Categoria "opinião"
15 mar 2016

Saiba que você não está sozinho

Escuta

Na última sexta-feira (11/03), em um dos meus restaurantes vegetarianos preferidos – Restaurante Natural da Rua Curvelo, no bairro Floresta, em Belo Horizonte, tive um encontro com pessoas com cheiro de colo de Deus. “Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza”.

Conversei com João Batista, Alexandre Franco e Rodrigo. Eles e outros amigos do planeta fazem parte do FOTRANS-  Fórum Permanente para Estudos de Fenômenos Transcendentes de Minas Gerais sobre onda ufológica, espiritualidade, telepatia e transição planetária.

O FOTRANS tem como objetivo fomentar estudos sobre fenômenos transcendentes,   englobando pesquisas, vivências e experiências ligadas a ideia da pluralidade dos Mundos habitados.

Gostaria de pedir permissão para os meu amados leitores para um vlog de gratidão. Afinal em um mundo conturbado por corrupção, mentiras, falsidade, ódio…, saber que seres humanos que buscam, por meio da escuta sincera, um mundo melhor não é qualquer coisa.

Coragem, podemos mudar o mundo! Você não está sozinho.

11 fev 2016

ESPECIAL: Politica & Amor. “Falta muitas vezes amor próprio para dizer não à corrupção”

Arquivado em Comportamento, opinião

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John Lennon e Yoko Ono se casaram em 20 de março de 1969 e, no dia seguinte, em plena lua-de-mel no Hotel Hilton, em Amsterdã, segurando tulipas, começaram um protesto pacífico contra a guerra do Vietnã. Eles ficaram nus na cama por uma semana. Foi um ato político em nome do amor altruísta. O evento foi chamado de “Bed in”, ou “John e Yoko na cama pela paz”.

Durante a década de 1970, John e Yoko envolveram-se em vários eventos políticos, como promoção à paz, pelos direitos das mulheres e trabalhadores e também exigindo o fim da Guerra do Vietnã. O casal mais conhecido da história contemporânea também colecionou desafetos. Onze anos depois do bed-in de Montreal, no dia 8 de dezembro de 1980, Lennon foi assassinado à porta do edifício Dakota, em Nova York, por Mark Chapman.

O desfecho trágico envolvendo o assassinato de Lennon é emblemático para pontuar a reflexão que proponho nesta postagem: o que a política tem de congruente com o amor? A temática é oportuna principalmente em tempos nos quais a política e o amor estão tão em baixa. O ódio matou o sonho? Até que ponto é possível governar com amor? É possível governar sem amor?

Conversei com Filipe Celeti. Ele é bacharel e licenciado em Filosofia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela mesma instituição. Editor da Bunker Editorial. Colabora com artigos para o Instituto Ludwig von Mises Brasil (IMB), e tem participado com artigos e podcasts em outros sites e institutos como Portal Libertarianismo, Livre & Liberdade e Estudantes Pela Liberdade (EPL), referentes à educação, política e cotidiano.  Segundo ele, “falta muitas vezes amor próprio para dizer não à corrupção”.

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Filipe Celeti/Arquivo pessoal

Adriana Santos:  A política pode ser amorosa?

Filipe Celeti: A política expressa um modo de amar. O problema com a palavra amorosa é pensar no amor enquanto romantismo, beleza, sutileza, doação, negação de si e muitos outros termos que estão presentes no senso comum. Quando vemos o amor humano se manifestar, enxergamos o ciúmes, a luxúria, os crimes passionais, o egoísmo, a possessividade e uma série de sensações amorosas que diferem do idealismo que envolve o amor. A política é amorosa. Carrega os vícios e as taras, os sonhos e as utopias dos amantes.

Adriana Santos:  A política é compatível com o amor?

Filipe Celeti: Eu vejo cinco compatibilidades entre política e amor. Os insensíveis são como os totalitários: eles não amam e querem que os outros também não amem. Os amantes altruístas são como os socialistas: o outro é louvado para que a individualidade desapareça. Os egoístas são como os conservadores: pretendem impedir que os outros sejam diferentes de seus padrões. Os românticos são como os centristas: são confusos naquilo que desejam ou esperam de si e dos outros. Os amoristas – os que amam plenamente – são como os libertários: querem o máximo de realização pessoal e de realização do outro.

Adriana Santos:  É possível governar com amor?

Filipe Celeti: Só se governa com amor. O importante é perguntar: qual amor? Há quem não ame e queira controlar tudo para que nada se parece com o amor que não compreende. Há quem negue a si mesmo e busque sempre agradar o outro, geralmente governando em nome de um outro dissolvido numa coletividade qualquer. Há quem ame apenas a si mesmo e que seja capaz de governar apenas para si. Há quem esteja confuso, mudando as regras e as suas convicções a todo momento. Há quem ame plenamente a si e aos outros, desejando que todos sejam livres para viver suas vidas plenamente, sem serem negados, perseguidos ou precisarem se esvaziar de si mesmos.

Adriana Santos:  O amor pode ser um ato político?

Filipe Celeti: Certamente! Embora muitas vezes o amor politizado que se busca é mais do que já está vivenciado, presenciado por todos nós. Vivemos numa época do desprezo pelo amor, aquela flor roxa que nasce no coração dos trouxas. Vivemos numa época do egocentrismo, no qual o amor que importa é apenas o amor de si. Como se amar a si mesmo bastasse. Também há o apelo altruísta que no fundo apenas dissolve o amor, visto que não há um ser que o possua em si mesmo para transbordá-lo para o outro. A maioria não sabe amar, fica cedendo aqui ou acolá, tentando equacionar o seu eu e o outro. Amar não é batalhar para impor a si e nem uma abstenção de si. Amar não é uma formalidade ou um teatro. Amar não é viver eternamente conciliando duas formas de amar até a exaustão da insegurança.

Adriana Santos:  A política pode ser um ato de amor.

Filipe Celeti: Sim! Através da política posso efetivar minha insensibilidade buscando cada vez mais poder para controlar a todos. Meu egoísmo encontra sólida base na política para legislar em benefício próprio. Meu altruísmo me motiva a negar a mim mesmo, me tornando a voz de uma minoria silenciada. O romantismo e sua utopia me levam a politicar sem saber muito bem o que desejo, mas tendo a sensação que estou pelo menos tentando. Minha amorosidade pode me levar a lutar contra os que querem impor o modo de amar que possuem a todos.

Adriana Santos:  O amor pode transformar a política?

Filipe Celeti: O amor transforma a política. Nem sempre o amor a muda para o que poderíamos chamar de “melhor”. Há vários amantes, amando de diversas maneiras, com uma base sólida de como devem amar e efetivando o amor que aprenderam a ter. Vence aquele que conseguir conquistar os outros amantes. Presentes, discursos, promessas, trocas de afeto, ofensas, ciúmes para com a nova coligação ou partido do antigo amante, traições, delações premiadas, tudo faz parte do turbilhão amoroso da política. É por isto que falta muitas vezes amor próprio para dizer não à corrupção e amor para com os outros para dizer não ao apelo dos lobbies que visam apenas seus próprios benefícios.

Adriana Santos: Vale a pena ler o artigo “A Política do Amor” do filósofo Filipe Celeti. AQUI

CINEMA, POLÍTICA E AMOR

Falar de amor no campo político gera certo mal-estar. Pelo menos no cinema, a relação política e amor  é quase sempre explosiva. Pedi algumas indicações de filmes consagrados sobre o tema para quem entende do assunto.

Veja a lista com Marden Machado. Ele é jornalista, roteirista e também comentarista de cinema do programa Light News, da Transamérica Light FM, bem como da rádio CBN Curitiba. Participa também dos programas Fale Com Maria, da TV Evangelizar e Caldo de Cultura, da UFPR TV. É autor do livro Cinemarden – Um Guia (Possível) de Filmes, lançado pela Editora Arte e Letra, de Curitiba. Comenta um filme por dia no YouTube.

Marden fez uma edição especial para o blog “Saúde do Meio”. Confira:

 

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“Sindicato de Ladrões”/Divulgação

 

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“Rede de Intrigas”/Divulgação

 

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“Eles não usam black-tie”/Divulgação

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“Pra frente, Brasil”/ Divulgação

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“1984” /Divulgação

04 fev 2016

OPINIÃO: Zika vírus e a reascensão da eugenia

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Arno Alcântara Jr./Divulgação

NOTA EDITORA BLOG SAÚDE DO MEIO:  “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.  A frase atribuída ao filósofo francês Voltaire jamais foi escrita ou proferida pelo autor. No entanto, isso não tem tanta importância prática, afinal já está na boca do povo e vale para alertar sobre o livre pensamento. Por isso, acredito que a função social do blog Saúde do Meio é “dialogar” sempre.

O aborto é um tema polêmico e envolve nossa história do ponto de vista cultural, social, emocional e espiritual. A evolução da consciência é justamente encarar o contraditório sem um julgamento prévio.

Confesso que prefiro acreditar nas mil possibilidades da vida. Nesse sentido sou contrária ao aborto como medida preventiva de saúde pública. Sou solar. Vejo luz quando tudo aponta para o buraco negro das desilusões. Mas posso mudar de opinião… Só não posso deixar de acreditar na vida.

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OPINIÃO: Por Padre Paulo Ricardo

* Nasceu em Recife – PE, no dia 7 de novembro de 1967.  É licenciado em Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso – FUCMAT, Campo Grande, MS (1987); bacharel em teologia (1991) e mestre em direito canônico (1993) pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma).

Muito antes de juristas brasileiros virem em defesa do aborto de microcefálicos, Adolf Hitler já os tinha incluído em seus programas de extermínio.

Não é novidade o pedido que alguns juristas e acadêmicos de Direito farão à Suprema Corte brasileira, requerendo um suposto “direito ao aborto” de crianças com microcefalia. Na década de 1930, na Alemanha, o programa nazista de extermínio de crianças deficientes (a Kinder-Euthanasie) incluía, entre as doenças genéticas passíveis de execução, a síndrome de Down, a paralisia, a hidrocefalia e, também, a microcefalia [1]. A princípio, o objetivo era matar as crianças com até 3 anos de idade. Mais tarde, o plano de Adolf Hitler se estenderia também aos adultos.

Certamente, Ana Carolina Cáceres – a brasileira de 24 anos, portadora de microcefalia, que se graduou recentemente em jornalismo – não teria sobrevivido ao regime nazista. Como ela, tampouco teriam passado as irmãs Ana Victória (16) e Maria Luiza (14), também portadoras da síndrome. Fossem concebidas hoje, porém, a vida dessas mulheres estaria em risco muito mais cedo: elas poderiam ser descartadas antes mesmo de nascerem.

Fora ou dentro do útero, no entanto, meses ou anos depois da concepção, são realidades meramente circunstanciais. Nada disso muda a essência do que os promotores do aborto, aproveitando-se do pânico gerado em torno do zika vírus, pretendem advogar junto ao Supremo Tribunal Federal: a ideia de que alguns seres humanos são mais dignos de viver do que outros.

O nome disso é eugenia.

Dar um novo nome às coisas não altera a sua substância, pelo que “saúde reprodutiva”, “direito de escolha” e “controle de natalidade” não passam de eufemismos construídos para disfarçar a realidade.

Nem pode mudá-la o fato de algumas pessoas aparentemente esclarecidas estarem do lado de lá. Na verdade, quando o eugenismo surgiu na Europa, ainda no final do século XIX, muitos nomes de peso também deram sua aprovação à ideia, chegando a defendê-la pública e notoriamente: Winston Churchill, H. G. Wells e Bernard Shaw são apenas alguns exemplos. Francis Galton, um homem inteligente, responsável por cunhar a expressão “eugenia”, chegou a falar dela como uma espécie de “nova religião”. O entusiasmo pela coisa só pareceu cessar após a Segunda Guerra Mundial, quando as pessoas viram a que tudo isso realmente levava: pilhas de cadáveres em campos de concentração.

A essência dessa forma de pensamento, todavia, não está por trás só do pedido do aborto de microcefálicos, mas de todo o movimento pela legalização do aborto.

Como se sabe, o problema de quem defende essa prática não é com esta ou aquela má formação específica. Seja sob um viés feminista – como o defendido pela antropóloga Débora Diniz –, seja sob uma ótica aparentemente social – como a colocada pelo dr. Drauzio Varella –, o que se pretende é o aborto total, sem exceções. Por isso, perderíamos muito de nosso tempo tentando defender apenas os fetos microcefálicos quando, na verdade, quem está ameaçado em seu direito à vida são todos os nascituros, portadores ou não de microcefalia, sem ou com deficiência.

São eles as verdadeiras vítimas da eugenia moderna. Tratados como “cidadãos de segunda categoria” simplesmente porque não podem ser vistos – ainda que a ciência confirme a sua humanidade, desde a concepção. Considerados “indignos de viver” porque submetidos a uma liberdade total e irrestrita por parte da mulher – que deixa de arbitrar sobre o seu corpo para ter poder de vida e de morte sobre o próprio filho. Ameaçados, enfim, pelos próprios juristas e acadêmicos de Direito, que, passando por cima da lei natural e das leis de nosso país [2], deixam sem proteção a vida dos membros mais indefesos da nossa sociedade.

Tudo isso, aliado ao silêncio cúmplice de todos, forma um cenário que a humanidade já conheceu antes: tragicamente, os nossos tempos não são diferentes dos que precederam a barbárie nazista.

Mas, assim como algumas vozes se levantaram corajosamente contra a eugenia, antes mesmo que ela fosse aplicada na prática, também nós precisamos dar o nosso “grito” de alerta, antes que seja muito tarde. Como escreve o escritor britânico G. K. Chesterton, em seu livro profético Eugenics and other evils (“Eugenia e outros males”),

“A coisa mais sábia do mundo é gritar antes de ser ferido. Não é bom gritar depois, especialmente depois que você foi ferido de morte. As pessoas falam sobre a impaciência das multidões, mas os bons historiadores sabem que maior parte das tiranias só foi possível porque os homens reagiram muito tarde. Geralmente, é essencial resistir a uma tirania antes que ela exista. E não é resposta alguma dizer, com um vago otimismo, que a conspiração apenas está no ar. Um golpe vindo de um machado só pode ser evitado enquanto ainda está no ar.” [3]

Por enquanto, parece que a conspiração está apenas no ar. Mas, de notícia em notícia, já é possível antever o golpe de machado que se aproxima de nossas cabeças. O alvo, leitor, são homens e são mulheres, são pobres e são ricos, são brancos e são negros – em suma, são os nossos filhos. Se não lutarmos por eles, ninguém o fará por nós.

Referências

  1. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 2000, p. 52.
  2. Cf., v.g., Constituição Federal, art. 5.º, caput; Código Civil (Lei 10.406/02), art. 2.º etc.
  3. CHESTERTON, Gilbert K. Eugenics and Other Evils. London: Cassell and Company, 1922, p. 3.
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