Categoria "saúde"
18 nov 2015

OAB acionará responsáveis por tragédia de Mariana

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Mariana (MG) - Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Mariana (MG) – Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)

A OAB Nacional criou nesta terça-feira (17/11) uma comissão para visitar as barragens da cidade de Mariana, em Minas Gerais, e de outras localidades afetadas pelo desastre ambiental que tem sido noticiado nos últimos dias. O objetivo da comissão é reunir elementos para ajuizar ações judiciais contra os responsáveis e exigir que os governos e as empresas tomem providências preventivas contra a ampliação do desastre.

No dia 9 deste mês de novembro, os conselheiros federais da OAB Nacional já haviam aprovado, de forma unânime, uma moção de pesar pelas vítimas da tragédia. Na ocasião, o assunto também foi remetido à Comissão Nacional de Direito Ambiental da OAB Nacional, que deve elaborar um parecer para auxiliar o poder público na questão.

O presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, ressalta que a entidade está pronta a ajudar as vítimas e suas famílias. “É papel constitucional da nossa instituição estar ao lado da sociedade em momentos como este. Prestaremos apoio jurídico, como já faz a OAB de Minas Gerais, e nos colocamos à disposição das vítimas e município para colaborarmos dentro de nossas áreas de atuação”.

 

Fonte: OAB

13 nov 2015

Tristeza toma conta do coração do povo krenak

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Reprodução/Google

… não tenho palavras. Só lamento.

A tristeza toma conta do coração do povo krenak !!!

Posted by Yrerewa Braz on Quinta, 12 de novembro de 2015

O povo indígena conhecido hoje como Krenak, habitante da margem esquerda do Rio Doce, município de Resplendor, na região Leste de Minas Gerais, formou-se ao longo de um processo histórico marcado pelo caráter violento da expansão econômica sobre aquela região, originalmente de densa mata atlântica, onde diversos grupos de ‘Botocudos’ – resistindo à colonização em outras zonas já ‘conquistadas’ pelos brancos – se abrigaram até meados do Século XIX.

13 nov 2015

Quem se importa com o maior crime ambiental da história?

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Arquivo pessoal

OPINIÃO. Rogério Godinho, jornalista, autor das biografias “O Filho da Crise”, “Tente outra vez” e “Nunca na solidão”. Aluno de história global e globalização em Harvard e aluno-visitante de filosofia no MIT.

Vou dar a medida da encrenca. O que está acontecendo no Rio Doce é pior do que a soma dos piores desastres ambientais dos últimos 30 anos. Algodões, Camará, Macacos, os três rompimentos de Cataguases (2003, 2007 e 2009) até Itabirito no ano passado. Por qualquer critério disponível, seja extensão ou volume de rejeitos. Repito: o que está acontecendo é pior do que a soma de todos eles.

São 62 bilhões de litros de uma lama impregnada de metais que vai chegar até o litoral do Espírito Santo. A empresa insiste que não é tóxico, mas as empresas de fiscalização das diversas cidades afetadas fizeram testes e detectaram a presença de mercúrio, manganês, cromo, chumbo, entre outras substâncias. Por isso, elas interromperam a coleta e estão sem água. Mais de 500 mil pessoas afetadas. Sem contar que o rejeito – pela presença do ferro – está cimentando (mesmo!) diversas partes do rio. E estamos falando da mais importante bacia hidrográfica dentro da Região Sudeste. Sentiu o problema?

No que se refere a mortes, ainda não sabemos o número real, até porque a Samarco (cuja acionista conhecida para o brasileiro é a mineradora Vale) fechou a região das barragens e não permite o acesso. Isso também é inédito: a empresa responsável e que precisa ser investigada é a única a ter acesso ao local do crime, o que torna difícil obter um número preciso de fatalidades.

Sem contar os milhares de animais mortos. Imagine uma longa estrada de destruição. Visualize. Peixes, vacas, cavalos, cachorros, tudo que estava na frente. Até ninhos de tartarugas lá na foz do rio estão removendo para tentar salvar antes que a lama cheia de substâncias químicas chegue.

Em contraste, temos uma mídia que parece não considerar o assunto importante. A Folha de SP não julgou necessário dar a manchete principal para a tragédia nem mesmo no dia seguinte ao ocorrido. Ao invés disso, elegeu como assunto central:

“Lula afirma que não tem medo de ser preso pela PF”.

É o que chamamos de uma anti-notícia. Se alguém tivesse sido preso, seria um fato relevante. Neste caso, trocaram o maior desastre ambiental da história brasileira por nada. Fumaça.

No terceiro dia, outra anti-notícia. A matéria principal era um ex-diretor da Petrobras reclamando que virou um leproso (coitado!). Nenhuma informação crucial, nenhum furo, nada que justificasse ela ser a matéria principal naquele dia tão importante. Era só um perfil inócuo de um sujeito inócuo.

Além disso, as chamadas da primeira página falavam de gente desaparecida. Só isso. É extremamente relevante, claro, mas é uma irresponsabilidade deixar de tocar em temas essenciais, enquanto as matérias internas reproduzem tudo o que dizem a Samarco/Vale e o governo municipal, estadual e federal sem contextualizar, apurar ou refletir.

Enquanto isso, a internet mostrava fontes sérias dizendo que:

1) A empresa tem responsabilidade integral (Fonte: Ministério Público, que deu entrevista na TV, mas não apareceu nos jornais)

2) Não há nenhuma possibilidade da causa ser um abalo sísmico (Fonte: cientistas)

3) Milhares de animais morreram e outros milhares ainda vão morrer (Fonte: moradores das regiões afetadas e biólogos)

4) Pode ser o fim do Rio Doce. (Fonte: cientistas) Irônico não? A Vale [do Rio Doce] matou o Rio Doce.

5) A natureza vai levar 20 ou 30 anos para se recuperar. Alguns dizem 100 anos. Talvez nunca se recupere (Fonte: biólogos)

6) É provavelmente o maior desastre ambiental ocorrido no Brasil e um dos maiores do mundo. (Fonte: especialistas, baseados em um simples levantamento histórico)

O que isso significa? Sobre a mídia, que ela se torna cada vez menos relevante, pois não está cumprindo seu papel. E sem uma imprensa atuante, o setor público e o privado fazem o que querem. Até um governador pode dar entrevista dentro da sede da empresa responsável pela tragédia que ninguém liga, enquanto quase todos os outros líderes políticos fingem que não é com eles (quando é).

Este é o nosso vazamento de óleo do Golfo México, nosso vazamento da Exxon no Alasca, nosso Fukushima.

Mas quem se importa?

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