Categoria "Comportamento"
24 jan 2017

A estreita e incrível relação entre depressão e nosso intestino

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Por Mônica Vitorino
O nosso cérebro produz substâncias neurotransmissoras que controlam inúmeras funções cerebrais. Dentre elas está a serotonina que é capaz de dar ao cérebro a sensação de bem-estar regulando o nosso humor e a nossa saciedade. Ela age transmitindo e processando informações e estímulos sensoriais através dos neurônios.

Para a síntese cerebral da serotonina há necessidade de nutrientes fundamentais  como o triptofano (aminoácido), magnésio,cálcio (minerais), vitamina B6, ácido fólico (vitaminas). Seria então correto pensar que quanto mais deste alimentos ingerirmos mais bem estar iremos sentir. Contudo a matemática biológica é diferente e de nada adianta estes alimentos se não houver saúde intestinal. Sim, por mais estranho que nos pareça, o intestino produz e armazena 95% da serotonina do nosso organismo. A serotonina  intestinal é produzida pelos probióticos , ou seja, bactérias que residem no intestino, que na  etimologia da palavra  significa  as bactérias para a vida e que conhecemos no dia a dia  com o nome de flora intestinal ou de microbiota intestinal.

Além das bactérias, o intestino possui cerca de 100 milhões de neurônios– perdendo apenas para o cérebro (por isto é chamado de segundo cérebro) Neurotransmissores como a serotonina conectam o que acontece no cérebro com o que acontece no intestino e vice-versa através destes neurônios. Além da serotonina, o intestino fabrica e utiliza mais de 30 neurotransmissores Todos esses neurônios e neurotransmissores são necessários para a complexa rede neural responsável pela conexão entre o bem-estar emocional e o bem-estar físico. Desta forma, o intestino determina, em grande parte, nossas emoções. Chego até a afirmar que a saúde do intestino depende a saúde do cérebro. Neurotransmissores como a serotonina conectam o que acontece no cérebro com o que acontece no intestino e vice-versa.

A base do pensamento e da emoção é a energia. A emoção quando reprimida gera uma energia bloqueada que fica gravada no nosso corpo sob a forma de rigidez, dor, tensão. Por isso, a mente e o corpo relacionam-se e influenciam-se mutuamente. O equilíbrio da serotonina determina, em última analise a possibilidade de equilíbrio emocional. Dependendo da dose presente, como também de oxigênio proveniente da respiração profunda , de momentos de relaxamento e da meditação (que tem por finalidade o autoconhecimento) e da quantidade de probióticos presentes no intestino esta emoção  pode ser interpretada como alegre, triste, pavorosa, engraçada, neutra, relaxante ou aterrorizante. E também, é claro, o mal-estar e depressão.

Quase todos aqueles que sofrem de doenças crônicas envolvendo o cérebro, como a depressão, pânico, ansiedade, enxaqueca, autismo, esquizofrenia etc, sofrem  também de problemas no sistema digestivo  em maior ou menor grau. Intestino preso, alternância entre períodos com intestino muito solto e períodos com intestino preso, enjoo fácil quando em movimento, por exemplo, numa simples viagem de carro ou ônibus, colite, doença de Crohn  e todo tipo de má digestão e intolerâncias alimentares são comuns.

O stress, os alimentos de difícil digestão como são  os leite e seus derivados, frituras,  carnes , alimentos industrializados, ricos em glúten dentre outros,  resultam em aumento da permeabilidade do intestino , morte dos probióticos com consequente inflamação intestinal sub clinica. E inflamação é exatamente o que não precisamos. Enxaqueca, cólicas menstruais, doenças inflamatórias como tendinite,  doenças auto imunes, esclerose múltipla, esquizofrenia, autismo, entre uma série de problemas de ordem cerebral, mental e comportamental  como a depressão e ansiedade são causadas e/ou “turbinadas” por processos inflamatórios.

Esse ciclo vicioso somente pode ser quebrado através das mudanças-chave no estilo de vida e da alimentação.  Para ajudar o seu organismo a viver com o PH ideal, manter o equilíbrio e a ecologia interna saudável, seja saudável. Evite produtos animais, aumente a quantidade de fibras através das frutas, verduras, alimentos integrais e suco detox. Procure seguir as dicas dadas neste pequeno texto. O uso de probióticos é de suma importância. Existem os naturais (keffir, kombucha, caspian, rejuvelac, dentre outros e os comprados ou manipulados em farmácia. Sem eles, nada feito!!) .Abaixo os alimentos fontes dos precursores de serotonina:

Triptofano e ômega-3: ovo, castanha, linhaça, chia, cogumelos, amendoim, ervilha, abacate, couve-flor, banana, grão-de-bico, feijão;
Cálcio: sementes e folhas verde escuras
Magnésio: chocolate, castanhas, amêndoas, sementes de abóbora, arroz integral, gérmen de trigo, aveia, abacate e banana;
Vitaminas do complexo B: espinafre, couve, ovos, brócolis, cereais integrais, ervilhas, amendoim, castanhas, nozes  aspargos, espinafre e vegetais folhosos de coloração verde escura, brócolis, lentilha, feijão, ervilha,sementes de girassol cogumelos, amendoim
Vitamina C: acerola, goiaba, abacaxi, laranja, limão, tangerina, amora, framboesa, kiwi, folhas em geral.

21 jan 2017

O amor é como tartaruga demora, mas sempre chega

Arquivado em Cidade, Comportamento, opinião

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Confesso que minha maior preocupação quando adolescente era encontrar meu verdadeiro amor no meio de tanta gente vazia que amava beber Coca Cola com Vodka nas festinhas da cidade. Na época, não pensava em casamento e príncipe encantado. Queria apenas um amor para dividir sonhos e contar as estrelas do céu.

No meio do caminho, encontrei vários jovens interessantes que me apaixonei enlouquecidamente. Foram momentos agradáveis, mas também fases bipolares do amor – movidas por ciúmes doentios e brigas intermináveis. Tenho saudades de cada um que passou pela minha vida. Digo sempre que estive com pessoas especiais que deixaram rastros importantes que fazem parte da minha história.

Já adulta, beirando os 30 anos, me casei. Foi uma paixão irresistível. Com ele, a vida me presenteou com um filho maravilhoso. A separação foi dolorida, traumática. Foi um período muito complicado na minha vida recheado de muitas perdas familiares e profissionais. Só fui me relacionar novamente com um homem 6 anos depois, mas o namoro também teve um ponto final. Foram 4 anos bons. Não tenho o que reclamar, mas agradecer pela pessoa decente que esteve comigo.

Hoje, já sou uma mulher na idade da loba com um filho adolescente, mas com os mesmos desejos ardentes para encontrar um amor que me acompanhe de mãos dadas os momentos mais difíceis da vida e desfrutar com alegria os momentos bons. Não quero corpos perfeitos, mentes brilhantes, profissionais renomados, gente rica e famosa… Só quero um amor que me faça rir dos próprios defeitos. Não quero gente chata dizendo: “Gata, sorria… você encontrou a metade da sua laranja”. Já não tenho estômago para amores românticos, polidos, líquidos  e politicamente corretos. Prefiro gente verdadeira, solidária, companheira, honesta e capaz de doar e receber amor. Gente que não tem vergonha de ser feliz.

Amar não é difícil. Difícil é aceitar o amor com gentileza e leveza – sem uma máquina de calcular no bolso. É aceitar que a vida tem altos e baixos para todos. Amar é ser solidário. Amar é ser companheiro. Amar é doar sem visar o retorno. Amar é entender o tempo do outro. Amar é respeitar o próprio tempo. Amar é olhar o outro com ternura, com suavidade, com beleza, com paciência. Não há amor sem paciência. A paixão é como um coelho  que entra em uma corrida com a certeza da vitória, mas às vezes nem sabe se vale a pena o esforço. A tartaruga entra na corrida bem devagar, mas sabe muito bem qual destino pretende chegar. Acredito no amor – fruto de um encontro de almas. E você? Acredita no amor?

13 dez 2016

Filosofia pode ajudar homens e mulheres na busca do divino


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Arquivo pessoal

Tive o prazer de entrevistar a filósofa Lúcia Helena Galvão da Nova Acrópole sobre Filosofia e Espiritualidade. Nova Acrópole é uma organização filosófica presente em mais de 50 países há 54 anos, e tem por objetivo desenvolver em cada ser humano aquilo que tem de melhor, por meio da filosofia, da cultura e do voluntariado.

Lúcia é um sucesso no canal do Youtube. São palestras enriquecedoras sobre clássicos da literatura universal e outros temas filosóficos. Vale a pena conferir.


Adriana Santos: 
Como a filosofia pode ajudar homens e mulheres a compreender de forma ética os tempos modernos, sem perder a conexão com o divino?

Lúcia Helena Galvão: Filosofia é, segundo dizia Pitágoras, “amor à sabedoria”, e a sabedoria  de um homem se mede pela capacidade que ele possui de dar uma resposta humana às situações da vida. As circunstâncias, ao longo da história, parecem mudar, mas talvez não mudem tanto quanto aparentam, se percebermos que as motivações humanas que causam muitas destas circunstâncias continuam as mesmas: egoísmo, vaidade, carência, desejos mais ou menos controlados, decisões mais ou menos sensatas… Embalados numa vestimenta hi-tech.

Manter a conexão com o divino significa não esquecer o que a lei divina ou “Dharma”, como dizem os hindus, espera de cada ser, e manter-se fiel a isso. A Lei espera que as plantas façam fotossíntese, que os animais se perpetuem… O que ela espera dos homens? que cultivem valores humanos: fraternidade, bondade, integridade, justiça…  Não deixarmos de ser humanos quando as circunstâncias nos atingem ou quando geramos  circunstâncias que virão a atingir a outros consiste naquilo que nós podemos chamar de alguém que pratica a filosofia como arte de viver.

Adriana Santos:  A filosofia pode ser um caminho para que possamos nos reconectar com o divino?

Lúcia Helena Galvão:  Sem recorrer a terminologias religiosas (ainda que a Filosofia não se oponha a nenhuma religião), podemos dizer que muitos filósofos ao longo da história acreditaram que o homem possui uma essência imortal que se projeta no mundo, gerando uma “sombra”. A evolução desta sombra seria a busca de tentar se parecer cada vez mais com a essência que lhe deu origem, até voltar a fundir-se com ela. E a essência de cada ser , por sua vez, seria como que uma célula da grande essência do universo manifestado. Daí poderíamos concluir que a evolução consistiria em aproximar-se da Unidade, com seus atributos de fraternidade, integridade, amor etc.

Adriana Santos: Dizem que a intuição é a nossa terceira mente. Como a intuição pode nos ajudar a equilibrar razão, emoção e espiritualidade?

Lúcia Helena Galvão: Intuição é uma percepção simbólica da vida que permite que aprendamos com tudo. Diógenes de Sinope, um grande filósofo do passado, quando lhe perguntaram a razão de não aprender a ler, teria respondido: “O sábio lê na natureza.” Se não sabemos ler nos fatos da nossa vida, no rosto do outro, nos mais simples momentos diários, um sentido maior para a vida, ou seja, se dispomos só da razão, apenas memorizaremos ou extrairemos apenas  conclusões de premissas alheias. Nunca haverá nada novo, nada que seja realmente nosso. Dizem que o ponto de partida para a felicidade estaria na construção da própria identidade.

Adriana Santos: A Filosofia moderna está preocupada com o lado espiritual do ser humano?

Lúcia Helena Galvão: Eu diria que o mundo moderno está  mais preocupado como o “know how”, ou seja, o “saber como”, do que com o saber o “porquê, o “para onde”, o “quem”. Em geral, em todas as áreas do pensamento, estamos mais ou menos imersos numa cultura materialista, onde o homem, com seus valores e sua realização enquanto homem, não é o final do processo, não é a meta buscada por todos. E, curiosamente, esta meta, se alcançada, provavelmente traria, atrelada a si, todas as demais metas,por acréscimo.

Adriana Santos:  Como você avaliar os consultórios de aplicação prática de filosofia para cura de problemas emocionais e espirituais?
Lúcia Helena Galvão: Como jamais os usei nem vi serem usados, não saberia classificar. Conheço a filosofia como um tratamento à grande questão existencial dos homens, a qual se aplica a toda humanidade. Não saberia como particularizá-la para um único ser humano, em um tipo de terapia.
Adriana Santos:  A Filosofia pode ser uma prática cotidiana para o autoconhecimento?

Lúcia Helena Galvão: Não só autoconhecimento, pois, por muito que isso seja um ponto de partida poderoso, se não vencemos o egoísmo, até o autoconhecimento, reduzido a um certo nível,  pode aumentar o potencial corrosivo de uma vaidade descontrolada. Filosofia busca uma sabedoria que humanize, ou seja, que faça com que o homem pense menos apenas em si mesmo e tenha uma meta honesta e profunda de ser fator de soma na vida do outro, dos outros, da humanidade como um todo, se possível.

Adriana Santos:  Qual a diferença primordial entre a Filosofia Oriental e a Filosofia Ocidental?

Lúcia Helena Galvão: Como citamos anteriormente, sem dúvida, a filosofia oriental, em suas fontes clássicas, trabalha muito mais com a mentalidade simbólica do que com o meramente racional. A combinação de ambas é perfeita. Você vai encontrar Sócrates dizendo: “- Só é útil o conhecimento quenos torna melhores”; por outro lado, verá o mestre vedantino Sankaracharia dizer: “- Um medicamento não surte efeito quando se pronuncia seu nome; há que ingeri-lo!” O ensinamento de ambos, nesta passagem,  é o mesmo: não teorize, apenas; viva o conhecimento! Mas, enquanto um declara, o outro sugere. Por isso, às vezes, a Filosofia Oriental se torna um caminho perigoso para o homem moderno, pois a possibilidade de distorcer a compreensão  e interpretar “ao gosto do freguês” é um risco bem significativo, em épocas de tanta superficialidade e dificuldade de desenvolvimento de uma visão simbólica.

Adriana Santos:  Como a Filosofia pode nos ajudar a entender as outras áreas do conhecimento humano?

Lúcia Helena Galvão: A Filosofia não tem uma área própria; a área da Filosofia é a vida. Ela estimula reflexão e a relação, que são sintomas de uma inteligência ativa e uma compreensão renovadora. Observar a maneira como dirijo meu automóvel pode me dar uma dica sobre a maneira como dirijo minha personalidade, minhas atividades, minhas relações. Observar a minha reação diante das perdas pode me mostrar o quanto conquistei algum grau de contato com algo que nada nem ninguém pode tirar de mim: minha própria essência, raiz de toda segurança e serenidade. Dentro da minha limitada experiência de vida, nunca achei um acontecimento totalmente avesso a uma abordagem filosófica. Ou um acontecimento que nada tivesse a nos ensinar. Filosofia é uma espécie de alfabetização na linguagem da vida.

Poema

Aurora Sagrada
Aurora, hora cinza, áurea hora,
momento de encontro com Deus.
Transborda sobre a natureza
um plasma divino, cinzento,
que preenche, a cada momento,
os seres, qual recipientes.
Neste contraste entre a escuridão e a luz,
em que se sente estar vivendo um sonho,
posso saber aonde este sonho conduz.
Os homens erram ao pensar
que o sangue de Deus se derramou
um só dia sobre a Terra,
pois ele se derrama em todas as auroras,
sem alcançar, por hora, despertar os homens.
Que são os homens, senão somente nomes
que se dá a gotas de aurora,
agora, isoladas e esquecidas
da fonte comum que lhes deu vida?
Gotas são partes do Deus que se derrama,
aprisionadas no tempo e no espaço.
Episódios deste Deus a quem se ama
e a quem se busca rastrear, pelos seus passos.
Querer ser gota faz que inevitavelmente
despedacemos a Deus.
Podemos vê-lo, aos pedaços, pelas ruas,
perplexo, perdido, a esmo,
com saudades de si mesmo,
da totalidade.
Senhor, esse plasma misterioso,
prisioneiro da gota que sou,
vem ao teu encontro sempre, a cada Aurora.
Sonha ser célula de um Ser inteiro e vivo,
e não uma lágrima, entre mil, de um ser que chora
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