Categoria "Saúde & Literatura"
26 ago 2015

Meu Filho é Esquizofrênico

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Maione e Vilma1-foto Wilson Avelar

Foto divulgação

O “Saúde e Literatura” apresenta o livro , “Meu Filho é Esquizofrênico”, um relato denso de uma mãe em busca de respostas.

Sem a pretensão de ser um tratado sobre a doença ou um histórico manicomial de Minas Gerais, “Meu Filho é Esquizofrênico” relata a luta de uma mulher contra o preconceito em relação à esquizofrenia e a tentativa de entender a doença presente de forma dramática na família, inclusive na vida do próprio filho.

Em algumas ocasiões de crise, o filho da professora Maione Rodrigues Batista, conhecido como Djalminha, tentou matar a própria mãe. Nessa caminhada, ela passou por uma série de médicos, terapias das mais diversas até chegar ao que ela considera o sentido de sua vida: a Casa Hollos, uma casa de apoio idealizada por ela para amparar pessoas com esquizofrenia.

“Meu Filho é Esquizofrênico” foi feito a quatro mãos. Para realizar um sonho e ajudar mais pessoas a entender melhor a doença, Maione contou com a ajuda da experiente jornalista mineira, Vilma Fazito.

Conversei com as autoras do livro. Confira:

Adriana Santos: A esquizofrenia é uma doença mental cercada de preconceitos e desinformação. Como surgiu a ideia de escrever o livro?

Vilma Fazito: A ideia de escrever o livro foi de Maione, uma amiga, que solicitou-me contar sua história, que é, na realidade, a luta constante de uma mãe pelo menor sofrimento do filho.

Adriana Santos: Quanto tempo foi necessário para as amigas amadurecessem a ideia de relatar uma experiência pessoal, íntima e afetiva sobre a esquizofrenia?

Vilma Fazito: Era uma ideia antiga da Maione e que ela somente agora conseguiu concretizar, sobretudo porque precisava estar pronta para começar a falar sobre o assunto.

A vida de Maione nunca foi um mar de rosas, muito pelo contrário, daí a necessidade de ser acompanhada por psicólogos, psicanalisas e psiquiatras desde tenra idade, fato que lhe deu forças suficientes para suportar todos os reveses que surgiram ao longo de sua existência e não foram poucos.

Tenho para mim, que, desde que se entende por gente, minha amiga se preparou para essa catarse. Isso mesmo, o relato trata-se de uma catarse, difícil demais de ser processada pela inquieta mente da protagonista. Para se ter uma ideia, demorei mais de um ano para escrever um livro de 128 páginas, tão denso o assunto e a situação.

Adriana Santos: O livro contou com a ajuda de profissionais da saúde mental?

Vilma Fazito: Contamos com a colaboração do psiquiatra de Belo Horizonte, Paulo Roberto Vaz de Melo, que me orientou quanto à utilização dos nomes corretos de doenças e medicamentos, inclusive, produzindo os textos para as notas disponibilizadas no final do livro.

As informações sobre o transtorno e outras doença citadas no livro e a sua linguagem ideológica são da responsabilidade da própria Maione em função de sua larga experiência com o problema. Mas gostaria de deixar bem claro que o livro “Meu filho é esquizofrênico” não é nenhum tratado científico sobre o tema, nem foi escrito com esse propósito.

Não coloca em questão a luta antimanicomial, embora o assunto tenha sido levantado “en passant”, e não é nenhuma obra para prêmio Nobel de Literatura. É apenas a história de uma mãe que dá a vida pela felicidade do filho doente.

Adriana Santos: Qual a narrativa do livro que foi mais difícil escrever?

Vilma Fazito: Acredito que todas as narrativas foram difíceis, até mesmo as hilárias. Embora a dureza do assunto, houve momentos de descontração sim. E por incrível que pareça, o momento mais difícil para Maione e para mim, consequentemente, não foi nenhum relacionado ao seu filho, nem mesmo ao irmão com problema parecido, mas a relação de Maione com a mãe. Esse sim foi o mais difícil, mais contundente, mais triste.

Adriana Santos: Como foi a experiência de escrever “Meu filho é esquizofrênico”?

Maione Rodrigues Batista: Para mim, esse livro é uma lavagem de alma no sentido da missão cumprida. Acredito que, com essa obra, contribuo para desmistificar uma doença que não tem cura e que, embora os psiquiatras afirmem que tem tratamento, eu digo que o mesmo não é tão eficaz quanto se imagina.

O tratamento medicamentoso aliado a terapias reduz os sintomas mas não acaba com todos eles, nem faz a mágica de tornar a vida do paciente “quase normal”. O portador da doença continua incapaz de desempenhar funções sociais básicas diárias, como higiene pessoal, trabalho, estudo e relacionamento em geral. Essas questões ficam comprometidas.

Acho que o livro pode contribuir para diminuir o preconceito da maioria da população sobre a doença e servirá, certamente, de exemplo para outras famílias que sofrem com o mesmo problema. O relato deixa uma mensagem de otimismo. Passei pela fase de desespero, pela fase de esperança de cura. Hoje passo pela fase de aceitação, sem estigma, sem “frescura”. Não tenho mais medo de enfrentar a esquizofrenia.

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“Meu Filho é Esquizofrênico” conta com o prefácio do jornalista e psicólogo Mauro Werkema. Valor do livro: 40 reais.

Esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno mental psicótico que acomete 1 por cento da população mundial, sem distinção de raça, credo ou poder aquisitivo.

As pessoas que apresentam esquizofrenia têm alucinações, manias de perseguição. Muitos ficam apáticos em determinadas fases da doença.O uso de álcool e drogas pode ser considerado agente desencadeador de paranoias.

27 jul 2015

Livro alerta sobre o luto não reconhecido

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resgate_da_empatia

 

O tema do luto não sancionado é pouco abordado na literatura clínica. Neste livro, profissionais da área de saúde preenchem essa lacuna tratando de temas como prematuridade, infidelidade conjugal, aposentadoria, morte de animais de estimação, perda de familiares por suicídio e o luto de cuidadores profissionais. A obra também traz estratégias para lidar com a perda e destaca os transtornos psiquiátricos decorrentes do luto.

O que sente uma mãe que sofre pelo filho desaparecido? Como alguém elabora a morte de um amado animal de estimação? De que forma um profissional que convive com pacientes diariamente encara a perda? Muitas são as experiências de luto ignoradas ou desacreditadas. No livro O resgate da empatia – Suporte psicológico ao luto não reconhecido, lançamento da Summus Editorial, profissionais da área de saúde contribuem de maneira fundamental para o entendimento do luto não reconhecido. Organizado pela psicóloga Gabriela Casellato, o livro aborda as diversas faces da perda com embasamento teórico, estratégias e ferramentas úteis para ajudar psicoterapeutas e demais profissionais de saúde a reconhecer o que ainda é irreconhecível.

“O processo de luto é normal e necessário, mas a falta de empatia em relação às perdas que enfrentamos é um importante determinante de nosso adoecimento físico e mental”, afirma Gabriela. Segundo ela, o não reconhecimento do luto é um fenômeno que se estabelece em diferentes situações e suas características são minimizadas ou negadas pelo próprio enlutado e/ou pela comunidade e suas regras socioculturais.

O livro traz uma profunda reflexão sobre diferentes situações: o luto de um filho prematuro e suas consequências para a formação do vínculo mãe-bebê; a questão da infidelidade conjugal; as especificidades e consequências do luto pela aposentadoria, fenômeno que ganha espaço com o aumento da população de idosos; o luto por bichinhos de estimação, em especial, nas cidades grandes, cujo papel do animal nas teias familiares é essencial; o luto pelo desaparecimento, que é abordado com profunda riqueza, dando enfoque ao luto materno; e também o luto em situações de suicídio, um assunto quase tabu na sociedade.

Dois capítulos também exploram o luto dos cuidadores profissionais, mostrando um pouco mais de perto a dor de quem cuida da dor. Em depoimentos tocantes e corajosos, as autoras expõem suas próprias dores diante das perdas pessoais e das de seus pacientes.

A obra apresenta ainda diferentes aspectos e recursos que a psicologia vem desenvolvendo no que se refere ao enfrentamento desses lutos. Um deles relaciona o conceito de luto não reconhecido à teoria do apego, mostrando a influência que a formação de vínculos tem sobre a ruptura e, consequentemente, sobre o luto. O outro mostra intervenções importantes como a arteterapia.

Por fim, o livro traz também uma lista de serviços de atendimento psicológico para enlutados no Brasil. “O objetivo é tornar a ajuda acessível nos mais diferentes cantos de nosso país para enlutados que surgem aos milhares a cada dia, muitos deles de modo silencioso e vulnerável”, afirma.

21 jul 2015

Médico lança guia sobre comunicação e tratamento de câncer

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comunicacao medico paciente

Complexa e delicada, a comunicação entre médico e paciente é fundamental para o sucesso do tratamento. Quando o assunto é o câncer, ela é ainda mais vital. Partindo da experiência de mais de 30 anos em oncologia, o médico Ricardo Caponero criou um guia de orientação sobre como estabelecer, de forma respeitosa e franca, uma comunicação efetiva e terapêutica com os portadores de câncer.

Apesar de todos os avanços médicos e tecnológicos das últimas décadas, o câncer ainda é considerado tabu para a maioria das pessoas. Assim, quando o indivíduo tem o diagnóstico de câncer, por vezes depara com uma espécie de “conspiração do silêncio”, o que pode prejudicar o tratamento e provocar consequências psicológicas profundas. Por outro lado, a equipe médica nem sempre está preparada para transmitir ao paciente informações claras, precisas e verdadeiras. Partindo de uma experiência de mais de 30 anos na área, o oncologista Ricardo Caponero dispôs-se a criar um guia sobre como dialogar com esses pacientes. No livro A comunicação médico-paciente no tratamento oncológico – Um guia para profissionais de saúde, portadores de câncer e seus familiares (184 p., R$ 53,10), lançamento da MG Editores, ele explica como estabelecer e manter uma comunicação respeitosa e franca e, ao mesmo tempo, efetiva e terapêutica.

Embora seja uma atividade comum e rotineira na área da saúde, a arte da comunicação assume um papel muito mais significativo em situações particulares em que a mobilização de grande quantidade de conteúdo emocional está em evidência. Na oncologia, ela se dá entre o profissional e um paciente que não gostaria de estar ali, que sabe que vai ouvir muitas coisas que não desejaria ouvir ou nega a doença que tem. Se a comunicação já apresenta dificuldades, nessas circunstâncias ela se torna ainda mais desafiadora.

Por isso, segundo Caponero, os oncologistas deveriam conhecer em profundidade os meandros da comunicação dinâmica, já que ela é parte fundamental do tratamento. “Os profissionais que participam do diagnóstico devem estar minimamente esclarecidos sobre a importância e o impacto que a comunicação exerce – tanto como alento quanto como sofrimento”, afirma.

Entrevista com o oncologista Ricardo Caponero

Adriana Santo: Qual a melhor maneira de comunicar o diagnóstico de uma doença com tantos esteriótipos, como é o caso do câncer, sem perder a esperança e adesão ao tratamento?

Ricardo Caponero: Com sensibilidade e sinceridade. É exatamente sobre como fazer isso, e as dificuldades que encontramos, que discorremos no livro. A infomração correta e adequada é o principal fator para garantir a adesão do paciente ao tratamento. Ele fica sabendo exatamente o que está tratando, como e porquê.

Adriana Santos: O paciente deve ser informado sobre todos os aspectos do câncer?

Ricardo Caponero: Sim, sem dúvida, mas essa informação deve ser gradual, dosada com as suas necessidade em cada momento da evolução da doença.

Adriana Santos:  Como a família pode colaborar no entendimento do câncer, em especial em casos terminais?

Ricardo Caponero: O mais importante é sendo franca, aberta, e mostrando-se pronta para conversar sobre as questões delicadas da existência. O que não ajuda é o fazer de conta que a situação não é grave, que nada está acontecendo. Isso é o que chamamos de conspiração do silêncio, e impede o paciente de falar diretamente sobre os assuntos que lhe são caros e delicados.

Adriana Santos: Qual o papel da mídia no entendimento do câncer?

Ricardo Caponero: Bom por colocar o tema frequentemente em pauta, mas ruim por muitas vezes se esquivar de discussões sérias e voltar-se mais para o “marketing” da cura

Adriana Santo:  O paciente tem direito à informações sobre o tratamento do câncer, mesmo que a família rejeite essa ideia?

Ricardo Caponero: O paciente tem direito a sua autonomia. Ninguém melhor do que você mesmo para decidir sobre a sua vida. As Diretivas Antecipadas de Vontade, como definidas pelo Conselho Federal de Medicina, orientam os médicos que a família só deve ser ouvida se esse for o desejo do paciente. No entanto, o Código de Ética Médica permite ao médico omitir a informação ao paciente em uma única condição, se essa comunicação causar-lhe um mal maior.

Adriana Santos:  A internet é uma boa fonte de consulta para o entendimento é tratamento do câncer?

Ricardo Caponero: Sim, mas é preciso que os pacientes sejam orientados quanto aos melhores sites, e sobre o como procurar as informações e interpretar os dados encontrados. Ou seja, a internet é excelente se o paciente é auxiliado na busca e interpretação dos dados que ele precisa.

Câncer no Brasil

No Brasil, estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para os anos de 2015 e 2016 apontam a ocorrência de aproximadamente 576.358 casos novos de câncer por ano. Estima-se um total anual de 302.350 casos novos para o sexo masculino e 274.230 para o feminino. Nos homens, os tipos mais incidentes seriam os cânceres de pele não melanoma, próstata, pulmão, colón e reto e estômago; nas mulheres, os cânceres de pele não melanoma, mama, colo do útero, colón e reto e glândula tireoide.

O autor

Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Caponero é especialista em Oncologia pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) e em Cancerologia Clínica pela Associação Médica Brasileira (AMB), além de mestre em Oncologia Molecular pelo Centro de Investigaciones Oncológicas de Madri, Espanha. Membro da American Society of Clinical Oncology (Asco), da European Society for Medical Oncology (Esmo), da Multinational Association of Supportive Care in Cancer (Mascc), da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO) e da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos (ABCP), é ex-presidente e atual diretor científico dessa última instituição. Atua como oncologista na Clinonco – Clínica de Oncologia.

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