Categoria "Meio Ambiente"
07 dez 2015

Alunos do King’s College de Londres querem revogar o título de “doutor” do CEO da BHP

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Alunos do King’s College de Londres querem revogar o título de “doutor” que a universidade concedeu ao presidente da BHP Billinton, empresa que juntamente com a Vale forma a Samarco. Eles reivindicam, ainda, um pedido público de desculpas pelo crime ambiental do dia 5 de novembro de 2015 por parte do Dr Andrew Mackenzie. Para isso, criaram um abaixo-assinado na plataforma Change.org

A comunidade se diz simpatizante da causa socioambiental brasileira e acusa a tríade (Samarco, BHP Billiton e Vale) de  não arcar com os prejuízos e as responsabilidades pela catástrofe de Mariana. Os estudantes acreditam que as práticas comerciais das empresas não são sustentáveis e desrespeitam o meio ambiente.

Mais de 50 milhões de toneladas de minério de ferro de resíduos, que contêm altos níveis de metais pesados ​​e produtos químicos tóxicos (equivalente a 20.000 piscinas olímpicas de resíduos de lama tóxica), contaminaram a Bacia do Rio Doce, no Estado de Minas Gerais, matando pelo menos 15 pessoas. A lama tóxica atingiu o oceano Atlântico através da costa do Estado do Espírito Santo.

Dr Andrew Mackenzie é o CEO da anglo-australiana BHP Billiton.

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01 dez 2015

Humanos habitam a Amazônia há mais de mais de 14 mil anos

Arquivado em Meio Ambiente
Amazônia

No mapa, os sítios arqueológicos avaliados na pesquisa. Destacadas em azul, as áreas contempladas pelas pesquisas do Instituto Mamirauá. (Adaptação ao mapa publicado originalmente no artigo)

A história da ocupação humana na Amazônia é datada de mais de 14 mil anos. Ao contrário do estereótipo de região intocada e com grande vazio demográfico, esse ambiente era diversamente ocupado antes da chegada dos europeus ao continente. O artigo “The domestication of Amazonia before European conquest”, publicado recentemente na revista “Proceedings of the Royal Society B”, traz algumas percepções sobre o assunto.

Uma parte dos dados divulgados foi coletada em parceria pelas equipes de arqueologia do Instituto Mamirauá e do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP). Entre os autores do artigo, está o arqueólogo Eduardo Góes Neves, professor da USP e parceiro do Instituto.

Por meio da parceria, as pesquisas são desenvolvidas desde 2006 em sítios arqueológicos nas Reservas Mamirauá e Amanã e nos municípios de Tefé e Alvarães, ambos no Amazonas. A equipe do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, busca compreender os modos de vida dos povos que ocuparam essas áreas, a partir da análise de vestígios encontrados na região.

“É interessante pensarmos no quanto essas ocupações interagiram e modificaram o meio ambiente, tornando-o propício para suas necessidades. O que a gente já conhece é quem veio antes e quem veio depois. O próximo passo é entender como eles interagindo-se relacionavam com o ambiente”, afirmou Eduardo Kazuo Tamanaha, pesquisador de arqueologia do Instituto Mamirauá.

Nas regiões do baixo e médio Solimões, os pesquisadores encontraram diferentes culturas cerâmicas. As primeiras evidências de grupos ceramistas datam entre 1.610 a 930 aC. Eduardo Kazuo ressalta que, sobre as primeiras ocupações, ainda há pouco conhecimento, com vestígios pontuais, que não oferecem informações sobre o manejo do ambiente. “Mas esses grupos estão produzindo cerâmica. E, pelo modo que o grupo ocupa e pelo tipo de cerâmica, a gente consegue associar a outras áreas da Amazônia, e com outras pesquisas”, reforça o pesquisador.

Reserva Amanã

Em outubro, a equipe de arqueólogos, formada por pesquisadores do Instituto Mamirauá e da USP, esteve em expedição para os sítios arqueológicos da Reserva Amanã. O trabalho faz parte de pesquisa realizada entre 2008 e 2009 na região, que foi retomada recentemente.

Para Silva Cunha Lima, pesquisadora da USP, um dos objetivos é criar uma metodologia de monitoramento de sítios arqueológicos, para acompanhar a conservação dos vestígios e possível estado de degeneração, de acordo com cada ambiente. “A ideia é criar uma metodologia para monitorar os sítios arqueológicos em outras comunidades. Para ter um controle de quanto está se perdendo e em que velocidade, por isso a gente vai testar trabalhar com o GPS para ter mais precisão das localizações” afirma.

No campo, foram visitados sítios localizados nas comunidades Boa Esperança e Bom Jesus do Baré, e a metodologia utilizada foi a identificação de urnas e outros vestígios cerâmicos, e em seguida realizadas medidas da espessura e diâmetro, com o intuito de comparar com os dados registrados em 2014. Também serão comparadas a quantidade e localização dos vestígios, com os dados das pesquisas de 2008 e 2009. A equipe também fotografa os vestígios e marca a localização com o GPS.

“Percebemos que os mesmos tipos de urnas encontrados na comunidade Boa Esperança são encontrados em outros sítios também, possivelmente podem ser do mesmo período de ocupação”, comentou Eduardo.

Texto: Amanda Lelis e Aline Fidelix

27 nov 2015

Abrasco questiona progresso e crescimento econômico a qualquer custo

Arquivado em Meio Ambiente, opinião, saúde

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NOTA ABRASCO: A Abrasco foi criada com o objetivo de atuar como mecanismo de apoio e articulação entre os centros de treinamento, ensino e pesquisa em Saúde Coletiva para fortalecimento mútuo das entidades associadas e para ampliação do diálogo com a comunidade técnico-científica e desta com os serviços de saúde, as organizações governamentais e não governamentais e a sociedade civil.

“A Abrasco, através de sua Direção e seus Grupos Temáticos (GTs) de Saúde e Ambiente e de Saúde do Trabalhador, se solidariza com todas as comunidades e trabalhadores atingidos, assim como todas as entidades e movimentos sociais e sindicais que, nesse momento, se mobilizam para compreender e enfrentar os terríveis efeitos da tragédia decorrente do rompimento da barragem de rejeitos de minérios da empresa Samarco, controlada pela Vale e a australiana BHP.

É preciso dar dignidade às mortes e destruições ocorridas por meio da memória coletiva dos que lutam por justiça: familiares, comunidades, movimentos e entidades parceiras e solidárias. Além dos mais de 20 mortos e desaparecidos, são inúmeras as comunidades, territórios, atividades econômicas e cursos d´água atingidos, devastados e contaminados, indo desde Bento Ribeiro, distrito de Mariana, em Minas Gerais, até centenas de quilômetros de distância no Espírito Santo. Foram mais de 200 municípios atingidos ao longo do Rio Doce, com a morte de várias espécies de peixes e outros animais, incluindo espécies típicas da bacia do Rio Doce que podem ser extintas. A devastação afetou agricultores familiares, pescadores artesanais, quilombolas e até mesmo o povo indígena Krenak, cuja cultura e a subsistência dependem do Rio Doce.

Os efeitos da tragédia se prolongarão por décadas, e não há como reverter as perdas de vidas humanas e dos ecossistemas destruídos. A maior ou menor gravidade do que virá, assim como a repetição de novos desastres, dependerá de como a sociedade brasileira compreenderá e se mobilizará para transformar os processos que determinaram sua ocorrência.

A tragédia atual é uma repetição agravada de várias outras que vêm acontecendo nos últimos anos. Portanto, uma tragédia anunciada e que se relaciona diretamente com fundamentos centrais da saúde coletiva e do movimento pela reforma sanitária no Brasil: a determinação social da saúde, o enfrentamento das desigualdades sociais, espaciais e ambientais, e a luta por democracia.

O Brasil é o segundo maior exportador de minério de ferro, e a Vale é a maior empresa mundial neste ramo, além de grande financiadora de partidos e políticos que, eleitos, atuam como legisladores e gestores. Este fato alimenta a postura absurda de várias “autoridades” eleitas ao relativizarem as responsabilidades de empresas que os apoiaram financeiramente.

O crescimento da megamineração se viabilizou no país com inúmeros problemas e falhas. Como revelam diversos artigos e notas produzidos recentemente após o desastre , problemas ocorreram em diversas fases e setores, desde a gestão, licenciamento, fiscalização, monitoramento, até a vigilância e o sistema de emergência. Empresas, com tecnologias e formas de gestão inseguras e perigosas, se espraiam na busca pelo lucro rápido da megaprodução, fato agravado por conjunturas de quedas nos preços do volátil mercado de commodities. Essa é uma das armadilhas de nosso modelo de desenvolvimento atual.

Neste momento é preciso que o setor saúde e suas instituições façam parte do enorme esforço de analisar os efeitos da tragédia, monitorando a contaminação, a qualidade da água e seus efeitos na saúde no curto, médio e longo prazo das populações atingidas e expostas. Mais importante ainda: é fundamental que a saúde coletiva se some às mobilizações sociais e processos que resgatem a dignidade de trabalhadores, comunidades e gerações futuras em defesa dos direitos constitucionais ao meio ambiente equilibrado, à saúde e à participação. É absolutamente estratégico avançar em mudanças estruturais do modelo de sociedade e desenvolvimento, da gestão ambiental, da vigilância e promoção da saúde.

Aprenderemos com a tragédia de Mariana se medidas exemplares de transformação forem criadas. Por exemplo, responsabilizar econômica e criminalmente empresas e gestores omissos; fortalecer instituições dos setores ambiental, da saúde e do trabalho atualmente vulnerabilizadas em seus papéis de cuidar dos direitos fundamentais ao meio ambiente equilibrado, ao trabalho digno e à saúde; construir planos de reparação e recuperação democráticos e eficientes, com a participação do Ministério Público, da Defensoria Pública e das comunidades atingidas.

A Abrasco está mobilizada no acompanhamento permanente das comunidades e trabalhadores atingidos através de vários de seus GTs, e participará ativamente dos desdobramentos desse episódio. Por fim, é preciso questionar a ideia de progresso e crescimento econômico a qualquer custo. A megamineração do mercado global de commodities faz parte desse modelo de desenvolvimento. Outros países soberanamente, como a Costa Rica, já abriram mão dessa forma de exploração humana e da natureza.

A Abrasco se propõe a continuar atuando no fortalecimento de alianças, diálogos e convergências que valorizem uma ciência engajada e de qualidade junto com as vozes dos territórios e populações atingidas, dos movimentos sociais, sindicais e por justiça ambiental. Além das denúncias, precisamos avançar nos anúncios de que outros futuros são possíveis e já estão sendo construídos no presente, através de inúmeras lutas e experiências. Elas revelam, em diferentes níveis – cotidiano, local e global – as sementes de novas práticas sociais, institucionais, acadêmicas e econômicas mais sustentáveis, solidárias, justas e saudáveis.”

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