Categoria "depressão"
31 mar 2020

Psicóloga de BH faz atendimento on line para ajudar pessoas no enfrentamento da solidão social

Imagem: Borya

A quarentena adotada pelo Brasil para tentar controlar os casos do Coronavírus (COVID-19) impacta a nossa saúde mental, desencadeando, muitas vezes, comportamentos como: ansiedade, depressão e abuso de substâncias.

Diante de um momento tão desafiador, alguns psicólogos voluntários estão oferecendo atendimentos virtuais, com base na prerrogativa do Código de Ética Profissional que defende o dever do psicólogo em prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência. Uma dessas ações está sendo desenvolvida pela psicoterapeuta Letícia Faleiro, preocupada com a repercussão do isolamento na saúde mental da população.

Em suas redes sociais, a profissional lançou uma campanha social na qual oferece apoio psicológico voluntário com o objetivo de ajudar as pessoas a lidarem de forma mais saudável com esse momento.

 

Entrevistei a psicóloga Letícia Faleiro, por e-mail @leticiafaleiropsicologa

Confira:

Adriana Santos: Quais os possíveis impactos na saúde mental por conta do isolamento social, medida exigida pelos governos no controle do coronavírus?

Psicóloga Letícia Faleiro: Por sermos seres sociais, o isolamento vivido pela pandemia nos expõe à restrição da convivência com outras pessoas e, consequentemente, temos reflexos disso na nossa saúde. Precisamos de outras pessoas para viver, assim como elas precisam de nós. A restrição social pode agravar sintomas que já existiam bem como ser um estímulo para o desenvolvimento de novos sintomas. Na minha prática clínica, tenho identificado uma intensificação dos sintomas relativos aos transtornos de ansiedade e depressão.

As fobias podem ser agravadas?

O medo é uma sensação comum a todos nós, contudo, entre o medo e o pânico, temos uma distância importante a ser considerada. O medo aciona os nossos mecanismos de proteção, defesa e fuga diante de situações ameaçadoras. O pânico nos paralisa e nos expõe de forma limitante às situações perigosas.

Vivemos um momento diferente, ainda que não seja o primeiro. Em outros momentos na história da humanidade foram necessários cuidados coletivos para melhor compreender os acontecimentos e tomar medidas preventivas e corretivas adequadas para a preservação da saúde. É tempo de resgatar o senso de coletividade essencial para nossa sobrevivência.

O que podemos fazer para amenizar a ansiedade nos momentos de Coronavírus?

A forma que reagirmos ao que está acontecendo pode ser decisiva para a nossa sanidade mental e corporal. Por isso, compartilho com vocês algumas dicas que considero importantes para vivermos esse momento da forma mais protetiva e equilibrada possível.

a) Busque informações em FONTES CONFIÁVEIS e não compartilhe notícias falsas. Escolher um momento do dia para se informar pode ser uma boa maneira de se blindar do excesso de informações.

b) Se você não faz parte do grupo de risco e está sem sintomas da doença, OFEREÇA AJUDA para as pessoas ao seu entorno.

c) DIVIDA AS ATIVIDADES DOMÉSTICAS entre as pessoas do seu convívio. Com o ambiente externo organizado temos mais facilidade para acalmar o nosso interior. Além disso, dividindo as tarefas não haverá sobrecarrega e, assim, também cuidamos das pessoas que amamos.

d) Se vai trabalhar em HOME OFFICE, estabeleça horários e escolha um espaço privado para executar o trabalho com seriedade.

e) Sabe aquele CURSO ONLINE GRATUITO que vai enriquecer o seu currículo ou aquela videoaula de culinária que você tanto gosta? Tá aí um bom momento!

f) Se você é um PROFISSIONAL AUTÔNOMO, talvez possa oferecer soluções virtuais criativas para que as pessoas se ocupem e conheçam o seu trabalho.

g) Convide seus amigos para participarem de GRUPOS ONLINE de livros ou filmes, assim terá companhia para sorrir ou chorar ao final do capítulo. A solidão experimentada nesse momento pode ser um gatilho para sintomas depressivos, portanto, use a tecnologia a favor da saúde mental!

h) Tente EXERCITAR o seu corpo. Há vários educadores físicos disponibilizando aulas gratuitas nas redes sociais durante esse período.

i) Faça um TOUR VIRTUAL naquele museu internacional que você tanto admira.

j) Promova ATIVIDADES DIVERTIDAS com as crianças utilizando materiais recicláveis.

k) Converse sobre ASSUNTOS ALEGRES durante as refeições.

l) Se estiver difícil lidar com esse momento sozinho, PROCURE AJUDA. Vários profissionais da Psicologia estão disponíveis por meios digitais oferecendo orientação e acompanhamento qualificado.

Quais as alternativas para aliviar os sintomas de manias de limpeza?

Cuidar da higiene pessoal e do nosso ambiente tem sido uma instrução para contribuirmos com a prevenção e controle da doença, contudo, um comportamento extremo em relação a essa medida pode ser um alerta. Pessoas que já vivenciavam uma mania de limpeza ou que possuem predisposição para desenvolver esse comportamento podem ter o quadro psíquico agravo nesse momento. É preciso considerarmos que o pânico e a preocupação excessiva com a higienização nos coloca mais vulneráveis a desenvolver doenças por fragilizar o nosso sistema imunológico.

Uma intervenção indicada para esses casos é conscientizar às pessoas que estamos vivendo um cenário momentâneo, compartilhado com todo o mundo e que a forma buscar o equilíbrio pode ser uma maneira eficaz para lidarmos com tudo isso.

Atendimento à distância

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) regulamentou em 2018 os atendimentos psicológicos à distância com base em pesquisas científicas que comprovaram a eficácia da psicoterapia virtual em relação à presencial, revelando-a como uma prática viável e promissora. Além disso, a comodidade, economia de tempo e redução dos gastos com deslocamento tem tornado a psicoterapia online mais acessível e preferida por muitas pessoas.

São diversas as possibilidades de assistência por meio virtual e, para isso, é obrigatório que o profissional esteja inscrito e autorizado pelo Conselho Federal de Psicologia para prestação do serviço. As sessões podem ser realizadas por chamadas de vídeo, áudio ou mensagens escritas. O valor da sessão é estipulado conforme a tabela de honorários sugerida pelo conselho profissional. Para o cuidado com o sigilo e confidencialidade dos atendimentos, é importante estar em um ambiente privado, sem interrupção e utilizar um computador ou celular pessoal.

27 mar 2020

A Hipnose é uma aliada no tratamento de ansiedade

Divulgação

A ansiedade já é considerada um dos principais males deste século. Esta é uma doença que tem a capacidade de desordenar a vida de quem a possui e vem atingindo uma parcela cada vez maior de pessoas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse transtorno atinge cerca de 33% da população mundial. O Brasil está no topo do ranking de países que mais sofrem com essa doença – mais de 9% da população sofre com o problema.

Entre os inúmeros motivos que podem desencadear o transtorno estão os fatores emocionais que se desenvolvem desde a infância ou a partir da vida adulta. Ao procurar tratamento, a opção mais comum é a terapia, que pode vir acompanhada de medicamentos ou não, quando prescrito por um psiquiatra, dependendo do grau de ansiedade do indivíduo.

Porém, esse método não é o único que se mostra eficaz. “Cada pessoa reage de uma maneira a um tratamento. Isso vale para qualquer doença e com a ansiedade não é diferente. Assim como doenças físicas podem ser tratadas com diferentes tipos de especialidade, as doenças psicológicas também”, explica o hipnoterapeuta Thiago Porto.

De acordo com ele, existem casos em que recomenda-se utilizar a hipnoterapia acompanhada de outros métodos para que o paciente obtenha um tratamento ainda mais assertivo e eficaz. “Precisamos considerar todos os aspectos do corpo humano para tratar a ansiedade. Por isso, além da terapia, em muitos casos, é indispensável obter exercícios físicos e emocionais”.

Hipnose como aliada

Nesse contexto, descobrir a causa do problema é fundamental. Thiago explica que a hipnose vai muito além de um simples estado de transe, como muitos ainda imaginam. “É uma excelente prática para tratar a ansiedade. Por meio dela é possível identificar a causa dessa doença no subconsciente. A partir disso, conseguimos eliminar os traumas ou lembranças que são o gatilho para as crises de ansiedade”.

Porém, o especialista afirma que nada é feito com base em achismos ou promessas milagrosas. “Para que realmente dê certo, o paciente precisa procurar auxílio qualificado. É importante pesquisar se o profissional tem certificação e responsabilidade. Além disso, é necessário se comprometer a seguir o tratamento e os comandos do hipnoterapeuta”, destaca.

*Thiago Porto, Hipnoterapeuta, Professor De Hipnose, Master Practitioner em PNL, Coach e Palestrante. É certificado pela OHTC – OMNI Hypnosis Training Center, membro da NGH – National Guild of Hypnosis e membro da IBHEC – International Board Of Hypnosis Education & Certification.

06 jan 2020

Sintomas psicossomáticos: quando o corpo chora as dores da alma

O termo psicossomático foi utilizado pela primeira vez em meados do século XIX, do grego psico (mente) e soma (alma/corpo), criado pelo físico alemão Heinroth. Nesse sentido, a “doença psicossomática” tem origem na “alma”, mas com manifestação no corpo. São várias causas, entre elas:

Ansiedade e depressão;
Traumas de infância;
Situações de violência (física ou psicológica);
Trabalho em excesso;
Autocobrança exagerada;
Estresse pós-traumático.

Na verdade, toda doença humana é psicossomática, já que incide num ser que tem corpo e mente inseparáveis anatômica e funcionalmente. Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que foi realizado em 15 cidades, apontou que cerca de 20% dos pacientes apresentavam no mínimo seis sintomas que não podiam ser explicados de forma clínica. Os sintomas aparecem, especialmente, em indivíduos com altos níveis de estresse e ansiedade. Funciona como um alerta do próprio organismo para avisar que algo está errado.

Conversei com o médico psiquiatra Bruno Brandão sobre o assunto. Confira:

Quais as doenças consideradas psicossomáticas pela ciência?

Não podemos falar em doenças consideradas psicossomáticas. Devemos falar em sintomas psicossomáticos que podem ser os mais variados: dores, desconforto abdominal, falta de ar, prurido na pele, queimação no estômago, etc.

Antigamente, a doença psicossomática só podia ser diagnosticada na ausência de alguma condição física que explicasse os sintomas. Por exemplo: se uma pessoa apresentasse uma dor em alguma articulação e fosse diagnosticada uma condição ortopédica, o diagnóstico de doença psicossomática não poderia ser considerado. Entretanto, no conceito atual, essa queixa deve ser considerada pelo médico. A pessoa tem uma doença identificável, mas não explica o “tamanho” da dor, por exemplo.

O tratamento de uma origem psicossomática necessita de um acompanhamento diferenciado?

Certamente sim! Esses pacientes de uma forma geral são mais sensíveis aos medicamentos. A base para o tratamento é a psicoterapia. Entretanto, esses pacientes relutam em acreditar que os sintomas apresentados tenham origem emocional. Nesse contexto, os clínicos e outros especialistas, com avaliações regulares, ganham importância transmitindo ao paciente a segurança necessária para seguir o tratamento.

Como identificar uma doença com características emocionais?

O diagnóstico é feito quando o paciente tem sintomas físicos na ausência de uma doença física que explique esses sintomas ou a intensidade desses sintomas.

Como explicar para o paciente que a doença tem origem emocional, já que muitos procuram a cura imediata?

Esse é um grande problema. Esses pacientes não costumam aceitar facilmente que seus sintomas são de origem emocional. Na grande maioria das vezes, buscam clínicos e outros especialistas. Exames físicos regulares, sempre tranquilizando os pacientes de que eles estão em dia com as avaliações. Nesses casos, uma boa relação médico-paciente é fundamental.

Considerações finais

Embora seja difícil entender e compreender esses sintomas que são vistos por muitos como “frescura”, de uma forma lógica, é importante ter em mente que o sofrimento é real. Respeitar a dor do sujeito e não subestimá-la é fundamental para um sucesso no Tratamento.

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