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Reprodução Assistida: saiba mais sobre mitos e verdade

Fertilização in vitro (Foto: Getty Images)

Por: Sócio-diretor da Clínica Vilara, Marco Mello:

Os tratamentos para reprodução humana começaram em 1978, na Inglaterra e, desde então, apresentam importantes avanços para os casais que encontram dificuldades para ter filhos. Conforme dados da Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (REDLARA), mais de 83 mil bebês brasileiros nasceram por meio de algum tratamento, sendo que a fertilização in vitro e a inseminação artificial representam mais 53% dos procedimentos, enquanto a transferência de embriões congelados, 32%, entre 1990 e 2016.

No entanto, mesmo com mais de quarenta anos de estudos e descobertas positivas, além do alto índice de nascimentos por reprodução assistida, vários mitos, dúvidas e incertezas surgem no momento da procura por esse recurso.

Antes de qualquer tratamento, é imprescindível acesso a conhecimento, considerando a dificuldade de muitos casais de engravidarem, somada às inverdades e hesitações e a necessidade de sanar esse impasse. Abaixo, seguem três mitos e três verdades sobre a reprodução assistida:

Em qualquer tratamento de reprodução humana, a chance de engravidar é 100%

Mito. Nenhum tratamento garante sucesso pleno, porque cada paciente apresenta sua particularidade, como idade e saúde dos gametas. A fertilização in vitro, por exemplo, atinge números entre 40% e 50% de percentual de êxito. Já, a inseminação artificial, uma média de 20%.

Existe método sem ingestão hormonal do paciente

Verdade. A criopreservação de espermatozoides, ou seja, o congelamento do gameta masculino, não necessita de tratamento hormonal. A utilização desse método é indicada para homens que passarão por quimioterapia e querem ter filhos, antes da vasectomia e de cirurgia na próstata.

Uso de hormônios é prejudicial à saúde

Mito. Quando o tratamento é acompanhado por um especialista, seguindo os protocolos recomendados, as chances do tratamento hormonal impactar negativamente a saúde é mínimo.

A sexagem é permitida no Brasil

Verdade. O diagnóstico genético pré-implantação para identificação do sexo dos embriões para transferência é permitida no Brasil, mas, somente para casos de diagnósticos de doenças genéticas ligadas aos cromossomos sexuais.

Existe “barriga de aluguel” no Brasil

Mito. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), existe a possibilidade da gestação por meio do útero de substituição, somente por “barriga solidária”, ou seja, sem fins comerciais. A possível gestante deve possuir grau de parentesco de até 4° grau com uma das partes do casal, caso contrário, é necessário ajuizar uma ação no CFM.

É possível identificar falha cromossômica, antes da implantação dos gametas

Verdade. É a técnica de reprodução assistida mais recente que existe. São duas as técnicas mais utilizadas: PGT-A, que serve para a pesquisa de anomalias cromossômicas numéricas e o PGT-M, para o estudo de mutação genética presentes em doenças monogênicas.

Uma consulta com especialistas em tratamentos de reprodução assistida é fundamental para esclarecer todas as dúvidas e tranquilizar o casal. O profissional indicará o procedimento mais adequado e o acompanhamento necessário.

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Assembleia de Minas alerta sobre os casos de doenças raras no Brasil

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) estima que 15 milhões de brasileiros sofram de algum tipo de doença rara. Por norma, ela tem origem genética, manifestando-se logo nos primeiros anos de vida da criança.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças raras são aquelas classificadas seguindo quatro principais fatores: incidência, raridade, gravidade e diversidade.

Conforme o Ministério da Saúde, cerca de 30% dos brasileiros acometidos morrem antes dos cinco anos de idade.

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, são consideradas doenças raras aquelas que afetam cinco indivíduos para cada grupo de 10 mil pessoas. A OMS estima que 8% da população mundial, ou uma em cada 15 pessoas, têm alguma dessas enfermidades.

Entre as doenças raras constam, por exemplo, a autoimune lúpus (causada pelas próprias defesas do organismo), a genético-hereditária hemofilia (desordem no mecanismo de coagulação do sangue) e a doença de Lyme (transmitida pela picada do carrapato).

Assembleia Legislativa de Minas Gerais e as doenças raras

Atenta à questão, a ALMG já aprovou proposições que foram transformadas em leis e que pretendem incentivar e fomentar ações afirmativas voltadas às pessoas com doenças raras.

A Lei 21.402, de 2014, institui a Semana Estadual das Doenças Raras, a ser comemorada na semana em que recair o dia 28 de fevereiro. Nesse período, devem ser realizadas atividades institucionais de orientação da população e de promoção da inclusão social da pessoa com doença rara.

Já a Lei 23.554, de 2020, garante a realização do teste do pezinho ampliado na rede pública de saúde. Esse teste está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) na versão básica, que detecta seis doenças (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, anemia falciforme, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase).

O teste ampliado é o que detecta até dez doenças, quatro a mais que a versão básica, como a ocorrência de toxoplasmose congênita. Dessa forma, pode contribuir para o diagnóstico precoce de doença rara.

Lilás, azul, verde e rosa

Com o objetivo de dar visibilidade à condição vivenciada por pessoas com doenças raras, o Palácio da Inconfidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) estará iluminado de lilás, azul, verde e rosa, cores referentes à bandeira das doenças raras, entre esta sexta-feira (26/2/21) e o dia 4 de março.

A iniciativa decorre da proximidade do Dia Mundial das Doenças Raras, celebrado em 70 países. A data oficial é 29 de fevereiro, por ser um dia raro, presente apenas nos anos bissextos. Nos demais anos, é antecipada para o dia 28.

A iluminação do Palácio da Inconfidência integra o projeto Laços da Consciência, da Assembleia, que reúne ações de sensibilização para temas relacionados ao bem-estar, em especial à saúde.

*Com informações da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

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Divulgação científica para o empoderamento do cidadão e para o fortalecimento da democracia

Por Adriana Santos. O artigo é o trabalho final do curso #GenomicWeek – com o objetivo de contribuir na divulgação científica no Brasil. ⬇️

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a concepção de saúde está para além da ausência de doença, é um estado de bem-físico, mental e social. Essa afirmação está contida na Declaração dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU e assinada pelos países membros, em 1948.

No Brasil, a saúde passou a ser considerada um direito somente a partir da Constituição de 1988, conforme o artigo 196: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação”.

Para tanto, a participação popular deve criar condições favoráveis para o empoderamento da sociedade, atuando ativamente e positivamente no desenvolvimento das políticas públicas de saúde. É um direito dos cidadãos possuírem informações sobre o funcionamento do sistema de saúde de modo que possam procurar o serviço mais indicado para cada problema. Isto permitirá também um atendimento mais ágil com economia de tempo e recursos, tanto para o cidadão quanto para os gestores públicos.

O acesso à informação e à comunicação, especialmente em questões tão controversas como: sequenciamento genético, utilização de organismos geneticamente modificados, nanotecnologia, investigação com células-tronco, privacidade dos dados genéticos – é essencial para o empoderamento dos cidadãos e para o pleno exercício da cidadania, além das tomadas de decisões mais acertadas por parte dos governos.

Uma sociedade bem informada, segura das suas decisões, é base de uma democracia bem estruturada. O acesso à informação não deve ser verticalizado, omisso ou simplesmente persuasivo. Segundo Inesita Soares Araújo e Janine Miranda Cardoso, autoras do livro: Comunicação e saúde, uma publicação da Fundação Osvaldo Cruz (FIOCRUZ): “Em conseqüência, não pode se limitar a ter a persuasão com estratégia, nem trabalhar apenas com a idéia de divulgação: o objetivo deve ser, minimamente, estabelecer um debate público sobre temas de interesse e garantir às pessoas informações suficientes para a ampliação de sua participação nas políticas de saúde.”

Nessa concepção, o processo de comunicação não se limita à transmissão de conteúdos prontos, mas é compreendido como processo de produção dos sentidos sociais.

A polifonia social, ao reconhecer uma multiplicidade de vozes presentes a cada fala, representando interesses e posições diferentes na estrutura social, permite a compreensão dos conflitos sociais e das relações de poder presentes em todo ato comunicativo.

As estratégias de comunicação e informação e suas articulações com a saúde pública, quando bem inseridas e negociadas no planejamento e na organização das ações institucionais em saúde, são ferramentas essenciais no processo democrático e no controle social, mas não é bem assim que as coisas acontecem. Para Araújo e Cardoso (2007), “Raramente a comunicação é objeto de planejamento, suas ações são comumente decididas de modo circunstancial, entendidas e tratadas por uma perspectiva instrumental. É justamente nesses espaços feitos de ausências e omissões que as hegemonias se consolidam”.

O fortalecimento das relações sociais, por meio do acesso à informação clara, objetiva e transparente, é capaz de fomentar mudanças de comportamento e cuidado de si, motivando a prática de ações saudáveis e responsáveis. Além do mais, a informação direta, qualificada e ética favorece a tomada de decisões importantes que afetam o indivíduo e o coletivo, como por exemplo: como garantir a privacidade das informações genéticas colhidas em laboratórios?

Para Márcio Simeoni e Renan Mafra, autores do artigo “Mobilização social em saúde: o papel da comunicação estratégica”, publicado no Caderno Mídia e Saúde Pública (2016): “Num alargamento da perspectiva, inclui entre suas finalidades não somente a difusão de informações de interesse público, mas também de assegurar as relações sociais (entre Estado e cidadãos), ou seja, uma prática que contribua para alimentar o conhecimento cívico, facilitar a ação pública e garantir o debate público”.

O direito à comunicação é instrumento de inserção social, em especial no Brasil e nos demais países da América Latina, onde a taxa de mortalidade por doenças que poderiam ser prevenidas por meio de educação em saúde ainda é muito elevada.

As instituições públicas em saúde não podem perder isso de vista e a participação dos cidadãos nos debates públicos é vital para a saúde dos indivíduos e da sociedade. O grau de desenvolvimento de um país está diretamente associado à melhoria de sua qualidade de vida, o que significa pessoas sadias, nutridas, felizes, bem-informadas, com capacidade de decidir, avaliar e recriar o mundo que as cercam; promovendo valores, sendo solidárias, críticas e comprometidas com a transformação da realidade social e cultural.

A compreensão da comunicação como dialógica é, sem dúvida, um dos modelos mais influentes da comunicação, que remonta à filosofia grega de Platão e Sócrates. É por meio do diálogo, que o cidadão conquista a capacidade de intervir nos processos da natureza e sua historicidade. “O diálogo é a relação verdadeira, opondo-se à violência, à força física, mas também à retórica manipuladora dos sofistas. Procura estabelecer: o que se diz; por que se diz; o que significa aquilo que é dito” (Danilo Marcondes, 1997).

No entanto, é inegável que os avanços tecnológicos e científicos vivenciados, principalmente nas últimas décadas, alteraram as re-configurações de espaço e de tempo, tanto no plano físico quanto no aspecto subjetivo de cada um. Prevalece a era da urgência de informação e de conhecimento. Não é mais possível deixar algo para fazer amanhã, porque há o risco da ação está velha demais ou como disse Zygmunt Bauman, no livro Vida Líquida (2005) “as condições de ação e as estratégias de reação envelhecem rapidamente e se tornam obsoletas antes de os atores terem uma chance de aprendê-las efetivamente”.

Para finalizar, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que há um excesso de informações sobre vários assuntos relacionados ao conhecimento que envolvem a prática científica, algumas são precisas e confiáveis, outras não. A palavra infodemia se “refere a um grande aumento no volume de informações associadas a um assunto específico, que podem se multiplicar exponencialmente em pouco tempo devido a um evento específico, como a pandemia atual. Nessa situação, surgem rumores e desinformação, além da manipulação de informações com intenção duvidosa. Na era da informação, esse fenômeno é amplificado pelas redes sociais e se alastra mais rapidamente, como um vírus” (PAHO)

Por isso alguns cuidados são necessários na hora de acessar informações que envolvam a saúde da população.

Por que a infodemia pode agravar o entendimento sobre os temas relacionados ao genoma humano, por exemplo?

*Dificulta o acesso às informações confiáveis e oficiais;
* Pode afetar a tomada de decisões políticas como a relação à saúde pública
*Gera pânico na população
*Pode provocar desconfiança ou apatia da população, prejudicando a adesão dos cuidados necessários no enfrentamento de qualquer doença transmissível ou genética.

Como podemos nos proteger de notícias falsas sobre saúde?

*Acessar informações disponibilizadas nos site oficiais de saúde (Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde, sociedades científicas, sites acadêmicos)
*Ler a reportagem do início ao fim, ou seja, completa e não apenas o título.
*Conferir a data de publicação das postagens
*Duvide sempre das notícias muito polêmicas ou estranhas demais. Consulte sempre outras fontes, especialmente as oficiais.
*Evite espalhar informações polêmicas.