Categoria "Meio Ambiente"
10 dez 2015

Instituto Abolicionista Animal entra na Justiça em favor dos animais mortos em Mariana

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Reprodução/Facebook

O Instituto Abolicionista Animal (IAA), uma associação civil sem fins lucrativos ajuizou Ação Civil Pública Ambiental contra a Mineradora Samarco Mineração S.A e contra o IBAMA em razão do dano ambiental ocorrido em Minas Gerais. O ACP foi redigida pela presidente Dra. Danielle Tetu, e firmada, em conjunto, pelos advogados, e firmada em conjunto pela presidente e os advogados Ana Rita Tavares Teixeira, Edna Cardozo Dias, Janderson Flavio Montovani, Fernanda Luiza fontoura Medeiros, Daniel revetra Braz, Francisleida de Fatima Moura Nigro.

Com o rompimento das barragens da Mineradora, que liberou uma enxurrada de lama no Município de Mariana, danos ambientais imensuráveis foram causados e afetou milhares de animais da região de diferentes espécies, entre eles domésticos, domesticados, silvestres, terrestres e aquáticos.

Desde que a estrutura se rompeu, uma onda de lama percorreu o Rio Doce, impedindo a captação de água e prejudicando o ecossistema da região. Destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, afetou Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu e Pedras, além das cidades de Barra Longa e Rio Doce. Os rejeitos também atingiram dezenas de cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo.

Seis localidades de Mariana, além de Bento Rodrigues, fora atingidas. Segundo especialistas, a lama que desce pelo rio Doce atingirá, no total, uma área de cerca de 10 mil quilômetros quadrados no litoral capixaba – área equivalente a mais de seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Os prejuízos são calculados em mais de R$ 100 milhões, segundo o prefeito de Mariana, Duarte Júnior. Segundo especialistas, a área afetada tende a se multiplicar[1] e, inevitavelmente, mais animais sofrerão.

É obvio que a lama está causando o assoreamento, o acúmulo de sedimentos na calha do rio, causando impactos socioeconômicos e ambientais, com alterações nos padrões de qualidade da água. Lamentável o sofrimento das pessoas que perderam seus bens materiais, e mais ainda, seus entes queridos.

Mas outros impactos foram a morte de animais, terrestres e aquáticos, por asfixia, inclusive, e a morte iminente dos animais ainda não resgatados, pois ainda se encontram vários animais acuados e morrendo de fome na região devastada pelo dano ambiental.

Evidente está que perda da biodiversidade demorará décadas para ser restabelecida e as tentativas de contenção da lama e dos rejeito que vazaram da barragem da Mineradora, em Mariana e atingiram a foz do Rio Doce no Espírito Santo, não impediram que os igarapés – berçários de caranguejos e de peixes – fossem tingidos de vermelho e nem que a maré levasse os detritos à parte norte da reserva ecológica de Comboios, o único ponto fixo de desova das tartarugas-gigantes no Brasil.

É mais um santuário atingido pelo desastre, que já afetou 1 mil hectares de áreas de preservação permanente por onde passou, incluindo unidades como o Parque Estadual do Rio Doce.

Além disto, vários ativistas, voluntários e veterinários estão empenhados na busca e na retirada dos animais que ainda se encontram em situação de risco ou isolamento, os quais não sobreviverão caso não recebam ajuda.

A necessidade de recursos para continuar os trabalhos de proteção da fauna é urgente, haja vista que as parcas doações recebidas pelas protetoras in loco continuam destinadas a promover novas operações de resgaste[2].

Assim, o Instituto Abolicionista Animal constatou a urgência da compra de alimentação, medicamentos, utensílios como gaiolas e divisórias, assistência veterinária, cuidados diversos, incluindo espaço destinado aos animais já resgatados e os que ainda serão, até futura adoção.

Dentre os pedidos do IAA, destacam-se o requerimento da disposição de um espaço rural ou urbano, com barracão(ões) com metragem não inferior a 5.000 metros quadrados e área aberta cercada com metragem não inferior a 48.000 metros quadrados, com água e energia elétrica, para abrigo dos animais vitimados, por prazo indeterminado, até que estes sejam encaminhados para adoção ou reinseridos na Natureza, bem como uma equipe composta com 10 veterinários devidamente habilitados e 20 ajudantes escalados a fim de atuar na manutenção física e emocional dos animais resgatados.

Foi solicitado também, a entrega de quatro veículos tipo furgão para realização de resgates e transporte dos animais e voluntários, assim como a entrega de materiais como alimentos e insumos (medicamentos, vacinas, combustível e outros) que se fizerem necessários para a execução das atividades de proteção animal.

O Instituto Abolicionista Animal informou que o caso requer pronta resposta do Poder Judiciário e por isso requereu concessão da medida em caráter liminar, sem oitiva das Requeridas.

Resta agora, aguardar o pronunciamento da Justiça também em favor dos animais vitimados pela catástrofe ambiental.

[1] O biólogo e pesquisador André Ruschi, diretor da Estação de Biologia Marinha Augusto Ruschi, de Aracruz (ES), uma das instituições de pesquisa ambiental mais antigas do país, afirma que os efeitos do desastre da Samarco sobre o ecossistema marinho só estão começando. Confirmando previsões feitas por ele ao Estado de Minas, a poluição já afeta animais na costa. “Já aparecem gaivotas e outras aves marinhas mortas, por causa da contaminação neurológica”, afirmou. Segundo Ruschi, a mancha de lama provoca estragos em uma importante área, onde se reproduzem espécies como baleias, marlins, tubarões e tartarugas.

[2] ONGs mineiras de proteção animal estão trabalhando desde a semana passada no resgate de animais presos ou em situações de risco e uniram-se ao Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA) para arrecadar fundos a fim de mantê-los vivos e saudáveis.

Crédito: Instituto Abolicionista Animal

07 dez 2015

Alunos do King’s College de Londres querem revogar o título de “doutor” do CEO da BHP

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Alunos do King’s College de Londres querem revogar o título de “doutor” que a universidade concedeu ao presidente da BHP Billinton, empresa que juntamente com a Vale forma a Samarco. Eles reivindicam, ainda, um pedido público de desculpas pelo crime ambiental do dia 5 de novembro de 2015 por parte do Dr Andrew Mackenzie. Para isso, criaram um abaixo-assinado na plataforma Change.org

A comunidade se diz simpatizante da causa socioambiental brasileira e acusa a tríade (Samarco, BHP Billiton e Vale) de  não arcar com os prejuízos e as responsabilidades pela catástrofe de Mariana. Os estudantes acreditam que as práticas comerciais das empresas não são sustentáveis e desrespeitam o meio ambiente.

Mais de 50 milhões de toneladas de minério de ferro de resíduos, que contêm altos níveis de metais pesados ​​e produtos químicos tóxicos (equivalente a 20.000 piscinas olímpicas de resíduos de lama tóxica), contaminaram a Bacia do Rio Doce, no Estado de Minas Gerais, matando pelo menos 15 pessoas. A lama tóxica atingiu o oceano Atlântico através da costa do Estado do Espírito Santo.

Dr Andrew Mackenzie é o CEO da anglo-australiana BHP Billiton.

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01 dez 2015

Humanos habitam a Amazônia há mais de mais de 14 mil anos

Arquivado em Meio Ambiente
Amazônia

No mapa, os sítios arqueológicos avaliados na pesquisa. Destacadas em azul, as áreas contempladas pelas pesquisas do Instituto Mamirauá. (Adaptação ao mapa publicado originalmente no artigo)

A história da ocupação humana na Amazônia é datada de mais de 14 mil anos. Ao contrário do estereótipo de região intocada e com grande vazio demográfico, esse ambiente era diversamente ocupado antes da chegada dos europeus ao continente. O artigo “The domestication of Amazonia before European conquest”, publicado recentemente na revista “Proceedings of the Royal Society B”, traz algumas percepções sobre o assunto.

Uma parte dos dados divulgados foi coletada em parceria pelas equipes de arqueologia do Instituto Mamirauá e do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP). Entre os autores do artigo, está o arqueólogo Eduardo Góes Neves, professor da USP e parceiro do Instituto.

Por meio da parceria, as pesquisas são desenvolvidas desde 2006 em sítios arqueológicos nas Reservas Mamirauá e Amanã e nos municípios de Tefé e Alvarães, ambos no Amazonas. A equipe do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, busca compreender os modos de vida dos povos que ocuparam essas áreas, a partir da análise de vestígios encontrados na região.

“É interessante pensarmos no quanto essas ocupações interagiram e modificaram o meio ambiente, tornando-o propício para suas necessidades. O que a gente já conhece é quem veio antes e quem veio depois. O próximo passo é entender como eles interagindo-se relacionavam com o ambiente”, afirmou Eduardo Kazuo Tamanaha, pesquisador de arqueologia do Instituto Mamirauá.

Nas regiões do baixo e médio Solimões, os pesquisadores encontraram diferentes culturas cerâmicas. As primeiras evidências de grupos ceramistas datam entre 1.610 a 930 aC. Eduardo Kazuo ressalta que, sobre as primeiras ocupações, ainda há pouco conhecimento, com vestígios pontuais, que não oferecem informações sobre o manejo do ambiente. “Mas esses grupos estão produzindo cerâmica. E, pelo modo que o grupo ocupa e pelo tipo de cerâmica, a gente consegue associar a outras áreas da Amazônia, e com outras pesquisas”, reforça o pesquisador.

Reserva Amanã

Em outubro, a equipe de arqueólogos, formada por pesquisadores do Instituto Mamirauá e da USP, esteve em expedição para os sítios arqueológicos da Reserva Amanã. O trabalho faz parte de pesquisa realizada entre 2008 e 2009 na região, que foi retomada recentemente.

Para Silva Cunha Lima, pesquisadora da USP, um dos objetivos é criar uma metodologia de monitoramento de sítios arqueológicos, para acompanhar a conservação dos vestígios e possível estado de degeneração, de acordo com cada ambiente. “A ideia é criar uma metodologia para monitorar os sítios arqueológicos em outras comunidades. Para ter um controle de quanto está se perdendo e em que velocidade, por isso a gente vai testar trabalhar com o GPS para ter mais precisão das localizações” afirma.

No campo, foram visitados sítios localizados nas comunidades Boa Esperança e Bom Jesus do Baré, e a metodologia utilizada foi a identificação de urnas e outros vestígios cerâmicos, e em seguida realizadas medidas da espessura e diâmetro, com o intuito de comparar com os dados registrados em 2014. Também serão comparadas a quantidade e localização dos vestígios, com os dados das pesquisas de 2008 e 2009. A equipe também fotografa os vestígios e marca a localização com o GPS.

“Percebemos que os mesmos tipos de urnas encontrados na comunidade Boa Esperança são encontrados em outros sítios também, possivelmente podem ser do mesmo período de ocupação”, comentou Eduardo.

Texto: Amanda Lelis e Aline Fidelix

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