Categoria "saúde"
09 out 2019

Projeto oferece tatuagem gratuita de aréola em mulheres que tiraram a mama

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil.  Mulheres que passaram por mastectomia (retirada do seio em função de câncer) podem se inscrever para fazer gratuitamente a reconstrução da aréola, ou mamilo, com tatuagem, dentro do projeto Y Rosa. Idealizado por Yurgan Barrett e equipe, o projeto volta ao Rio de Janeiro este mês, depois de uma experiência em Florianópolis (SC) no meio do ano, contabilizando nas três primeiras edições mais de 50 mulheres atendidas.

São 30 vagas disponíveis e as inscrições podem ser feitas no Instagram do tatuador Yurgan Barret (@yurganbarret) até o dia 25 de outubro, mas a equipe alerta que quanto antes as interessadas entrarem em contato, maiores as chances de serem atendidas na ação.

Barret disse à Agência Brasil que muitas mulheres não procuram o serviço porque acham que será pago, ou por terem vergonha de lidar com a mastectomia. Outras ainda por desconhecerem o serviço de redesenho de aréolas de mulheres mastectomizadas.

A 4ª edição do Y Rosa está programada para os próximos dias 25 e 26, no Yurgan Tattoo Studio, localizado no Shopping Barra World, Avenida Alfredo Balthazar da Silveira, 580, Recreio dos Bandeirantes, zona oeste da capital fluminense.

Procedimento

Na primeira parte do projeto social, Barret conversa com as candidatas à tatuagem sobre a cirurgia que fizeram. “Quando a gente acaba o procedimento (tatuagem), elas ficam muito felizes, porque, de certa forma, falta uma parte para completar tudo. A autoestima fica bem baixa. E a ideia da gente é aumentar o máximo possível a autoestima dessas mulheres”, manifestou.

Com esse propósito, além de oferecer gratuitamente a reconstrução de aréola para pacientes mastectomizadas, o Y Rosa conta este ano com novos serviços, como maquiagem definitiva, que inclui sobrancelha fio a fio, e palestras conduzidas pelo Instituto Vamos Viver.

Zelia Souza fez a tatuagem com Barret no ano passado, depois de retirar o seio esquerdo devido ao câncer em dezembro de 2015. “Adorei. Foi muito bom. Eu não gostava nem de olhar para a minha mama. É como se não fosse uma mama. Com o trabalho que o Yurgan fez, deu outra vida. A gente se sente mais feminina. Eu já tinha visto esse trabalho na internet e estava louca para fazer, mas não tinha dinheiro”. Zelia viu a noticia do projeto Y Rosa no grupo de ‘whatsapp’ e resolveu ligar. Ao se certificar que o serviço era gratuito, agendou hora com o tatuador. “Fiquei muito feliz. É um projeto muito legal”.

Método

O método utilizado é o mesmo da tatuagem artística e busca fazer um desenho realista do mamilo, sendo indicado para mulheres que já fizeram a reconstrução da mama e têm autorização médica para tatuar a área. “Acho que sair com a maquiagem, a reconstrução da aréola e tudo o mais ajuda muito na autoestima. Deixa elas mais felizes”, afirmou Barret. O tatuador garantiu que as mulheres não sentem dor para fazer a tatuagem de mamilo, porque o procedimento é feito com anestésico próprio para esse serviço.

Yurgan Barret pretende conseguir apoio para levar o projeto para outras cidades e em outros períodos do ano. “A ideia não é estar fazendo isso só no Outubro Rosa, mas onde der”, afirmou. Uma das próximas cidades a receber o serviço deverá ser a capital São Paulo.

03 out 2019

Pedido de remédio à base de canabidiol pode ser feito pela internet

Arquivado em Comportamento, saúde

Por Agência Brasil: Pacientes em tratamento de saúde a quem tenha sido receitado o uso de canabidiol podem solicitar a importação de produtos feitos à base da substância por meio de formulário eletrônico.

O novo guia de importação mediante prescrição de profissional de saúde legalmente habilitado deve ser preenchido no Portal gov.br, pelo paciente ou por um representante legal devidamente constituído.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o formulário eletrônico procura agilizar o atendimento às solicitações, eliminando etapas como a triagem dos processos instaurados manualmente. O simples preenchimento do documento disponibilizado no portal dá origem a um processo que pode ou não ser autorizado.

“Importante salientar que nada muda em relação ao passo a passo das solicitações. O que foi aprimorado foi o formulário para a realização de pedidos, além da adoção de uma nova porta de entrada para o requerimento”, explica a agência, em nota.

“As etapas do processo de pedido de análise de importação continuam as mesmas e incluem a necessidade de o paciente ter consultado um médico e obtido uma prescrição do medicamento. Depois disso, é preciso fazer um cadastro junto à Anvisa e solicitar a análise de importação. Após a avaliação técnica do pedido, o órgão autoriza a compra do medicamento, que é o que permite a importação pelo paciente.”

Além da recomendação médica, a autorização da Anvisa é requisito obrigatório para importar qualquer produto à base de canabidiol – substância química derivada da Cannabis sativa (a planta popularmente conhecida como maconha), que consta da lista de insumos sujeitos a controle prevista na Portaria nº 344, publicada pelo Ministério da Saúde em 1998.

Os critérios e procedimentos para importação, em caráter excepcional, de produtos feitos de canabidiol estão detalhados na Resolução nº 17, da Anvisa, de maio de 2015.

A resolução estabelece que a importação também pode ser intermediada por entidades hospitalares, unidade governamental ligada à área da saúde, operadora de plano de saúde ou entidade civil representativa de pacientes legalmente constituída, para o atendimento exclusivo e direcionado ao paciente previamente cadastrado na Anvisa. Nestes casos, o paciente deverá informar, ao se cadastrar no portal, os dados do responsável pela intermediação da importação.

Ainda de acordo com o texto, a importação de produtos à base de canabidiol em associação com outros canabinóides (dentre eles, o Tetrahidrocanabinol – THC, princípio ativo da planta da maconha, com propriedade alucinógena, e que exige controle, conforme preveem os acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário) elencados na resolução deve ser constituído de derivado vegetal; possuir teor de THC inferior ao de canabidiol; ser produzido e distribuído por estabelecimentos devidamente regularizados pelas autoridades competentes em seus países de origem e conter certificado de análise, com especificação e teor de canabidiol e THC, que atenda às exigências regulatórias das autoridades competentes em seus países de origem

23 set 2019

Suicídio entre Policiais Federais é seis vezes maior que a média nacional

A Polícia Federal  está no imaginário popular como uma das profissões mais excitantes dentro da polícia.  “Os Anjos de Preto” são homens e mulheres, geralmente muito jovens, que fazem parte de um time qualificado, mas nem sempre preparados para enfrentar os desafios “trevosos” da profissão.

Nos últimos 10 anos, 33 servidores da corporação tiraram a própria vida, revela levantamento inédito da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef).  Em 20 anos – de 1999 até 2019 – foram 49 suicídios mais sete tentativas. Dos 49 casos, 27 foram de agentes. A maior quantidade de suicídios ocorreu no Distrito Federal. Em seguida: Rio de Janeiro,  Santa Catarina e Paraná. Outro dado importante: 30% do quadro utiliza algum tipo de medicamento relacionado a questões psicoemocionais, segundo enquete realizada pela entidade em 2016.

Direitos Humanos/Segurança Pública

Publicada em dezembro de 2010, a Portaria Interministerial SEDH/MJ nº 2 estabelece as Diretrizes Nacionais de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos dos Profissionais de Segurança Pública. O documento aponta dez medidas específicas de saúde que deveriam ser oferecidas aos servidores.

Entre elas, assegurar o acesso ao atendimento independente e especializado em saúde mental; desenvolver programas de acompanhamento e tratamento destinados aos profissionais de segurança pública envolvidos em ações com resultado letal ou alto nível de estresse; implementar políticas de prevenção, apoio e tratamento do alcoolismo, tabagismo ou outras formas de drogadição e dependência química; desenvolver programas de prevenção ao suicídio, disponibilizando atendimento psiquiátrico, núcleos terapêuticos de apoio e divulgação de informações sobre o assunto; criar núcleos terapêuticos de apoio voltados ao enfrentamento da depressão, estresse e outras alterações psíquicas.

Entrevistei Roberto Uchôa, policial federal, bacharel em direito, especialista em gestão de segurança pública, mestrando em sociologia política, integrante do NUC/UENF, núcleo de pesquisa sobre conflito da Universidade Estadual do Norte Fluminense, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sobre os desafios da Polícia Federal. Confira:

Adriana Santos: Qual o maior desafio de ser um policial?

Roberto Uchôa: O maior desafio de ser um policial no Brasil é querer servir da melhor forma possível à sociedade e não poder fazê-lo em razão das inúmeras dificuldades existentes. Ninguém decide arriscar a própria vida em defesa de outros por outro motivo que não seja vocação. Porém só a vontade não basta. Sem estrutura de trabalho, remuneração digna que permita ao policial descansar na sua folga e um ambiente laboral saudável, não há como o policial prestar o serviço que deseja.

Por que tantos policiais estão emocionalmente fragilizados?

Policiais convivem com o amor e ódio da população. Quando ajudam são adorados, quando fiscalizam e punem são odiados, mas todos sabem como isso funciona. O problema é que além de conviver com os problemas ao lidar com a população no dia a dia e com a violência, os policiais encontram também inúmeros problemas internos. Temos modelos de polícia criados no século XIX. São polícias sem carreira, com castas distintas e constante assédio moral. Isso acaba provocando um estresse contínuo no profissional, que não encontra no ambiente interno o suporte necessário para aguentar a pressão do dia a dia, e muitas vezes esse ambiente interno é tão nocivo que agrava a situação.

As instituições de Segurança Pública estão aptas no acolhimento dos policiais que passam por depressão ou outros transtornos mentais?

A maioria das instituições policiais no país não está preparada para acolher os policiais com problemas pessoais e emocionais. Há muito preconceito interno, não há política de acompanhamento dos profissionais e sequer há quadros profissionais adequados para tal tarefa na maioria das polícias. Por isso o aumento expressivo no número de suicídios de policiais. Sem auxílio, muitos tem sucumbido aos problemas de saúde mental.

O que mais prejudica a saúde mental de um policial?

O dia a dia do policial é extremamente estressante. Estado de alerta constante, cobranças, altos níveis de violência e medo de errar fazem parte da rotina diária do profissional de segurança pública. O problema é que ao sair das ruas e voltar ao ambiente de trabalho, onde essa pressão deveria diminuir, isso não ocorre. Devido ao péssimo ambiente de trabalho em grande parte das polícias e ao assédio moral, esse estado de tensão normalmente piora.

O número de suicídios aumento muito entre os policiais. Você já perdeu algum colega de trabalho?

Essa semana perdi o segundo policial que conheci. É muito triste quando isso ocorre, mas ao mesmo tempo fica um sentimento de revolta. Saber que os gestores do órgão tinham conhecimento do grave quadro de saúde mental de um servidor e que não prestaram o auxílio necessário é revoltante. Uma família foi destruída por incapacidade do órgão em cuidar de forma adequada dos seus servidores, que são o maior ativo da instituição.

Você já passou por algum problema emocional e precisou ajuda de um profissional de saúde mental?

No ano de 2012 tivemos uma greve relativamente longa no órgão e os ânimos se acirraram entre os cargos de policiais e delegados, que são os que dirigem o órgão. O ambiente interno que já não era dos melhores piorou bastante, destruindo muitas relações pessoais. Foi uma época difícil, de muito desânimo e desesperança quanto ao futuro, mas consegui lidar da melhor forma possível, canalizando minhas energias para voltar a estudar e tentar propor mudanças para que as instituições de segurança pública sejam modernizadas.

O que dificulta o pedido de ajuda por parte de um policial?

Além do preconceito interno a falta de estrutura de atendimento. Quando um policial busca o auxílio de um psicólogo ou de um psiquiatra é porque realmente está precisando, muitas vezes sendo na verdade um pedido de socorro, e ao negar uma estrutura mínima para acolher e ajudar esse profissional, a instituição policial mostra que sua preocupação se resume a números.

O  policial que passa por algum tratamento psiquiátrico continua portando arma de fogo?

Ao ser afastado por problemas psiquiátricos pode ser determinado que o policial entregue sua arma de fogo, porém essa decisão só ocorre após exame por uma junta médica pericial designada para avaliar o caso. Não sei como funciona em cada instituição policial, mas essa parece ser a regra geral.

Conclusões finais

O cenário de crescimento no número de suicídios de policiais deveria ter ligado o alerta das autoridades responsáveis, mas infelizmente isso parece não ter ocorrido. A crença de que armas mais modernas e viaturas mais possantes são a fórmula para a melhoria da segurança pública já se provou equivocada. O maior ativo de uma polícia são os policiais e o fator que pode melhorar a segurança pública é o investimento neles. Dar condições de trabalho adequadas, remuneração digna que permita o descanso na folga, cuidar da saúde mental e melhorar o ambiente de trabalho incentivando o crescimento profissional são a melhor saída para mudar o panorama existente.

Veja ainda: Assédio moral nas polícias é coisa séria

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