Categoria "Comportamento"
16 jul 2015

Telmo Ronzani: Liberação de cerveja no Mineirão é um grande retrocesso

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A Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou nesta terça-feira (14/07) o projeto de lei que volta a liberar a venda e o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios do Estado. A votação registrou 35 votos a favor e 15 contra. Agora, o projeto espera a sanção do governador Fernando Pimentel. Caso seja aprovado, as bebidas já poderão ser vendidas nos estádios mineiros a partir de agosto.

Pimentel prometeu examinar o tema com atenção redobrada: “Vamos conversar com as autoridades na área da segurança pública, vamos ver o parecer delas e se for possível sim, mas não posso garantir neste momento. Eu mesmo não tenho opinião a respeito. Devo dizer que sinto que o clima nos estádios melhorou muito depois que a venda de bebidas alcoólicas foi limitada. Um ambiente mais de paz, sem conflitos internos. Mas isto não quer dizer que a gente não possa examinar o projeto com um olhar mais tolerante”, destacou, em entrevista coletiva.

Conversei sobre o assunto com Prof. Dr. Telmo M. Ronzani, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Drogas-CREPEIA da Universidade Federal de Juiz de Fora.  Em 2014, ele foi o único representante da América Latina a compor o grupo final de pesquisadores de todo o mundo na comissão que desenvolverá documento oficial contendo recomendações a todos os países para políticas sobre drogas. Telmo foi convidado pelo United Nations Oficce on Drugs and Crime (UNODC), da Organização das Nações Unidas (ONU), responsável pela política internacional sobre drogas. Confira.

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Adriana Santos Bebidas alcoólicas consumidas em ambientes de grande concentração de pessoas favorecem a violência?

Telmo Ronzani Não podemos atribuir a violência humana ao uso de álcool e outras drogas. Não seria uma simples relação direta. Por outro lado, existem evidências de situações ou contextos que favorecem comportamentos violentos onde o álcool é um aditivo importante para promover violência. Sabe-se que ambientes de grande concentração, com algumas pessoas ou grupos que exacerbam a rivalidade ou estimulam uma posição de violência ou mesmo desumaniza o adversário, vendo-o muitas vezes como um inimigo a ser eliminado, o álcool pode ser um componente sim que favorece ações ou reações violentas.

Adriana Santos Há estudos científicos que apontam a relação direta entre consumo de bebidas e violência doméstica?

Telmo Ronzani Relação direta não, mas os estudos apontam uma importante associação entre tais comportamentos. Temos vários estudos internacionais e mesmo nacionais que demonstram que o consumo de álcool é bastante associado à violência doméstica. Porém, é importante ressaltar e reforçar de que o uso de álcool não é a causa da violência doméstica. Para entendermos o fenômeno da violência é preciso uma análise mais complexa e multifatorial. Por outro lado, ao considerarmos o uso de álcool como um desses fatores, podemos pensar em ações objetivas para mudar tais indicadores.

Adriana Santos Liberar o consumo de cerveja no Mineirão é uma boa ideia do ponto de vista da saúde pública?

Telmo Ronzani Na minha opinião, baseada nas evidências, é uma péssima ideia. Quando conseguimos esse importante avanço que foi proibir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, pudemos observar importantes indicadores dentro e fora dos estádios nos momentos do jogos de diminuição da violência. Vários países que possuem uma regulação de fato do consumo de álcool adotaram e demonstram como isso contribuiu para diminuir os eventos violentos. Portanto, a liberação é um grande retrocesso.

Adriana Santos Na sua opinião quais os interesses imperam na liberação do consumo de cervejas no Mineirão: saúde ou mercado de bebidas?

Telmo Ronzani Na minha opinião, infelizmente o mercado e o lobby de alguns setores tem grande influência em diversos níveis do poder público. Por isso a dificuldade que temos no país para se implementar de fato uma regulação da venda, produção e consumo de álcool e tabaco. Não conseguimos avançar em ações efetivas simplesmente por um interesse de mercado que praticamente é livre de qualquer regulação. Esses dois produtos muitas vezes são vistos como um produto qualquer e esse é um grande equívoco em relação à saúde pública.

Adriana Santos Cerveja pode ser considerada uma droga?

Telmo Ronzani Sim, a cerveja é a bebida alcoólica é a droga mais consumida no Brasil. E o álcool é a droga com maior impacto de saúde e social no mundo. Porém, há uma regulação fraca em nosso país e temos uma cultura ligada ao consumo em grandes quantidades, principalmente entre os jovens. Isso demonstra nossa grande contradição ao defendermos políticas altamente proibicionista de algumas drogas hoje consideradas como ilícitas, com impactos e consumo muito menores mas, por uma posição equivocada, acaba por deixar que o tráfico tenha sua própria regulação e tenha como uma das consequências a violência vinculada principalmente a populações mais pobres. Por isso, defendo um ampla e real regulação de todas as substâncias.

16 jul 2015

Mercado vegano aposta na compaixão

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“O princípio da compaixão é o cerne de todas as tradições religiosas, éticas e espirituais, nos conclamando sempre a tratar todos os outros da mesma maneira como gostaríamos de ser tratados. A compaixão nos impele a trabalhar incessantemente com o intuito de aliviarmos o sofrimento do nosso próximo, o que inclui todas as criaturas, de nos destronarmos do centro do nosso mundo e, no lugar, colocar os outros, e de honrarmos a santidade inviolável de todo ser humano, tratando todas as pessoas, sem exceção, com absoluta justiça, equidade e respeito”. Carta Pela Compaixão Por uma nova civilização.

Comecei a postagem com um pequeno trecho da Carta Pela Compaixão porque acredito que a mudança de paradigma para a construção de uma civilização cada vez mais justa e amorosa precisa envolver todos os habitantes da Terra. Por mais que a mudança tenha origem no íntimo de cada ser, o outro sempre vai fazer a diferença. Vivemos em rede. A sua ação desencadeia muitas outras mesmo contra a nossa vontade.

As mudanças são geralmente difíceis e arraigadas de preconceitos e de excessos de ideologias. Abandonar o cigarro para mim, por exemplo, foi terrível. Foram várias tentativas frustradas e muitos apelos dos meus amigos mais queridos e do meu filhote. Já faz um tempão que deixei o cigarro. Fico feliz por deixar meu pulmão sudável e o ar que respiro mais limpo.

Agora estou em outra empreitada. Há quase um ano não como carnes (carnes de boi, frango, porco, peixe ou outro animal). Diminui bastante o consumo de leite e derivados. O queijo canastra ainda é meu fraco.

É difícil a mudança no padrão alimentar, principalmente para as pessoas que comem fora de casa. Meu filho adolescente ainda resiste, mas consegui diminuir bastante o consumo de carnes na minha casa. Não forço a barra ou provoco brigas desnecessárias. Simplesmente ofereço deliciosas opções de alimentos. Aos poucos, ele vai entender que a alimentação viva é mais saudável. Hoje, prefiro mil vezes um churrasquinho de vegetais servido em um barzinho da Savassi, em Belo Horizonte. Um espetáculo!

Enfim, aproveito a oportunidade para listar algumas empresas que também escolheram o caminho da compaixão, deixando a matéria-prima de origem animal de lado.

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Os sapatos da Insecta são coloridos, exclusivos e confeccionados a partir de roupas usadas. A palavra-chave da empresa é reaproveitamento: aumentar a vida útil do que já existe pelo mundo, sempre de modo criativo e descontraído.

Os mais diversos tecidos e estampas daqueles modelitos abandonados viram botas e oxfords veganos, sem nenhum uso de matéria-prima de origem animal.

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Para a alegria dos viciados em games e contra qualquer abuso físico, emocional ou ideológico contra animais, uma boa notícia! Foi lançado o tão esperado “Butcher goes Vegan”.

App Store: https://itunes.apple.com/us/app/butcher-goes-vegan-animals/id994940131?ls=1&mt=8

Google Play: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.arvingames.butchergoesvegan
queijo vegano
A Superbom inova o mercado de produtos saudáveis com a linha de queijos 100% vegetais. Queijos tipo muçarela, prato e provolone sem nenhum ingrediente de origem animal, fatiáveis e que, segundo a divulgação da empresa, derretem. Os produtos são os grandes lançamentos e a aposta da empresa para este ano.
creme dentel vegano
A marca Contente reconhece a importância do mercado Vegano. O Creme Dental Contente Plus não contém nenhum ingrediente de origem animal e não foi testado em animais.

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Os Produtos Milão não têm componentes de origem animal e são de origem extrativista, ou seja, são a principal fonte de renda de muitas comunidades do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, entre outros estados.

O sabão de coco é um produto recomendado por médicos para uso com roupas e contato com as mãos de pessoas sensíveis aos detergentes, que são os princípios ativos, petroquímicos, da maior parte dos produtos no mercado hoje. Os Lava Louças e Lava Roupas Milão não contém detergente, seu princípio ativo é o sabão de coco puro.

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“Os humanos imploram a misericórdia divina, mas não têm misericórdia dos animais, para os quais são divinos” Buda

“Cultivar estados mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a melhor saúde mental e a felicidade” Dalai Lama

 

14 jul 2015

Cães farejadores são os melhores detectores de explosivos e drogas

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Foto: Zenio Souza

Os policias da Rocca, Ronda Ostensivas com Cães Adestrados, iniciaram o Curso de Busca e Captura, um dos treinamentos mais importantes de adestramento de cães em matas com o objetivo de localizar e mobilizar criminosos em fuga. O cão será capaz de encontrar, pelo faro, pessoas escondidas em matas fechadas, penduradas em árvores e até mesmo debaixo de rios, lagos, cachoeiras ou riachos. Com a ajuda de um cão farejador, a policia pode mobilizar sem a necessidade de disparos por armas mortais.

O curso está dividido em disciplinas práticas e teóricas, como técnicas de obediência, Direitos Humanos, Polícia Comunitária e Cinotecnia. A carga horária é de 760 horas com previsão de término para outubro e envolve policiais de 27 canis do estado de Minas Gerais.

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Sargento Karine já tem dez anos de polícia militar. Há um ano e seis meses trabalha na Rocca. Já realizou dois cursos de treinamento. “Sempre sonhei em trabalhar com os cães da Rocca. Ambiente que tem animal é sempre melhor”. Ela é companheira inseparável de Athos, um labrador corajoso, mas também dócil e amigo das crianças da Escola Estadual Francisco Sales. Reveja o caso aqui.

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O treinamento dos cães começa ainda na fase de filhote, por volta dos 10 meses, quando ganham do treinador brinquedos de estimação e são adestrados nas brincadeiras de esconde-esconde. Segundo o tenente Albuquerque, o equilíbrio do cão é fundamental para a relação de confiança entre policial e animal.

A Rocca Belo Horizonte conta, atualmente, com 75 cães, sendo que 19 são idosos (aposentados). Os animais foram responsáveis, de janeiro de 2015 até agora, por: 30 prisões, 9,3 quilos de cocaína, 3,5 pastas de cocaína, 3.064 pinos de cocaína, 64,2 de crack, 3.280 pedras de crack, 12 armas, além de buchas e pés de maconha, munições, celulares, rádios de transmissão, coletes de uso da polícia, balanças, celulares e veículos.

Major Cinério acredita que os cães são verdadeiros heróis anônimos que trabalham de forma invisível, mas eficiente, no combate ao tráfico de drogas, além de detectar explosivos em ambientes púbicos.

Os cães da Rocca têm temperamentos diferentes, por isso recebem missões conforme a capacidade desenvolvida em treinamentos. Alguns são feras em encontrar drogas nos locais mais improváveis. Já outros são “explosivos”. Mesmo com detectores de bombas já disponíveis no mercado, o melhor amigo do policial ainda é mais confiável do que os experimentos.

Trabuco, por exemplo, é um Belga Malinóis de oito anos, responsável pela vistoria de explosivos no Mineirão na época da Copa do Mundo. Trabuco também zelou pela segurança da presidente da República Dilma Rousseff na última visita oficial em Belo Horizonte.

Impossível não amar Trabuco. Quando ele não está trabalhando, o cão policial é doce e aceita com gentileza afagos de uma repórter que ficou apaixonada por ele na primeira troca de olhares.

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Repórter Adriana Santos encantada com Trabuco

O tenente Jadir esclarece que alguns cães não se adaptam à vida militar. Ele lamenta também a morte da cadela Uara, no ano passado, em uma missão policial. Uara caiu em um buraco de um matagal e não resistiu aos ferimentos. O policial cita com orgulho a capacidade de trabalho dos principais cães farejadores  de drogas da Rocca.

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Foto: Jornal Uberaba

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