Categoria "Saúde & Literatura"
27 jul 2015

Livro alerta sobre o luto não reconhecido

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O tema do luto não sancionado é pouco abordado na literatura clínica. Neste livro, profissionais da área de saúde preenchem essa lacuna tratando de temas como prematuridade, infidelidade conjugal, aposentadoria, morte de animais de estimação, perda de familiares por suicídio e o luto de cuidadores profissionais. A obra também traz estratégias para lidar com a perda e destaca os transtornos psiquiátricos decorrentes do luto.

O que sente uma mãe que sofre pelo filho desaparecido? Como alguém elabora a morte de um amado animal de estimação? De que forma um profissional que convive com pacientes diariamente encara a perda? Muitas são as experiências de luto ignoradas ou desacreditadas. No livro O resgate da empatia – Suporte psicológico ao luto não reconhecido, lançamento da Summus Editorial, profissionais da área de saúde contribuem de maneira fundamental para o entendimento do luto não reconhecido. Organizado pela psicóloga Gabriela Casellato, o livro aborda as diversas faces da perda com embasamento teórico, estratégias e ferramentas úteis para ajudar psicoterapeutas e demais profissionais de saúde a reconhecer o que ainda é irreconhecível.

“O processo de luto é normal e necessário, mas a falta de empatia em relação às perdas que enfrentamos é um importante determinante de nosso adoecimento físico e mental”, afirma Gabriela. Segundo ela, o não reconhecimento do luto é um fenômeno que se estabelece em diferentes situações e suas características são minimizadas ou negadas pelo próprio enlutado e/ou pela comunidade e suas regras socioculturais.

O livro traz uma profunda reflexão sobre diferentes situações: o luto de um filho prematuro e suas consequências para a formação do vínculo mãe-bebê; a questão da infidelidade conjugal; as especificidades e consequências do luto pela aposentadoria, fenômeno que ganha espaço com o aumento da população de idosos; o luto por bichinhos de estimação, em especial, nas cidades grandes, cujo papel do animal nas teias familiares é essencial; o luto pelo desaparecimento, que é abordado com profunda riqueza, dando enfoque ao luto materno; e também o luto em situações de suicídio, um assunto quase tabu na sociedade.

Dois capítulos também exploram o luto dos cuidadores profissionais, mostrando um pouco mais de perto a dor de quem cuida da dor. Em depoimentos tocantes e corajosos, as autoras expõem suas próprias dores diante das perdas pessoais e das de seus pacientes.

A obra apresenta ainda diferentes aspectos e recursos que a psicologia vem desenvolvendo no que se refere ao enfrentamento desses lutos. Um deles relaciona o conceito de luto não reconhecido à teoria do apego, mostrando a influência que a formação de vínculos tem sobre a ruptura e, consequentemente, sobre o luto. O outro mostra intervenções importantes como a arteterapia.

Por fim, o livro traz também uma lista de serviços de atendimento psicológico para enlutados no Brasil. “O objetivo é tornar a ajuda acessível nos mais diferentes cantos de nosso país para enlutados que surgem aos milhares a cada dia, muitos deles de modo silencioso e vulnerável”, afirma.

21 jul 2015

Médico lança guia sobre comunicação e tratamento de câncer

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comunicacao medico paciente

Complexa e delicada, a comunicação entre médico e paciente é fundamental para o sucesso do tratamento. Quando o assunto é o câncer, ela é ainda mais vital. Partindo da experiência de mais de 30 anos em oncologia, o médico Ricardo Caponero criou um guia de orientação sobre como estabelecer, de forma respeitosa e franca, uma comunicação efetiva e terapêutica com os portadores de câncer.

Apesar de todos os avanços médicos e tecnológicos das últimas décadas, o câncer ainda é considerado tabu para a maioria das pessoas. Assim, quando o indivíduo tem o diagnóstico de câncer, por vezes depara com uma espécie de “conspiração do silêncio”, o que pode prejudicar o tratamento e provocar consequências psicológicas profundas. Por outro lado, a equipe médica nem sempre está preparada para transmitir ao paciente informações claras, precisas e verdadeiras. Partindo de uma experiência de mais de 30 anos na área, o oncologista Ricardo Caponero dispôs-se a criar um guia sobre como dialogar com esses pacientes. No livro A comunicação médico-paciente no tratamento oncológico – Um guia para profissionais de saúde, portadores de câncer e seus familiares (184 p., R$ 53,10), lançamento da MG Editores, ele explica como estabelecer e manter uma comunicação respeitosa e franca e, ao mesmo tempo, efetiva e terapêutica.

Embora seja uma atividade comum e rotineira na área da saúde, a arte da comunicação assume um papel muito mais significativo em situações particulares em que a mobilização de grande quantidade de conteúdo emocional está em evidência. Na oncologia, ela se dá entre o profissional e um paciente que não gostaria de estar ali, que sabe que vai ouvir muitas coisas que não desejaria ouvir ou nega a doença que tem. Se a comunicação já apresenta dificuldades, nessas circunstâncias ela se torna ainda mais desafiadora.

Por isso, segundo Caponero, os oncologistas deveriam conhecer em profundidade os meandros da comunicação dinâmica, já que ela é parte fundamental do tratamento. “Os profissionais que participam do diagnóstico devem estar minimamente esclarecidos sobre a importância e o impacto que a comunicação exerce – tanto como alento quanto como sofrimento”, afirma.

Entrevista com o oncologista Ricardo Caponero

Adriana Santo: Qual a melhor maneira de comunicar o diagnóstico de uma doença com tantos esteriótipos, como é o caso do câncer, sem perder a esperança e adesão ao tratamento?

Ricardo Caponero: Com sensibilidade e sinceridade. É exatamente sobre como fazer isso, e as dificuldades que encontramos, que discorremos no livro. A infomração correta e adequada é o principal fator para garantir a adesão do paciente ao tratamento. Ele fica sabendo exatamente o que está tratando, como e porquê.

Adriana Santos: O paciente deve ser informado sobre todos os aspectos do câncer?

Ricardo Caponero: Sim, sem dúvida, mas essa informação deve ser gradual, dosada com as suas necessidade em cada momento da evolução da doença.

Adriana Santos:  Como a família pode colaborar no entendimento do câncer, em especial em casos terminais?

Ricardo Caponero: O mais importante é sendo franca, aberta, e mostrando-se pronta para conversar sobre as questões delicadas da existência. O que não ajuda é o fazer de conta que a situação não é grave, que nada está acontecendo. Isso é o que chamamos de conspiração do silêncio, e impede o paciente de falar diretamente sobre os assuntos que lhe são caros e delicados.

Adriana Santos: Qual o papel da mídia no entendimento do câncer?

Ricardo Caponero: Bom por colocar o tema frequentemente em pauta, mas ruim por muitas vezes se esquivar de discussões sérias e voltar-se mais para o “marketing” da cura

Adriana Santo:  O paciente tem direito à informações sobre o tratamento do câncer, mesmo que a família rejeite essa ideia?

Ricardo Caponero: O paciente tem direito a sua autonomia. Ninguém melhor do que você mesmo para decidir sobre a sua vida. As Diretivas Antecipadas de Vontade, como definidas pelo Conselho Federal de Medicina, orientam os médicos que a família só deve ser ouvida se esse for o desejo do paciente. No entanto, o Código de Ética Médica permite ao médico omitir a informação ao paciente em uma única condição, se essa comunicação causar-lhe um mal maior.

Adriana Santos:  A internet é uma boa fonte de consulta para o entendimento é tratamento do câncer?

Ricardo Caponero: Sim, mas é preciso que os pacientes sejam orientados quanto aos melhores sites, e sobre o como procurar as informações e interpretar os dados encontrados. Ou seja, a internet é excelente se o paciente é auxiliado na busca e interpretação dos dados que ele precisa.

Câncer no Brasil

No Brasil, estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para os anos de 2015 e 2016 apontam a ocorrência de aproximadamente 576.358 casos novos de câncer por ano. Estima-se um total anual de 302.350 casos novos para o sexo masculino e 274.230 para o feminino. Nos homens, os tipos mais incidentes seriam os cânceres de pele não melanoma, próstata, pulmão, colón e reto e estômago; nas mulheres, os cânceres de pele não melanoma, mama, colo do útero, colón e reto e glândula tireoide.

O autor

Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Caponero é especialista em Oncologia pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) e em Cancerologia Clínica pela Associação Médica Brasileira (AMB), além de mestre em Oncologia Molecular pelo Centro de Investigaciones Oncológicas de Madri, Espanha. Membro da American Society of Clinical Oncology (Asco), da European Society for Medical Oncology (Esmo), da Multinational Association of Supportive Care in Cancer (Mascc), da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO) e da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos (ABCP), é ex-presidente e atual diretor científico dessa última instituição. Atua como oncologista na Clinonco – Clínica de Oncologia.

15 jul 2015

Raphael Rocha: a face do artista que aposta na liberdade criativa

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Sempre fui uma “faz tudo” nas redações de jornalismo, onde tive a felicidade de trabalhar, e uma curiosa de plantão. Por isso, hoje, me considero uma multimídia, com experiência em rádio, audiovisual e internet. Acho que é uma tendência cada vez mais forte que motiva, em especial, profissionais da comunicação, da arte e da literatura.

Mas o objetivo da minha postagem é apresentar um artista que tem este perfil. Ele cuida de cada detalhe de sua produção, com muito carinho, dedicação e curiosidade. Raphael Rocha é autodidata e nasceu no Rio de Janeiro no final do verão de 1980. Recentemente publicou os livros: “No passar dos ventos – Poemas de outros tempos (2014) e Lua dos infantes (2015).

De 2002 a 2006 colaborou como ilustrador e designer gráfico freelancer em jornais e revistas do Brasil e do exterior. Publicou ilustrações no antigo Jornal dos Sports (Rj), Il Romanista (Itália), revista Forza Roma (Itália), revista Tatame (Brasil), Revista “A+” do diário esportivo o Lance!

O livro “Lua dos infantes” acabou de sair do forno. São poemas amorosos, reflexões metafísicas, transfigurações do real e jogos de linguagem, carregados de lirismo, delicadeza e força, amor e nostalgia. A publicação traça um pouco dos possíveis caminhos que a alma de coração aberto é capaz de percorrer e de relembrar.

“Lua dos infantes é uma edição autoral e toda a produção, do design de capa à concepção gráfica do livro num todo, é também de minha autoria, exceto a diagramação. Por se tratar de uma tiragem pequena será vendido apenas na livraria Folha Seca (Rio de janeiro) ou comigo através das redes sociais (Facebook e blogger). A poesia de um estreante, muitas vezes, está para o mercado editoral como os legumes, frutas e verduras para muitas crianças quando entram em um supermercado. É sempre a última das últimas opções”. diz Raphael Rocha.

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