Categoria "Comportamento"
19 mar 2019

Saiba como desmistificar o aparecimento da “Momo” nos vídeos infantis de internet

momo

Por Adriano Teles, analista de TI, pai do Arthur e da Helena

Bom, todo mundo falando da Momo, mais uma vez… É, essa parada é sinistra mesmo.  Mas tecnologia é isso aí, infelizmente. Só tenho uma dica: se não pode ficar perto, não deixe usar.  E, por isso, continuo com a minha máxima: não consigo encontrar NENHUM motivo pra uma criança (de até 10 anos) ter um celular. Ninguém consegue me dar uma justificativa plausível. Mas cada um é cada um. Cuidem das suas crianças!

Bom, vamos lá:

Avaliando calmamente (e tecnicamente), tudo isso soa bem fake pra estar na plataforma sim. Sei que existe um tanto de gente má, travestida de doido, pedófilo, psicopata e tudo mais nesse mundo virtual. Sei também que existem bugs que podem ser usados pra substituir um vídeo pelo outro mas isso, pela própria plataforma, é tratado como um vírus e excluído quase que instantaneamente.  Além disso, existem as denúncias que são tratadas por pessoas e não pelos robôs.

Hoje em dia é muito fácil mesmo criar boatos para assustar tudo mundo, principalmente pais e mães. Mas digo, esse caso é um pânico coletivo, gerado por mentiras. Isso nos deixa com vontade de proteger cada vez mais as crianças, deixá-las dentro de uma redoma, se possível. Mas a gente não vai (e não deve) proteger de tudo, o tempo tudo. Aliás, isso não ajuda em muita coisa. Só torna a criança mais frágil, medrosa e sem possibilidades de tomar suas próprias decisões. Temos que ensinar elas à reconhecer riscos, avaliar, e se proteger sozinhas e, quando não der (ou não conseguirem) devem nos procurar.

Umas dicas sérias:
* Tenha conversas regulares com o(s) seu(s) filho(s) – conscientize-os sobre como estar seguro online – e entrem em um acordo sobre quais sites são apropriados para eles e garantir que entendam o raciocínio por trás disso. Eles também precisam saber que podem – e devem – confiar em um adulto se notarem alguma coisa perturbadora enquanto estiverem online;

* Certifique-se de que seu filho entenda que ele não deve “fazer amizade” com alguém online que não conhece na vida real ou adicionar números desconhecidos a seus contatos – as pessoas online nem sempre são honestas sobre quem são e o que querem;

* Ativar configurações de segurança – configurações como a reprodução automática devem ser desativadas e os controles parentais podem ser instalados para ajudar a evitar que as crianças visualizem conteúdo impróprio;

* Faça uso de recursos, como mudo, bloqueio e relatório – isso os protegerá de muitos conteúdos nocivos;

* Nunca compartilhe informações pessoais, como números de telefone, endereços, etc, com pessoas que você não conhece.

Com isso, digo que, devemos sim redobrar nossa atenção nesse mundo vil, mas também temos que fazer nosso “dever de casa” filtrando verdades de mentiras. Tirar nosso medo da frente dos olhos e pesquisar muito sobre tudo. É nosso dever e obrigação. Esse “trabalho” veio junto do nascimento das crianças. Sei que as informações sobre a Momo são perturbadoras, mas é isso que enfrentaremos por anos à fio nessa geração.

Mas e então, como lidar com Momo?

1. Pergunte para seu filho se ele já viu o Momo em algum vídeo. Como ele se sentiu? O que achou?

2. Fale a verdade. Conte para ele que o Momo é uma escultura chamada “Mãe Pássaro” e que não é REAL.

3. Reforce que o Momo não existe. Que ele não tem vida, o que existem são pessoas que querem assustar os outros. Deixe seu filho seguro de que os vídeos NÃO são reais.

4. Explique que não existe possibilidade do Momo (ou das pessoas que fazem o vídeo) saberem quem ele é, onde ele mora ou quem são as pessoas da sua família. REFORCE ISSO!

5. Acolha e dê segurança ao seu filho. Peça para que cada vez que alguém o assuste ou fale sobre o Momo com ele, que ele conte para você. Assim, você o ajudará a enfrentar e superar qualquer medo.

6. Jamais deixe sua criança assistir vídeos sem supervisão. A internet se tornou um lugar sem limites, por isso cabe aos pais dar esse limite.

18 mar 2019

As novas tecnologias ajudam no tratamento, mas não substituem a presença do profissional de saúde

saúdeA comunicação é a capacidade que o homem tem de comungar idéias, sonhos, projetos de vida e experiências culturais. São conjugações e construções de sentidos, por meio do diálogo, o principal reconhecedor e legitimador do outro na convivência. A compreensão da comunicação como dialógica é, sem dúvida, um dos modelos mais influentes da comunicação, que remonta à filosofia grega de Platão e Sócrates. É por meio do diálogo, que o cidadão conquista a capacidade de intervir nos processos da natureza e sua historicidade.

No entanto, os artefatos tecnológicos, como celulares, redes sociais, aplicativos e outras tantas possibilidades de mediação de sentidos, alteraram, significativamente, as distâncias geográficas e temporais e, consequentemente, as formas de interação social. O que significa dizer que as nossas experiências estão cada vez mais mediadas pelos inventos tecnológicos. Nesse sentido, o principal impacto da contemporaneidade na comunicação é uma grande valorização dos meios tecnológicos e uma pouca reflexão sobre os sentidos tecnológicos.

Diante de uma valorização excessiva das mediações tecnológicas e das urgências nas relações sociais e interpessoais, a comunicação perde algumas características fundamentais: a capacidade de ouvir e aceitar o outro na sua complexidade. Em se tratando de saúde, o atual cenário é ainda mais preocupante, já que a comunicação entre o profissional de saúde e o paciente se afirma como elemento essencial na sua promoção. O acolhimento, a escuta, o afeto, a cooperação e conversa operam criando um modo próprio de governar os processos terapêuticos, de estabelecer espaços de negociação, possibilitando a troca de conhecimentos.

Quando voltamos um pouquinho no tempo, temos a sensação que a relação entre o médico, o paciente e os seus familiares tinha bases mais sólidas, contribuindo para o sucesso do tratamento oferecido pelo profissional. Infelizmente, aquele médico da família, que acompanhava todos os seus integrantes ao longo da vida, não existe mais. Talvez alguns poucos profissionais, com bases na linha mais tradicional da medicina, ainda consigam estabelecer relações afetivas duradouras com seus pacientes.

Uma das hipótese para o “esfriamento” da relação médico-paciente seja o avanço dos artefatos tecnológicos, que proporciona notáveis benefícios ao diagnóstico precoce de várias doenças, salvando vidas. No entanto, ao mesmo tempo, as máquinas que promovem o prolongamento da vida distanciam as relações entre profissionais de saúde e pacientes ávidos por uma atenção diferenciada. Outra hipótese muito presente no meio acadêmico é o foco na especialização médica, subtraindo a correlação entre as partes e a totalidade.

Segundo o autor do livro “Câncer no reto: meu paciente e eu”, Geraldo Magela Gomes da Cruz, a relação médico-paciente é movida por amor. Por isso, a necessidade do contato físico e o aperfeiçoamento das técnicas de comunicação com foco no atendimento médico. Ele relata que nas décadas de 60 e 70 os cânceres retais eram operados sem muitos recursos tecnológicos. Diagnosticado o tumor, o paciente era submetido a uma cirurgia altamente mutiladora. As consequências eram: impotência sexual e incontinência urinária. “Como tudo era empírico, as mentiras ficavam soltas: “a colostomia vai ser revertida quando seus eosinófilos atingissem 50% no sangue circulante”, dentre outras tantas. Hoje, com o Google, isto não seria possível. O paciente, hoje em dia, não suporta esperar por uma resposta do médico. Ele quer uma resposta para suas dúvidas ou alívio para sua dor agora!”, esclarece o autor.

O coloproctologista Geraldo Magela alerta que “perdemos a noção de tempo e de espaço: todos estamos ligados instantaneamente e independentemente de onde estejamos. Parece que o médico está presente e disponível o tempo todo! Por isso, é importante aprimorar e saber usar os métodos de comunicação, se não vai estar fadado a permanecer desatualizado e alheio às tendências”.

Ainda segundo o autor do livro “Câncer no reto: meu paciente e eu”, as novas tecnologias, como por exemplo as redes sociais, ajudam no exercício das atividades médicas, mas nada substitui a presença física do profissional. “A rede social vai facilitar a relação, em tempo (imediatamente) e espaço (seja lá onde o médico estiver). O paciente que está com dor não pode esperar um médico atender um telefone fixo 3 ou 4 horas depois, é preciso que ele atenda o Whatsapp ou SMS e na hora dê uma solução, orientação”, finaliza.

16 mar 2019

Tuberculose é a doença infectocontagiosa que mata cerca de um milhão de pessoas por ano

Arquivado em Comportamento, saúde, SUS

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No dia 24 de março é celebrado o Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose. A data foi criada em homenagem ao descobrimento do bacilo causador da doença pelo médico Robert Koch, em 1882, e até hoje é um importante meio de conscientização. Em todo o mundo, são cerca de 10 milhões de novos casos e mais de um milhão de mortes por tuberculose por ano, segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2017.

No Brasil, ocorrem cerca de 4,6 mil mortes em decorrência da tuberculose a cada ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A doença infectocontagiosa que mais mata no mundo, superando inclusive o HIV/AIDS. Só em Minas Gerais, foram notificados mais de 3 mil novos casos da doença em 2017, sendo que a região metropolitana de Belo Horizonte concentra, aproximadamente, um terço dos casos do Estado. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, dos 1.075 novos casos de tuberculose em 2016, 800 eram de moradores da capital, ocorrendo a morte de 30 pessoas.

A tuberculose é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, ou bacilo de Koch. Transmitida de pessoa para pessoa, principalmente por via aérea, em situações comuns como conversar, espirrar e tossir, é causada pela referida microbactéria que afeta principalmente os pulmões, e também pode atingir qualquer outro órgão, como ossos e rins.

De acordo com Leonardo Meira, médico pneumologista do Hospital Felício Rocho, a gravidade da doença pode variar de acordo com diversas condições, incluindo desde características individuais do paciente, como a presença de doenças associadas antecedentes, estado nutricional, imunológico e perfil de resistência da microbactéria. Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de identificação e cura.

Os sintomas mais comuns da doença são a tosse habitualmente produtiva e contínua, além de sintomas sistêmicos, como febre baixa, falta de apetite, cansaço excessivo, sudorese noturna e a perda de peso. Diagnosticar e tratar de forma correta os casos de tuberculose são as principais medidas para o controle da doença. O tratamento tem a duração de no mínimo seis meses e os medicamentos são fornecidos gratuitamente e exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

No entanto, um dos maiores desafios é a adesão do paciente ao tratamento. A taxa de cura, em 2016, foi de 69,1%, com 11,5% de abandono. “A adesão é prejudicada pela extensão do tratamento e potenciais efeitos colaterais como a toxicidade hepática, além de rótulos estigmatizantes. Não existe exclusão de faixa etária, nível social ou sexo, embora dados corroborem a maior prevalência em populações com maior desamparo social. Uma das principais formas de interromper a progressão da doença dentro do contexto familiar e social, principalmente em comunidades carentes, é a adequada identificação dos contatos domiciliares e a adequada implementação da estratégia DOTS (Tratamento Diretamente Observado), fundamental na atenção básica”, explica Leonardo Meira.

Segundo o médico, o paciente precisa ingerir de dois a quatro comprimidos, em jejum, por dia durante seis meses. Mas, após os 20 dias iniciais, habitualmente não há mais transmissão da doença. Entre as principais causas de abandono, conforme citado, também está o tempo prolongado do tratamento: “Muitas pessoas param de tomar os medicamentos quando os sintomas desaparecem. O tratamento é longo, mas deve ser completado independente da melhora nesse tempo, já que os tratamentos irregulares podem levar à resistência ao esquema básico (RIPE)”, completa o pneumologista.

EM MINAS GERAIS

Em Belo Horizonte, todos os Centros de Saúde realizam o diagnóstico e o tratamento gratuitamente, além de oferecer a vacinação dos recém-nascidos com a BCG. A capital mineira atende também casos de moradores de outras cidades da Região Metropolitana, que representam em média 25% dos casos notificados pelo município.

A estratégia empregada por Belo Horizonte para controlar a doença consiste no uso dos medicamentos sob a supervisão direta de um profissional de saúde devidamente treinado para tal. Inclusive, esse tipo de tratamento, denominado Tratamento Diretamente Observado (TDO), é indicado pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de aumentar a qualidade do diagnóstico, identificar precocemente os casos de resistência ao medicamento e, assim, diminuir a taxa de abandono para que sejam toleráveis até 5%.

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