Categoria "Comportamento"
02 mar 2016

Depressão é a segunda causa de afastamento do trabalho no Brasil

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Imagem/Google

Por: Maria Inês Vasconcelos – Advogada Trabalhista, especialista em direito do trabalho, professora universitária, escritora

Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, até 2020, a depressão será a maior causa de afastamento do trabalho, no mundo. No Brasil a situação é gravíssima e clama por atenção dos envolvidos. De acordo com informações colhidas junto ao site do Senado Federal, a depressão é hoje a segunda causa de afastamento do trabalho no território brasileiro, só perdendo para as Lesões por Esforço Repetitivo (LER), também denominados Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

E não é só. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) em parceria com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) revela que 48,8% dos trabalhadores que se afastam por mais de 15 dias do trabalho sofrem com algum transtorno mental, sendo a depressão o principal deles.

Dentro desse enfoque, a depressão vira uma questão social, deixando de se encaixar como um problema meramente corporativo,  assumindo feições  de verdadeira epidemia.

Para os que não sabem, de acordo com o Art. 20 da Lei Nº 8.213 /91, a depressão pode ser incluída como doença profissional, desde que comprovado o nexo com o trabalho. Isto quer dizer que, se restar demonstrado que foi o ambiente laborativo, com todas as suas características nocivas, a plataforma disparadora da depressão ou o agravador da patologia, em determinadas circunstâncias, o patrão pode ser declarado culpado.

Para que não paire dúvidas, os prejuízos decorrentes desses afastamentos e dessas indenizações  são incalculáveis, não sem considerar que a depressão é por sua natureza, uma patologia, que tem nuances próprias, sendo a reincidência uma de suas marcas.

Além de representar custos elevadíssimos para o patrão, a depressão do trabalhador causa problemas de toda ordem dentro de uma instituição, comprometendo de forma direta o resultado financeiro da empresa. É o caso dos bancos.

Dentre os setores que mais produzem trabalhadores deprimidos, podemos destacar realmente os bancos brasileiros, que são realmente máquinas de adoecimento, na medida em que levam seus funcionários ao limite emocional e físico.

No setor bancário, a reorganização do trabalho, aceleração tecnológica, a onda de privatizações, fusões e programas de demissão incentivada, acrescidos pela pressão para o atingimento de metas, as longas jornadas, e constante medo do corte demissional, bem como assédio, são as principais causas da depressão. Pode-se dizer, que os bancos fabricam deprimidos.

Para os especialistas, que ainda engatinham na solução desse problema, os programas de qualidade de vida adotados pelas empresas poderiam atenuar os casos de doença e  ajudar no processo, seja na forma de suporte necessário ao funcionário deprimido seja pela prática de ações gerais de prevenção à saúde e melhoria do bem-estar.

Segundo a psiquiatra Silvia Jardim, que estuda o assunto com profundidade e coordena o Programa de Atenção à Saúde Mental dos Trabalhadores (PRASMET/IPUB/UFRJ), as depressões irrompem o século XXI como “mal do século” e o mal-estar no trabalho chega ao suicídio. “São tempos em que as pessoas se queixam da falta de trabalho, da ameaça de perdê-lo ou das pressões a que se submetem para preservá-lo”.

Dessa forma, a depressão clama por atenção, sendo necessário que haja união de forças e um entorno social entre na agenda de empresários e órgãos de classe, bem como do próprio INSS.  Esse cenário alarmante clama por políticas claras que possam combater, ou pelo menos atenuar esse panorama tão triste e tão real.

01 mar 2016

Você acredita em transição planetária para um mundo melhor?

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Para algumas pessoas já estamos na grande transição planetária. Todas as doutrinas religiosas falam de alguma maneira na construção de um mundo melhor, quando o bem irá triunfar no planeta Terra. Então espíritos nobres, de outra dimensão, que nós chamaremos seres angélicos, encarnarão na Terra e os maus não terão chances de continuar. Eles irão para mundos inferiores transitoriamente, porque Deus não castiga. Quando eles evoluírem, vão alcançar uma terra melhor. O porvir é abençoado. Hoje é um mundo de provas e expiações, o do futuro é um mundo de regeneração.

Confesso que é difícil acreditar em um mundo melhor diante de tantas atrocidades cometidas contra o planeta Terra. Nosso clima está cada vez mais quente. Animais e plantas entram em extinção por conta da nossa negligência. Doenças do passado ainda assuntam homens, mulher e crianças do presente. O terrorismo é uma triste realidade de quem não consegue coexistir com a diferença. As guerras continuam matando nossos jovens. As drogas destroem sonhos. No entanto sou uma otimista de carteirinha e prefiro acreditar que em algum momento da nossa história estremos verdadeiramente conectados com o divino. E você, acredita na transição planetária?

Conversei sobre transição planetária com Mônica de Medeiros, médica e sensitiva, cirurgiã formada pela Unicamp, mestrado na University of Illinois at Chicago. Fundadora e presidente da Casa do Consolador, centro universalista de fundamento cristão e base kardecista. Confira:

O que é transição planetária?

Dá-se o nome de transição planetária a todo período no qual um planeta muda sua sintonia vibratória, para um nível quântico superior, ou seja, num paralelo com música, seria aumentar uma oitava. Este movimento energético atinge a todos os seres manifestos no planeta, encarnados ou desencarnados, pois a mudança vibracional é devida a um aumento da energia quântica, o que acelera todos os átomos planetários, tanto a nível da 3ª dimensão – mundo físico- quanto de todas as demais que existem neste orbe.

Quando começou e até quando a Terra vai passar pela transição?

Provavelmente, o processo de transição planetária começou no século XIX, quando nasceram Espíritos de vanguarda, trazendo inovações em todos os campos do saber, melhorando a vida de modo geral. Se a humanidade tivesse compreendido a nova lição, estaríamos, hoje, em meio a um processo de transição pacífica e progressista. A partir de 1986, a Terra entrou no chamado feixe de fótons que vem do centro da galáxia e é potencializado pela estrela Alcyone, das Plêiades, chamada de “ O sol dos sóis”, pelos incas. A partir daí, acelerou-se o processo, com modificações geofísicas, atmosféricas. É mais que sabido que o dia não tem mais 24hs. Existem estudos comprovando o que sentimos no dia-a-dia. A camada de ressonância de Schumann, marca-passo planetário, vem apresentando uma frequência crescente o que interfere, diretamente, nas ondas cerebrais dos seres vivos.

Alguns textos sobre transição planetária informam  que as pessoas, durante este período, percebem mudanças de comportamento, de padrão alimentar, da presença de algumas alegrias e até mesmo do desenvolvimento de algumas capacidades psíquicas, como por exemplo, a telepatia. O que tem de verdade em tudo isso?

Lembra-se que falei sobre o acelerar da camada de ressonância de Schumann? Fato cientificamente comprovado, concorre para o acelerar das ondas cerebrais dos encarnados e mentais dos desencarnados. Isso aumenta a percepção extra-sensorial , promovendo as faculdades mediúnicas, a intuição e, igualmente, os desajustes psicológicos,  naturais em seres tão debilitados moralmente, quanto nós. Estamos vivendo os primórdios de tempos em que as ditas doenças psiquiátricas se manifestaram em número assustador de pessoas, em que atos inimagináveis há uma década atrás, se tornem corriqueiros.

Estamos entrando na quarta dimensão? O que significa isso?

Não. A 4ª dimensão é o que entendemos por plano espiritual. Ou seja, local onde se encontram as colônias de luz, como Nosso Lar, os umbrais médio e grosso. Logo, não estamos entrando na 4D, somos provenientes dela e estamos na 3D , quando encarnados.

A Nova Terra, planeta de regeneração, terá, ao longo de séculos, o estabelecimento harmônico de uma vibração mais alta, que conheceremos como 5ª dimensão. Mas até lá, viveremos nesta interface 3D/4D.

A mudança climática, as doenças provocadas pelo mosquito da dengue e as doenças neurológicas têm alguma relação com a transição planetária?

Então, a pergunta é: quem criou esses vírus? Serão naturais ou armas biológicas. Somente o futuro responderá a isso. A relação entre o zikah vírus e a microcefalia e a Síndrome de Gillian-Barret ainda está para ser ratificada. Contudo, do ponto de vista espiritual, sim, estão relacionadas com a transição planetária. Veja, existe um contingente elevado de Espíritos cujos atos impensados causaram-lhes carmas, imensamente, pesados. Como não haverá oportunidade futura de reencarne para eles, na Terra, por causa da transição para um nível quântico incompatível com Espíritos trevosos, eles são reencarnados de modo compulsório e com todas as restrições cerebrais necessárias para que não tenham possibilidades de fazer mais mal a si mesmos. Estes Espíritos em encarnações compulsórias pesadas, estão sofrendo o processo de limpeza perispiritual necessário para poderem gerar corpos menos deficientes, em seus novos planetas, pois que serão exilados, onde se lhes aguarda o concurso das inteligências primorosas que possuem, para o desenvolvimento de suas novas moradas. Desta forma, o mal serve ao Bem Maior.

Podemos esperar a chegada de novos mestres para nos ajudar na transição planetária?

Sim. Eles já estão nascendo desde 2000. São os seres conhecidos como cristais. Possuidores de inteligências racional, emocional e espiritual mais equilibradas e desenvolvidas, trazem a energia da nova era, onde a lei da fraternidade imperará, finalmente, na Terra.

As novas descobertas científicas  sobre o universo, as divulgações de sons vindos atrás da lua e o interesse por alienígenas fazem parte do processo de transição planetárias?

Os extraterrestres estão acompanhando de perto essa nossa transição. Estão aqui, de modo, progressivamente, ostensivo, desde os aos 40-50, quando se apresentaram às potencias mundiais, propondo um progresso em todos os campos, se abandonássemos as pesquisas nucleares, com fins armamentistas. Infelizmente, a mesma proposta, mas com fins nada pacíficos, foi feita por extraterrestres em nada alinhados com a Lei da Fraternidade e o medo do inimigo fez com que a opção fosse pelo lado que oferecia armas e não a cura do câncer. Contudo, como somos considerados, desde sempre uma raça hostil e primitiva, com poder atômico, nos tornamos um risco para os planetas vizinhos e, por isso, aqui permaneceram os extraterrestres confederados, ou, do Bem.

Com a permissão de Jesus  e cumprindo um programa de aprimoramento genético para a nova raça humana, que será formada por seres cristais, os extraterrestres têm interagido com a humanidade de modo, inicialmente, oculto e, a partir de 2010, de modo ostensivo. Há uma diretriz ética que os impede de interferir pois a Terra nos “pertence”. Respeitando esta diretriz, eles observam, atuam através da expansão de consciência de abduzidos e contatados, estudaram , profundamente, o DNA humano, aprimorando-o , criando híbridos como os índigos e os atuais cristais.

Atualmente, manifestam-se em centros espíritas de todo Brasil e em Portugal, sabidamente, aproximando-se de nós, quebrando barreiras de medo, criando laços que, em breve, espero, se traduzam num contato em massa com uma humanidade polida por extremo sofrimento, depurada de seus filhos mais densos, acolhendo ao próximo, como seremos acolhidos por nossos irmãos extraterrestres. Momento em que voltaremos a fazer parte da família universal.

Estamos em uma nova ordem mundial?

Existe no planeta uma força trevosa, conhecida por Governo Oculto que é formada por lemurianos, atlantes, nibiruanos, humanos empedernidos no mal, draconianos ( reptilianos do Sistema Draco), grays. Esses seres governam a 3D com nossa permissão, sendo responsáveis pelo crime organizado, drogas, prostituição, sistema financeiro, industrias que se alimentam da dor, da miséria, pela maioria dos governos. Esses seres querem estabelecer uma nova ordem mundial, onde seremos escravos conscientes de seus desmandos e arbritariedades.  Ainda não estabeleceram tal nova ordem mundial mas estão próximos de o conseguir.

A nossa espécie será mais evoluída moralmente e biologicamente? Como?

A maior evolução moral definirá a maior evolução física. São aspectos diretamente proporcionais. Os seres que comporão a Nova Raça humana, já são de maior evolução que a média da atual humanidade, encarnada e desencarnada. Gerarão corpos mais harmônicos e equilibrados, principalmente, no sistema límbico, sede onde nossas emoções se tornam neurotransmissores. Viverão pela lei da fraternidade e o planeta viverá um período de crescimento como nunca antes visto.

O que podemos esperar nesta transição?

Shellyana das Plêiades ensina que: “uma raça violenta gera uma transição rude e difícil. Uma raça mansa, uma transição pacífica e equilibrada. ” A lei da causalidade impera em todo universo. Logicamente, iremos colher tudo o que plantamos. Passaremos, como já estamos passando, por tribulações de toda sorte, perda de referências, quebra de paradigmas, queda de instituições, o mal vindo à tona, doenças mentais como depressão, síndrome do pânico, distúrbio da ansiedade crescendo em progressão geométrica. A fome, a violência, doenças parceiras de nosso dia-a-dia. O medo de perda de nossos entes queridos, de nossos bens, de nossa liberdade nos assolando cada vez mais. O que não conseguimos aprender pelo bem, aprenderemos pela dor. Será obrigatoriamente assim? De modo algum. Depende apenas de nossas escolhas. Apenas de nossas escolhas. Somos todos, igualmente, responsáveis.

29 fev 2016

“Brasil é um dos países que mais produz musicais”, comemora artista mineira

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Suellen Ogano/Arquivo pessoal

O teatro musical no Brasil já tem em torno de 150 anos.  O primeiro espetáculo de revista escrito e encenado no país chamou-se “As surpresas do senhor José da Piedade”, texto de Figueiredo Novaes. A peça ficaria em cartaz por apenas três dias, tendo sido proibida por atentar contra a moralidade das famílias, no Rio imperial de 1859.

No período de 1960 foi marcado pelas atrizes Bibi Ferreira e Marília Pêra. No período do regime militar, foi considerado uma forma de protesto contra a política. Chico Buarque teve grande participação nessa época, criando espetáculos como Roda Viva (1968), Calabar (censurada, dias antes de estrear), Gota d’Água (1975) e Ópera do Malandro (1978).

Em 2001, os espetáculos começaram a ser produzidos ao estilo da Broadway, com figurinos, cenários e textos idênticos, mas com as versões das músicas em português. A primeira grande produção foi “Les Misérables” (Os Miseráveis), seguido de “Chicago”, “A Bela e a Fera” e “O Fantasma da Ópera”, sendo grandes sucessos de bilheterias.

A cada ano, os musicais conquistam o gosto do brasileiro. O estilo se popularizou ainda mais por meio da “Máquina da Fama”, um programa de competição entre covers do SBT, um sucesso de audiência. Sob o comando de Patrícia Abravanel, os candidatos recebem uma super produção para se apresentarem como seus artistas preferidos. Cada performance é avaliada com notas de um a dez. As 3 notas mais altas são premiadas.

Suellen Ogando é mineira, jornalista, atriz, cantora, pós graduada em História da Arte e Cultura pela UFMG. Ela participou  3 vezes do programa Máquina da Fama/SBT  sempre com um número inédito de Teatro Musical na TV Aberta no país. “Devo muito aos produtores e diretores por acreditarem em meu trabalho e sugestões, e somos os pioneiros na exibição de musicais na TV Aberta,  uma vez que estudo muito e estive na Europa com pesquisa de campo”.

Em sua primeira passagem pelo “Máquina da Fama”, em 2014, Suellen interpretou Catherine Zeta Jones. Já na segunda vez em que participou do programa de Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, a mineira deu vida a Carmem Miranda. A última apresentação Suellen interpretou a clássica personagem Mary Poppins, sucesso dos estúdios Disney no ano de 1964.  A atriz, que tem dedicado boa parte da sua carreira aos musicais, é uma das principais divulgadora dos musicais no Brasil. Em breve, ela estará lançando seu livro: O Que é o Teatro Musical: Uma Perspectiva da História, Influências, Origens , Broadway, West End e Brasil pela Editora Giostri ( de SP)

Conversei, por e-mail, com a nossa diva que comemora o boom dos musicais. “ Brasil está entre os países com grandes produções de musicais e com elencos elogiados”, diz entusiasmada.

All That Jazz

Adriana Santos: Como surgiu a oportunidade de participar da Máquina da Fama do SBT?

Suelen Ogando: Eu tinha acabado de chegar da Europa e havia pesquisado Teatro Musical, inclusive vários programas de TV na Inglaterra, Itália, França, Espanha, etc, sempre tinham números de Teatro Musical. E o Brasil como está na crescente produção do mesmo, fui atrás da produção do programa e propus fazer números inéditos dos musicais famosos na tentativa de popularizar o gênero também na Tv Aberta do país.

Adriana Santos: Na sua opinião, qual o motivo do boom dos musicais no Brasil?

Suelen Ogando: Desde de 2001 com Les Misérables tido como um dos primeiros de franquia internacional produzidos no Brasil, os musicais estão crescendo, assim como os Biográficos Brasileiros ( exemplo: Tim Maia, Elis Regina, Cássia Eller, Chacrinha, dentre outros). Acredito que um dos motivos deste “boom” é a facilidade do público de entender a dramaturgia sendo contada através dos diálogos, canto e dança. Os musicais são um mix de artes apresentadas no palco, que encantam o público. Em 2013/2014 quando os musicais foram apresentados gratuitamente em São Paulo, com a iniciativa do Atelier de Cultura junto ao SESI/SP se pôde ver a ampliação da tentativa de popularização do gênero. Pessoas de vários cantos do Brasil foram assistir “A Madrinha Embriagada” versão brasileira de Drowsy Chaperone e Homem de La Mancha em 2014/ 2015, que foram sucesso de público. E com as várias produções recentes em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte ( Colados- Uma Comédia Musical Diferente – a primeira franquia de musical espanhol no Brasil) , Ceará ( com Avenida Q.) se comprova que o público brasileiro se encantou pelo gênero. Várias escolas surgiram também para a formação de profissionais, o que é bom, pois assim não necessariamente se precisa ir para New York e London estudar. Viva o Teatro Musical e que cada dia possa dar mais empregos para os artistas que há anos estudam ou até mesmo aqueles que caíram de paraquedas…. rs Um fato interessante é que com a popularização do gênero virou “moda”, um fato que o elenco do musical Antes Tarde do Que Nunca, de Miguel Falabella, fizeram uma paródia com a música All About That Bass, que vale a pena ser visto para se ter uma noção do atual mercado.

Adriana Santos: Quais os desafios de produzir musicais no Brasil?

Suelen Ogando: Capitar os valores para se produzir musicais é uma árdua tarefa e conquista das produtoras, pois envolve um elenco enorme, orquestra, cenários, figurinos toda uma infraestrutura gigantesca por trás. Assim como manter o elenco e infraestrutura completos nas turnês pelo Brasil.

Outro desafio é produzir versões com boas traduções do texto e canções. Inclusive é um trabalho novo dentro do cenário brasileiro, que pode crescer cada dia mais.

Um desafio mais recente que é debatido em vários seminários e cursos é sobre como fazer um Teatro Musical Brasileiro sem cair nos biográficos ou nos de Chico Buarque. É preciso se pensar uma estrutura/roteiros novos que possam alcançar o público e cair no gosto dos brasileiros.

Mais um desafio é se fazer Teatro Musical mais acessível financeiramente ao público, pois em geral é caro para a maioria do povo brasileiro, o que acaba elitizando. Mas ressalto que algumas produções realização a “Sessão Popular” em um dia específico da semana , com preços mais baixos, assim como é feito na Broadway e em West End.

Adriana Santos: Como é o preparo técnico de um artista que atua nos musicais?

Suelen Ogando: Para ser um artista de musical é preciso saber Cantar ( Belting- técnica própria para os musicais da Broadway/West End, MPB- para os musicais brasileiros, Pop ou Rock- para os musicais nesta linha, assim como o Legit/Opera para os musicais mais operísticos como exemplo o Fantasma da Ópera, O Rei e Eu, West Side Story, dentre outros). Dançar ( Ballet, Jazz, Sapateado são primordiais mas se souber outros estilos como: Salsa, Tango, Hip Hop, Show Style tudo agrega). Assim como saber Atuar de forma verossímil. Ou seja é preciso compreender várias linguagens do canto, dança, interpretação. Tem que ser um artista multifacetado!

Adriana Santos: Na sua avaliação, quais os melhores musicais dos últimos tempos?

Suelen Ogando: São tantos musicais maravilhosos e com temáticas diferentes…. Mas bem… quem me conhece sabe que eu amo Mary Poppins ( pela estética do sapateado, histórica mágica com canções que amo), Sweeney Todd ( pela estética do terror, com comédia e drama, assim como canções do sensacional Stephen Sondheim mesmo compositor do Musical Gypsy. Maltida The Musical ( pela estética de apresentar crianças no elenco multifacetadas com uma história que toda família pode ir ao teatro- chamado de Family Musical Theater, assim como A Família Addams) , Wicked ( por contar a história até então desconhecida de Elphaba e Glinda , as bruxas de Oz, com canções que são sucesso em 12 países com cerca de 48 milhões de pessoas que viram em todo o mundo), Les Miserables ( por contar a história da revolução francesa com a queda da Bastilha, além das belas canções de Claude Michael Schonberg) . Dos Brasileiros, Tim Maia- Vale Tudo ( pela estética do canto MPB, com um elenco sensacional), O Grande Circo Místico ( pelo resgate da composição de Chico Buarque com Edu Lobo e finalmente ser um musical, já que foi criado para o Balé Teatro Guaíra), Bilac Vê Estrelas ( pelo resgate histórico do grande poeta Olavo Bilac ), Nuvem de Lágrimas ( pelo resgate da música sertaneja de raiz que faz parte da história musical do nosso país), mas tem muitos maravilhosos.

Adriana Santos: Qual o seu musical dos sonhos?

Suelen Ogando: Mary Poppins (como Mrs. Corry , já que para Mary Poppins não tenho o sapateado ultra avançado que se precisa … rs) , Sweeney Todd ( como Mrs. Lovett), Gypsy ( como Mama Rose) , My Fair Lady ( como Eliza Doolitle ), Wicked ( como Elphaba ou Madame Morrible), Chicago ( como Velma). Anything Goes ( como Reno Sweeney). Eu amo vários Musicais!

 

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