Categoria "Comportamento"
19 set 2015

“Rezem por mim”

Arquivado em Comportamento
ROME, ITALY - APRIL 18:  Pope Francis leads the Way of The Cross at the Colosseum on April 18, 2014 in Rome, Italy. The Way of the Cross is a centuries-old and much beloved devotion, that began as a sort of spiritual pilgrimage to the places and scenes and events of ChristÕs passion for those who could not make the pilgrimage to the Holy Land in person, as well as for those who had made it and wished to relive their experience, and for those who were preparing for the journey.  (Photo by Franco Origlia/Getty Images) ORG XMIT: 485297283

Foto: Franco Origlia/Getty Images

O Papa Francisco convidou nesta sexta-feira (18) seus milhões de seguidores no Twitter a rezar por ele e por sua viagem que começará neste sábado por Cuba e que o levará, depois, aos Estados Unidos. “Convido-vos a rezar, juntamente comigo, pela minha viagem a Cuba e aos Estados Unidos. Preciso das vossas orações”, dizia a mensagem, publicada em todos os nove perfis do pontífice na rede social.

O pedido de oração é uma rotina na vida de um dos papas mais queridos da Igreja Católica. Quando completou o primeiro ano como pontífice longe da agitação mundana, em um convento nos arredores de Roma, pediu no Twitter a seus seguidores que o acompanhem com orações em sua tarefa de líder da Igreja católica. “Rezem por mim”, escreveu o papa.

Oração é uma prece ou reza dirigida a Deus ou a outro ser espiritual e que está integrada nos rituais de grande parte das religiões.  Trata-se de um ato religioso no qual o homem procura manter uma ligação com seres divinos através da súplica, da ação de graças, do louvor, da adoração, entre outros propósitos.

“A oração surge da escuta de Jesus, da leitura do Evangelho. Não se esqueçam, todos os dias leiam um trecho do Evangelho. A oração surge da intimidade com a Palavra de Deus. Há essa intimidade na nossa família? Temos em casa o Evangelho? (…) o Evangelho lido e meditado em família é como um pão bom que alimenta o coração de todos”. (Francisco na catequese 26/08, na Praça São Pedro)

O Papa Francisco decidiu instituir também na Igreja Católica o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação” que, a partir do próximo ano será celebrado em 1° de setembro – assim como já ocorre há tempos na Igreja Ortodoxa.

Em uma carta ao Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz e ao Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, – escreve o Papa – queremos oferecer a nossa contribuição à superação da crise ecológica que a humanidade está vivendo. Por isto devemos, antes de tudo, buscar no nosso rico patrimônio espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação, recordando sempre que para os que creem em Jesus Cristo, Verbo de Deus que se fez homem por nós, a espiritualidade não está desligada do próprio corpo nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia.

17 set 2015

Minas Gerais na rota dos UFOS

Arquivado em Comportamento
avião-e-ovni (1)

Ilustração

O Controle de Tráfego Aéreo da capital mineira é um dos mais movimentados do país. São centenas de pousos e decolagens nos aeroportos da Pampulha e de Confins, também conhecido como Aeroporto Internacional Tancredo Neves. Estes dois aeroportos são os dois principais do estado e estão localizados na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Além dos vôos comerciais normais e militares comuns eles estão às voltas com a presença de outras aeronaves não identificadas. Vários casos são registrados todos os anos.

“Na noite de 05 de fevereiro de 2002, por volta das 22:30 h, estava observando o céu quando notei um artefato com luz azul que passava lentamente no sentido leste-oeste. A princípio, pensei que se tratava de um avião, já que o local é rota conhecida. Logo vi que não, pois o objeto simplesmente parou no ar. Cheguei a pensar que se tratasse de um helicóptero, mas desprezei esta hipótese porque o UFO iniciou um processo de subida num ângulo de aproximadamente 45º e alternando as cores em azul, branca, amarela e vermelha. Depois ele desceu e fez vários vôos na linha do horizonte, quando, de repente, subiu e virou cerca de 90º vindo em direção ao meu prédio. Fez um vôo à meia altura e deu uma guinada para a esquerda, voltando ao ponto onde se encontrava antes. Quando passou por cima do meu apartamento, notei que possuía luzes azuis e brancas e uma vermelha, aparecendo de vez em quando. Imaginei que fosse a envergadura de suas asas.

O UFO retornou ao local de onde saiu, iniciando um voo mais longínquo, e desaparecendo por trás dos prédios. Continuando seu vôo, ele poderia ter pousado no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte (MG), que fica na mesma direção. Acredito que seja, de fato, um UFO, pois os movimentos eram muito estranhos para uma simples aeronave terrestre”. (Marco Túlio N. Chagas – relato para a revista UFO)

Uma portaria publicada no Diário Oficial da União de (10/08/2010) regulamenta como a Aeronáutica deve lidar com assuntos ligados a “objetos voadores não identificados” (Óvni) no espaço aéreo nacional.

Segundo o documento, o Comando da Aeronáutica (Comaer) deve se encarregar apenas do registro de ocorrências e do seu encaminhamento para o Arquivo Nacional.

Ainda segundo a portaria 551/GC3, de 9 de agosto de 2010, o responsável pelo recebimento e pela catalogação das notificações referentes aos Óvnis é o Comando de Defesa Aeroespacial (Comdabra).

Já as notificações relatadas por usuários dos serviços de controle de tráfego aéreo devem ser encaminhadas para o Centro de Documentação e Histórico da Aeronáutica (Cendoc).

Conversei sobre avistamentos de objetos não identificados em Minas Gerais com Thiago Luiz Ticchetti, natural do Rio de Janeiro e domiciliado em Brasília, pesquisa o fenômeno ufológico há mais de 20 anos. Atualmente é coeditor da Revista UFO. É membro da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU). Com vários artigos publicados na própria Revista UFO e nas publicações inglesas UFO Matrix e UFO Truth, é autor dos livros “Quedas de UFOs (2002), “Tipologia Extraterrestre” (2014), “Arquivos UFO: casos ufológicos Vols. I e II” (2013/2015) e “Universo Insólito, Livro de Bordo – Vols. I e II” (2015).

big

Imagem: arquivo pessoal

Adriana Santos: É verdade que o estado de Minas Gerais é um dos estados brasileiros com maior número de avistamentos de objetos não identificados, em especial na Zona da Mata. Qual o motivo?

Thiago Ticchetti: Sim, o estado de Minas Gerais tem uma enorme incidência de avistamentos de objetos voadores não identificados. A Zona da mata é de fato um dos principais pontos, mas existem outros como Passa Tempo e São Tomé das Letras. Acredita-se que devido à grande riqueza mineral do solo mineiro, os OVNIs usam esse material como fonte de energia.

Adriana Santos: O Controle de Tráfego Aéreo do Aeroporto de Confins é um dos mais movimentados do país. Além dos vôos comerciais normais e militares comuns eles estão às voltas com a presença de outras aeronaves não identificadas. Qual foi o último caso registrado e qual sua importância para o avanço das pesquisas em nosso estado?

Thiago Luiz Ticchetti: O último caso registrado que tive notícia ocorreu sobre a cidade de Belo Horizonte em janeiro de 2015, quando três pessoas disseram ter visto um objeto discóide sobre a cidade, durante a madrugada. Infelizmente não há imagem desse objeto. O estado de Minas Gerais é um dos mais ativos na pesquisa ufológica. Entre os seus maiores pesquisadores destaco o Antônio Faleiro e o Paulo Baraky Werner, presidente do Centro de Investigações e Pesquisas de Fenômenos Aéreos Não Identificados (Cipfani) e consultor da Revista UFO.

Adriana Santos: É verdade que o Aeroporto de Confins foi construído pensando em futuros contatos com outras vidas planetárias?

Thiago Luiz Ticchetti: Bom, isso eu não sei, mas te afirmo uma coisa, com a tecnologia das naves extraterrestres, eles não precisariam de um aeroporto nos moldes dos que temos hoje.

Adriana Santos:  A Aeronáutica está sensibilizada com o caso e ajuda nas pesquisas?

Thiago Luiz Ticchetti: Não. A Aeronáutica, infelizmente, não tem pessoal e orçamento para realizar uma investigação de todos os avistamentos que ocorrem no Brasil. O máximo que ela faz é ao final de cada ano enviar para o Arquivo Nacional em Brasília os relatórios de pilotos que viram alguma coisa diferente no céu. Caso esse contato tenha causado algum incidente mais grave, aí ela investigaria, mas como segurança aérea, e não por ser uma espaçonave extraterrestre. E é aí que a Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) entra. Nossa sugestão ao Ministério da Defesa, durante uma reunião que tivemos em 2013 com eles, é que nós seríamos o material humano para realizar as investigações dos casos que a forças armadas nos repassassem.

Adriana Santos: Quais as intenções das visitas do extraterrestre? Somos cobaias?

Thiago Luiz Ticchetti:  Não temos certeza quais seriam essas intenções, mas a de nos destruir não é, pois senão já o teriam feito. Eu creio que para uma parte dos seres que nos visitam, somos sim parte de algum estudo científico deles, portanto, somos cobaias. Mas por mais absurdo que possa parecer, pode ser que algumas civilizações extraterrestres venham de “férias” ao nosso planeta (isso mesmo, ou não faremos o mesmo quando tivermos tecnologia para viajar a outros planetas do universo?) ou o utilizem como uma parada para descanso ou reabastecimento.

Por que os seres fora da órbita terrestre, ditos tão evoluídos, não se apresentam de forma mais objetiva? Por que eles dificultam a comunicação com os terráqueos?
Pelo simples fato de não querer. Não existe uma resposta mais clara. Se eles quisessem se comunicar ou manter algum contato, era só pousar seu disco voador e pronto.

Os extraterrestre podem ser divididos por “espécie”? Se sim, quantas espécies já foram pesquisadas?
Sim, podem. Ano passado publiquei um livro chamado “Guia da Tipologia Extraterrestre” onde eu catalogo a tipologia extraterrestre que já foi registrada. Eu os dividi em quatro grande grupos: Humanóides, Animália, Robótico e Exóticos. A partir daí há divisões em tipologia e depois variantes. Neste meu livro, foram catalogados 49 tipos de seres diferentes, baseados numa pesquisa bibliográfica e testemunhal de mais de três anos que culminou em 1.477 casos investigados, de um universo de mais de 8.000 relatos.

Adriana Santos: Os extraterrestre estão interessados em meio ambiente e nos nossos recursos naturais?

Thiago Luiz Ticchetti: Sim, também. Recursos como água, metais, minerais e energia, isso sem falar em DNA humano.

Adriana Santos: O que são abduções e para que servem?

Thiago Luiz Ticchetti: É quando a ou as pessoas são retiradas, contra sua vontade do lugar onde estão e levadas a bordo de UFOs ou instalações secretas extraterrestres. Segundo as pesquisas sobre esse fenômeno, nesses locais os seres humanos são submetidos desde a retirada de amostras biológicas a contatos telepáticos com alienígenas até a colocação de chips, relações sexuais e inseminações artificiais para a criação de seres híbridos.

Adriana Santos: Você já foi abduzido ou presenciou ufos? Ficou com medo?

Thiago Luiz Ticchetti: Não, jamais e não aconselho. As consequências nunca são boas. Lembre-se que quando você é abduzido, você é retirado contra a sua vontade de onde você está e submetido a procedimentos nem sempre prazerosos.

Adriana Santos: Precisamos temer os extraterrestre?

Thiago Luiz Ticchetti:  Genericamente não; e eu digo genericamente porque há casos onde os seres alienígenas agrediram humanos. Por exemplo, em meados da década de 50 na Venezuela, foram feitos vários relatos onde seres peludos, baixos, mas extremamente fortes tentaram abduzir pessoas e não conseguindo entraram em luta corporal com várias delas. Eu acho que devemos temer mais a nós mesmos.

Adriana Santos: Os extraterrestre são seres com valores morais e religiosos parecidos com os dos humanos?

Thiago Luiz Ticchetti: Depende do tipo de ser. Os seres que fazem as abduções normalmente são os do tipo (gray). Esses seres não demonstram qualquer tipo de sentimento, segundo os relatos. Eles simplesmente fazem o que tem que fazer. Por outro lado, os seres nórdicos, os que são parecidos com seres humanos e na grande maioria dos casos de contato, falam em um mesmo deus para todas as espécies existentes, alertam para a possibilidade de nossa autodestruição e as consequências disso para o universo. Esses seres eu acredito que tenham valores morais e até mesmo religiosos.

Adriana Santos: Eles vão se revelar ainda nesse século?

Thiago Luiz Ticchetti:  Como pesquisador, essa revelação já ocorreu há milênios. Mas eu entendi o que você quis dizer. Eu acredito que nós vamos, ainda neste século, chegar à conclusão de que não estamos sozinhos no universo e que existem seres de outros planetas nos visitando. O que em que isso acontecer, a humanidade dará início a um novo marco em sua história.

Contatos:

Blog
Facebook 
Twitter: @TLTufologo

14 set 2015

Com energia mais cara, empresas apostam na educação

lampada verde

O Brasil é o décimo maior consumidor de energia do mundo e o maior da América do Sul e o preço da energia é um dos mais altos do mundo. Devido à imensa quantidade de rios existentes no território nacional, 73,63% da energia produzida no país tem como fonte geradora as hidrelétricas.

Para algumas empresas, a energia é uma ferramenta de produção, e isso dificulta qualquer tentativa não planejada de redução de custos.

Consumir a energia elétrica de forma eficiente é vital para um bom desempenho e até mesmo para aumentar a competitividade das empresas.

Com um cenário de crise no abastecimento e alta dos preços de energia elétrica, algumas empresas estão capacitando seus gestores para compreender o consumo de energia das instalações de sua empresa e explorar alternativas para reduzir ou tornar o consumo mais eficiente.

Conversei com  Marcos Aires é diretor-presidente da Datte Educação & Treinamento e um dos responsáveis pelo “Programa Educacional de Eficiência Energética” – PEEE, um projeto que faz parte do Programa de Eficiência Energética da CEMIG.

Aprovado pela ANEEL, este projeto capacita profissionais das indústrias de sua área de concessão, visando disseminar conhecimentos que gerem projetos e obras de Eficiência Energética. Os principais objetivos são reduzir consumo, demanda e custos de clientes, prioritariamente industrial, através de capacitação em Gestão Eficiente de Energia e formar uma cultura de uso inteligente de energia nas empresas e instituições dos diversos setores da economia.

Foto: Daniel Coelho Teobaldo

Adriana Santos: Como o programa pode contribuir para a redução de gastos com energia das empresas?

Marcos Aires: No treinamento, eles aprendem duas formas de reduzir seus gastos com energia: a primeira por meio da correta contratação, chamamos de adequação tarifária, o participante aprende como contratar adequadamente a demanda e o consumo, considerando as diversas opções que possui; a segunda é pela redução efetiva do consumo específico de energia da instalação onde trabalha por meio do conhecimento de atitudes e novas tecnologias que reduzem o tempo de funcionamento ou a potência dos equipamentos, o que permite o estabelecimento de ações ou práticas de redução do consumo de energia e, consequentemente, dos gastos. O curso além de indicar essas atitudes e tecnologias, estimula os participantes a praticarem e confirmarem esse benefício. Ele, por usar a técnica de ensino a distância, torna-se um treinamento no trabalho (” training in job “) com resultados imediatos. Algumas empresas participantes já percebem a redução de seus custos com energia e água durante o treinamento.

Adriana Santos: Qual a metodologia do curso e carga horária?

Marcos Aires: PEEE é um programa de capacitação e pesquisa, administrado na forma de Ensino a Distância e treinamento prático no trabalho e seu conteúdo equivale a um treinamento presencial de cerca de 290 horas aula, podendo ser realizado num período de 8 a 12 meses. São mais de 14 disciplinas que abrangem diversas áreas do conhecimento como: legislação, meio ambiente, comunicação, engenharia (usos finais de energia, medição e verificação), gestão energética e economia (viabilidade econômica).

O programa é dividido em diversas etapas, intercalando atividades práticas, teóricas e eventos presenciais para motivação e esclarecimentos. As etapas geram produtos (readequações tarifarias, levantamento de consumos, projetos de eficiência, entre outros) ao final de suas execuções e esses são avaliados e pontuados por engenheiros tutores e consultores.

O programa conta ainda com fóruns de discussão e plataforma de comunicação entre alunos e tutores que possibilitam uma maior interatividade entre estes.

O ensino a distância apresenta vantagens como: treinamento de profissionais de diferentes locais dispensa os custos de deslocamento, hospedagem e alimentação, pode ser realizado em horário mais conveniente para empresa e profissionais, não afetando significativamente a rotina do participante.

Adriana Santos: Quais as medidas preventivas para reduzir o consumo de energia nas empresas sem prejudicar a produtividade, em especial das pequenas empresas?

Marcos Aires: Não é interessante reduzir o consumo reduzindo a produtividade, é melhor explorar maneiras de não afetá-la negativamente. O treinamento desenvolvido pela DATTE que está sendo promovido pelas distribuidoras Cemig e CPFL para seus grandes consumidores, visa, principalmente, a redução do consumo específico das empresas para torná-las mais competitivas.

O primeiro passo é conhecer o consumo, depois conhecer alternativas técnicas ou gerenciais que promovam economia sem reduzir a produtividade. As reduções podem ser obtidas por troca de equipamentos por outros mais eficientes, distribuição do consumo ao longo do dia a fim de diminuir sobrecargas, políticas internas de conscientização que promovam bons hábitos de conservação de energia, e muitas outras. O programa leva o participante a promover soluções criativas e mais adequadas para a realidade de suas instalações.

Dentre as medidas que os próprios participantes têm indicado, apontamos os desligamentos de cargas (lâmpadas, motores e equipamentos) que ficam ligados sem necessidade ou que podem ser usados em outros horários quando o custo da energia é mais barata. No caso de a iluminação usar mais a luz solar durante o dia, usar sensores de presença e uso de lâmpadas mais eficientes, como as com tecnologia de LED. No caso da força motriz, utilizam equipamentos com eficiência maior e acionados com conversores de frequência que possibilitam os motores a trabalharem de acordo com a carga que é necessária naquele momento.

Adriana Santos: Como os colaboradores de uma empresa podem contribuir para a redução de gastos com energia elétrica?

Marcos Aires: A conscientização é o melhor caminho, através dela é possível que os indivíduos promovam ações em prol da conservação de energia. No PEEE os alunos são orientados a organizar uma comissão multiprofissional, composta por membros de vários setores, para que juntos mantenham a cultura do uso racional de energia. No treinamento ela é chamada de CICE, Comissão Interna de Conservação de Energia.

O programa dissemina a filosofia de que a tarefa de reduzir os gastos com energia é de todo o grupo, por isso todos devem ser envolvidos, conhecerem as oportunidades e participarem de sua implantação. Dessa forma, além de se sentir prestigiado, o empregado ou colaborador da empresa passa a ser um protagonista da eficiência energética na empresa. Mesmo aqueles que não tomam uma atitude proativa, sendo comunicados e envolvidos nos programas das empresas, passam a serem colaboradores (desligam lâmpadas ou outras cargas), indicam oportunidades para os colegas, etc.

Somente com o envolvimento de todos, a começar pela alta direção da empresa, o programa pode alcançar sucesso e ser um programa contínuo e sustentável ao longo do tempo. Ele deve ser independente de crises e conjunturas adversas e não pode ter apenas um ou uns atores principais, todos têm que ser envolvidos.

Adriana Santos: Qual a principal medida para reduzir o consumo de energia?

Marcos Aires: Ter uma compreensão do consumo, do custo e de alternativas para redução de ambos. Existe muito senso-comum em se tratando de promover economias, mas na realidade cada instalação tem suas peculiaridades e as soluções são personalizadas, podendo ou não se assemelhar a outras. Trocas de lâmpadas podem promover grande economia em uma empresa, mas pode ser uma economia irrisória em outra, na qual a troca de equipamentos com resistências teria mais impacto na redução, por exemplo. O PEEE promove essa consciência crítica nos participantes, proporcionando medidas customizadas e realistas para a empresa.

A primeira medida é conhecer como se dá o consumo, medindo. Somente podemos gerenciar o que se mede. Depois conhecendo-se técnicas e tecnologias adequadas, aplicá-las para reduzir o consumo.
Não se deve falar em redução do consumo e muito menos em metas de redução deste. Falar em eficiência energética é falar em diminuir o consumo específico, a quantidade de energia para se produzir uma unidade de produto. Ao se produzir mais com menos energia, as empresas ficam mais competitivas e podem, inclusive, aumentar o consumo, desde que acompanhado pelo aumento da produção. Outra alternativa é identificar produtos com maior valor de venda usando processos que podem ser mais até mais intensivos em energia, mas promovem receitas e lucros maiores. Enfim, eficiência energética não deve ser pensada como uma forma de reduzir custos e sim de aumentar a competitividade.

Adriana Santos: Qual seria o principal setor de uma empresa para gerenciar os programas de redução de gastos com energia elétrica?

Marcos Aires: A melhor forma é organizar uma comissão multidisciplinar, pois a questão energética é uma realidade de todos nas empresas. No PEEE, os participantes recebem instruções de como formar estas comissões e promover ações de conscientização, como comunicações internas e promoções de metas e eventos.

O PEEE é indicado para administradores, engenheiros, gerentes de energia, gerentes de manutenção, técnicos, coordenadores, supervisores, trainees, profissionais de manutenção entre outros profissionais.

Como abordado, anteriormente, a alta direção da empresa deve ter a preocupação de produzir usando o mais racionalmente a energia, não necessariamente através da redução dos gastos, mas com o uso eficiente e produtivo da energia. Utilizando o momento atual como exemplo, veja que se uma empresa tivesse a meta de reduzir seu consumo em 10%, ela pode alcançá-lo facilmente com a queda da produção. Não é isso que queremos.

Assim o principal setor a promover a eficiência energética deve ser a alta direção, que deve estipular metas de consumo ou custos específicos com energia. Cabem às demais áreas da empresa, cada qual em sua especialidade, identificar oportunidades para colaborar no alcance dessas metas. Isto será possível com os conhecimentos adquiridos no PEEE.

Adriana Santos: Qual a porcentagem de redução de custos de energia com a aplicação da metodologia do curso?

Marcos Aires: Depende dos usos finais da empresa, do tempo de vida dos equipamentos, das práticas de manutenção, do controle que é realizado, do valor da fatura de energia e da importância ou participação dos custos da energia no custo total do produto. Ė muito arriscado citar um número, mas é certo que economias ocorrerão muito superiores ao investimento com o treinamento.

Somente com adequação tarifária pode-se alcançar de 1 a 10%, mas temos casos de reduções maiores, depende de quão mal as empresas estejam em termos de gerenciamento energético.
Em termos de eficiência energética, ressaltando, novamente, que o objetivo não é a redução de gastos e sim do consumo específico, pode-se alcançar até 100% de redução, como é o caso de soluções que envolvam a cogeração de energia, quando as empresas produzem sua própria energia a partir de resíduos ou combustíveis que já consomem usualmente.

A tecnologia LED permite reduções superiores a 30% do consumo da energia gasta em iluminação, em alguns casos. No entanto, em grandes indústrias, a iluminação representa menos do que 5% de seu consumo, logo se as medidas se concentrarem apenas na iluminação a LED, os resultados serão inferiores a 2%.

Enfim, a porcentagem dependerá do esforço e conhecimento de toda a equipe envolvida e da situação energética em que se encontra a empresa.

Página 101 de 112«1 ...979899100101102103104105... 112Próximo