Categoria "Mamãe"
15 jul 2019

Mulheres que têm doenças reumáticas podem engravidar?

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Por Ana Flávia Madureira, Diretora Científica da Sociedade Mineira de Reumatologia

Uma das grandes questões envolvendo as mulheres com doenças reumáticas é o medo de não engravidarem. Elas representam o maior percentual do público atingido por patologias autoimunes. Nos últimos anos, com o avanço no diagnóstico e tratamento, a gravidez nas mulheres com doença reumática já é uma realidade de sucesso. As doenças reumáticas atualmente apresentam restrição para gravidez apenas naquelas que atingem órgãos com maior risco, como pulmão e rim. Algumas doenças reumáticas, como o lúpus eritematoso sistêmico, tem uma tendência a piorar durante a gestação e também no período pós-parto, por isto o acompanhamento destas mulheres deve ser feito por um reumatologista e obstetra experientes durante toda a gravidez.

A decisão sobre engravidar deve ser tomada em uma conversa com o médico, sendo baseada em três fatores: atividade da doença, o uso de medicamentos e as doenças associadas. É extremamente importante uma avaliação antes da concepção. O lúpus, por exemplo, é uma doença flutuante, caracterizada por períodos de atividade e remissão. Uma maior chance de gestação bem sucedida requer que a doença esteja inativa por pelo menos seis meses. Algumas doenças, como a artrite reumatoide, geralmente melhoram a atividade durante a gravidez, sendo possível muitas vezes reduzir e até mesmo suspender o tratamento neste período.

Antes e durante a gravidez o reumatologista deve estar ciente de todos os medicamentos utilizados pela paciente, sendo necessário a troca de alguns antes mesmo de engravidar. Entretanto, existem algumas drogas que reduzem o risco da gestação e do feto. A hidroxicloroquina, por exemplo, é uma medicação redutora da atividade do lúpus, reduz o risco de bloqueios cardíacos fetais, desenvolvimento da trombose e perdas gestacionais que podem ocorrer em quem tem lúpus.

A síndrome do anticorpo antifosfolipideo, mais conhecida como SAF, é uma doença autoimune que pode levar a abortamentos consecutivos e tromboses. Contudo, os exames para o diagnóstico e o tratamento instituído nos últimos anos revolucionou e ampliou as perspectivas. As técnicas de fertilização in vitro também apresentaram uma grande avanço e já são possíveis também em mulheres com doenças reumáticas.

As últimas pesquisas revelam que a grávida com lúpus sofre mais com pré-eclâmpsia (pressão alta durante a gestação), tromboembolismo e parto prematuro. Os problemas podem ser evitados com conversa e avaliação de um reumatologista e obstetra, antes de engravidar. É preciso saber qual é a doença autoimune e a gravidade do comprometimento para avaliação do risco relativo. Cada caso é um caso e o médico saberá conduzir da melhor forma possível.

A decisão de engravidar entre as mulheres reumáticas é complexa e de extrema importância, sendo um dos assuntos que serão abordados na “XI Jornada Mineira de Reumatologia”, apresentando as novidades e tendências no acompanhamento e tratamento da artrite reumatoide durante a gravidez e amamentação; acompanhando a mulheres com lúpus durante a gravidez e infertilidade.

A gravidez pode ser liberada, dependendo da gravidade. Um bom planejamento com a adequada ajuda profissional evita problemas. O reumatologista deve avaliar cada caso e o ideal é somente engravidar quando a doença estiver totalmente controlada, por pelo menos seis meses. Antes de engravidar, a recomendação é conversar com o reumatologista já que alguns medicamentos devem ser avaliados e assim é possível tratar e prevenir problemas. Saber identificar os fatores de risco é essencial para alcançarmos uma gestação de sucesso.

23 ago 2018

Fertilizações in vitro aumentam no Brasil

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Por: Dr. Sandro Sabino, diretor da Clínica Vilara

Após uma queda em 2016, o número de fertilizações in vitro voltou a crescer no Brasil e chegou a um total de 36.307 ciclos realizados em 2017. Os dados são do relatório Sisembrio mais recente divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os mais de 36 mil ciclos originaram mais de 340 mil óvulos, uma taxa de fertilização de 76%. Ou seja, a cada 10 óvulos fecundados, 7,6 deram origem a um embrião. Essa taxa mostra que o Brasil não está atrás dos países desenvolvidos e que o procedimento não é mais tão inacessível do ponto de vista financeiro, como era antes.

O Brasil é um país de ponta para tratamentos de reprodução assistida. Nossas taxas de sucesso são excelentes e se equiparam aos países europeus e aos EUA. Para se ter uma ideia, a região sudeste corresponde a 65% dos tratamentos realizados no Brasil. Apesar do procedimento não estar disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), financeiramente ele tornou-se muito mais acessível nos últimos anos. Existem inclusive programas de responsabilidade social em hospitais e clínicas que tornam possível o acesso a casais com problemas de infertilidade, que possuem dificuldades para arcar com os custos dos tratamentos de Reprodução Assistida, a tratamentos como a Fertilização in vitro (FIV).

Existente há mais de 30 anos, a Fertilização in-vitro é considerada o TRA mais usado em todo o mundo, tendo já nascido mais de um milhão de crianças com ela. É considerada como uma técnica segura e com ótimos resultados. De acordo com a Anvisa, considera-se como ciclo realizado de fertilização in vitro, os procedimentos médicos nos quais a mulher é submetida à produção (estímulo ovariano) e retirada de óvulos para realizar o procedimento. Para a inseminação intrauterina, a paciente é submetida à uma estimulação da ovulação, com doses bem baixas, sendo acompanhada por ultrassonografia (total de três a quatro exames). Quando ela apresenta folículos de tamanho adequado, a ovulação é desencadeada e o casal recebe instruções para comparecer à Clínica para a realização do preparo seminal e da inseminação intra-útero.

As possibilidades de se obter uma gravidez após um ciclo de inseminação são de aproximadamente 15%, sendo recomendado um máximo de 3-4 ciclos, quando se pode alcançar a 35% de chances de gravidez. A taxa de gestação múltipla é de cerca de 15%.

Algo importante a ser levado em consideração é a experiência profissional e a estrutura do Laboratório de Fertilização in vitro escolhido para o procedimento. É crucial na decisão pelo tratamento. Procurar um laboratório que tenha um profissional de embriologia treinado e experiente é tão importante quanto a escolha do médico especialista: um laboratório que não tenha excelência em qualidade pode afetar negativamente as chances de sucesso do tratamento, ainda que os fatores clínicos sejam promissores.

26 jul 2018

Novas técnicas permitem que mulheres diagnosticadas com câncer sejam mães

Arquivado em Comportamento, Mamãe, saúde

gravida

Receber um diagnóstico de câncer nunca é fácil. São muitas incertezas, como por exemplo: as implicações da doença com relação à fertilidade. O especialista em reprodução humana e diretor da Clínica Vilara, Dr.  Marco Melo,  assegura que devido aos avanços nas medidas preventivas, na detecção precoce e nos tratamentos de tumores, a taxa de sobrevivência dos pacientes tem alcançado números animadores, variando entre 60% a 90%, dependendo do tipo de câncer e estádio da doença no momento do diagnóstico e início do tratamento. “A medicina reprodutiva aliada à oncologia tem avançado e oferecido técnicas que permitem que as pacientes, em tratamento do câncer, consigam futuramente se tornarem mães”, esclarece.

No entanto, o médico destaca que como o câncer atinge cada vez mais os jovens, em idades férteis, a preservação da fertilidade também deve ser levada em conta durante o tratamento da doença. “Na última década foram desenvolvidos alguns protocolos com alto nível de segurança para a realização de estimulação ovariana em pacientes oncológicas que serão submetidas a tratamentos. Algumas técnicas de preservação da fertilidade estão bem desenvolvidas, como a crio preservação de óvulos. Nessa técnica preservamos os óvulos antes de começar o tratamento contra o tumor. O método inclui a estimulação ovariana por meio de medicamento para que seja feita a punção dos ovários para a captação dos óvulos. As células então são congeladas a -196 C°”.

O médico informa que na clínica onde atua, cerca de 10% dos congelamentos de óvulos são de mulheres que estão ou que já passaram por tratamento contra a neoplasia. “A possibilidade contribui até para que elas acreditem ainda mais no tratamento e consigam projetar o futuro com a realização do sonho da maternidade”.

Confira a entrevista completa:

Adriana Santos: Como que a tecnologia pode ajudar mulheres que passam por tratamentos contra o câncer e desejam ser mães?

Dr. Marco Melo: Os avanços tecnológicos vão desde drogas quimioterápicas menos agressivas ao corpo até as técnicas de reprodução assistida.

Nos últimos anos, protocolos de estimulação ovariana foram desenvolvidos para que seja possível estimular os ovários sem agravar o câncer. Isto ocorreu paralelamente ao aprimoramento das técnicas de congelamento de óvulos, que, atualmente, oferecem ótimos resultados não só de sobrevivência dos óvulos, como também de excelentes taxas de gravidez.

A quimioterapia e a radioterapia são tecnologias que prejudicam a fertilidade? Por que?

Sim, podem não só piorar a qualidade dos óvulos e espermatozoides, assim como levar à destruição das células responsáveis pela produção destes gametas, levando à esterilidade.

Toda mulher com câncer pode fazer o congelamento de óvulos?

Sim, teoricamente todas podem ser submetidas ao tratamento, desde que haja boas possibilidades de cura do seu câncer, claro.

Há restrições com relação à idade?

Quanto mais jovem é a mulher, melhores os resultados, sem dúvida. Para obtermos os melhores resultados em mulheres com idade superior a 40 anos, necessitaremos de uma maior quantidade de óvulos armazenados e, desta forma, nem sempre isto será possível, quer seja pela menor reserva ovariana (quantidade de óvulos nos ovários) quer seja pela escassez de tempo necessário para se atingir este objetivo, já que os oncologistas necessitam que liberemos as pacientes o mais rápido possível para que iniciem seu tratamento.

O bebê nascido de óvulos congelados de mulheres com câncer pode apresentar uma chance maior de desenvolver futuramente um tumor?

Somente se o câncer tiver uma tendência genética. Caso contrário, não.

O tratamento é doloroso?

De forma alguma. Além disto, é rápido, durando em média 10-12 dias, o que é ótimo por não retardar muito o início do tratamento do câncer.

O que acontece com os óvulos congelados da mulher que morre durante o tratamento?

Antes de iniciar o tratamento para congelamento de óvulos, a paciente recebe um consentimento informado onde ela pode á definir o destino e responsável pelos seus óvulos no caso de sua morte.

Quais as implicações éticas nesse sentido?

Todo procedimento de Reprodução Humana está regulamentado pelo Código de Ética Médica, elaborado e publicado pelo Conselho Federal de Medicina. Este código é fruto de muita discussão por médicos, conselheiros, advogados e especialistas na área.

Quais as taxas de sucesso no procedimento?

Mais uma vez, dependemos da idade da realização do procedimento. Por exemplo; a taxa de sobrevivência dos óvulos, em mulheres abaixo de 37 anos, está em torno de 95%. As taxas de sucesso, também nesta faixa etária, estão por volta de 50-60%.

Considerações finais

Considero este tema de grande relevância. A cada ano, observamos um aumento da incidência de câncer entre jovens , mas também observamos uma melhora significativa nas taxas de sucesso de cura. É necessário que, cada vez mais, a população e os colegas médicos estejam cientes de que o congelamento de óvulos deixou, há muito, de ser experimental e se tornou uma importante arma para proporcionar chances reais de gravidez em mulheres que se curaram, após o tratamento de um câncer. Isto se relaciona à melhora da qualidade de vida destas mulheres, que podem voltar a sonhar em constituir uma família, depois de experimentar um momento tão difícil nas suas vidas

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