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Saiba mais sobre a Casa da Gestante, em Contagem

Foto: Fábio Silva

Na Casa de Apoio à Gestante e Puérpera de Contagem (Cagep) mulheres que apresentam gestação de alto risco recebem assistência e cuidados especiais enquanto esperam a chegada do bebê. No local, também são acolhidas mães que acabaram de dar à luz e aquelas que necessitam de acompanhamento assistencial. Acolhe ainda mães cujos filhos estejam internados na UTI Neonatal do Centro Materno Infantil Juventina Paula de Jesus (CMI). Além de hospedagem, todas recebem alimentação e têm pleno acesso aos serviços hospitalares em um ambiente semelhante ao de uma residência. 

O objetivo é manter as mães próximas aos bebês, fortalecendo o vínculo afetivo entre eles, permitindo que a mulher acompanhe de perto a evolução clínica do bebê, além de estimular e incentivar o aleitamento materno.

O ambiente é tão acolhedor que costuma receber a visita de mães que já foram acolhidas no local e que voltam para apresentar os filhos, muitos já crescidos. Outras ligam para ter notícias da equipe médica. 

Francielly Pereira, que está aguardando a chegada de Maria Júlia para os próximos dias, comprometeu-se em voltar ao local assim que a filha ganhar peso. Sua xará, Francielly Ribeiro Vieira, que espera a chegada da Maria Alice, está tão à vontade que até levou a equipe para conhecer a casa. A coincidência entre as duas não está só nos nomes. Ambas estão na Casa da Gestante porque os bebês que esperam têm baixo peso e por isso precisam de acompanhamento semanal no Centro Materno Infantil. “Aqui, a gente se sente em casa, cuidada e acolhida”, garante Francielly Pereira, opinião compartilhada pela xará Francielly Vieira.

Bárbara Barrozo Siqueira é a enfermeira obstétrica e acompanha o dia a dia das mães hospedadas na Casa da Gestante. A enfermeira faz parte de uma equipe multidisciplinar formada por médicos, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, assistente social, entre outros profissionais. Bárbara conta que a convivência entre as mães e com a equipe é muito positiva. Além do compartilhar experiências, as mães voltam para casa conscientes da importância do aleitamento materno, do autocuidado, dos métodos contraceptivos e da necessidade da mudança de hábitos. “A maioria é hipertensa e diabética. Por isso, a necessidade de incorporar mudanças na alimentação e na rotina diária. Levam esse conhecimento para a vida”. Os cuidados e a permanência das mães e dos bebês na CAGP também contribuem para a redução dos índices de mortalidade infantil e materna. A iniciativa, criada em 2003 pelo Ministério da Saúde, significa um grande avanço na melhoria da assistência e da humanização do parto.

A Casa funciona na rua rua Tubira, n° 87, bairro Novo Eldorado, a pouco quarteirões do Centro Materno Infantil Juventina Paula de Jesus (CMI). O deslocamento até a Maternidade é feito em um carro cedido pela Prefeitura. O motorista está sempre à disposição. A casa tem capacidade para hospedar até 09 mulheres. Possui jardim, sala, copa, cozinha, 04 quartos, enfermaria, área de serviço e área de convivência. Funciona 24 horas. 

Centro Materno Infantil – A Cagep tem como referência o Centro Materno Infantil (CMI) Juventina Paula de Jesus. A unidade, que faz parte do Complexo Hospitalar de Contagem, integra a Rede Cegonha e segue os protocolos do Ministério da Saúde para a redução da mortalidade da mulher durante a gravidez ou até 42 dias depois do parto, sem importar a duração da gestação. 

“Administrar a Casa da Gestante, Bebê e Puérpera traz a certeza da efetivação de cuidados intermediários como mecanismos de redução da mortalidade infantil e materna”, afirma Cristiane Rosalina de Oliveira, diretora do Centro Materno Infantil. “O espaço, garante, possibilita o cuidado especializado em um ambiente harmônico, com todas as características de uma casa, que por sua função acolhedora por si só já traz estabilidade ao estado clínico dessas mulheres.”

Entre as ações que buscam a excelência na assistência à saúde da mulher e à redução de óbitos maternos, está a realização de partos normais no Centro de Parto Normal (CPN). São cinco quartos de pré-parto, parto e puerpério (PPP), com ambiente reconfortante e estrutura para um acolhimento humanizado. Lá, as gestantes são acompanhadas por médicos e enfermeiros obstetras que aplicam práticas humanizadas para que o trabalho de parto seja menos doloroso para a mulher, como analgesia não farmacológica.

O CMI também possui um bloco obstétrico equipado para assistência aos partos de alta complexidade. Em média são realizados 400 partos por mês na maternidade de Contagem, entre procedimentos normais e cesáreas. O percentual de cesáreas está entre o preconizado pelo Ministério da Saúde, 30% a 35%.

Objetivo do milênio – A instalação da Casa da Gestante está em sintonia com a quinta meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, listados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é a melhoria da saúde materna. No texto da OMS a meta número 5 deixa claro o objetivo: “Melhorar a saúde materna, diminuindo a mortalidade materno-infantil”. 

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Zé Gotinha: Exemplo de comunicação em saúde pública no Brasil

Zé Gotinha já é um “balzaquiano. Como amo o Zé! São 35 anos de muitas histórias boas para contar. O eterno garotão foi criado, em 1986, durante o governo de José Sarney, no primeiro mandato democrático após a terrível Ditadura Militar. O personagem mais amado do Brasil foi idealizado pelo artista plástico, Darlan Manoel Rosa.

A iniciativa foi parte da soma de muitos esforços de uma bem sucedida campanha de vacinação contra o vírus da poliomielite, criada pelo Ministério da Saúde e apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Seu principal objetivo era tornar as campanhas de vacinação mais atraentes para as crianças. Por isso, o nome Zé Gotinha foi escolhido, democraticamente, por meio de um concurso promovido pelo Ministério da Saúde, envolvendo alunos de escolas de todo o Brasil.

O personagem também é “convocado” para outras missões, no sentido de alertar sobre a prevenção de doenças, como, por exemplo, sarampo.

Pensando aqui com os meus neurônios já cansadinhos de tanto pensar sobre estratégias de comunicação…

Qual a razão da falta de investimento em projetos coletivos que incentivam a comunicação nas campanhas de saúde pública?

Por que as assessorias de comunicação das instituições governamentais preferem nomear assessores que desconhecem os princípios da mobilização social ou desconhecem o próprio sistema de saúde pública (SUS)?

Enfim, as considerações finais são apenas um desabafo sincero de uma comunicadora que sente falta das boas iniciativas de comunicação e saúde pública.

Vida que segue… sempre na esperança da criação de novos personagens ou estratégias de comunicação mais eficientes.

 

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Cartas ajudam idosos em situação de vulnerabilidade a lidar com isolamento

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Com a suspensão das visitas, Associação Keralty criou o projeto “Corrente do Bem: Escreva para um Idoso”, que incentiva voluntários a conversar com essas pessoas que não têm os familiares próximos

Em meio à incerteza vivida em função da pandemia de Covid-19, a solidariedade se tornou um dos principais recursos contra as consequências deste período. Foi assim que surgiu o projeto “Corrente do Bem: Escreva Para Um Idoso”, criado pela Associação Keralty Brasil neste cenário, como forma de ajudar as pessoas a combater a solidão. A iniciativa inspira voluntários a conversar com aqueles idosos que não têm familiares próximos por meio de cartas. Em quase 10 meses, o projeto já enviou cerca de 14,5 mil cartinhas.

Para manter o contato de maneira segura, a associação encaminha as cartas digitalizadas para as instituições. “Inicialmente, esse contato seria feito por WhatsApp, mas nós ponderamos que a maioria dos idosos não acessam esse tipo de ferramenta. Lembramos, então, que a comunicação antigamente era feita por meio de carta”, declara Erika Nunes, coordenadora da Associação Keralty. O projeto conta hoje com 3.719 voluntários inscritos e recebe mais de 50 cartas por dia.

O projeto, criado inicialmente para prestar apoio principalmente aos pacientes em situação de cuidados paliativos assistidos pelo Contigo, programa do grupo Keralty, se expandiu e hoje atende instituições de apoio a idosos em situação de vulnerabilidade social em todo o Brasil. “Os voluntários e os idosos estão criando um forte vínculo de amizade; é muito comum que eles também incluam fotos da sua vida e enviem o contato para que eles possam continuar se comunicando. Nós temos relatos de voluntários que nunca tinham escrito uma carta. É uma troca mútua”, explica Erika.

A coordenadora aponta, ainda, que esse vínculo vai além das fronteiras do projeto. “Neste período, os próprios voluntários se mobilizaram em uma ação para arrecadar doações para uma instituição. Não foi nada demandado, eles mesmos se organizaram para ajudar por meio do grupo de WhatsApp”, conta. “Com o tempo, porém, nós percebemos que muitos dos idosos precisavam de ajuda para lerem as cartas e que muitas instituições estavam tendo dificuldades nesse processo; então, decidimos também gravar as cartas em áudio e vídeo”, complementa.

Para fazer parte do grupo de voluntários é necessário se inscrever por meio de uma plataforma parceira, a Atados, e todas as cartas passam por uma revisão antes de serem enviadas para as instituições. Para Daniele Fredo, voluntária do Rio de Janeiro, esse momento de interação tem sido uma experiência transformadora, especialmente neste período tão delicado. “Escrever cartas é muito mais do que solidariedade, é um exercício de empatia. Neste momento tão difícil que estamos passando, eu diria que fui ajudada muito mais do que eu ajudei”, revela. Ela conta que já procurava, muito antes da pandemia, algum projeto com o qual pudesse contribuir, mas com a correria do dia a dia não conseguia tempo para se dedicar ao voluntariado. “Tem sido uma experiência de reconexão com o meu propósito de ajudar e fazer a diferença. A empatia tem poder de mover o mundo”, complementa. Para participar do projeto, basta fazer a inscrição por meio do site: AQUI

Crédito: Interface Comunicação