Categoria "Cidade"
13 nov 2015

Quem se importa com o maior crime ambiental da história?

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Arquivo pessoal

OPINIÃO. Rogério Godinho, jornalista, autor das biografias “O Filho da Crise”, “Tente outra vez” e “Nunca na solidão”. Aluno de história global e globalização em Harvard e aluno-visitante de filosofia no MIT.

Vou dar a medida da encrenca. O que está acontecendo no Rio Doce é pior do que a soma dos piores desastres ambientais dos últimos 30 anos. Algodões, Camará, Macacos, os três rompimentos de Cataguases (2003, 2007 e 2009) até Itabirito no ano passado. Por qualquer critério disponível, seja extensão ou volume de rejeitos. Repito: o que está acontecendo é pior do que a soma de todos eles.

São 62 bilhões de litros de uma lama impregnada de metais que vai chegar até o litoral do Espírito Santo. A empresa insiste que não é tóxico, mas as empresas de fiscalização das diversas cidades afetadas fizeram testes e detectaram a presença de mercúrio, manganês, cromo, chumbo, entre outras substâncias. Por isso, elas interromperam a coleta e estão sem água. Mais de 500 mil pessoas afetadas. Sem contar que o rejeito – pela presença do ferro – está cimentando (mesmo!) diversas partes do rio. E estamos falando da mais importante bacia hidrográfica dentro da Região Sudeste. Sentiu o problema?

No que se refere a mortes, ainda não sabemos o número real, até porque a Samarco (cuja acionista conhecida para o brasileiro é a mineradora Vale) fechou a região das barragens e não permite o acesso. Isso também é inédito: a empresa responsável e que precisa ser investigada é a única a ter acesso ao local do crime, o que torna difícil obter um número preciso de fatalidades.

Sem contar os milhares de animais mortos. Imagine uma longa estrada de destruição. Visualize. Peixes, vacas, cavalos, cachorros, tudo que estava na frente. Até ninhos de tartarugas lá na foz do rio estão removendo para tentar salvar antes que a lama cheia de substâncias químicas chegue.

Em contraste, temos uma mídia que parece não considerar o assunto importante. A Folha de SP não julgou necessário dar a manchete principal para a tragédia nem mesmo no dia seguinte ao ocorrido. Ao invés disso, elegeu como assunto central:

“Lula afirma que não tem medo de ser preso pela PF”.

É o que chamamos de uma anti-notícia. Se alguém tivesse sido preso, seria um fato relevante. Neste caso, trocaram o maior desastre ambiental da história brasileira por nada. Fumaça.

No terceiro dia, outra anti-notícia. A matéria principal era um ex-diretor da Petrobras reclamando que virou um leproso (coitado!). Nenhuma informação crucial, nenhum furo, nada que justificasse ela ser a matéria principal naquele dia tão importante. Era só um perfil inócuo de um sujeito inócuo.

Além disso, as chamadas da primeira página falavam de gente desaparecida. Só isso. É extremamente relevante, claro, mas é uma irresponsabilidade deixar de tocar em temas essenciais, enquanto as matérias internas reproduzem tudo o que dizem a Samarco/Vale e o governo municipal, estadual e federal sem contextualizar, apurar ou refletir.

Enquanto isso, a internet mostrava fontes sérias dizendo que:

1) A empresa tem responsabilidade integral (Fonte: Ministério Público, que deu entrevista na TV, mas não apareceu nos jornais)

2) Não há nenhuma possibilidade da causa ser um abalo sísmico (Fonte: cientistas)

3) Milhares de animais morreram e outros milhares ainda vão morrer (Fonte: moradores das regiões afetadas e biólogos)

4) Pode ser o fim do Rio Doce. (Fonte: cientistas) Irônico não? A Vale [do Rio Doce] matou o Rio Doce.

5) A natureza vai levar 20 ou 30 anos para se recuperar. Alguns dizem 100 anos. Talvez nunca se recupere (Fonte: biólogos)

6) É provavelmente o maior desastre ambiental ocorrido no Brasil e um dos maiores do mundo. (Fonte: especialistas, baseados em um simples levantamento histórico)

O que isso significa? Sobre a mídia, que ela se torna cada vez menos relevante, pois não está cumprindo seu papel. E sem uma imprensa atuante, o setor público e o privado fazem o que querem. Até um governador pode dar entrevista dentro da sede da empresa responsável pela tragédia que ninguém liga, enquanto quase todos os outros líderes políticos fingem que não é com eles (quando é).

Este é o nosso vazamento de óleo do Golfo México, nosso vazamento da Exxon no Alasca, nosso Fukushima.

Mas quem se importa?

11 nov 2015

Comerciantes de Governador Valadares denunciam roubos de água mineral na região

Arquivado em Cidade, Meio Ambiente, saúde

 

Foto: Márcio Gomes Figueiredo

Moradores de Governador Valadares de Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais, temem o agravamento da falta de água na região e estocam galões de água mineral. Alguns comerciantes denunciam nas redes sociais que saques estão ocorrendo por conta do desespero da população.

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Foto: Márcio Gomes de Figueiredo

A lama que vazou no rompimento das barragens da mineradora Samarco/Vale em Mariana, na Região Central de Minas, na quinta-feira, e chegou ao Rio Doce, alcançou o município de 278 mil habitantes. Com isso, o Serviço Autônomo de Abastecimento de Água e Esgoto (SAAE) interrompeu a captação no rio e pediu aos moradores para economizarem água. Em nota, a administração municipal informou que não há prazo para a retomada da captação e, por isso, todo desperdício deve ser evitado.

Foto: Márcio Gomes Figueiredo

28 out 2015

Onças ameaçadas de extinção fazem sucesso no Zoo de Belo Horizonte

Arquivado em Animais, Cidade
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Foto: Adriana Santos

Jonas e Janes fazem o maior sucesso entre os visitantes do Zoológico de Belo Horizonte. Os felinos fazem o tipo casal moderno. Cada um em um recinto. Assim ninguém fica estressado e o amor será eterno enquanto dure. Pessoal, fiquei realmente feliz em conhecer um pouco da história das onças-pintadas do Zoo. O convite partiu da própria administração do local por conta do meu blog Amiga da Onça-Pintada, um espaço onde divido notícias sobre o jaguar, símbolo da biodiversidade brasileira.

As onças estão ameaçadas de desaparecer nas próximas décadas se nada for feito de transparente, urgente e certeiro. Pelo fato da onça-pintada estar no topo da cadeia alimentar e necessitar de grandes áreas preservadas para sobreviver, esse animal – ao mesmo tempo temido e admirado – que habita o imaginário das pessoas é um indicador de qualidade ambiental. A ocorrência desses felinos em uma região indica que ele ainda oferece boas condições que permitam a sua sobrevivência.

As crescentes alterações ambientais provocadas pelo homem, assim como o desmatamento e a caça às presas silvestres e às próprias onças são as principais causas da diminuição da população de onças no Brasil. Reduzir essas ameaças é fundamental para garantir a sobrevivência da onça-pintada e a integridade dos ecossistemas.

A onça-pintada é o maior felino do continente americano, podendo chegar a 135 kg. É um animal robusto, com grande força muscular, sendo a potência de sua mordida considerada a maior dentre os felinos de todo o mundo. Suas presas naturais são animais silvestres como catetos, capivaras, jacarés, queixadas, veados e tatus. Outra característica marcante dessa espécie é que ela não mia como a maioria dos felinos. Assim como o Leão, o Tigre e o Leopardo, ela emite uma série de roncos muito fortes que são chamados de esturro.

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Foto: Adriana Santos

ALIMENTAÇÃO NO ZOO

Cada espécie animal tem uma alimentação bem diferente do que teria em vida livre. A dieta é elaborada por um nutricionista e existe uma cozinha específica para preparar os alimentos. Uma equipe prepara as bandejas que são fornecidas duas vezes ao dia à maioria dos animais. No caso das onças, são oferecidos alimentos balanceados três vezes por semana. Só para lembrar, se o felino estivesse no ambiente natural a alimentação também não seria diária.

As carnes (de boi, frango e peixe) são adquiridas em frigoríficos.

JONAS NA HORA DO ALMOÇO

EXPEDIÇÃO CORUJA

A Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte (FZB-BH) realiza, nas noites de lua cheia, o projeto Expedição Coruja. Por meio dele, o visitante tem a oportunidade de conhecer um pouco mais dos hábitos noturnos de alguns animais do Jardim Zoológico, como tigre, leões, onças, lobos, tamanduás-bandeira, alguns répteis, além do mascote do projeto, o corujão orelhudo.

A expedição tem o acompanhamento de técnicos, monitores e tratadores, que fornecem todas as informações necessárias sobre a vida em cativeiro, hábitos alimentares, curiosidades, cuidados para se manter a saúde e o bem-estar dos animais, e sobre como se dá o manejo de cada espécie.

A visita dura cerca de três horas e inclui um bate-papo, no auditório da Casa de Educação Ambiental. O valor do ingresso é: R$30,00 para crianças de 7 a 12 anos e R$40,00 para participantes acima de 12 anos.

Inscrições e informações: visitanoturnazoo@pbh.gov.br.

JANES AGUARDA CUIDADOS DO TRATADOR

DURANTE A VISITA/DICAS

Barulho: incomoda as pessoas e os animais; cuide para que sua visita ocorra de forma tranquila e agradável.

Alimentação dos animais: cada um tem sua dieta própria e quem pode alimentá-los são apenas os funcionários do Jardim Zoológico.

Vegetação: ajude a manter as plantas nos seus devidos lugares; a coleta de plantas, frutos e sementes não é permitida aos visitantes.

Lixo: deve ser jogado na lixeira. Há equipamentos para coleta seletiva; oriente-se para separar os materiais recicláveis do lanche.

Veículos: programe onde será o desembarque e o embarque para agilizar sua visita.

Informações: quando precisar saber mais sobre animais ou plantas, converse com os Agentes de Visitação; eles estão à sua disposição, próximos a alguns recintos e estufas temáticas.

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