Categoria "Saúde & Literatura"
10 jul 2019

Papo reto: saiba como compreender a depressão sem rodeios

Os números divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) assustam: em todo o mundo, mais de 300 milhões de pessoas enfrentam na pele os problemas provocados pela depressão. No Brasil, a doença atinge 5,8% da população, além dos distúrbios relacionados à ansiedade que afetam 9,3%. A depressão também causa prejuízos para muitos trabalhadores, sendo os transtornos de ansiedade e o esgotamento emocional as principais queixas dentro de ambientes profissionais.

Não é fácil enfrentar a depressão. Também não é nada confortável conviver com pessoas que passam por crises depressivas, principalmente quando são entes queridos. Na verdade, a doença acarreta prejuízos emocionais, sociais e financeiros para todos que estão diretamente ou indiretamente envolvidos com a doença.

A depressão já me trouxe muitos desgastes emocionais e sociais. Foram momentos sombrios… Só enxergava o caos e uma tristeza profunda. Nada fazia sentido. O céu estava sempre cinza. Na época, infelizmente, alguns relacionamentos afetivos foram rompidos; portas foram fechadas; palavras destruidoras foram lançadas; tempo precioso foi desperdiçado… Me sentia abandonada… No entanto, algo dentro de mim dizia: “você vai conseguir. Seja forte. Não desista”. Nunca deixei a peteca cair. Quase morri. Sou uma sobrevivente da depressão. Hoje, consigo, por meio de informações qualificadas, blindar os efeitos nocivos de uma das doenças que mais mata na Terra.

A desinformação é, com certeza, o grande vilão das doenças emocionais. Até hoje, poucas pessoas conseguem conceituar de forma não pejorativa as características de uma pessoa que enfrenta a depressão. Muitos acreditam que a doença atinge apenas os fracos. Não é verdade. A depressão é uma doença complexa que envolve vários aspectos da existência. Por isso, apenas boa vontade não é o suficiente. Os medicamentos ajudam, mas não curam as feridas humanas. A terapia é sensacional, mas não consegue efetividade sem o comprometimento do paciente com o tratamento oferecido por meio da palavra. Ninguém consegue sair do buraco existencial, sem estar convicto que a cura depende, principalmente, das nossas escolhas.

Por isso, escolhi a informação de qualidade para seguir o meu caminho com mais equilíbrio e bem estar. Nada melhor do que a objetividade para neutralizar as subjetividades que nos enfraquecem. Então a minha dica é: “Conhece-te a ti mesmo”, por meio da leitura.

Se você precisa saber mais sobre a depressão, tenho uma sugestão de ouro: leia o livro “Compreendendo a Depressão: 75 Perguntas e Respostas” do Michael D. Yapko – Editora Diamante. São informações preciosas, por meio de linguagem simples, direta e objetiva, que mostram as recentes pesquisas sobre depressão relacionadas ao cotidiano de todos nós. É muito bom. A leitura é, realmente, fácil, sem rodeios ou falsas promessas de tratamento. Inclusive, Yapko faz um questionamento bem interessante sobre a depressão pelo ponto de vista hormonal e biológico. É mito ou verdade? Não vou revelar. Vale a pena ler e descobrir as verdades e mentiras sobre a depressão. O capítulo sobre medicamentos é muito esclarecedor.

Compreendendo a depressão desperta no leitor um entendimento de como a depressão nos afeta para, dessa forma, poder lidar com a própria depressão ou ajudar outras pessoas a lidar com a sua doença, principalmente crianças e adolescentes.

A publicação é dividida em seis partes e a conclusão final. São 191 páginas, além das indicações de outros livros. Vejam algumas perguntas que o autor responde com profundo conhecimento clínico e sem mimimi: Qual a diferença entre tristeza e depressão? Os medicamentos antidepressivos realmente funcionam? A depressão desaparece por si só? É preciso fazer psicoterapia por anos para melhorar? Os medicamentos antidepressivos causam dependência? As pessoas devem falar abertamente sobre sua depressão com amigos e família? Crianças podem tomar antidepressivos? A depressão é transmitida nas famílias? Como alguém pode saber quando precisa da psicoterapia? A taxa de depressão é igual entre homens e mulheres?

O livro está disponível no Livraria do Psicólogo, em Belo Horizonte, por apenas 19,90 reais. Veja o site: AQUI 

05 jul 2019

JK: ainda podemos realizar o impossível?

Crédito: Memorial da Democracia

Paulo Rabello de Castro*

Até hoje não contabilizamos integralmente o que Juscelino Kubitschek representou para o desenvolvimento do País e galvanização da identidade nacional. Os jovens das novas gerações – a X, a Y e a do Milênio – mal conhecem a figura de JK, que só não sucumbiu no completo esquecimento por causa da referência ocasional ao seu nome, batizando ruas e praças pelo Brasil afora. Em São Paulo, JK é avenida e shopping. Mas, afinal, quem foi esse brasileiro e como seria ele hoje, no dizimado cenário atual de um País estagnado na economia, recessivo no seu desenvolvimento humano e conflagrado em seu funcionamento político? MEDIOCRIDADE é a palavra do momento. Nada define melhor o atual estágio de nossas impossibilidades. Mas será que um JK redivivo poderia realizar a reviravolta, aparentemente inviável, do resgate da alma nacional?

Tentar resgatar aquele JK do desenvolvimento acelerado é o tema e propósito de um extraordinário livro**, lançado este mês, em três volumes, pelo renomado economista mineiro Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, uma antologia completa de discursos, palestras, conferências, filmes e outras memórias do nosso presidente mineiro. O enorme território de “imaginários” de JK, tudo que Juscelino sonhou para o Brasil, é de uma vastidão e de beleza só comparáveis aos Lençóis Maranhenses, à terra do Jalapão ou à Selva Amazônica. O volume principal da obra seria um filme se não fosse o livro que é. São quase seiscentas páginas de JK pra-lá-e-pra-cá, replicando, em parágrafos eletrizantes, a energia e a capacidade de deslocamento físico do gestor público que amava voar, numa época em que passear pelos ares era risco de vida, mostrando a determinação de JK em adotar a inovação como meta e a eficiência como método, para fazer o futuro acontecer mais celeremente e do modo como ele havia planejado.

JK foi prefeito, governador e presidente. Mas, sobretudo, foi um notável gerente de vontades coletivas, bem diferente dos de hoje, que publicam fake news para manipular a cabeça do povo. Pelo contrário, JK projetava sonhos na tela imaginária da cabeça de cada brasileiro, e conseguia, simultaneamente, planejar e faz executar esses sonhos na vida real. Vamos construir estradas? Vamos conquistar a Amazônia? Vamos levar água e energia ao Nordeste? Vamos desbravar o Centro-Oeste? Vamos criar cidades inteiras, barragens hidroelétricas, linhas de transmissão? Vamos montar parques industriais? Vamos revolucionar a educação? Vamos projetar no mundo a cultura do Brasil? Vamos ganhar Copas no esporte? Vamos receber turistas com sorrisos, música e boa comida? Tudo isso era Juscelino.

Nesse sentido, a obra literária é concebida, num grande mosaico, por meio de curtos trechos de discursos de JK, como um filme de cenas rápidas com cortes abruptos, que nos leva pela narrativa em suspense, na primeira pessoa do próprio, desde sua infância pobre e estudiosa na bucólica Minas do passado quase remoto, até o Palácio do Catete, no dia da sua majestosa diplomação presidencial e, dali, ao grande salto do Brasil nos seus “cinquenta anos em cinco”. A narrativa do livro foge ao convencional. Ali aparece um Juscelino embaralhado e embrulhado em Nonô, em JK, em peixe vivo, em pé de valsa, em artista do impossível, tudo de cambulhada sobre a alma de um leitor despreparado para defender-se daquele motivador emérito da alma humana, que sabia convocar o que há de melhor em nós, de nos inspirar a enxergar os piores desafios como se fossem obstáculos fáceis de transpor ou montanhas simples de escalar. Pela mão e pela pena convincente de Juscelino, percorremos vastos territórios de um país apenas sonhado, em que trabalhadores motivados prosperam ao embalo de indústrias que se fundam, uma após outra, espalhando oportunidades para todos os lados, num país a que acorrem, entusiasmados, capitais europeus, japoneses e norte-americanos, atraídos por participar de um projeto de construção coletiva, imaginado e pontuado em 30 Metas de um plano monumental de desenvolvimento, o seu Plano de Metas.

Excessivo? Sem dúvida, pois JK nunca fez por menos. Seu delírio bom e grandioso sempre esteve em cada gesto e ato do estadista. Parte do sonho dele ainda se transfere, nos desesperados dias atuais, como bálsamo a brasileiros desencantados. A vivência dos embalados anos 1950 se transfere, no livro, do papel para a pele dos leitores, que ouvem de novo a bossa nova, que se arrepiam com os gritos de gol nos campos do futebol-arte, que respiram o ar pesado e lucrativo das chaminés paulistas, e que saem dos canos de descarga de uma imensa frota de veículos made in Brasil. Que tempos extraordinários! Seria possível de algum modo repeti-los? Ficamos matutando se os feitos de JK poderiam de novo saltar da prancheta do pensamento de alguma liderança política para imaginar e projetar outro grande avanço do País. Este livro do próprio JK, “psicografado” por Carlos Alberto, nos responde que sim, apesar da realidade atual ser a de um país esvaído por milhões de desempregados, acossado por malfeitos, descaminhos e, pior, aleijado pelas incapacidades.

Haveria tempo? Para JK, sim, sempre haveria. Lembrando Einstein, a imaginação é mais poderosa do que o conhecimento, porque pula etapas. E o Brasil, inspirado e guiado pelo exemplo de um JK, não precisa avançar por etapas convencionais. Pode produzir uma espantosa virada. Pode progredir por saltos inverossímeis. Pode produzir soluções impensadas, pode incorporar milhões a um desenvolvimento sem paralelo. Sem deixar ninguém para trás. Querer, e crer ser possível fazer, são as premissas de um Brasil transformado e turbinado pela esperança. Nesse outro Brasil, o exemplo de vida de Juscelino Kubistchek tem que ser contado e recontado a gerações sucessivas de brasileiros. Parabéns a Carlos Alberto pela iniciativa de um livro especial que nos reeduca para saber querer e a crer.

LIVRO JK

A nova edição da coletânea Juscelino Kubitschek – Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI será lançada na próxima terça feira, 18 de julho, às 19h, no Espaço Institucional da ACMINAS (Avenida Afonso Pena, 372, 4º andar, Centro.

(*) Paulo Rabello de Castro é economista. Prefaciou a obra em comento. rabellodecastro@gmail.com

(**) “Juscelino Kubitschek, Profeta do Desenvolvimento”, de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, Mercado Comum, 2019.

04 jul 2019

Biblioteca acessível: um direito de todos

Por Marília Paiva, presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia – 6ª Região (MG/ES)

Os livros contribuem para a formação intelectual e pessoal durante toda a vida, mas de modo especial, em relação a crianças em processo de alfabetização. O ideal é que a apresentação da literatura ocorra de forma integral, inclusive envolvendo pessoas com necessidades especiais.

O Brasil ainda está longe de se tornar um país de leitores. Conforme o último estudo Retratos da Leitura do Ibope, 44% dos brasileiros não têm o hábito de ler e 30% nunca, sequer, compraram um livro. O que torna esse retrato ainda pior é a falta de acessibilidade a leitores deficientes. De acordo com o IBGE, 23,9% de brasileiros são portadores de algum tipo de deficiência, sendo que 6,6% deles são visuais.

Uma biblioteca acessível acolhe o maior e mais diverso público para oferecer o mesmo serviço, independentemente de limitações físicas ou intelectuais. Infelizmente, a falta de investimento ainda resulta na realidade de que são poucas as bibliotecas com obras adaptadas ou aparelhos que possibilitem a leitura e prédios planejados para receberem deficientes físicos.

À primeira vista, parece que as mudanças para atender a democratização da literatura são um pouco complexas. Entretanto, as alterações podem ser feitas de forma gradativa, mesmo em caso de recursos financeiros escassos. Além do mais, uma das barreiras mais importantes a se superar são as barreiras comportamentais, que envolvem as reações e as relações com os usuários com deficiência. Para romper essas barreiras a informação e a formação dos mediadores nas bibliotecas são as providências mais importantes, e nem sempre dependem de algum dinheiro.

A internet tem algumas videoaulas e contação de histórias em libras que podem auxiliar no atendimento a pessoas com deficiência auditiva e também existem aplicativos, como o Eye-D, possibilitando a leitura de livros para portadores de deficiência visual, além dos já antigos audiolivros (quem se lembra dos disquinhos coloridos de décadas atrás?).

Os exemplos são vários, alguns apenas paliativos que podem auxiliar na rotina da biblioteca e não uma solução efetiva. Entretanto, já são um caminho, considerando que o mais importante é todos entenderem a importância da democratização do acesso à cultura escrita, buscado efetivamente minimizar o problema, que não se limita só aos portadores de necessidades especiais, mas os brasileiros em geral.

Os obstáculos ainda são muitos para se ampliar o acesso ao livro e a acessibilidade no Brasil, mas não podem e devem ser superados. A leitura é importante para a formação e orientação de qualquer cidadão, pois permite acessar o conhecimento e contribui para uma maior evolução social e aí, sim, secundariamente, melhorar a posição brasileira no ranking mundial de leitores.

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