Categoria "Meio Ambiente"
01 fev 2016

Alfenas usa peixes no controle do Aedes aegypti

Arquivado em Cidade, Dengue, Meio Ambiente
PEIXE

Prefeitura de Alfenas

Em Alfenas, Minas Gerais, um peixinho de mais ou menos três centímetros tem sido um grande aliado no controle do Aedes aegypti. O peixe da raça Lebiste selvagem é colocado em grandes reservatórios de água e se alimenta das larvas e pupas do mosquito.

Volmir Maida, biólogo da prefeitura de Alfenas, conta que a solução é usada há muitos anos. “Em 1995, observamos que a prefeitura usava muito veneno para manter algumas piscinas abandonadas limpas. Começamos a pesquisar uma alternativa biológica para controlar estes ambientes. Como ele é pequeno, pode ser pode ser utilizado até em espelhos d´água”, explica.

O resultado satisfatório em piscinas levou a equipe da prefeitura a usar o peixe em outros locais em que existem focos do mosquito. “Os peixes tem nos ajudado, por exemplo, em algumas minas de água que surgem perto de nascentes, muito comuns no entorno da cidade. Principalmente agora, durante o verão, temos reforçado a distribuição”, conta Volmir.Alfenas peixe

O peixe pode ser uma excelente alternativa de prevenção para quem tem grandes reservatórios de água em casa, mas é necessário conferir se existem condições de vida para o animal. Calhas de água, por exemplo, não são locais adequados. “Tivemos alguns casos de pessoas que tinham um reservatório de água da chuva para regar, plantar ou para animais beberem. Os peixes podem ser utilizados nestas ocasiões”, exemplifica o biólogo. Mas atenção: eles não devem ser utilizados em reservatórios de água potável para evitar contaminação.

Mobilização – Além do uso dos peixes, a Secretaria Municipal de Saúde de Alfenas deu início a uma série de iniciativas que visam intensificar o plano de combate ao mosquito Aedes aegypti. A Vigilância Ambiental distribuiu aproximadamente 100 kits com materiais necessários para o trabalho dos agentes comunitários de saúde. Até o final e janeiro, 100% dos domicílios, instalações públicas, privadas e urbanas do município serão visitadas para a busca de focos do mosquito.

ATENÇÃO

Antes de colocar os peixes em reservatórios é necessário conferir se existem condições de vida para o animal. Calhas de água, por exemplo, não são locais adequados. Lembrando que eles não devem ser utilizados em reservatórios de água potável.

Fonte: Blog da Saúde

19 jan 2016

Ong lança relatório de inspeção em Mariana, após rompimento de barragem

Arquivado em Meio Ambiente, saúde
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Bento Rodrigues, destruída no crime cometido pela Samarco / Foto: Daniela Fichino

A Ong Justiça Global lançou um relatório de inspeção em Mariana (MG), após rompimento de barragem de rejeitos do Fundão. O documento aborda situações de grave violação ao direito à vida, à água, à moradia, ao trabalho, à saúde e ao meio ambiente.

O relatório intitulado Vale de Lama aborda desastre a partir da perspectiva dos direitos humanos. Para a advogada Raphaela Lopes, da Justiça Global, o desastre apontou a necessidade de ampliar o debate sobre responsabilização de empresas e do estado em desastres como o de Mariana. “Situações como essa expõem a fragilidade das garantias fundamentais da população quando passam por situações calamitosas. A análise desse caso no relatório busca exatamente contribuir com esse debate, para que os mecanismos de precaução e de resposta sejam mais eficientes, evitando ao máximo violações de direitos como vimos no caso da Samarco, que é controlada pela Vale e pela BHP”.

Raphaela Lopes explica que o relatório pode contribuir com as autoridades que estão apurando o desastre, porque o objetivo é contribuir com alguns elementos já definidos pelos órgãos públicos que estão tratando do assunto, como com o debate público, inclusive nos projetos de lei que estão sendo discutidos no Congresso Nacional. O documento foi produzido a partir de observações in loco, além de conversas com vítimas e com representantes de movimentos sociais.

As principais queixas foram em torno da segurança, porque não havia sirenes instaladas, nem qualquer tipo de treinamento com a população, sobre procedimento de segurança em caso de rompimento, e os moradores sequer sabiam como proceder numa situação como a que ocorreu, afirma a representante da Justiça Global.

Para ter acesso ao Relatório de inspeção em Mariana após o rompimento da barragem de rejeitos do Fundão clique AQUI

29 dez 2015

Universitário cria 5 mil abelhas em pequeno apartamento no centro de São Paulo

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Reprodução/Facebook

O estudante de gestão ambiental Celso Barbieri Jr., de 24 anos, é um apaixonado por abelhas sem ferrão.  Ele cria 5 mil abelhas na sala de seu apartamento de 42 m² no Centro de São Paulo. Para abrigá-las, o universitário projetou uma rede de túneis feita com canos de PVC para abelhas entrarem e saírem, se tornou referência na criação e proteção desses insetos em cidades.

O apartamento não tem sacada e ele precisa manter a janela da sala fechada para que sua gata não fuja. A solução foi montar as colmeias em duas caixas de madeira que ele mantém em uma prateleira sobre a janela.

Tanto amor também tem uma justificativa bem racional: proteger as espécies nativas através do cuidado, do manejo adequado e da educação das pessoas.

Conversei com Barbieri sobre a importância da preservação da abelha sem ferrão. Confira a entrevista realizada por e-mail.

Adriana Santos: Qual a importância das abelhas sem ferrão para os biomas brasileiros?

Celso Barbiéri Jr: As abelhas são animais extremamente importantes devido ao serviço de polinização que executam. Mais de 70% da polinização do mundo depende das abelhas, bem como quase 80% das plantas que nos servem de alimento. As abelhas sem ferrão são importantíssimas para a polinização dos biomas do Brasil, por terem evoluído juntas com as plantas, sendo assim extremamente eficientes. Existem estimativas que apontam que as abelhas sem ferrão sejam responsáveis por até 90% da polinização em alguns sub-biomas.

Adriana Santos: É verdade que as abelhas estão desaparecendo do planeta?

Celso Barbiéri Jr: Sim. É verdade. As populações de abelhas têm entrado em declínio no planeta. Não se tem certeza há quanto tempo, mas passaram a notar isso por conta do desaparecimento das abelhas do gênero Apis, (com ferrão) na última década.  Isso se aplica também aos outros grupos de abelhas, inclusive as solitárias e as sem ferrão (infelizmente ainda são menos estudadas).

Adriana Santos: Qual os principais motivos?

Celso Barbiéri Jr: Os principais motivos do desaparecimento das abelhas é o uso indiscriminado de agrotóxicos como: Glifosato, DDT e Neonicotinóides; a massificação de monoculturas e os desmatamentos. Já as principais causas de morte das abelhas sem ferrão, em zona urbana, são as podas feitas sem instrução e o uso do fumacê para controlar o mosquito da dengue.

Adriana Santos: Como podemos ajudar a salvar as abelhas?

Celso Barbiéri Jr: O primeiro passo é falar sobre a importância das abelhas. Deixar claro que não teremos alimentos, vida e futuro sem a presença das abelhas. Plantando árvores e flores, você protege as abelhas. Não consumindo agrotóxicos, você melhora a sua saúde e ajuda a proteger os polinizadores. E mantenha os enxames de abelhas sem ferrão que você conhece protegidos. Só isso já vai ajudar bastante na proteção das abelhas.

Adriana Santos: Como surgiu a ideia do SOS Abelhas Sem Ferrão?

Celso Barbiéri Jr: Surgiu de um grande amigo que idealizou o projeto. O nome dele é Gerson Pinheiro. Um belo dia a filha caçula dele falou que queria um enxame de abelhas em casa, logo depois que retornou de uma excursão escolar. Ele respondeu: “você está maluca”. A garota explicou que as abelhas não tinham ferrão. Gerson foi pesquisar sobre o assunto e se apaixonou. Em pouco tempo estava formado um grupo de amigos apaixonados por abelhas sem ferrão. O grupo notou a necessidade de resgatar abelhas em risco de morte, além de educar a população sobre o tema. Nasceu o SOS Abelhas sem Ferrão. Poucos meses depois, decidi o tema para meu projeto de formatura. Como já estava interessado pelas abelhas nativas do Brasil, fui assistir uma palestra do SOS Abelhas sem Ferrão. Adorei a ideia. Me encantei de vez pelas abelhas sem ferrão. Em pouco tempo entrei já integrava o time. Estou no SOS Abelhas sem Ferrão há mais de um ano.

Adriana Santos: Como surgiu a ideia de criar abelhas no seu apartamento?

Celso Barbiéri Jr: Eu sentia a necessidade de aprender um pouco mais sobre a criação de abelhas sem ferrão em ambientes urbanos (o que é permitido por lei). Resolvi testar como as abelhas poderiam viver dentro de um apartamento e em um ambiente tão árido, como é o caso do centro de São Paulo- SP. Passei alguns apuros para bolar o esquema de canos para a saída das abelhas, além de protegê-las das luzes artificiais durante á noite. Deu tudo tudo certo. Elas passam bem e polinizam o meu bairro.

Adriana Santos: Como os vizinhos reagiram?

Celso Barbiéri Jr: Na verdade se eu não tivesse contado para os vizinhos, eles nunca teriam notado. No entanto eles acham a ideia bacana, embora seja algo inusitado.

Adriana Santos: Há algum perigo?

Celso Barbiéri Jr:  O único perigo é você se apaixonar pelas abelhas sem ferrão, pois elas são muito dóceis. Não há perigo algum.

Adriana Santos: Como as abelhas são criadas?

Celso Barbiéri Jr: Basicamente as caixas ficam em cima de uma prateleira sobre a janela da minha sala. Por lá elas podem sair pelo basculante da janela através de canos de PVC. As abelhas vão para a rua e coletam tudo que precisam. Eu só preciso checar, quinzenalmente, e dar um xarope de água com açúcar no inverno por conta da escassez de flores.

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