava entre o vermelho e o amarelo. Segundo ele, o objeto teria caído nas propriedades da Fazenda Porto Alegre.

O pesquisador Márcio Vicente, encarregado de interrogar e preencher os questionários técnicos destacou a dificuldade de se obter dados precisos nestas circunstâncias, uma vez que as testemunhas são pessoas humildes, que buscam em suas crenças respostas para aquilo que não compreendem. Foi difícil coletar os dados necessários, pois nem sempre as pessoas estavam no mesmo local da observação, dificultando o registro em bússola da trajetória real do meteoro.

Filmadoras e câmeras fotográficas são necessárias, mas nem sempre é possível filmar um depoimento ou obter um registro fotográfico. Acostumados em lidar com este tipo de situação, em nossas investigações de campo driblamos estas dificuldades e conseguimos registrar bons depoimentos e várias fotos das testemunhas locais. A expedição não teve êxito em sua proposta. Na época, não havia estradas suficientes na região nem drones disponíveis para auxiliar na busca por sinais que pudessem indicar o local da queda.

A região é isolada, “fim do mundo”, como os mineiros gostam de falar. E nas entrevistas com o povo que habita a região, surgiram vários relatos interessantes de OVNIs. Dentre dezenas deles, destacamos um que nos chamou a atenção, por ser similar ao que ocorreu no filme “Contatos Imediatos do 3º grau”, em que a caminhonete dirigida por Roy Neary (Richard Dreyfuss) é seguida por um “disco voador”.

O Sr. Sidraque Alves, de 59 anos, é dono da única pousada no pequeno vilarejo de Paredão de Minas, distante 90 km de Pirapora. Ele nos contou que seu filho vinha dirigindo o carro pela estrada de acesso ao vilarejo, quando notou que havia outro veículo atrás. A estrada é estreita e muito ruim. Como a região é muito seca, “grande sertão veredas”, qualquer veículo levanta muita poeira ao transitar. Quando ele parou o carro e desceu para abrir uma porteira, notou que o automóvel que o seguia simplesmente tinha evaporado. Achou estranho, pois naquela região não tem nada. O que faria um carro seguir até determinado ponto e retornar sem qualquer motivo? Outra coisa que chamou a sua atenção: como o “carro” que estava atrás dele iria manobrar tão rápido sem ser notado?

Durante os dois dias em que percorremos quase 900 km, coletamos vários registros de luzes estranhas. Por ser uma área agreste e distante, acreditamos que nunca foi estudada por grupos ufológicos. Minas Gerais é um estado gigantesco, e as regiões do norte e Jequitinhonha são férteis em observações de OVNIs. O que falta são expedições constantes, assim como a que realizamos em 2002. Em 2005, planejamos uma expedição para a região do Mucuri, em Novo Oriente de Minas, distante 446 km de Belo Horizonte. À época, tivemos informações de vários casos de observações e até mesmo de contatos imediatos de 2º e 3º graus. Porém, não conseguimos a verba necessária.

A equipe do CIPFANI, em conjunto com a AMPEU (Associação Mineira de Pesquisa Ufológica), pretende reativar este projeto. Os interessados em participar desta viagem de pesquisa podem entrar em contato com nossa redação. No canal oficial da OVNI Pesquisa no YouTube, o leitor poderá ver os vídeos da expedição meteorítica realizada em Pirapora, em 2002. Também estão disponíveis as reportagens exibidas pelo SBT e pela Rede Globo.

A OVNI Pesquisa tem em seu site uma sessão para que os leitores possam enviar relatos. Caso você tenha conhecimento de eventos ocorridos nestas regiões, entre em contato conosco no e-mail abaixo.

contato@ovnipesquisa.com.br

CRÉDITO: Bento Viana/WWF-Brasil

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Papo Assemp: Cancelamento, relacionamentos virtuais e conversas digitais

Amigos e amigas, tive a satisfação de participar de um papo bem gostoso com o jornalista Patrick Ribeiro da Comunicação da Associação dos Servidores da Prefeitura de Belo Horizonte (ASSEMP) sobre os relacionamentos virtuais, durante a pandemia coronavírus; cancelamentos virtuais; privacidade nas redes e muito mais. Foram momentos de interação virtual e muito aprendizado para todos que participaram da live promovida pela Comunicação ASSEMP/BH.

Confira